Racers of Life
27 Amiga é pra essas coisas...
Notas iniciais
– Você tá fugindo de mim?
Ino prende a respiração surpresa quando vê os olhos semiabertos de Gaara em sua direção. Ela se recompõe sentindo o coração indo na garganta.
– Por que aparece – boceja arrumando o tronco na direção dela – quando estou dormindo?
– Não sabia como falar com você. — Ino confessa abaixando a cabeça e soltando a mão dele. Gaara a segura a tempo.
– O que eu não sei sobre você? — ele pergunta estranhamente sério. Essa é uma das faces de Gaara que ela nunca viu. Sempre foi tão boêmio e brincalhão.
– Acho...acho que tudo. — ela solta num suspiro.
– Bom, não tenho pra onde ir – ele diz apontando para as pernas imóveis com um sorriso escárnio – e tenho bastante tempo.
Ino suspira mais uma vez e olha para as pernas dele. Um bolo se faz em sua garganta.
“ – O que ele disse? — pergunta a mãe de Gaara aflita.
– Disse... disse que... Ai meu Deus! A paralisia dele é irreversível. — Ino traduz em meio às lágrimas.
Gaara respira fundo controlando os olhos marejados e as duas mulheres desabam no quarto.”
– Eu amo você – ela diz apertando a mão dele de leve – Isso... isso bastaria pra você não largar de mim?
Gaara a encara sem esboçar qualquer reação.
– Me conta. — pede num sussurro doloroso para Ino.
– Eu fiz mal julgamento de você – ela diz de uma vez para não sair correndo daquele quarto – eu sou esquisita, não saía, não era descolada, ficava atrás de livros e tal... — ela diz gesticulando e olhando para todas as direções, menos para ele – No dia que te conheci vi que você jamais se interessaria por alguém como eu – ela desvia seus olhos para os dele e mostra todo o seu arrependimento – Eu não queria mais te perder. Desculpa.
Gaara a olha por uma eternidade. Ino aperta os lábios não conseguindo encará-lo, até sentir suas mãos serem beijadas. A surpresa tomou os olhos azuis dela e uma lágrima escorreu.
– Não sei o que você pensou que eu fosse fazer, loira – ele diz com um sorriso de canto – O drama eu deixo para vocês, mulheres.
Ino ri um pouco da forma que ele disse bem humorado.
– Você não existe. — ela diz limpando a lágrima fugitiva.
– Você é toda nerd, gosta de livro e fala uma língua gringa...
– 5 línguas, na verdade. – Ino diz dando um pequeno sorriso de canto.
Gaara aperta a mão dela olhando-a nos olhos
– Mas continua gostosa, acha que eu vou largar você?
– Gaara! — Ino dá um tapa no ombro dele e os dois caem no riso.
– Vem cá loira – ele a puxa dando um selinho – Vai, me conta... o que mais tem nessa cabeça assustadora?
***
Tenten está esperando Neji no lugar de sempre. Na estrada deserta rodeada de árvores nas duas extensões. O Porsche estaciona e um Neji rabugento sai batendo a porta.
– Hey, hey! TPM, querido? — Tenten salta da moto indo em sua direção.
– Naruto apareceu na minha casa fazendo algazarra... Esquece isso – ele diz passando as mãos pelo cabelo.
– Ok, o que vamos fazer hoje? — pergunta colocando a mão na cintura e jogando o quadril um pouco para o lado.
Neji ficou pensando no que fariam hoje o dia todo. Já tinha chegado á uma ideia...
Ele encosta-se na porta do carro e cruza os braços respirando fundo para relaxar, o que queria fazer a seguir precisava estar com a cabeça fria.
Tenten o olha curiosa e troca o peso do corpo chamando a atenção de Neji para as curvas que a regata branca da morena mostra. Reparou que nas últimas vezes que saíram juntos, ela deixou o colete de lado, se mostrando mais... feminina.
Ela também queria.
