Quimera - COBRINA

1 Capítulo 1 - Cobra


Notas iniciais
Espero que gostem, apesar de ser longo. =D
Tenham paciência também, afinal é a primeira vez que escrevo algo assim.

Desde que a Ka se machucou não pude falar com ela, Lobão me proibiu. Apesar de sentir saudades em falar com a pequena, minha vida tava tão bagunçada e minha relação com a Dama num nível que nunca imaginei estar com alguém que simplesmente segui a vida. Sabia que em algum momento as coisas se resolveriam, além do mais o mané do Pedro estava cuidando dela.

Depois da minha luta com o Duca tanta coisa aconteceu que nem me toquei que a K tinha voltado pra casa, tive que fugir pra salvar minha família, a Jade e a minha própria vida, afinal o Dr. Heideguer estava livre e me ameaçando. A Dama teve que fugir comigo, mas dei um jeito de fazer ela voltar pra casa sã e salva, o Ed cuidou de tudo para que ela fosse pra São Paulo com ele e a Lucrécia até as coisas se organizarem.

Somente um mês depois, quando o Dr. foi preso que pude voltar e minha família veio morar comigo no Rio. Alugamos uma casa perto do QG, na rua de trás. Por falar nele o QG mudou de dono, mas permaneci trabalhando lá, até pra ficar mais próximo da academia do mestre Gael, que eu havia sido aceito novamente pra treinar. Dessa vez mais tranqüilo, pois Duca e o mestre não me viam mais como marginal, ganhei até o respeito deles.

Quando retornei da fuga a primeira pessoa a me ver foi a Ka, ela estava linda com aquela calça jeans rasgada e uma camiseta regata preta, ao me ver seus olhos se arregalaram e brilharam como nunca tinha visto, um sorriso enorme se abriu e só pude a vi correndo através da praça para me envolver num abraço apertado, gostoso e demorado.

C – Tava com saudade pequena? – dei aquele sorriso debochado, mas na verdade me senti t bem de poder estar perto dela de novo.

K – Tava, mas se acostuma não Cobreloa – ela disse se afastando e dando um murro no meu ombro. – Como você tá?

C – Agora to de boa, pronto pra começar a suar e liberar endorfina. – Ri enquanto ela ria também.

K – Vou precisar te ensinar novas palavras Cobra, endorfina já deu. – ela sorriu de lado – Vou ali no Perfeitão, depois passo aí pra te vencer numa luta. Ah, bem vindo de novo Cobreloa! – ela sorriu e foi embora.

Enquanto a Ka se afastava eu fiquei parado olhando ela caminhar, que idiota, mas senti falta dessa pentelha. Apesar de sermos como “irmãos” era incrível as sensações que ela gerava em mim, além de um carinho que eu nunca soube explicar muito bem. Bom, agora sim de volta a realidade, entrei no QG e comecei a organizar as coisas, enquanto fazia isso meu telefone toca era a Dama dizendo que viria passar o fim de semana comigo. Agora as coisas iriam dar certo pra mim, nunca mais sozinho.

A semana passou rápida demais, acho que treinar, trabalhar, estar com minha família e rir muito com a Ka fez com que eu nem percebesse que já era o dia da Dama chegar. Estava no QG quando escuto uma voz conhecida:

J – Vagabundo?!

C – Dama?! – me virei, sorri e já fui pegando ela pela cintura e beijando.

J – Nossa vagabundo, isso que eu chamo de boas vindas. – ela sorria daquele jeito lindo de sempre – Temos assuntos a resolver.

C – Sério que você quer conversar depois desse tempo todo longe de mim?

J – Deixa de ser bobo Cobra, meu assunto é matar saudades do meu lutador lindo, maravilhoso e gostoso. – ela me olhava com desejo, falava isso enquanto dava leves mordidas no meu queixo e no maxilar subindo para minha orelha esquerda.

C – Agora sim! — não perdi tempo, puxei ela e já fui para os fundos, afinal minha antiga cama ainda estava ali.

Depois de ter passado a manhã com a Dama, levei ela, o Ed e a Lucrécia para almoçar comigo e minha família. Após o almoço enquanto conversávamos deram uma notícia que eu não esperava.

L – Ricardo, durante o tempo que ficamos em São Paulo surgiu um convite para eu e o Ed trabalharmos numa escola de artes de lá, que é irrecusável. Então viemos passar essa semana aqui organizando tudo para nos mudarmos semana que vem.

C – Mas como assim? Agora que eu voltei, trouxe minha família, vou ter que me afastar da Jade e de vocês? – fiquei num misto de tristeza e transtornado, me levantei enquanto falava isso e passava as mãos no cabelo.

Ed – Ricardo, nós queremos que vocês nos acompanhem. Existem algumas academias de luta que você pode treinar e vamos procurar emprego para você e sua mãe.

J – Vagabundo essa oportunidade é única. Consegui entrar numa das academias e já estou com o papel principal de uma peça nova. Vamos pra lá? – ela levantou colocando a mão em minha nuca e olhando nos meus olhos – A gente pode ficar juntinho como você disse e quem sabe casar – ela sorriu ao se lembrar do que eu disse durante nossa fuga.

Peguei na cintura dela e me perdi no seu olhar, fiquei alguns minutos em silêncio pensando no que ela acabara de me propor.

C – Dama eu quero muito ficar com você, — tirei uma das mãos de sua cintura coloquei em seu rosto, com o polegar fiz carinho na sua bochecha, olhando nos seus olhos com intensidade — mas no momento não posso sair daqui, não posso abrir mão da oportunidade voltar a treinar com o mestre GAEL, de fazer meu sonho se tornar realidade. – ela me olhou com os olhos cheios de água e tristeza, como se já pressentisse nossa separação.

Agradeci ao Ed e a Lucrécia pelo convite, minha mãe balançou a cabeça concordando com minha decisão. Ela sabia que aquele era o melhor pra mim e queria que eu estivesse novamente com o Gael, a quem ela admirava a muito tempo.

Passamos a semana juntos, a dama e o vagabundo, como se não houvesse amanhã. De fato eu amava aquela menina-mulher. Antes de ela partir decidimos terminar o namoro, porém, mantendo contato. Quando dava nos encontrávamos, afinal o vagabundo não vive sem a dama, porém o tempo se encarregou de fazer com que o amor permanecesse, mas não como era antes.

Nossos sonhos nos levaram para caminhos opostos, eu não podia pedir que ela abrisse mão por mim e ela sabia que eu também não abriria mão do meu, por mais que eu a amasse. Me lembrei do Gael falando que desistiu de continuar lutando para poder se dedicar a família, talvez um dia eu faça o mesmo, mas no momento não era isso que eu queria.

Seis meses se passaram desde que a Dama foi embora, eu estava firme na academia, meus irmãos estavam felizes e com muitos amigos no bairro. A irmã do Pedro e meu irmão caçula não desgrudavam, pro azar do descabelado. Eu e a Ka treinávamos juntos quando dava, as vezes ela aparecia no QG e sempre que dava ia lá em casa, mas como o mané do Pedro ficava sempre em cima, com medo de acontecer algo, ela não ficava muito a vontade. Tentei me afastar, mas ela disse que não se afastaria de mim para eu deixar de bobagem, pois dessa vez nem com ameaça ela iria me largar.

K- Deixa de ser frouxo Cobreloa,somos amigos num é? Um dia o Pê vai entender isso. – era o que ela dizia sempre que eu tentava me afastar e evitar confusão com o descabelado.