Quimera
1 Único
Notas iniciais
Tenham uma boa leitura.
Como se não bastasse a minha melhor equipe estar presa dentro de um “Navio Fantasma”, que pode ou não estar contaminado com um vírus mortal, eu ainda tenho que aturar as cantadas nada sutis do Comandante Skinner. Parece que mesmo eu já tendo avisado que homens mais poderosos, charmosos e bonitos já tenham tentado algo, e que nenhum deles conseguiu nada, foi em vão. Mesmo assim ele continua com suas investidas nojentas, fora de hora e totalmente inconvenientes. Fico imaginando se ele faz isso com alguma superiora? Ou será que ele realmente acha que eu cheguei onde cheguei por conta da minha beleza ou que eu fiz o meu caminho até o topo pulando de cama em cama? Se ele pensa isso, está redondamente enganado e até o final desse dia ele vai saber o que é bom para tosse E, principalmente, vai saber QUEM SOU EU e COMO eu cheguei até aqui.
Contudo, nesse momento, minha maior preocupação é com a minha equipe, meus agentes. E, por mais que eu não possa demonstrar, com Jethro. Se algo acontecer com ele... eu não sei o que faria para justificar comigo mesma....
Nosso último contato com o Chimera aconteceu há, aproximadamente, vinte minutos. E desde então, mais nada. O barco de assalto que estava se aproximando, deve estar mais perto agora e eu não sei o que está acontecendo por lá.
A única certeza que tenho é que Skinner esconde algo, e eu vou descobrir o que é.
Ainda estávamos no MTAC quando, pelo sinal do satélite, o barco alcançou o navio. E menos de dez minutos depois, algo se afastava do Chimera. Sem comunicações com a equipe, eu não saberia dizer o que estava se passando. Acompanhei apreensiva a embarcação menor se afastar, enquanto esperava que os técnicos do Centro de Ameaças conseguissem reestabelecer contato com a MCRT. Foi quando notei que outra coisa se aproximava do Navio Fantasma. Um míssil.
Alguém mandara um míssil em direção ao Chimera, com a minha equipe ainda lá dentro. Todos esses segredos passaram dos limites. Olhei para Skinner ao meu lado, perto demais para o seu próprio bem.
— Quem enviou aquele míssil? – Sibilei na direção dele.
— A Marinha. Como eu disse, nada nem ninguém, tinham autorização para saber o que havia lá dentro.
— A. Minha. Melhor. Equipe. Estava. Lá. Dentro. – Disse o mais pausadamente possível que consegui, apesar de, por dentro, eu queria era esgana-lo.
— Sinto muito, Diretora. Regras e procedimentos da Marinha. Deve saber como é.
A única coisa que eu queria saber como é, é a sensação a minha mão encontrando a cara dele.
— Me liguem com o Alto Comando! – Ordenei aos técnicos.
Eles me olhavam entre assustados e pesarosos. Mal sabiam eles como eu estava me sentido.
— Isso não vai trazer a sua equipe de volta. – Skinner teve a audácia de dizer isso próximo ao meu ouvido.
— Como disse? – Eu me virei para ele, e algo muito além da irritação cobria minha face.
— O que já foi, já foi. Eu estou aqui.
Eu não pensei duas vezes e virei a mão na cara dele.
— Minha equipe acaba de ser morta dentro de um navio da Marinha. Vocês os enviaram para morrer. Cabe a mim tentar entender o que aconteceu. Pois quem terá que explicar para as famílias o motivo de cada um estar morto SOU EU; E você acha uma boa hora para dar em cima de mim? Eu vou te mostrar o que acontece com pessoas que mentem para mim, que dão em cima de mim e que obstruem a justiça, Comandante Skinner. Você queria um encontro comigo, pois vamos ter, Vou te apresentar a Sala de Interrogatório e de lá você só sai quando me contar os mínimos detalhes do que acontecia naquele navio. E quando sair, quero ter o prazer de informar aos seus superiores a sua conduta com para com a Diretora do NCIS, e, assim, garantir que você perca não só a sua patente, como seu EMPREGO. – Eu disse enquanto o arrastava para fora do MTAC em direção às salas de interrogatórios.
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— Você acha que pode fazer isso comigo. – Ele chiou quando o joguei na cadeira.
— Eu não acho. Eu posso E estou fazendo. – Eu disse de pé na sua frente – E não ouse sequer pensar que pode fazer algo, porque não pode! Agora me diga, o que realmente tinha dentro do Chimera que fez com a Marinha explodisse o navio E minha equipe? E não venha com a baboseira de pesquisa marinha, pois nem mesmo uma criança acreditará nisso.
Por mais que ele quisesse bancar o cínico e não dizer nada, aliás, o que saiu daquela boca foi mais uma cantada barata. Uma hora ele falaria, nem que para isso, eu tivesse que apelar para métodos nada convencionais, que sei que tanto Jethro quanto Ziva seriam à favor.
— Você tem um minuto para começar a falar, antes que espalhe para o mundo o que vocês fizeram. E a culpa pelo, seja lá o que a Marinha estava fazendo, será todo sua. 60...59...