– Vem aqui. — ele diz sério desfazendo a postura, mas colocando o pé na lataria.
– Como é? — ela pergunta sem entender dando um passo pra frente.
– Eu realmente pensei que você fosse do tipo que agia primeiro. — ele diz se desencostando do carro e indo na direção dela.
Tenten se assusta quando ele a enlaça pela cintura e a puxa para perto.
– Mas... o quê você pensa que tá fazendo? — ela balbucia vendo-o ficar cada vez mais perto.
Neji não acredita em como ela pode parecer vulnerável quando quer.
– Você quer? — ele sussurra com medo de ter entendido errado vendo-a assustada.
Tenten desfaz a cara de surpresa dando um sorriso malicioso.
– Você é bem lerdinho, hein.
Ela o puxa para o beijo mais faminto experimentado pelos dois.
Desajeitadamente, eles vão andando em direção ao carro sem se desgrudar e a calça de Neji já é desabotoada quando ele consegue abrir a porta traseira e jogá-la para dentro.
***
“– Acho que temos muito o que conversar, Sasuke – Itachi diz quando os dois estão saindo do hospital depois de ver o irmão e Sakura se beijando – O que você pensa que tá fazendo?
Sasuke respira fundo sentindo que aquilo iria ser chato.
– Foi só uns beijos. — Sasuke diz tentando tirar aquela cara de quem chupou limão de Itachi.
– Poxa, mas tinha que ser justo ela? — Itachi pergunta dando uma bufada em seguida. — Larga dela antes que a menina se apegue.
– Ela não vai se apegar. — Sasuke entrando no estacionamento seguido por Itachi.
– Cara, ela é inocentona. Dá pra ver na cara dela. Daí você fica dando esperança...
– Cala a boca, Itachi!
– Sasuke, é sério. A Sakura não. Ela salvou a mãe, tenha um mínimo de respeito...
– Isso vindo de você é comovente – Sasuke debocha indo para seu carro.
– Idiota – Itachi resmunga parando ao lado do carro do irmão – Você quer algo sério com ela?
– Não – Sasuke responde sem hesitar.
– Então, não brinca com a menina.
– Tá. Não vou mais atrás dela. — Sasuke diz num suspiro dando partida no carro.”
Sasuke esfrega as mãos em agonia pelo rosto. Já tinha deixado os papeis de lado e não conseguia pensar em nada além daqueles olhos verdes e o sorriso tímido.
Sakura. Toda hora.
– Não consegui, Itachi! — diz para o teto de seu quarto com uma risada incrédula. — Você vai rir de mim... Droga!
***
Aquela semana passou como uma brisa gélida para Sakura. Lenta e desagradável... Não conseguia esconder do irmão que algo de errado estava acontecendo e Sasuke não apareceu mais para visitá-la. Somente no sábado se viriam, ele tinha que ficar com a mãe e trabalhar.
Ela se sentia só, mal, vazia, numa pilha de nervos.
Fazia seu trabalho em movimentos mecânicos e passava mais tempo no Bucky, tentando se acalmar com seu ronco, do que o normal.
A sexta havia finalmente chegado, e Sakura não tinha conseguido dormir aquela noite.
Não tinha marcado hora para se encontrar com a mãe e foi um bilhete deixado na caixa de correio com o número 19 que deu a resposta.
Sasori, logicamente não entendeu, mas Sakura sim. Às 19:00 horas iria encontrar sua mãe.
O caminhão de Temari estaciona na oficina com mais um guinchado. Sasori vai conversar com o motorista e Sakura aproveita e sequestra a amiga até o quarto.
No dia em que Temari apareceu para conversarem, Sakura não teve coragem de dizer sobre sua mãe. Sabia que a amiga iria perguntar todos os detalhes e dar muitos conselhos, mas tudo que ela não precisa no momento, eram mais ideias malucas em sua cabeça. Mas nesse dia, nessa sexta-feira, ela precisava desabafar.
