RE - FUNDAÇÃO

13 12 - O Fim Da Hospedagem


"Somos um... Somos uma só carne e uma só voz" Gabriel e Ann.

"Uma só consciência e um só desejo..." Ana e Liz.

"Uma estabilidade perfeita constituída por duas almas” Jennifer e Amber.

"Uma integridade arquitetada por dois" Lyver e Marcy.

“Somos o novo caminho a ser trilhado" Verena.

“Somos a refundação!" Caio e Will.

M.O.R. K: Multi Organização de Recursos — k... Fora a única coisa que pude ver enquanto era transladado para esse cárcere escuro.

Impenetrável por sinal.

Sim. E agora como vamos fugir? — Chutou o emaranhado de pedaços de colchões antigos.

Não sei.

Vai pra merda! — Dera um tapa em sua própria cabeça — Isso tudo começou com você, seu desgraçado.

Os liguem nas máquinas de extração — Gustavo escutou a ordem precisa de um senhor frente a outras pessoas com uma mesma compostura — Necessitamos desses catalisadores.

Ouviu iniciar pequenas conversas a cerca dos tais 'catalisadores'.

Bianca aproximou-se inquietante, se tinha alguém que ansiava por esse dia, esse alguém era ela.

Senhores... Prontos para o show? — Soara convidativa, conseguindo atrair a atenção dos líderes.

Dirigiram-se para a sala apelidada de 'foco tonal'. Imensa por suposto, condecorada com constelações e simbologias de antigos povos. Em grandes colunas os humanos hospedeiros foram amarrados. Em posição semelhante a um famoso desenho de Da Vinci.

Puseram um par de óculos especificados em suportar qualquer tipo de luz, sendo ela infravermelha ou de qualquer outra procedência.

Uma mescla de luzes semelhantes à neons com feixes dourados começou a tomar conta da sala. Era bem mais que um show de luzes; Os hóspedes eram arrancados dos corpos a cada alavanque da máquina. O único que se mostrara ileso fora o de Ana. Não importava a potência, nem o método, Liz e Ana não se separavam.

As constantes luzes parecia acendessem em ritmo igualitário com a extração. Conforme potencializavam a máquina, às almas luminosas clareavam ainda mais o local.

Sem esperarem todo o sistema decaiu. Houve sobrecarga. Blackout.

Não! — Jogou os óculos contra a parede — Bianca o que é isso?!

Ela agachou-se para pegar o objeto.

Era mais do que normal ter essa sobrecarga no sistema senhor — Lhe devolvera os óculos — Ai está o resultado — Apontara até cinco tubos enfileirados em um círculo aritmético desenhado ao chão.

Os recursos-k — Riu ao deslumbrar cinco tonalidades de luz que serviam de 'lanternas' — Mas e ela? — Tocara o corpo de Ana.

Ela e seu ser de luz não romperam com o processo. Assim que a deixaremos congelada, até sabermos como separá-las — Informou-lhe com bastante precisão. E lhe mostrou dados corpóreos que comprovavam a inexplicável não ruptura entre Liz e Ana.

Ele virou-se para os sócios. E abrindo os braços disse-lhes:

Senhores, bem-vindos ao começo de uma nova era.

...

Droga! — Resmungou ao vão.

Cadê você Lith? — Observou a lua através de uma pequena janela — Pra sair daqui eu vou precisar de você... — Desmaiou.

Num universo paralelo interiorizado em Gustavo, Lith vagava por um labirinto de recordações. Já era à hora de assumir o controle, mas ao tentar não obteve sucesso.

Quem é você? — Sinalou com sua cabeça negra humanoide.

Seu corpo era todo luz, como centenas de faróis. Também possuía a forma de um humanoide. E sua silhueta era familiar para Lith.

Não. Co-como? — Recuava enquanto o outro se aproximava.

Sou o seu oposto. Sua dicotomia. Sou Amon — Pôs-se de cara à cara.

Quem pudesse ver de longe, teria visto como duas partes semelhantes; uma era a escuridão, e a outra à luz. Uma forte e pura luz.

Quem te trouxe aqui? Quem te criou? — Lith o empurrou contra a parede.

Ele levantou-se e ao mínimo movimento de sua mão direita fez com que Lith caísse.

Nessa dimensão, em cima de suas cabeças, uma lua em particular tomava forma, como o olho de um furacão.

Seu oposto. — Disse com a mão ainda abaixada — É como uma doença. O corpo cria anticorpos para cessá-la. Vem à febre e os outros sintomas.

Lith puncionava seus braços tentando livrar-se do efeito de gravidade de Amon.

Foi assim que fui criado... Desde o dia em que você se alojou nele, o corpo dele vinha criando anticorpos para te expulsar. E o resultado deles sou eu — Amon movimentou sua mão e fez com que Lith se levantasse.

Mal puderam perceber que a lua fusionava-se com preto e o amarelo. A cada investida de Lith, o preto recobria boa parte dela, e Amon marcava território através de sua cor amarela.

O que vai fazer? — O intimou.

Amon o largou.

Nada — Deu de costas — Resolveremos isso depois. Agora precisamos nos unir e tirá-lo daqui — Apontou para um lugarzinho onde à alma de seu hóspede despedaçava-se como tecido velho.

Uma trégua então? — Lith o encarou.

Por enquanto sim — O respondeu — Enquanto brigávamos, o eu dele se enfraqueceu. Já é difícil compartilhar o corpo com duas almas. E agora, somos três: Eu, ele e você.

Por primeira vez Lith havia experimentado um resquício de compaixão ao ter olhado à alma fraca e cinza, sem quase nenhuma energia vital.

