Réquiem - o Experimento de Lázaro
1 Prólogo
A lua cheia iluminava fracamente a vegetação pantanosa em meio à neblina densa e inebriante. Algo perfeitamente comum naquele local, rejeitado pelo mundo e esquecido pelo tempo, onde mortal algum não pisava em seu solo há milênios.
Entre a mata elevada observavam-se timidamente os resquícios de uma arquitetura levemente arredondada, tal qual se fazia nos templos da antiguidade quando o desconhecido era temido e venerado, e por entre seu piso alagado pela lama pantanosa e os musgos que ali brotavam timidamente havia uma pequena caixa.
Não tinha mais do que duas ou três polegadas de comprimento, e seus detalhes talhados em sua superfície de madeira nobre já haviam perdido boa parte do seu relevo. Mas ainda assim a caixa conseguia impor a sensação de que nem todos os explosivos que a humanidade já criara até aquele momento conseguiriam abri-la.
E naquele silêncio absoluto, no pântano onde nem os insetos ousavam adentrar, uma figura misteriosa coberta por um capuz de cor levemente bronzeada invadiu aquele templo até então imaculado. Ele percorreu pelo piso coberto de lama com voracidade até finalmente chegar à caixa, quando finalmente pôde-se observar seu rosto empalidecido pela luz do luar e o sorriso de satisfação que se apoderava de seu semblante.
Um pequeno sibilo de admiração foi emitido pelo invasor quando rodeou a caixa com cuidado, como se ela fosse uma pequena bomba prestes a explodir a qualquer momento. Não havia dúvidas que era aquilo que ele estava procurando por todo esse tempo, e certamente ele não compreendia como algo tão valioso quanto perigoso poderia ter sido condenado ao ostracismo sem qualquer medida de segurança ou precaução, mas estava contente por não ter encontrado empecilhos naquele local tenebroso, ou pelo menos era o que ele pensava.
Ao tocar na pequena caixa de madeira um leve tremor percorreu o templo, e um grunhido ecoou por cada canto daquelas ruínas. Algo havia despertado, e estava furioso por ter acordado, não tão furioso quanto o invasor, que não conseguir imaginar em momento mais inoportuno do que aquele para um encontro casual com seja lá o que estivesse guardando aquele recipiente.
E então seus pensamentos voltaram a se focar no que ele havia ido buscar. Enquanto sentia o pântano inteiro chacoalhar a cada passo da criatura que se aproximava, o intruso pegou uma chave em seu bolso. Feita de ossos e ornada em pedras preciosas, aquela era a chave que ele buscou por anos e aquele era o recipiente onde ela encaixava perfeitamente. Duas metades separadas através dos milênios e perdidas em contos e superstições finalmente encontravam-se novamente.
Os passos da criatura guardiã aproximavam-se cada vez mais, e o invasor apressou-se em introduzir a chave em seu receptáculo, girando-a sete vezes, conforme ele havia pesquisado, até que a pequena caixa de madeira fez um pequeno “clic” e sua tampa ficou solta.
E então o invasor abriu a caixa...
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