Racers of Life
21 Uma surpresa pra Sasori
Notas iniciais
Tenten está escorada em sua moto terminando sua latinha de refrigerante e a sua frente Neji rodas as chaves do carro. Estão em uma estrada afastada e rodeada de árvores. Um lugar calmo e fresco.
– Ele realmente teve sorte – diz Tente depois de ouvir o que aconteceu com Gaara da boca de Neji. — Que perigo. Ele sempre bebe antes de dirigir?
Neji suspira guardando as chaves no bolso e se escorando no capô do carro cruzando os braços.
– Todos nós fazíamos isso. — responde chutando uma pedrinha com o tênis.
Tenten amassa a latinha com o pé e a pega guardando em uma pequena bolsa.
– Vocês são mais idiotas do que eu pensava – ela resmunga tirando um sorriso de Neji. — Bom, então vamos às aulas.
Neji bufa se separando do carro e indo em direção a grande moto branca.
Tenten dá um salto e dá espaço pra que suba.
– Por que você insiste com isso? Estamos à dias nisso e nada... Não quero andar de moto – reclama o garoto já subindo no veículo.
Tenten revira os olhos, mas também não tem uma resposta.
– Vamos, engata a primeira e solta a embreagem com mais cuidado agora. — Tenten se coloca ao lado da moto e segura o guidão perto da mão do garoto.
– Eu vou derrubar sua moto, quase que eu não seguro da última vez. — Neji tenta argumentar, mas Tente faz um gesto com a mão calando-o.
– Se cair, é só levantar, oras. — Ela diz simplesmente o fitando os olhos dele pelo capacete.
– Essa moto é pesada, se cair vai ser um estrago.
– Cala a boca, Neji. Anda, dá partida e tenta de novo. Credo, você é muito mole.
Neji bufa, no fundo se divertindo com todas as aulas inúteis e sem fundamento de Tenten.
A moto afoga umas três vezes até ela se irritar e montar na traseira da moto. Neji sente o corpo da garota se curvando as suas costas e por um momento se perde no que ela está falando.
– [...] Se você derrubar a moto, eu caio também. Isso é incentivo suficiente? – Tenten pergunta segurando nos ombros dele.
Neji assente respirando fundo e se concentra no que deve fazer.
– Conseguiu! – Tenten parabeniza quando ele sai sem afogar. – Agora é a mesma coisa com o carro, pega velocidade e troca marcha.
Neji sorri satisfeito sentindo as pequenas mãos rodearam sua cintura.
Tenten aperta os lábios sentindo o comprido cabelo castanho roçar em seu ombro quando o vento bate.
Algumas lembranças a inundam e ela sorri sem perceber.
– Pode estacionar – grita quando vê que já andaram bastante.
Neji para a moto e Tenten pula da garupa.
– Muito bem, Neji.
– Ok, tá feliz? Andei de moto. – Neji tira o capacete e aperta os olhos na direção da garota. – Agora me responde: Por que tudo isso?
Tenten o olha por um instante e abaixa a cabeça.
– Você me lembra alguém – responde depois de dar um suspiro. Neji ergue as sobrancelhas e cruza os braços esperando mais. Tente se senta no capô do carro dele e esfrega o rosto com as mãos. – Eu tinha um amigo, quando era criança, e nós dois amávamos motos. Fazíamos planos para o futuro sobre quais modelos comprar. Ele sofreu um acidente de carro e acabou falecendo. – Tenten para por um instante dando um sorriso triste. Neji se aproxima mais – Quando soube da morte dele, fiquei... – Ela respira fundo antes de continuar. – Prometi que iria cumprir o sonho dele.
Neji continua sem entender, mas na se pronuncia. Acha estranho vê-la vulnerável daquela forma, com uma tristeza nostálgica bem reprimida.
– Sabe, ele tinha os olhos azuis, bem claros e o cabelo meio comprido, me dizia que ia deixar crescer. – ela diz erguendo os olhos para ele e dando uma risadinha suave. Neji sorri em resposta. – Foi muito louco te conhecer, foi bizarro.
