R.C. And A.V. Secrets
10 Nine
Notas iniciais
Assim que não havia mais nenhum vestígio de sangue no chão da cozinha, me dirigi em velocidade sobrenatural até o quarto de Alexander, quase enlouquecendo pela vontade de tirar as roupas ensopadas e tomar um banho.
Antes de entrar no banheiro, fiquei parada por alguns segundos encostada na porta, tentando saber se Alec havia se incomodado muito com o incidente ou ao menos deixado a porta aberta. Por sorte – ou pelo fato de que vampiros se distraem facilmente –, a respiração do vampiro parecia calma, como se ele mal houvesse escutado. A porta estava apenas encostada, praticamente me dando um passe livre para entrar quando quisesse. Assim o fiz, ainda prestando atenção em cada mínima reação do moreno.
Para minha surpresa, ele não pareceu se importar quando entrei, continuou seu banho com água aparentemente não muito quente como se a porta mal houvesse se aberto. Uma das portas deslizantes e transparentes da ducha também estava aberta, e apesar de que a mesma não estivesse exatamente onde o vampiro se encontrava, eu ainda podia ver seu corpo perfeito através do vidro que não havia sofrido com o vapor, já que esse era inexistente.
Mordi o lábio enquanto fechava a porta atrás de mim. Ver a água percorrendo todo o percurso, desde os cabelos, as costas, o bumbum, até as pernas do moreno era realmente excitante. Meu — até então — calmo coração não demorou para demonstrar sua animação.
— Acidente com bolsas de sangue? – perguntou ele, me tirando de meus pensamentos. Só então me lembrei o que fui fazer ali.
Também notei que estava encostada na porta, coisa que deixei de fazer imediatamente assim que voltei à realidade. Comecei a me movimentar para perto da pia, já tirando as finas roupas.
— Exatamente. – disse eu, com a voz pouco abafada pela blusa de lã estar passando pela minha cabeça. A joguei no cesto de lixo assim que a tirei. Fiz o mesmo com o sutiã e com o short. Minha calcinha fora a única peça de roupa que não teve o mesmo destino que o resto. – Preciso de um banho. Se importa? – mordi meu lábio novamente, enrolando a única toalha disponível no meu corpo sem ter que tomar muito cuidado, afinal não havia tanto sangue em minha pele quanto pensei.
Alec sorriu de canto e se virou um pouco, virando uma das válvulas que controlavam o chuveiro, deixando a água mais quente. Em seguida, num movimento que perdi por ter piscado, Alec se materializou na minha frente, não estando com o corpo completamente colado ao meu por centímetros de distancia. Senti meu coração acelerar, o bastante para fazer com que minhas bochechas esquentassem.
Alexander sorriu satisfeito. Sempre gostou de saber o que provocava nas garotas, embora demonstrasse isso raramente.
— Claro. E eu preciso da toalha. – sua voz era calma, convidativa e convincente. Mesmo assim, arqueei uma sobrancelha, protestando – Ah, qual é, Ness? – brincou ele, no mesmo tom calmo de antes. Alec foi aproximando seu rosto do meu lentamente – É uma troca justa, afinal já estou molhado, você, no entanto... – seus lábios encontraram os meus num selinho surpreendentemente inocente para a situação. Também fora surpreendentemente rápido, tanto que precisei de um segundo extra para reconhecer a situação quando acabou.
Assim que abri os olhos, a toalha branca já não estava mais enrolada a mim, e sim nas mãos de Alec, que mais uma vez estava de costas para mim, porem não tão longe quanto antes.
Suspirei rapidamente, fingindo estar indignada, e como recompensa ganhei um riso divertido do moreno.
Antes que seu riso cessasse, me materializei debaixo da água morna, enxaguando meu corpo e meus cabelos caprichadamente.
— Que injustiça. – a voz brincalhona e ao mesmo tempo aborrecida de Alec preencheu o silencio que havia há minutos; tantos que, nesse meio tempo, pensei que estava sozinha naquele imenso banheiro. Mas não estava.
Um sorriso de uma quase satisfação surgiu no meu rosto.
— Por...? – perguntei-lhe calmamente, andando dois pequenos passos em direção a única porta transparente aberta e olhando-o, sem deixar que o vampiro visse qualquer parte do meu corpo que não fosse minha cabeça.
O moreno estava com as costas nuas apoiadas na pia, os braços cruzados sobre o peito definido e a toalha branca agora repousava em sua cintura, cobrindo-o até as coxas. O cabelo castanho estava úmido e poucamente bagunçado, os olhos laranja-escuro me olhavam atentos e os lábios formavam meu sorriso de canto preferido. Nenhuma palavra o descrevia tão bem naquele momento quanto sexy.
— O vidro está embaçado. – disse ele, com certa safadeza na voz. – Não consigo vê-la com todo esse vapor. – sorriu, mordendo seu lábio sensualmente.
Imitei-o, sentindo meu rosto esquentar.
— Bem – comecei, afastando-me da porta transparente e voltando para o chuveiro. Agora meu rosto não era mais visível para ele –, vai ter que entrar aqui se quiser ver alguma coisa. – falei, mesmo duvidando que Alec aceitasse minha indecente proposta.
Então, novamente, ele me surpreendeu.
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