— Pesquisa. – Ele gritou quando cheguei no dez e saquei o meu celular. Eu tinha muitos contatos na imprensa para soltar essa história sem que meu nome fosse vinculado.
— Balela. O que era?
— Armamento.
— Que tipo de armamento? Químico? Biológico?
— Nuclear.
— Agora estamos chegando a algum lugar.... o que mais?
— É tudo o que sei! – Ele disse desesperado.
— Eu vou dizer uma única coisa para você, — Eu disse dando a volta e ficando atrás dele – um teste de armamento nuclear não vale a destruição do navio e a perda de vidas de toda a tripulação... tem algo nisso, muito maior e você vai me contar... – Eu joguei a faca que sempre carrego comigo na mesa e ela batei bem no meio dos dedos da mão direita dele, fazendo-o pular. – A próxima, vai ser no dedo. – Eu o adverti e esperei.
Skinner engoliu em seco, e ponderava.
— Nada que você possa dizer aqui, vai me afetar.
— Vou acusa-lo de assassinato. Cinco assassinatos premeditados. Afinal você mandou a minha equipe sem qualquer aviso. E posso acrescentar mais alguma coisa, como, quem sabe, conspiração também, já que tenho certeza que a Marinha vai te deixar na mão... então, somando as penas, uma perpétua é pouco. E você vai ser desonrado, e a sua família é quem vai pagar o preço. Por que a Marinha explodiu a minha equipe e o Chimera?
— Eles sabiam demais!
— Demais sobre? Pare de enrolar ou você vai perder muito mais que o dedo!
— O navio não tinha identificação, nem estava registrado nos livros da Marinha porque estávamos procurando armamento nuclear russo, três ogivas da segunda guerra que sumiram quando o navio que as transportava afundou no meio do Atlântico. Era uma retaliação ao fato de que os russos andam fazendo testes no Mar de Bhering.
— Acharam essas ogivas?
— Sim. Através da última comunicação de rádio, duas ogivas tinham sido localizadas e resgatadas, faltava uma terceira.
Eu ainda não acreditava. Mandaram o NCIS para encobrir uma “pescaria nuclear” da Marinha. E quando eles notaram que o segredo não ficaria muito tempo encoberto, eles mataram quem teve contato com ele.
Eu tinha muito o que fazer. Muito o que pensar. Muito o que lamentar. Assassinaram a sangue frio cinco agentes do NCIS. Assassinaram a minha família bem na minha cara. E eu não pude fazer nada.
Mas eu faria. Essa história não ficaria encoberta. Não mesmo.
Deixei Skinner na sala de interrogatório, pouco me importando com seus protestos medíocres. Ordenei que o Agente Balboa tomasse conta daquela porta. Ninguém entrava, ninguém saía, e, somente com a minha ordem por escrito, alguém teria acesso a ele. Afinal, Skinner era a minha moeda de troca.
A Marinha matou os meus agentes. Mas eu tinha o segredo dela nas minhas mãos. Era hora de jogar uma bela partida de pôquer para saber quem sairia ganhando no final.
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Estava passando apressada em direção à minha sala quando um dos técnicos do MTAC me chamou. Acho que deve tê-lo deixado assustado, pois ele estava mais cauteloso que o normal.
— Senhora, o Alto Comando está na tela, assim como foi solicitado. – Ele disse com cuidado.
— Diga que já vou. Eu preciso fazer algo primeiro.
— Sim, madame.
— E não me chame de Madame! – Toda vez que alguém me chamava assim, eu me lembrava de Mike Franks e dos quatro meses de férias de Jethro.
— Me desculpe.
— Sem problemas. Agora vá. – Ordenei, mas o que eu queria mesmo era jogar na cara dele a regra 6.
Caminhei apressada para a minha sala. Parece que a notícia já tinha espalhado, pois Cynthia tinha os olhos vermelhos. E tentava me perguntar algo.
— Pois não, Cynthia. Algum problema?
— É verdade o que falaram sobre a equipe?
— O quanto você sabe? – Perguntei, enquanto entrava na minha sala.
— Que foram mortos.
— Eu perdi contato com os cinco, Cynthia. Isso não quer dizer que estejam mortos.
— Mas me contaram que você arrastou o Capitão Skinner para a sala de interrogatório, pelo braço...
E eu achando que o fofoqueiro do prédio era o DiNozzo.
— Sim, eu fiz isso. Mas preciso de explicações que somente ele pode me dar, e aquele desgraçado não queria saber de outra coisa a não ser olhar o meu decote. Então, foi um ato necessário.
Ela ficou parada na minha porta, ainda não muito convencida. E se assustou ainda mais quando peguei minha arma, distintivo e bolsa. Eu tinha um plano B, caso o Alto Comando tentasse me enganar.
— Então está tudo bem, senhora?
Foi aí que eu percebi. Antes de jogar a bomba para o mundo, eu precisava resolver a questão internamente. Principalmente com os agentes e pessoal que lidavam pessoal e diariamente com a MCRT, ou seja, com Abby, Jimmy e Cynthia.