– Então, você se aproximou de mim por causa de outro garoto? – diz Neji quebrando um pouco a tensão.
Tenten ri e se coloca de pé.
– No começo sim, mas você é ruim demais pra ser ele. – ela termina rindo.
– Então, agora que aprendi, acabaram as aulas? – Neji pergunta vendo-a ir em direção a moto.
Tenten para no meio do caminho e vira o rosto na direção dele. Um sorriso gentil se faz no rosto dela.
– Eu nunca soube fazer baliza... Quem sabe umas aulinhas?
Neji ri abrindo a porta do motorista para ela.
***
Sakura e Sasori chegam até um lugar atulhado de carros velhos e peças sobressalentes. Desde a ligação no dia anterior, os dois se mantém num clima tenso. Sakura não insistiu em perguntar nada, o assunto “mãe” era um tabu naquela casa, e a última coisa que queria era ver Sasori mal.
– Quem é vivo, sempre aparece!
Sakura sorri assim que vê o homem saindo detrás de uma pilha de motores fundidos.
– Oi Kakashi, consegui arrastar o Saso aqui. – diz a garota cumprimentando o homem com um abraço.
– Bom, Sasori? Achei que tivesse achado outro fornecedor. – diz o homem fingindo tristeza.
– Até parece, Kakashi. Sakura disse que você tinha uma coisinha pra mim.
Kakashi estala os dedos animado e chama-os com as mãos.
– Venha, venha. Assim que o vi... – Kakashi faz uma pausa dramática erguendo os olhos para o céu teatralmente. – soube que era para ser seu.
Sakura ri do homem e Sasori revira os olhos, porém não se aguentando de curiosidade.
Os três andam até os fundos do barracão onde Kakashi usa como escritório. Sakura parece mais animada e Sasori entende o porquê quando vê a surpresa.
– Tcharaaaaaan – Kakashi diz tirando o pano encardido de cima de um carro.
O queixo de Sasori vai até o chão. Sakura expande o sorriso observando o irmão.
Bem em frente à eles está o Impala 67, o carro dos sonhos de Sasori.
– A pintura tá gasta, tá sem rodas, sem carburador, escapamento, vidros, tem um remedo no...
Kakshi vai enumerando os “probleminhas” do carro, mas Sasori não o escuta. Vislumbra o Impala com quase devoção.
– Que caro, Kakashi – Sakura reclama quando Kakashi fala o valor do carro. – Esse carro tá só o pó.
– Mas e dificuldade em achar ele? E as noites mal dormidas? Os telefonemas? As viagens...
– Larga de ser chorão. 2 mil tá de bom tamanho.
– 2 mil? Nem pensar!
Enquanto Sakura e Kakashi discutem, Sasori já começa a fazer planos com aquele carro, planos que incluem uma certa enfermeira...
– Tio, acho que o cano se soltou de novo.
Sasori ergue a cabeça na mesma hora, surpreso. A garota de cabelos castanho, na altura dos ombros congela olhando-o incrédula.
– Rin, peça pro Yamato ver, estou fazendo uma venda.
Kakashi é ignorado .
– Rin? – Sasori se apruma dando um sorriso para a garota.
– Oi. – acena tímida mordendo o canto dos lábios.
Sakura observa a cena com uma surpresa agradável. Kakashi fica confuso por um tempo, mas logo percebe a situação.
– Coisa rosa, vamos ao meu escritório negociar. – Kakashi diz puxando Sakura pelo braço.
– Chato – resmunga ela em voz baixa seguindo o homem.
– Te encontrei. Sobrinha do Kakashi? – Sasori diz se aproximando mais da garota tímida.
– Mundo pequeno, não? – a garota olha para Sasori com um sorriso tímido.
– Fico feliz de não ter que inventar uma doença pra te ver. – ele comenta cruzando os braços no peito com um sorriso galanteador.
