R.E.M.E.M.B.E.R.

5 Capitulo 4- Caverna do Diabo


Notas iniciais
Na saída, eu não podia deixar de pensar no que havia acontecido.

Manhã de sexta feira, a lista havia diminuído para doze pessoas, sendo o Edgar a oitava e eu, ainda a ultima. O R.E.M.E.M.B.E.R. faz upload de um vídeo. O vídeo contem varias fotos de vários participantes que morreram. Dentre eles, os meus amigos de Porto Alegre. "Você nunca esta sozinho." era o que aparecia na ultima imagem. o tamanho do vídeo era especifico. Ele era quase quadrado. -72,5869/11960 era um código que aparecia embaixo da frase. na frente era a soma da coordenada geográfica e os últimos cinco dígitos eram o código postal. El Dorado, São Paulo. A cidade tem um incrível ponto turístico chamado Caverna do diabo. Eu acabei descobrindo isso através do vídeo no site. Havia também a galeria de fotos, onde, na imagem que dizia "Você nunca esta sozinho" estava em destaque.

— Coisas que você aprende na Marina's web: se ha uma imagem com uma frase, abra no bloco de notas. — Edgar ficou fitando-me enquanto eu conversava comigo mesmo.

No bloco de notas, pude observar melhor as coisas. A criptografia levava a uma foto da caverna onde havia uma lanterna, na mesma criptografia também tinha uma imagem do filme "The Hunger Games" representando o sentido básico de "ha uma armadilha para que todos se matem dentro da caverna." Apos a minha experiencia em CICADA 3301 onde pude acompanhar pelo 4 Chan a resolução de dois enigmas, eu sabia que era alguém muito inteligente por trás do servidor. "Todos que entrarem, morreram." pensei. era a oportunidade perfeita para mandar Edgar sozinho la e esperar todos morrerem. Eu ainda estava intrigado sobre o AL.FA. pois não era para estar comigo. Havia sido deixado ali, comigo, por algum motivo. Saímos de Curitiba e em uma hora e meia chegamos a tal Cidade de El Dorado, confesso que esperava um pouco mais. Chegando na cidade, Edgar foi atras de um mapa enquanto eu fui me registrar em alguma pensão. Deixamos para ir a caverna de noite, já que eramos os primeiros a chegar ali.

"Ah que delicia, a caverna faz barulhos..." pensei enquanto descia pela corda, fora os mitos regionais e tudo que nos cercava, eu estava morrendo de medo. Edgar apontou uma arma na minha cabeça e me obrigou a entrar. Eu me senti a Lara Croft em Tomb Raider quando achamos uma fogueira no meio das grutas.

— Parece assustador aqui não? — Perguntou Edgar.

— Parece? — questionei ele. Não nos demos conta de que estávamos sendo observados ate a Viúva sair de trás de uma rocha.

— Dois com uma só bala. Querem apostar? — sarcasticamente ela nos questionou.

— Olha, eu só quero sair daqui por que eu to me cagando de medo... — respondi, ela me encarou seriamente.- Eu não quero estar nesse jogo e muito menos com vocês. São todos loucos. — Enquanto falava, me levantei e comecei a caminhar em direção a saída. Um rapaz gordo apareceu com uma espingarda de pressão e apontou em minha cabeça.- Claro, se já não bastasse ela, agora você.

— Estamos cercados. Sera apenas uma questão de tempo ate todos morrermos. — argumentou Edgar.

A Viúva acendeu um sinalizador e outros seis participantes apareceram.

Viúva Negra, Edgar, João Batista, Marly, Daniel, Francisco, Irmã Rosana, Knight Vampire, Adones, Antony e eu. Era tão emocionante ser o cara que todos queriam matar por ser o ultimo da lista. Eu saltei para o lado e me joguei rolando no chão, Edgar jogou-se perto de mim e quando nos levantamos, estávamos todos em circulo em volta da fogueira.

— Só ha uma saída.- Comentou Marly. Ela, Daniel, Francisco e a Adones entraram pelo Leste e quando passaram, um desmoronamento misterioso fechou aquele caminho.

— Não faz mal. Temos mais duas saídas. — Comentou a Viúva.

— Se eles destruirão uma... — Começou o Knight Vampire.

— NÃO DESTRUÍMOS SEU BABACA VIRJÃO, ela desmoronou sozinha.- respondeu a Adones.

— Continuando, só nos resta uma. A nossa entrada pelo norte também caiu. — Com "nossa" referia-se a ele mesmo, a Irmã Rosana que estava representando o Pai e ao Antony.

— Okay, ainda temos uma. — Argumentou a Viúva. Ela, João Batista, eu e meu parceiro, adentramos por esta ultima.

— Se você fala daquela que fica aqui atras — João apontou com o polegar para as costas -, ela caiu enquanto eu passava. Quase fiquei preso nas "preda".

— Preda... — eu repeti em tom de ironizar.