– Sakura, desembucha. – Temari cruza os braços séria olhando para a amiga quando entram no quarto da mesma. – O que tá acontecendo, hein?
– Minha mãe... ela voltou. – Sakura suspira se jogando na cama.
– Como? – Temari não esconde a surpresa.
– Ela quer me encontrar hoje. O que eu faço? – Sakura lança um olhar de súplica para a amiga.
Temari suspira desamarrando e amarrando seus cabelos loiros novamente. Sentada ao lado de Sakura, ela observa os próprios pés pensando nas palavras certas.
– O que o Sasori...
– Ele não sabe. – Sakura a corta sentindo uma pontada de desespero tomar conta de si.
– Ok. Não acha melhor ele saber? Ele ir junto e todos conversarem...
– Não, ele não vai. Tá magoado demais. – Sakura diz apertando as mãos nervosamente em cima do colo.
Temari fica em silêncio sem saber o que dizer. Isso é algo extremante pessoal. Apesar de conhecer Sakura desde o colégio e saber a situação dela, sempre soube que nunca saberia o que dizer para amenizar a dor da amiga.
– Eu posso ir com você – Temari se oferece com um sorriso.
Sakura respira fundo, ponderando.
– Não vai te incomodar? – pergunta receosa.
– Claro que não, Saky! Eu vou estar lá pra te apoiar. – Temari diz passando os braços pelos ombros da amiga em sinal de conforto.
– Obrigada, Tema. – Agradece sentindo um peso sendo tirado de si. – Mas me diz, como que começa a namorar e nem me conta?
A gargalhada de Temari contagiou a amiga.
– Ai, nem me fala. Nem eu sabia que tava namorando... Menina! Quase enfartei quando ele disse que eu era a namorada dele! – As duas riram mais um pouco e Sakura foi se distraindo da ansiedade que a machucava por dentro. – A gente tava junto né? Mas tipo, era só rolo. Quando eu perguntei o porquê dele ter dito aquilo ao Gaara, ele respondeu assim: “Seria problemático demais ficar explicando as coisas, namorando é mais fácil...” Acredita? Mas até agora nada de aliança!
Sakura ri mais um pouco enquanto Temari balança a cabeça exasperada.
– Você ama ele? – Sakura pergunta de repente fazendo Temari olhá-la por um momento sem entender.
– Amar, amar... acho que ainda não. Mas... eu gosto dele – Temari diz numa voz mansa e com o olhar distante – A gente se completa, sabe? É gostoso... – Sakura balança a cabeça concordando – E você e o seu ex-amigo ex-gay?
A gargalhada de Temari toma o quarto inteiro mais uma vez vendo o rosto vermelho de Sakura.
– O Sasori ainda não sabe – Sakura sussurra alarmada.
– Que não são mais só amigos ou que ele não é gay?
– Os dois – Sakura confessa tirando um olhar incrédulo de Temari.
– Caraca! Eu não acredito... Safadinha!
– Para Tema! – Sakura ri sem graça tentando esconder o sorriso de satisfação. – Eu acho que to gostando dele, sabe?
– Não achei que viveria para ver Sakura Haruno apaixonada.
– Ai que vergonha.
As duas riem mais um pouco engatando uma conversa sobre homens até Temari receber uma ligação raivosa do pai perguntando onde ela se meteu.
– Bom, às 18:30 eu passo aqui. – Temari diz dando um abraço mais forte que o normal na amiga.
– Nem sei como agradecer – Sakura diz apertando os lábios em seguida.
– Tô te devendo uma. – a loira diz com uma piscada, se referindo ao dia em que Sakura levou-a a Port Royal e conheceu seu namorado.
Temari sai e o estômago de Sakura dá um solavanco. Cada hora que passa, a pressão dentro de si aperta-a mais. A respiração fica difícil e a mente entra num turbilhão de pensamentos e sentimento.
Em duas horas iria rever a mãe.
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