Atrás de uma pilha de baterias, Sakura e Kakashi observam todos os movimentos.
– Que estranho ver o tato paquerando. – Sakura comenta observando tudo com afinco.
– Aposto que ele não consegue nada hoje. – Kakashi diz mostrando uma nota de 10.
– Apostado. – Sakura bate na mão dele uma outra nota sem tirar os olhos do irmão.
– Kakashi? Sakura?
Os dois olham para trás sobressaltadas, mas só encontram o sócio e amigo de Kakashi, Yamato.
– Oi seu Yamato, o que que aconteceu com seu rosto? – Sakura pergunta apontando para os hematomas no olho direito e na têmpora do homem.
– Ossos do ofício – responde bem humorado.
Kakashi lança um olhar sério e significativo para o colega, que responde na mesma intensidade.
– Bom, vamos entrar e deixar os dois sozinhos. Yamato, vai fazendo a nota de venda do Impala? – Kakashi diz puxando Sakura para dentro do escritório.
***
Itachi anda de um lado para o outro na sala de estar. Seu estado de nervos está no limite e o nome de Sasuke é associado à um palavrão diferente a cada minuto.
A porta se abre e o Uchiha mais velho quase se joga no pescoço do irmão.
– Onde você tava, moleque? — pergunta num sussurro irado.
Sasuke respira fundo desviando o olhar envergonhado.
– Tava com o pai...
– O QUÊ? — Itachi não se controla e grita começando a ficar vermelho. — Seu imbecil, que po...
– Itachi! Me escuta! — Sasuke pede olhando para o lados. Ele se senta em um sofá passando as mãos pelo cabelo, pensando na melhor maneira de falar com o irmão.
Itachi anda de um ado para o outro tentando aplacar o nervosismo.
– Eles estão ameaçando a mãe, eu tinha que fazer isso...
– Desgraçados. — Itachi para de andar mordendo o lábio com força e repirando rápido enquanto as narinas se contraem de fúria.
– Quando eu tava voltando, pensei em umas coisas. — Sasuke continua com a voz mais calma, chamando a atenção de Itachi. — Podemos derrubar eles, mandar aqueles desgraçados pra cadeia. — Sasuke dá um mínimo sorriso vendo a expressão de Itachi suavizar e ficar curiosa. — Eu vou ser o cavalo de Troia, sacou? Vo ferrar eles por dentro. Vo conseguir acesso ao que preciso pra incriminar eles.
Sasuke olha esperançoso para o irmão. Itachi pesa a informação olhando para um ponto qualquer no tapete.
– É arriscado...
– Eu sei. — Sasuke interrompe – É mais arriscado continuar do jeito que está... falando nisso, e a mãe? Melhorou?
Itachi solta um suspiro sentando ao lado do irmão.
– Tá respondendo ao tratamento, ela tá praticamente curada agora. Tá começando a ficar mais forte, logo volta pra casa. — ele diz com um sorriso que logo se desfaz – Disse a ela que você tava com dor de barriga, por isso que não apareceu pra vê-la...
– Dor de barriga, Itachi? — repete no fundo agradecido por seu irmão.
Itachi dá de ombros.
– Onde tá o urubu e a jararaca? — pergunta se referindo ao pai e a Orochimaru.
– Foram não sei onde, fazer não sei o quê. — Sasuke diz se levantando – Vou descansar um pouco e ir ver a mãe.
***
– Você é inconveniente. — Sasori diz entre dentes vendo a irmã se sentar no banco traseiro de seu carro.
Sakura dá um sorriso inocente quando Rin entra devidamente vestida com seu uniforme branco, no banco da frente.
– Bom, já que você foi cavalheiro o bastante pra levar a Rin pro hospital, eu pensei que seria bom fazer uma visita pra dona Mikoto, oras. — ela diz divertida lendo os lábios do irmão. “Pirralha”.
