REESE E O CORAÇÃO COMPARTILHADO
1 Reese e o coração compartilhado
Notas iniciais
Reese não tinha um coração. Na verdade tinha, mas era tão fraquinho que quase não fazia som.
O coração de Reese batia triste e obrigava a menina a sempre dormir no hospital. Vivia cheia de remédios que Reese achava que só lhe faziam mal.
Não podia brincar de bola, nem pirueta ou pique esconde. Não podia nem mesmo ir a festa de aniversásrio da Malu.
Só podia olhar para a janela pequena do quarto e esperar que o coração ficasse mais animado com o tempo.
Mas era chato esperar.
Então um dia Reese decidiu que era hora de mudar.
Dizia decidida:
"Com esse coração preguiçoso não vou mais me chatear!"
E Reese parou.
E não ligou.
E não quis saber.
Mas olhe só que ironia:
o coração também já decidira que já não queria mais bater.
TUM
TUM TUM
TUM
TUM TUM
(s i l ê n c i o )
(s i l ê n c i)
(s i l ê n c )
(s i l ê n )
(s i l ê )
(s i l )
(s i )
(s)hrrrrrrrr
Tum!
Tum Tum!
E tum de novo!
E mais Tum Tum!
Tinha um novo som vindo de dentro do peito de Reese. Era fácil escutar.
Havia coisa nova e dava pra sentir o cheiro no ar.
Quando Reese se deu conta, não pôde acreditar!
"Tem um coração novo no seu peito" disse a mãe "mas ele não foi comprado. Foi um amigo quem te deu. Um presente muito esperado."
Agora sim!
Dava pra brincar de corrida, pular corda e brincar de caçador. Dava até mesmo para desafiar o time do Henry para uma partida de futebol!
Reese agora podia ouvir as batidas do coração e pensava em seu amigo tão fiel que de tão bondoso que era foi morar junto do Papai do Céu.
Demorou um pouco, mas Reese entendeu que o coração fora doado. Que nunca conheceria seu amigo secreto, mas gostava de pensar que estaria sempre ao seu lado. Não fisicamente, mas através do seu coração compartilhado.
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