Notas iniciais
Eu não fiz um prólogo porque meus prólogos geralmente são meio (muito) ruins, então tá aí o primeiro capítulo. Já tenho algumas partes escritas, então conforme ir dando tempo, eu vou postando. Xx

... Se você deseja mesmo participar do Torneio Tribruxo, deve melhorar as suas notas em poções e em história da magia. Já te disse isso, Rose. Pensa que eu não converso com os professores sempre que tenho chance? Sei que anda bastante distraída, mais do que de costume.
Pela quinta vez eu digo não, e continuarei dizendo até que me prove que merece essa chance.
Entenda, minha filha, os N.I.E.M's são mais importantes do que esse torneio bobo, e agradeça por eu lhe me contentar com um aceitável nas suas duas piores matérias.
Espero que esteja passando bem nessas primeiras semanas, cuide-se. Amo você.
PS do papai: Eu também amo você, filha!

O suspiro frustrado que escapou dos lábios de Rose fez sua prima, Lilian, virar-se para ela.

— O que houve? – ela perguntou, cravando os olhos na carta que a prima segurava.

As duas se encontravam sentados em um sofá na frente de uma das lareiras do salão comunal da Grifinória.

— Minha mãe me proibiu de participar do torneio se eu não melhorar minhas notas em poções e em história da magia. Você tá me entendendo, Lilian? – ela segurou a garota pela gola da camiseta – HISTÓRIA DA MAGIA. Minha pior matéria. Eu tô perdida. – e suspirou outra vez, levando a mão até a testa dramaticamente. Lilian riu, sabia que não podia culpá-la.

Drasticamente por culpa do destino, Rose havia herdado a dificuldade em aprender de seu pai. Ela fazia de tudo, mas todas as tentativas eram vãs, já que as matérias pareciam se recusar a adentrar o cérebro da ruiva.

— Não é tão difícil assim, vamos. – Lilian empurrou levemente o ombro de Rose, tentando animá-la – Você só precisa prestar um pouco mais de atenção.

— Você tá pedindo pra eu prestar atenção nessa matéria horrível? Really?

— Se eu consigo, você consegue, Rose. Para de problematizar. – ela franziu o cenho. Sabia que a prima tinha lá suas dificuldades, mas não entendia o porquê de tanto drama. – Eu vou dormir. Descanse, viu? – se levantou – E, se não pensar em nenhuma solução melhor, eu recomendo que converse com a senhorita Lancs. Ela com certeza vai arrumar alguma coisa.

E, depois disso, Lilian deixou o salão comunal e, consequentemente, deixou Rose sozinha para que pudesse pensar e refletir em alguma atitude para tomar.

Infelizmente, a sugestão da prima fora a que mais lhe fez sentido, então ela apenas rumou para seu dormitório e esperou que o novo dia chegasse para que pudesse pedir ajuda à senhorita Lancs, a professora de poções. Apesar de não se dar tão bem com a matéria, aluna e professora tinham um contato sem igual e Lancs era, claramente, a preferida de Rose em toda Hogwarts.

Dormiu pensando nisso e, na manhã seguinte quando acordou, a primeira coisa que Rose fez foi buscar a professora Lancs.

Assim que terminou de almoçar, Scorpius se levantou e seguiu para fora do salão principal de Hogwarts. Precisava voltar correndo ao seu dormitório para pegar o material e seguir para a sala da senhorita Lancs, pois havia sido escalado como um dos monitores de poções daquele ano.

Não era para menos. O loiro desde que chegara a escola se destacava aos olhos dos professores, por ser extremamente ágil e aprender com tanta facilidade tudo que lhe ensinavam.

Assim que adentrou o salão comunal da Sonserina, o garoto pôde ouvir alguns comentários maldosos de seus colegas de casa relacionados aos estudantes da Grifinória. Tal fato fez com que ele rolasse os olhos e subisse ainda mais depressa as escadas que lhe direcionavam aos dormitórios masculinos.

Desde pequeno, seu pai, Draco, o ensinou a respeitar todos, independente da casa a qual pertencesse, para que não sofresse no futuro como ele mesmo sofreu. Ainda que tentasse não se misturar com mestiços e nascidos trouxas, Scorpius tinha consciência de que todos, de alguma forma, tinham seu valor.

E foi com esse pensamento que Scorpius apanhou seus livros e deu meia volta, refazendo o caminho até que chegasse ao salão comunal da Sonserina. Ele já se preparava para sair quando, uma voz reconhecida e que o enojava, soou ao longe:

— Apressado por quê, Malfoy? Vai tirar o pai da forca?

Era Jonathan Parkinson, filho de uma das ex colegas de seu pai.

— Vá pro inferno, Parkinson.

Ignorando as provocações que vieram a seguir, Malfoy deixou o salão de sua casa e direcionou-se para o escritório de Lancs, ainda a passos apressados.

Odiava quando se atrasavam para um compromisso com ele, e sabia que não deveria fazer algo que o irritava com os outros.