O caminho foi cheio de insinuações de Sakura, resmungos de Sasori e risadinhas de Rin. Ao chegarem no hospital, Sakura se apressou em sair para deixar os dois sozinhos.
Fez-se silêncio por um tempo, mas Sasori respirou fundo e decidiu quebrá-lo.
– Posso te buscar a noite? A gente podia comer alguma coisa, sei lá.
– Claro, seria legal. — ela responde colocando ma mecha do cabelo atrás da orelha.
Sasori não sabe mais o que falar e acha que ela espera que ele diga algo. Pensa por um momento na ideia maluca que lhe surgiu, e sem medir as consequências, a beija.
– Ai Kakashi, foi ótimo fazer negócios com você. — Sakura comenta escondida nos vasos de flores em frente as portas do hospital vendo o irmão beijar a enfermeira.
Ela se vira e se apresenta na recepção. Sua entrada é liberada. Anda sorridente por sua sorte na aposta. Ela levanta os olhos, distraída, na direção do corredor do quarto de Mikoto e encontra Sasuke saindo do quarto.
Ela estanca no lugar com o sorriso congelado no rosto. O coração já começa a palpitar daquele jeito único.
Aproveita que ele ainda não a viu e se apruma para não parecer com cara de boba.
Sasuke respira fundo ao sair do quarto e se surpreende quando vê Sakura vindo em sua direção. Sorri notando a timidez dela.
– Achei que voltava amanhã. — ela diz antes de chegar perto dele.
– Eu ia, consegui chegar antes. Como você tá? — pergunta escorando na parede perto da porta.
– Tô bem. E você? Trabalhou muito, lá onde você foi? — ela pergunta desviando os olhos toda a hora, falhando na missão de ser descolada.
Sasuke se mexe desconfortável com a pergunta e só murmura um sim.
Um silêncio se faz e Sakura começa a mexer as mãos nervosa.
– Eu já ia te ligar. — diz ele mostrando o celular nas mãos. — Vamos comer alguma coisa hoje.
Sakura assente erguendo os olhos para ele, contendo um sorriso. O celular de Sasuke começa a tocar, quando vê o visor ele bufa e a olha contrariado.
– Tenho que ir – se próxima e a puxa num selinho, o selinho se torna pouco e o beijo se intensifica.
Alguém limpa a garganta e Sakura arregala os olhos ao ver Itachi ali parado.
– Vocês dois... — começa Itachi com os olhos apertados na direção de Sasuke.
Sakura não sabe onde esconder a cara.
– O RH tá ligando – Sasuke diz ignorando a cara do irmão e o último acontecimento – vamos ver o que aconteceu.
– Vou só falar oi pra mãe e já vou. — Itachi diz abrindo a porta e só com a cabeça ele praticamente grita – Oi minha rainha.
Sakura escuta o riso de Mikoto e a breve conversa deles.
– Passo na tua casa, ok? — Sasuke diz chamando sua atenção.
– Ok. — ela responde simplesmente recebendo outro selinho de despedida.
– Até mais, Sakura – diz Itachi com uma cara maliciosa, ela acena envergonhada. Sasuke balança a cabeça seguindo o irmão pelo corredor. — Acho que temos muito o que conversar, Sasuke. — Sakura escuta Itachi dizer antes de virarem o corredor.
Ela fica por um momento ali, parada. Olhando para o nada. Ri sozinha antes de entrar no quarto.
Mikoto está sentada lendo uma revista. Ela logo ergue os olhos com um sorriso quando escuta a porta se fechar.
– Oi dona Mikoto, como a senhora está? — Sakura dá um abraço na mulher e se sentando na cadeira próxima a cama.
– Estou ótima, filha. — responde a matriarca sorrindo.
Mikoto a encara por um momento com um sorriso estranho. Sakura fica constrangida com aquela situação e se remexe tentando pensar num assunto pra quebrar aquele clima esquisito. Mas, antes que conseguisse pensar, Mikoto se pronuncia, deixando-a roxa de vergonha.
– Sabia que as paredes daqui são finas?
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