R. para C.l.
1 A Possíveis Leitores
Notas iniciais
De um excêntrico para outro.
Tenho o direito de lê-la? Não que eu tenha receio de não entender, para isso existem dicionários e gramáticas.
Tenho medo. Mortal. Passional. Um medo qualquer não, um específico, ou nem tanto, um só meu. Tenho medo de não lhe fazer jus. Sei como se sente e não quero que se sinta molestada. Folhar-lhe as páginas sem estar presente seria o mesmo que estuprá-la. Ou pior — não entendê-la.
Tenho medo de sua não reação. Do que você não dirá, do que você não pensará, do que não escreverá. Esse medo nos une, nos aproxima, nos ama. O medo paradoxal de querer e não poder -ler — sabendo que é como um qualquer, nunca tirando, sempre dando. Pensando. Não é um livro, é seu ser. Seu corpo, sua mente e sua alma.
É por isso que me apaixono, identifico. Sei que perdi algo mas não sei o quê. Melhor, sei, mas dele saber não quero. Depois, quando me fizer falta, te-lo-ei esquecido, e resquícios desse apêndice servirão como prova de que o tive, usei, e cansei. Mas achei outro, muito mais útil, que me prende, me restringe a liberdade e me equilibra.
Não mudei sua vida, não mudei sua morte nem diferença qualquer fiz a você, mas serei eternamente grato por ter encontrado sua terceira perna, aquela que sem a qual, não seria o que é, e na falta de sê-lo, não mais seria quem admiro e quero bem.
Quero te entender, quero te tocar, que, quer, quero, você.
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