R u mine?

1 Somebody save me


— Noite difícil, Spinardi? — A voz de um homem soou enquanto mantinha algumas velas acesas em seu candelabro mediano. Um sorriso de canto, costumeiro e meio sarcástico tomava conta da face estúpida do mesmo. Era a voz de alguém com no máximo 24 anos de idade. Uma voz... desconhecida. Catarina estava deitada em sua cama — o cenário, completamente diferente do habitual, uma casa alemã, no centro da cidade, completamente decorada por luzes natalinas — constrangida pelos acontecimentos anteriores. Acompanhada de uma enorme caixa cheia de pílulas para insônia, jogadas ao seu lado esquerdo, onde um travesseiro cinzento também estava. Zed, o gato preto de olhos vermelhos, deitado aos seus pés. As três primeiras portas de seu guarda-roupas completamente arreganhadas, exatamente como deixara na ultima vez que se viu lúcida. Dopada, perguntava-se a quem pertencia a voz misteriosa. Sem abrir as pálpebras pesadas sussurrava algumas palavras sem noção. — Drake, é você? — Indagou curiosa, mas a luminosidade vinda da janela à sua frente, impedia Catarina de abrir os olhos, levando em conta, o seguinte, ela não queria abrir. Os cabelos estavam presos em um coque mal feito, onde fios escorriam por seus ombros estreitos e gélidos. Uma maquiagem pesada em seu rosto pálido, lábios vermelhos, penumbra negra nos dóceis olhos mentirosos e um sorriso frouxo de canto. Sem entender muito bem toda a situação, franziu o cenho e puxou o edredom verde esmeralda do criado mudo desarrumado. O vento encontrava sua pele, arrepiando-a, mas logo, imaginavelmente, cobriu-se. — Fecha a janela para mim, Jake. — De Drake, o homem passou a se chamar Jake, que para Cat, não era muito diferente. Estava bem longe de estar lúcida, porém, estava enjoada. Seu estômago revirava como uma lesma quando atingia uma barreira salgada. Um pequeno estrondo tomou conta do local amplo. A janela tinha sido fechada. — Já pode abrir os olhos para me ver, Catrina. — Insistiu o rapaz, incrédulo. Amargurada, Catarina resmungou algo como "eu não quero", mas cedeu. Suas pequenas orbes luminosas abriam-se por baixo do cobertor, e aos pouquinhos saíam da extremidade do mesmo. — Alexander! O que está fazendo aqui? Por quê? Me diz! Seu canalha delinquente. Eu não te dei o direito de pisar aqui. Como entrou? — Vociferou cruzando os braços, surpresa. Levantou-se imediatamente de seu leito, engoliu seco e sentiu a respiração se elevar. "Mas que droga, era só o que me faltava." Pensou. — Por onde mais você acha? Pelo porão. — Ele riu sarcástico, o que fez o sangue de Catarina, definitivamente, dilatar suas veias, assim como seus olhos, que antes foscos, estavam vermelhos de tanta raiva. Seu coração pulsava mais rápido do que o normal. Ele riu debochado. — Eu disse para deixar as chaves no balcão da cozinha, assim que saísse daqui. — Gritava enlouquecidamente. Seus tímpados estourariam caso aumentasse ainda mais o tom de voz. Teoricamente falando, era como uma granada. Explodiu. Alcançou um vaso de flores murchas e jogou rumo ao mesmo. — Saia daqui, Alexander! Saia. Saia. Saia. — Sua voz era repetida por um eco e a imagem do loiro ficava cada vez mais distante. Dispertou. Tinha sonhado novamente com Alexander, seu maior inimigo e também seu irmão adotivo. Acordou na maca do reformatório, sem saber se era real ou um sonho, dopada, cheia de enxaqueca, dominada pelo medo e pela escuridão do dormitório feminino. Trajava um short rasgado e uma regata branca manchada de sangue. Saiu pelos corredores à fora, enquanto se descabelava, até parar à redondeza da piscina-serpente em frente à um rapaz desconhecido. Mas é claro que não o conhecia, não estava lúcida, não conhecia ninguém. Seus gritos poderiam acordar até mesmo os espíritos e lendas antigas da cidade inteira. As unhas perfuravam a extremidade das pernas. Catarina Spinardi, a irmã esquizofrênica de Caitlyn e a filha problemática de Darius e Morgana.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.