— Certo, vamos resolver assim. Enquanto estivermos aqui dentro nós não mataremos ninguém. As estalactites são muito sensíveis a sons, vão começar a cair no primeiro tiro. Estamos rodeados de morcegos, só pra avisar.- disse a Viúva com certa autoridade, todos concordaram com a cabeça.

Fomos separados em dois grupos de forma aleatória, sem que ninguém decidisse nada. O grupo da esquerda era a Irmã Rosana, a Viúva, Marly, Daniel, Francisco, João batista e a Adones. Knight Vampire, Edgar, Antony e eu andamos para a direita, sem rumo. No caminho, eu não parava de cantar ate que Antony aponta a pistola na minha testa e diz "se você não parar de falar, eu juro que mato você aqui mesmo." O que fez com que eu me cala-se.

Na parede ao meu lado estava escrito "Ego procidens, vigilantes in malum vestrum" que se traduzido, fica algo parecido com "eu estou caindo, vendo o seu ferimento", se fosse apenas ela, tudo bem, mas continuava pela parede, com varias frases, sendo elas "Hic ego me super genua mea, quomodo possum vivere? Convertimini ad me et paratus sis et spondete mihi, ret contra te et indica mihi." Eu parei de andar e todos notaram. Eu tentava traduzir mas não fazia sentido, ate Antony dizer "aqui tem mais delas, passarinho." ele me apelidou assim. "Et tamen acrius crederem bono, et adhuc credere in lucem, et volo sentio sol... Volo te liberum nocte!" Não fazia sentido.

Juntando todas as frases eu tinha a seguinte colocação: Eu estou caindo, observando como seu ferir. Eu estou aqui em baixo, eu estou de joelhos, Como posso sobreviver? E você se vira para mim e me prometa que você está pronto e me diga que você vai estar à espera do outro lado" e a do fim "E eu ainda acredito no bem, eu ainda acredito na luz, e eu quero sentir o sol... Eu quero você esta noite livre!" Eu não podia acreditar. era uma musica chamada Into the light, da banda In This Moment. parte da minha vida foi ouvindo essa banda com a Anne quase todos os dias. Eu tremia só de lembrar da ligação de Matt, das frases na parede, dos dias de sol qual deitávamos na arquibancada da quadra e esperávamos o intervalo acabar.

— Não esta aqui. Isso tudo foi uma armadilha para todos morrermos. As saídas foram fechadas pelo lado de fora com explosivos, só ha seis de nós enquanto temos doze pessoas, as fogueiras, essa escrita recente com tinta vermelha... — eu comecei a falar isso de forma rápida a ponto de assustar ate mesmo o Knight Vampire. Um estrondo fez as estalactites acima de nós tremer.

— Eu não sei vocês, mas eu vou dar o fora daqui. — disse o Knight e saiu correndo na frente.

— Garoto! — gritou Edgar, temendo que ele se perdesse.

— Deixe que vá, é um a menos. — disse Antony. — Onde esta as lanternas então garoto? Já que não estão aqui...

— Eu não sei, mas devemos estar um muito longe delas. — respondi.

Vemos um sinalizador se aproximar vagarosamente, era a Viúva, sozinha. Ela estava com a perna machucada e sangrando.

— O que houve? — questionou Edgar.

— Fomos atingidos por um desmoronamento, acabei ferindo minha perna. A tal Adones resolveu atirar e acabou causando isso. Eu consegui me esquivar e esperar parar, quando a poeira abaixou ela estava viva, presa embaixo de uma rocha. É emocionante matar o inimigo na faca, não acham? — ao responder isso, a Viúva caiu no chão segurando sua perna ensanguentada. Eu fui ate ela e tirando um lenço da bolsa, amarrei um pouco acima do ferimento.

— Edgar, na sua bolsa tem uma faixa, traga-a aqui.

— Você vai salvar essa vadia? — perguntou Antony.

— Edgar, a faixa! — eu ordenei. Edgar jogou a faixa e eu enrolei sobre a perna dela.- Vai resistir ate a saída, la você se vira.

— Eu posso ser uma vadia como ele diz, mas vou lembrar de você garoto. — sussurrou ela baixo.

Ajudei ela a levantar-se e saímos dali. Edgar e Antony na frente, vendo se havia alguma pista ou algum perigo, eu e ela logo atras. Eis que, apos duas horas de caminhada, surge um facho de luz. um buraco no teto dava ao lado de fora. Embaixo, Não muito longe do centro da luz, era possível ver a perna do Knight Vampire. Ele prendeu uma corda na saída, mas acabou caindo em uma rocha pontuda. Prefiro acreditar em acidente, já que eramos doze mas só dez haviam sido vistos la dentro. Agora eramos sete. Edgar e Antony subiram. Ao sair, Antony correu para sua moto e saiu em fuga. Edgar ajudou a içar a Viúva para cima, por ultimo eu subi. Na saída, eu não podia deixar de pensar no que havia acontecido.

Notas finais
Capitulo 5- Desvendando o CAPRI.CORN.