R U Mine?

1 R U Mine?


Notas iniciais
Olha a playlist! -----> https://open.spotify.com/album/41vPD50kQ7JeamkxQW7Vuy

Pov Percy

Passei as mãos pelo seu corpo, enquanto beijava aqueles lábios tão macios que me faziam ir até as nuvens. Abri os olhos e pude ver os seus mudarem de cor, para um azul perigoso. Eles oscilavam entre o verde e o azul, aquilo me fazia delirar. A deitei no sofá, sem me desgrudar dela, ouvi a porta abrir com tudo e, acordei.

Estava com o coração batendo rápido, foi um sonho tão vívido que me assustava. Olhei para o lado e vi apenas minha Annie dormindo tranquilamente. Respirei aliviado, mas quando fechava os olhos só conseguia ver o resto daquela mina, com os cabelos negros, pele branca e olhos oscilante. Nunca a vi antes, não sei de onde minha cabeça apareceu com ela.

Senti alguém me abraçar e beijar meu ombro carinhosamente. Olhei para ela e sorri.

—Bom dia Sabidinha.

—Bom dia, você vai ajudar seu amigo hoje com a sessão de fotos?

—Vou sim, quem sabe depois de ajudar ele, eu não consigo meus próprios clientes! Pode ser um passo para minha carreira.

—Verdade, ele já tem um bom nome nesse ramo, muito legal da parte dele te deixar ajudar – ela disse levantando e indo se trocar para a faculdade.

Arrumei meus materiais, dei um beijo em Annie e saí. O estúdio de Felipe ficava a três quadras do meu apartamento, então não tinha como errar, ele já estava lá e assim que cheguei comecei a ajudar arrumar tudo.

—Você vai amar ela, é super gente boa e divertida. E também está começando a carreira, só que de modelo, então quem sabe vocês não se ajudam – contou Felipe.

—Sério? Que legal. Claro! A quem eu puder indicá-la... Quer dizer, quando eu começar a ter gente querendo tirar foto comigo.

—Relaxa, daqui a pouco você estará cheio de clientes, suas fotos são A+.

—Obrigado – disse sorrindo pra ele. Somos amigos há tanto tempo que é difícil saber quando nos conhecemos, mas ele é um dos meus melhores amigos, confiaria minha vida a ele. E fico feliz que compartilhamos essa paixão, chamada fotografia.

A campainha tocou e fui ansioso atender, minha primeira quase cliente, então não podia estar mais animado.

Abri a porta e perdi o ar. Deparei-me com uma menina tão linda que me fez perder o folego, demorei alguns segundos para perceber o que estava fazendo. Sacudi a cabeça levemente e a cumprimentei.

—Você deve ser a Amélia.

—Sim, mas pode me chamar de Mia – ela me disse sorrindo, e que sorriso.

A acompanhei até a sala onde tiraríamos as fotos, ela cumprimentou Felipe, e eu não conseguia parar de olhar para ela. Seus cabelos batiam na metade das costas, eram de um cacheado tão definido que dava medo de tocar sem desfazê-los, eram negros como a noite e seus olhos... Eu não conseguia defini-los, mudavam de cor de acordo com a luz, eram misteriosos como ela.

Eu tinha que parar de pensar nisso, tinha a Annie e a amava muito não podia magoa-la. Tinha de me concentrar nesse trabalho e parar de olhar aquelas pernas torneadas ou seu decote. Por que ela colocou aquela blusa?

Acho que o Fê percebeu, me olhava como se dissesse "Para porra!" Eu assenti e começamos a sessão, ela tirou o casaco e tive de me segurar para não ficar encarando. Ela estava tirando fotos para mandar a agencias de modelo, devia ter uns 21 anos, assim como eu. E tinha que começar em algum lugar.

Entre uma foto e outra ela me dava sorrisinhos ou olhares bem significantes. Eu apenas desviava os olhos envergonhado. Quando ela foi trocar de roupas para continuar o shoot, o Fê veio conversar comigo.

—É impressão minha ou ela está te dando muito mole, e você está correspondendo. — Ele me perguntou logo na lata.

—Talvez....

—Você está ficando louco? Que merda é essa? Você se lembra da Annie? Sua namorada há quase 6 anos.

—Calma porra! Não vou fazer nada, você sabe. Eu amo ela.

—Bom mesmo, e se fizer, não quero nem saber – ele disse me dando um sorrisinho malicioso – e se você não quiser acho que vou investir.

