R.E.N.O

2 Capítulo II - Ecos do Subsolo


Já completava uma semana desde que RENO havia pousado no planeta, a chuva ácida parecia estar perdendo força, o radar que havia detectado sinal de vida oscilou no decorrer desses dias, fato que ativou seu protocolo de reconhecimento, quase todo seu foco foi voltado para essa nova tarefa. Depois de aproximadamente nove horas a chuva finalmente cessou e RENO pôde deixar a nave. Assim que seus pés metálicos tocaram o solo ressecado uma poeira se levantou ao redor, ele abriu o painel contido em seu antebraço e deu ordem para os drones de reconhecimento mapearem a área em busca de uma possível entrada para o subterrâneo, enquanto os quatro drones cumpriam sua função ele aproveitou para colher amostras da vegetação morta. O robô caminhou pelo perímetro de dez metros colhendo todas as amostras que podia, a maioria delas era vegetal, mas conseguiu por sorte encontrar fragmentos ósseos que poderiam vir a ser bastante úteis. Passou aproximadamente duas horas dedicado a essa tarefa quando finalmente decidiu abrir o painel em seu antebraço mais uma vez, verificou os dados dos microrrobôs que já trabalhavam incessantemente havia uma semana, aparentemente aquela região — um raio de aproximadamente dez quilômetros — estava quase livre de radiação no ar, não estava totalmente limpa, mas já não apresentava riscos consideráveis à saúde de seres orgânicos. Olhou para a nave para verificar o estado do casco considerando a chuva ácida que caiu quase que ininterruptamente durante aquela semana, felizmente não aparentava ter sido danificada, o material externo da nave havia sido feito especialmente para resistir às intempéries do clima. Sua nave era relativamente pequena, possuía cerca de sete metros de largura e profundidade por onze de altura, tinha o formato de um tetraedro, o que fazia de longe parecer uma imensa seta apontada para cima.

Os drones ainda não haviam retornado do reconhecimento, foi então que decidiu ir até a margem do rio mais próximo para iniciar o processo de purificação da água, expôs de sua mão uma espécie de tubo bem comprido e estreito, mergulhou na água e a mesma foi absorvida pela ferramenta, os leitores indicaram alto nível de radiação, precisava resolver aquela questão diretamente, do contrário seu trabalho não terminaria nunca. Retraiu novamente o tubo para dentro de seu braço e correu em direção à nave, do lado externo desacoplou uma máquina bem grande, tinha quase três metros de comprimento, assim que ela tocou o chão RENO a iniciou, definiu os parâmetros e imediatamente a máquina com suas rodas se dirigiu precisamente até a água, os sons mecânicos que acompanhavam seus movimentos denunciavam que talvez não fosse uma tecnologia tão nova assim, mas isso já era de se esperar. A máquina se desdobrou enfiando seu corpo — que muito lembrava um braço — para dentro do rio, logo foi possível ouvir um barulho bem alto, como de um compressor de ar, porém com amplitude muito maior. A máquina fazia o mesmo que os microrrobôs, porém de uma forma muito mais rápida e direta, além de conseguir comportar muito mais radiação dentro de seu reservatório, porém a parte pouco prática é que ela demorava mais para se locomover do que os microrrobôs, o que tornava a tarefa de esvaziar seu reservatório nos containers algo bem mais lento. Sabendo disso, RENO começou a levar os tonéis, empurrou cerca de oito até a máquina de purificação da água, para que não perdesse tanto tempo se deslocando. Foi quando estava levando o último que a assinatura de um dos drones apitou no leitor presente em seu antebraço.


Finalmente eles haviam reconhecido uma possível entrada subterrânea, se não fosse isso teria de abrir um buraco por conta própria, o que seria muito arriscado já que não sabia como era a formação geológica daquele planeta, poderia provocar desabamentos ou até mesmo terremotos. O drone lançou um sinal para a interface de RENO como um GPS e ele começou a correr mais uma vez. Ele corria a cem quilômetros por hora, conseguiria correr até mais um pouco do que isso, mas preferia poupar energia, aquele planeta recebia bastante luz solar, mas não sabia determinar exatamente a rotação do planeta e as noites se apresentaram bem longas desde que havia chegado. Ele correu por duas horas sem parar até finalmente encontrar a entrada marcada pelo drone. Seus receptores ópticos analisaram minuciosamente a entrada, pela formação parecia ter sido feita, não se tratava de uma formação natural. Caminhou calmamente até a entrada e percebeu que por dentro era extremamente escuro, ativou sua visão noturna e adentrou o que parecia ser uma caverna em uma montanha. Era impressionante a devastação daquele planeta, durante todo o percurso, todo o ambiente se parecia mais do mesmo, terra seca, vegetação completamente esturricada, algumas até mesmo queimadas, algumas montanhas de pedra outras que muito provavelmente um dia foram cobertas de vegetação, mas agora são mais um monte de terra, marrom como o aspecto da atmosfera daquele planeta. A medida que RENO adentrava mais a caverna começou a perceber sinais de ação de criaturas orgânicas inteligentes, muito provavelmente humanos, as paredes eram revestidas de metal e quanto mais fundo ia, mais elaborado ficava, continuou seguindo o túnel e algumas luzes a distância chamaram sua atenção, decidiu desativar a visão noturna e seguiu na direção das luzes. A medida que se aproximava elas ficavam mais intensas, parecia haver vida inteligente naqueles túneis, ao conseguir chegar perto o suficiente RENO avistou um imenso portão metálico circular, parecia se tratar de um bunker, começou a se aproximar mais para analisar, mas ao dar o primeiro passo seu painel desligou completamente e seu corpo metálico caiu inerte no chão.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.