— Senhor Malfoy, que bom que chegou! – a senhorita Lancs exclamou com um sorriso, assim que o loiro passou pela entrada da sala. Ao analisar o local, percebeu que apenas uma garota ruiva estava sentada. Os braços apoiados sobre a mesa e os dedos batucando levemente sobre a madeira.

Era Rose Weasley.

— Pensei que estaria atrasado, professora, mas vejo que ninguém chegou ainda. – Scorpius deixou um sorriso aliviado escapar e se sentou de frente para a menina, que o encarava atônita.

— Na verdade, você se atrasou sim. Todos os monitores e alunos já foram. Sobrou apenas a senhorita Weasley. – o sorriso de Lancs em momento algum vacilava, mas o de Scorpius morreu assim que assimilou que teria que dar aulas particulares à filha das inimizades de seu pai.

— Você... – ele apontou para Rose – É minha aluna?

— Pelo que parece...

Era perceptível que a ideia não agradava nenhum dos dois, mas Rose precisava de ajuda urgentemente, e Scorpius já havia se comprometido com a professora de poções, portanto, nenhum dos dois ousaria sequer reclamar.

— Eu espero que tenha reservado um bom lugar para dar suas aulas, senhor Malfoy, pois preciso que deixem minha sala já. – Lancs começou, puxando Rose para que se levantasse e em seguida fazendo o mesmo com Scorpius – Terei uma reunião com o diretor.

— An, sim. – Malfoy balançou a cabeça, ainda meio aturdido – Venha comigo, Weasley.

Digamos que o local escolhido por Scorpius não agradou muito Rose, que encarava as paredes com certa curiosidade.

— Eu não sabia que esse lugar existia.

— Se chama Sala Precisa, foi meu pai que me contou sobre ela. – deu de ombros – Pelo que sei, ele a descobriu por causa de seu tio, Harry Potter. – fingiu não se importar com o que estava falando, mas citar o nome do principal inimigo de seu pai na época de escola fez seu estômago revirar.

Não conseguia imaginar Draco, tão bom e gentil como era com o filho e com a esposa, tendo inimigos.

— Interessante. – Rose se sentou, ainda um pouco receosa, em uma das cadeiras ao lado de Scorpius, que procurava uma página específica dentro de seu livro – Eu pensei que ficaríamos em um ambiente com mais gente.

— Eu normalmente perco a concentração quando estou rodeado por muitas pessoas.

— É, eu também. Mas... Sei lá. – a garota se encolheu um pouco, e só então o loiro entendeu o que estava acontecendo.

Com uma arqueada de sobrancelhas e o olhar caído sobre sua nova aluna, ele alertou:

— Eu não vou te matar.

— Eu nunca imaginaria isso! – ela contrapôs.

— Aham. – ele apenas balançou a cabeça com descrença, largando o livro sobre a mesa para que Rose pudesse ver.

— Que isso? – a garota perguntou, depois de analisar tudo detalhadamente.

— Um texto. – respondeu, como se fosse óbvio.

— Eu sei disso! Mas, eu tenho que ler?

— É óbvio. Não me admira que você precise de monitoria, sendo... Desse jeito.

A ruiva se sentiu claramente ofendida, e lançou um olhar mortífero para o menino ao seu lado. Já conhecia a fama esnobe da família Malfoy, mas não se imaginou tendo que passar por esse tipo de humilhação.

— Não foi pra ofender! – Scorpius logo tentou concertar o que havia acabado de dizer – Eu só acho que você deveria se esforçar mais. Não dá pra aprender nada sem força de vontade.

— É, já me disseram isso...

Rose havia lembrado de sua mãe. Hermione passava horas repetindo que a filha precisava se dedicar mais aos estudos, ao invés de ficar assistindo jogos de quadribol ou tentando especular o trabalho de seus pais no ministério.

— Mas eu pensei que nós iríamos praticar, não ficar lendo as partes teóricas. – a jovem se defendeu.

— Por Merlin. – o menino tornou a rolar os olhos e, com toda a paciência do mundo, voltou-se para a garota ao seu lado – Façamos assim: na aula de hoje, a gente vai estudar o máximo de teoria que conseguirmos. – Rose bufou, indignada – Calma! Eu não terminei de falar.

— Continue, então. – ela estava, claramente, desejando logo que a aula acabasse.

— Se fizermos isso que eu disse, na próxima aula podemos treinar só a prática. Eu trago os ingredientes e você dá o seu melhor pra preparar uma das melhores poções de Hogwarts. Combinado?

A ruiva encarou a mão estendida em sua direção, e em seguida analisou o sorriso confiante nos lábios de Scorpius. Não queria parecer tão fácil de se convencer, mas não sabia porque seu corpo desejava logo apertar a mão de Malfoy e retribuir o sorriso com toda a confiança que podia. E assim o fez, para logo proferir:

— Combinado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.