Já entendi. Teremos de nos unir. Fusionar — Disse Lith.

Sim — Amon aproximara-se — Apesar de não gostarmos da ideia será isso que teremos de fazer.

A lua tornou-se branca.

Amon e Lith deram às mãos, e selaram um acordo. O inesperado estava por acontecer, à luz e à escuridão fundidas em uma só coisa.

Dois corpos humanoides fusionando-se em um só.

O preto e o amarelo recorriam à lua em ritmos iguais. A dividiram em metades iguais. A fizeram ser ao mesmo tempo um semi eclipse e uma semi luz cheia.

Estava tão exaustado que não percebera o amanhecer. Somente ficara ali sentado por um par de horas. Não esperava que alguém o fosse socorrer e nem havia tido falsas ilusões.

Tentou sentir a presença de Lith, mas não o sentiu.

Dessa vez sentiu algo distinto. Tinha a sensação de ter em seu interior o céu e o inferno mutuamente juntos, e realmente os continha.

...

Desde o evento da sala foco tonal, os humanos já não eram hóspedes. Voltaram a serem os mesmos de antes, se é que exista uma maneira de terem continuado os mesmos, depois daquela grande experiência introspectiva.

Por ordem de Bianca, os agentes da M.O.R. K transportaram os corpos humanos para um depósito que não ficava nas dependências do lugar.

Ela queria um acerto de contas pessoal com os adolescentes que tanto lhe causou problemas.

Jennifer notou o momento em que ela e seus amigos foram postos em macas hospitalares. Só esperou eles saírem e acionou outro aparelho de Amber que estava em seu bolso direito.

Não sabia que aquele instrumento informara sua coordenada geográfica para outro aparelho semelhante, e que o mesmo fora colocado por Amber na bolsa de Bruna.

Amber era precavida, e arquitetou todo o aparato em anonimato. Era o seu plano B para os humanos.

Acordem! — Sacudira as macas — Vai gente! Não temos muito tempo.

Despertaram confundidos. Eram de fato humanos outra vez.

Não sinto mais o Marcy — Lyver piscara os olhos.

Nem eu sinto a Amber — Disse Jennifer enquanto buscava suprimentos e garrafas d'água.

Caio esgueirou-se da maca.

Eles se foram — Ele disse.

Ao ouvirem a sentença de Caio, os humanos puseram-se nostálgicos e aturdidos com à ida iminente dos iluminados.

Precisamos fugir — Lyver falara rompendo o silêncio.

Tem uma janela ali — Sinalara Gabriel.

Vamos — Disseram enquanto ajudava-se a restabelecerem o controle de seus corpos.

Pegaram cerca de 3 litros de água em garrafinhas e pacotes de chips que encontraram em cima de uma mesa branca e os puseram em uma bolsa de couro marrom mofada. Havia também um kit de primeiros socorros e um canivete, e Lyver os pegou.

Criaram uma barricada de macas e colchões para alcançarem a janela.

Ao alcançarem, saíram cuidadosamente para não chamarem atenção.

Ótimo. Nem sei onde estamos — Caio coçara a cabeça.

E ai? Agora voltamos pra casa? — Sugeriu Jennifer.

Não — Gabriel a repreendeu — Lá vai ser o primeiro lugar que vão nos procurar.

Pra onde a gente vai? — Lyver deixara cair a bolsa com o kit de primeiros socorros. E ajeitara o canivete em sua cintura.

Só resta pedir carona — Disse Jennifer.

E depois vamos procurar o restante do pessoal — Caio sinalizara pedindo carona.

Por quase duas horas sinalizavam e clamavam por qualquer carona. Chegaram a quase desistirem. Sentados próximos ao encostamento viam automóveis de diversos tamanhos e destinos passarem sem os darem atenção.

Foi um humilde camponês quem os registrou.

Pra onde cês tão indo? — Falara enquanto mastigava um de seus pães caseiros.

Alarmaram-se e se encheram de esperanças.

Pra onde o senhor está indo? — Educadamente Gabriel o perguntou.

Cristal do Norte — O respondeu junto com um simples sorriso.

E aonde fica isso? — Jennifer intrometeu-se.

No sul de Pedro Canário — A contestou.

Ficaram quietos. Caio tomara frente dizendo:

Vamos pra lá com o senhor.

O velho camponês saltou de sua caminhonete e tirou a lona preta da parte traseira dela.

Podem subir ai atrás — Gentilmente os convidou.

Os meninos subiram e acomodaram-se junto as palhas e sacas de trigo.

O veículo teve partida.

Gabriel quase não notara o seu celular em seu bolso de trás. O Gabriel de meses atrás não passava uma hora sequer sem ter a necessidade de dar um clique no aparelho.

Rolara o cursor em busca de alguma canção.

Quando seus olhos viram a faixa 'Imagine Dragons — Radioactive' teve uma súbita lembrança de uma das visões de Ann... IM01. Aquela canção, Radioactive, era a primeira do disco. Não sabendo como, comprovara que a visão de IM01 era sobre uma música, mais precisamente aquela música.

Ninguém queria dizer nada, já era o bastante ter de conviver com tantas sombrias e emaranhadas recordações. Seus corpos desgastados e sujos tentavam sucumbir suas necessidades naquele simples automóvel.

Só queriam descansar... Porque sabiam que a guerra, mais cedo ou mais tarde, estava por começar.

I’m waking up

I feel it in my bones

Enough to make my system blow

Welcome to the new age

To the new age

Welcome to the new age

To the new age.