—Ei, calma lá, quem disse que eu não quero – eu disse sem pensar e recebi outro olhar desaprovador dele – Relaxa, estou brincando.

Ela voltou, e foi a minha vez de tirar as fotos. Mia investiu em poses mais atrevidas, incentivando-me a chegar mais perto e ser criativo. Sem falsa modéstia, minhas fotos ficaram fodas. Terminamos a primeira sessão e ela ficou mais um tempo para conversarmos. Fiz um café e nosso papo rolou facilmente. Nós três parecíamos amigos de anos, ela era tão engraçada e divertida que me fazia querer ficar lá o dia inteiro. Quando percebi passava das oito da noite, e ouvi uma batida na porta. Fui abrir e me deparei com Annie, fiquei branco na hora como se estivesse fazendo algo errado.

—Oi amor! — Disfarcei e lhe dei um selinho a convidando para entrar.

—Oi Cabeça de Alga, você estava demorando, então decidi vir, ver se precisavam de ajuda.

Seus olhos encontraram os de Mia e sua cara fechou. Essa a encarava de volta como se a desafiasse. Eu não faria isso, mas também não sabia do que ela era capaz.

—Só estávamos conversando — eu disse, tentando amenizar as coisas.

—Ah, então não vão se incomodar se eu ficar aqui também, não é?- Annie disse, tentando marcar território.

O clima pesou, e mesmo o Fê tentando fazer graça nada parecia funcionar. A presença da minha namorada só parecia divertir mais a Mia, que não disfarçava suas olhadas para mim, ela queria testar os limites da Annie.

Ficamos mais uma meia hora, antes das duas quase começarem a brigar. Falei que precisávamos acordar cedo amanhã, já que continuaríamos a sessão. Annie me olhou furiosa, como minha mãe fazia quando eu aprontava. Despedi-me do Fê e da Mia que "sem querer" me deu um beijo no canto da boca.

—Ai desculpa – ela não parecia arrependida. Vi Annie ficar mais vermelha que um tomate e, faltou muito pouco para não pular no pescoço dela.

Quando chegamos em casa, ela não queria olhar na minha cara. Não falou nada o caminho todo e murmurava coisas que nem tentei entender.

—Sabidinha, você está bem? — perguntei cuidadosamente.

—Está de brincadeira com a minha cara? Aquela puta estava quase te agarrando na minha frente e você quer que eu fique plena? — ela disse baixinho e foi aumentando a voz.

—Não precisa se preocupar, eu sou SEU namorado, não dela – ela me olhou e percebi uma pequena lágrima descer em sua bochecha.

A abracei e ela apoiou a cabeça no meu ombro.

—Só não quero te perder – disse com um tom magoado e triste.

—Você não vai. Eu te amo.

—Eu também.

Fiquei pensando no que havia acontecido, e prometi a mim mesmo que me seguraria no dia seguinte. Eu não arriscaria tudo por alguém que nem conhecia. Adormeci sem perceber e sonhei novamente com aquela cena, quando olhei nos olhos daquela mulher, vi claramente quem era. Ninguém mais, ninguém menos que Amélia. Sua pele branca e reluzente contrastava com o cabelo preto e, aqueles olhos perseguiam meu corpo todo. Ela não economizou em beijos ou toques. E aproveitava cada centímetro da minha pele. Acordei com o som da porta abrindo.

O coração batia forte, e eu estava suado e excitado. Fui tomar um banho e esfreguei o rosto. O que eu ia fazer? A veria de novo, e tinha de me segurar. Coloquei isso na cabeça e troquei de roupa.

—Queria ir com você no shoot, mas tenho prova – Annie disse antes de sair de casa.

—Que pena, meu amor. Seria ótimo ter você por lá. Imagina que ótima visão eu teria.

Ela me deu um beijo de despedida, mas foi quase um apelo, puxou-me para perto e acariciou minha nuca, fazendo meu pelos arrepiarem como só ela sabia fazer.

—Você quer mesmo sair? — perguntei, dando um sorrisinho malandro.

—Talvez mais tarde – me deu um ultimo beijo e saiu pela porta.

No meio do caminho recebo uma mensagem do Felipe dizendo que teve que resolver uns assuntos de família, e que iria se atrasar. Ou seja, eu teria que começar sem ele e sozinho com ela. No final da mensagem continha a palavrinha "juízo", ri só de pensar no que ele estava pensando que poderia acontecer.

