R E V I V A L
4 ATO 1. 04 - Ultraviolence
Notas iniciais
Quando chegou em casa já passava das onze mas ele não sentia qualquer vontade de dormir, tinha acabado de passar as últimas horas com Lucas e ainda estava bobo por tal feito, seu sorriso se esticava de orelha a orelha fazendo até suas bochechas doerem, tirou a roupa, entrou no box, deixou a água quente relaxar seus músculos e pensou em Lucas mais um pouco.
Capítulo 04 — Ultraviolence
Balançava o corpo, indo pra frente e pra trás, sozinho no balanço daquele parque, as outras trinta e nove crianças estavam ocupadas demais brincando pra notar o que ele notou, notou que havia um homem andando em direção ao parquinho, tinha algo que brilhava em suas mãos, algo que tomava forma cada vez que o homem chegava mais perto.
Era um machado.
Olhou ao redor e percebeu que as outras crianças tinhan ido embora silenciosamente sem o avisar e o homem com o machado continuava a se aproximar dele, cada vez mais perto e quanto mais perto ficava, mais dava pra identificar seu rosto, de início pensou que era algum tipo de fantasia, porque um homem andaria por aí, todo sujo de sangue e carregando uma machado?
Lucas.
Lucas?
Levantou-se do balanço rapidamente para tentar ver mais de perto o rosto do homem e ao pisar no chão a paisagem ao seu redor mudou.
Não era mais a criança do parque, muito menos Thomas, estava em uma escola, se chamava Connor, tinha cabelos loiros e olhos azuis que lhe garantiram certa popularidade na escola, seu aniversário de 16 anos era no dia seguinte e já tinha entregado todos os convites, faltando apenas um.
A aula acabou e ele se apressou em ir entregar o último convite, tomou cuidado pra não ser seguido e cuidadosamente entrou na floresta atrás da escola e se esgueirou até a clareira onde era o local de encontro diário entre ele e seu namorado secreto.
A clareira estava vazia, Jim ainda não tinha chegado então Connor esperou por alguns minutos até ouvir um barulho vindo de dentro da floresta.
Lucas?
Jim.
Jim.
— Que demora Jim — disse enquanto corria na direção do amado.
— Desculpa, fiquei meio enrolado pra vir.
— Sem problemas — se beijaram e logo depois sentaram entre as flores que ali crescia.
— Você vem pra minha festa?
— Não sei, não vão desconfiar? — O medo em sua voz era notável.
— Não, eu convidei quase todo mundo, sabe, eu iria adorar te ver lá...
— Se você quer tanto, eu vou — e deram uma sequência de beijos.
— Obrigado.
— Você ouviu esse barulho? — tanto os pais de Connor, como os pais de Jim eram extremamente religiosos e a possibilidade de alguém descobrir sobre eles dois era apavorante, principalmente para Jim.
— Jim, não é nada — disse tentando retomar os beijos quando também ouviu o barulho.
— Que porra... — sussurrou.
E logo os sons aumentaram, o que antes era um ruído se tornou risos e os risos se tornaram gargalhadas, e aquilo que não se conseguia ver, se revelou: Um grupo de garotos, todos mais velhos que Connor, eles riam alto e gritavam ofensas.
— Connor... — chamava Jim, claramente desesperado, mas Connor não tinha reação, ele estava em um estado de choque maior que o de Jim e só reagiu quando a primeira pedra foi lançada, ela acertou seu ombro e o empurrou pra trás e logo então o primeiro garoto avançou.
Jim foi em direção a Connor que gritava pela dor no ombro mas foi jogado pra longe com um chute na barriga, Connor gritava de dor quando o garoto mais velho chutava sua barriga repetidamente e logo foi atingido por outra pedra, dessa vez na perna, outros garotos chegaram e a sequência de chutes continuou, Connor sentiu seu mundo girar quando foi atingido por um bastão de baseball no rosto, não sabia mais se era Thomas, Connor, Luke ou o garoto do parque, colocou a mão na cabeça e sentiu um buraco ali, quando olhou suas mãos, estavam ensanguentadas, virou-se para pedir misericórdia e não estava mais de frente com os garotos mais velhos, aquele também não era Lucas e nem Jim, era o homem que ele tinha visto no parque e ele segurava o machado ensanguentado em cima dele, olhou ao redor e não se viu mais na clareira, não fazia ideia de onde estava mas conseguia ver onde as outras trinta e nove crianças tinham ido, elas estavam todas mortas no chão do local, empilhadas, voltou sua visão para o homem que desceu o machado em sua direção enquanto bradava: REINICIE!
Acordou tremendo e suando frio em sua cama, demorou um tempo para perceber que dessa vez estava acordado e que era Thomas, levantou e bebeu um copo d'água.
O que aquele sonho significava?
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