Cheguei ao mesmo tempo que ela e subimos juntos de elevador. Ela já puxou um papo sobre uma festa no final de semana e me convidou. Dizendo que eu podia levar minha namoradinha.

—Ah, legal da sua parte nos convidar, mas Annie está muito ocupada com a faculdade.

—Então podia ir só você — ela disse dando um sorrisinho lado, segurando de leve meu braço.

Sorri de volta e saímos de lá, abri a porta do estúdio com a chave de reserva que ficava embaixo de capacho (lugar mais óbvio), coloquei uma música para nos inspirar e começamos a sessão.

Ela fazia as poses querendo me provocar e eu ia entrando na onda involuntariamente. Ela vestia um shorts jeans e uma blusa preta curta que lembrava uma lingerie. Seguia o ritmo da música enquanto posava e aquilo começou a me excitar, quando começou a tocar Arctic Monkeys ela disse que queria umas fotos mais de perto.

Fiquei a alguns centímetros, mas não o bastante para nos tocarmos.

—Mais! Parece que está com medo de mim — ela disse rindo – Quero uma foto que foque bem no meu rosto.

Fui mais perto ainda, tirei uma, duas, três fotos antes que ela pegasse a câmera da minha mão e começar a tirar fotos minhas num tom de brincadeira. Corri atrás dela para tentar pegar de volta. Ela levantou o braço tentando manter a máquina longe, mas eu era ligeiramente mais alto do que ela.

—Rá, peguei – disse, mais perto do que deveria de seu rosto.

Ela agarrou meu pescoço e me puxou para perto. Beijei seus lábios e larguei a câmera em cima de uma mesinha ali perto. A peguei pela cintura a puxando para cima, ela abraçou meu quadril com as pernas. Caímos no sofá passava a mão pela sua bunda e seios enquanto ela acariciava meu cabelo e peito. Tirou minha blusa e eu a dela. As coisas esquentavam, e eu nem pensava nas consequências, me deixei ser levado pelo momento. Tirei seu shorts e minha calça, junto com a roupa intima, coloquei a camisinha que sempre levava na carteira e partimos para ação, se é que me entende. Ela subia e descia, e eu a beijava enquanto acariciava seus seios devagar. Trocamos de posição e eu fiquei em cima. Não deu cinco segundos, a porta abriu, assim como no meu sonho. Felipe estava nos encarando boquiaberto. Tentava nos cobrir com as roupas, mas Mia ria despreocupada.

—No meu sofá não! — ele dizia – O que você fez Percy!?

O desespero bateu quando percebi, eu havia traído a Annie sem pensar duas vezes. Enterrei o rosto nas mãos sem saber o que fazer.

—Ai meus deuses! Eu não sei.

Coloquei minha roupa, ela colocou a dela, me deu um beijo na bochecha e disse:

—Amanhã eu volto para pagar vocês pelas fotos — me deu uma piscadela e saiu.

—E agora Felipe? — perguntei a meu amigo.

—Agora você vai ter que contar pra Annie.

Olhei para ele chocado, ele só podia estar louco, estragaria tudo! E disse isso a ele.

—Você já estragou – essa foi sua resposta, e meu coração parou.

Comecei a chorar desesperado, não tinha ideia do que faria, qualquer coisa que eu pensava parecia errado fazer. Qualquer opção tinha chance de estragar tudo. Se eu contasse ela terminaria, se eu não contasse a culpa me consumiria, como já tinha começado.

Voltei para casa arrasado, deitei na cama e fiquei encarando o teto. Não sei por quanto tempo fiquei ali, só percebi que horas tinha passado quando a Annie chegou e deitou do meu lado. Ela segurou meu rosto, olhou nos meus olhos e perguntou:

—O que foi? — disse com uma voz calma e carinhosa.

—Nada – respondi, sentia como se um saco de farinha gigante estava sobre meu corpo.

Ela me beijou, e continuamos por um tempo assim, até que eu não aguentei e desmoronei de novo.

—Percy, o que aconteceu, por favor me conta – ela pedia.

Não conseguia abrir a boca, eu estragaria a melhor coisa que me aconteceu por uma tentação, um caso, de um dia.

—Desculpa – foi a única coisa que consegui pronunciar entre meus soluços.

Notas finais
E ai? Me contem o que acharam, estou morrendo de curiosidade!
Beijos, até a próxima ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!