— Vai ficar, Cynthia, vai ficar. Agora eu tenho uma videoconferência no MTAC. Qualquer novidade que chegar por aqui, me passe imediatamente, por favor.
— Sim senhora.
Eu deixei, a ainda chorosa Cynthia na porta da minha sala, e me preparei para encarar um dos muitos Almirantes que sempre gostam de se vangloriar de seus feitos.
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— Almirante Tedder. Boa noite.
— Estou esperando a senhora há mais de vinte minutos, Diretora. Foi retocar a maquiagem?
— Não, Almirante. Fui evitar que a notícia de que a Marinha explodiu cinco de meus agentes se espalhasse ainda mais, e chegasse a impressa. Pois, tenho certeza que a essa altura a Assessoria de impressa da Marinha não gostaria de um escândalo.
Tedder ficou lívido do outro lado da tela e até a sua postura mudou.
— Até onde sabem?
— Como o senhor deve saber, as paredes de todas as repartições públicas de Washington têm ouvidos. Eu posso até tentar controlar a notícia internamente, mas não posso dizer que vai ficar entre as paredes do prédio.
— E sabem mais sobre o que?
Nesse momento eu pedi que a sala fosse esvaziada.
— Sei tudo o que acontecia dentro do Quimera, tudo o que o Capitão Skinner sabia.
— Então, você sabe sobre a ogivas? – Ele perguntou descrente.
— Sim. E sei que mataram meus agentes para que a notícia não vazasse. Mas sinto muito... já vazou.
— Diretora Shepard. Achei que você sabia o que fazia em seu cargo. – O Almirante gritou do outro lado da tela.
— Como eu disse, eu controlo o que eu digo... mas fofocas entre os agentes, são ditas longe do alcance dos ouvidos dos superiores. Agora, porque mandaram o NCIS para dentro daquele navio, se vocês nunca tiveram a intenção de que os agentes saíssem de lá?
— Não é da sua posição saber sobre isso...
— Sou Diretora de uma Agência Federal, não preciso de autorizações de seguranças, Almirante. Eu já as tenho. Agora, se a Marinha vai esconder essa informação de mim, serei eu quem informarei aos meus chefes. E sobre chefes eu digo o Secretário da Marinha e o Presidente. E não vou me responsabilizar por nada disso.
— Para te contar eu preciso que assine algum acordo de confidencialidade.
— Também não preciso assinar isso... e o senhor sabe muito bem. Agora comece a se explicar, ou terá que se explicar em uma audiência pública.
Nesse momento, Cynthia entrou correndo no MTAC e me esperava ansiosa.
— Podemos marcar uma reunião para amanhã pela manhã, Diretora. Creio que temos que acertar alguns pontos antes que tudo isso tenha que ser reportado.
— Às nove em ponto, no meu escritório, Almirante. E eu não quero joguinhos. Até lá, para ter certeza de que a Marinha vai cumprir o acordado, Capitão Skinner está sob custódia do NCIS. Tenha um bom final de noite.
Desliguei a transmissão na cara de Tedder e me virei para minha alvoroçada assistente.
— Pode falar agora, Cynthia.
— Eles chegaram, Senhora, A MCRT está aqui,
Foi a minha vez de ficar petrificada. Como eles sobreviveram ao míssil?
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Saí às pressas do MTAC, e quando cheguei na sacada que me dava total visão da Sala do Esquadrão, Jethro estava mandando a equipe para casa, não era para menos, já passava e muito das dez da noite.
Logicamente, meus saltos chamaram a sua atenção e ele olhou em minha direção.
— Espero que todos estejam bem. – Disse em direção à equipe.
— Já tive dias melhores. – DiNozzo reclamou. Porém dessa vez o agente de descendência italiana tinha razão.
— Agente McGee, Oficial David, Ducky?
— Estamos bem, senhora. – A israelense me respondeu, já caminhando para o elevador.
— Quero todos aqui pela manhã para terminarem esses relatórios. – Gibbs deu a sua ordem final e os três agentes aquiesceram já na porta do elevador.
— Agente Gibbs, na minha sala, por favor. – Eu disse assim que nossos olhos se cruzaram.
Virei as costas, eu sabia perfeitamente que ele viria sem demora, pude ouvi-lo subir as escadas de dois em dois degraus.
Não me dei o trabalho de fechar a porta, a pobre coitada não merecia ser maltratada sem razão.
— Posso saber onde você está indo com essa arma na cintura e esse distintivo, Madame Diretora? – Foi desse jeito que Jethro entrou – sem cerimônia – na minha sala.
— Você está bem? Eu vi o míssil. – Perguntei assim que consegui me apoiar na minha mesa. Todo o stress do dia estava cobrando o seu preço.
— Eu te conheço, Jen. E sei que essa cara é de pura preocupação.
— Sim, Jethro. É preocupação... a Marinha armou para o NCIS e você e o restante da equipe estavam na alça de mira. Como você quer que eu fique? – Disse em um tom mais alto que o normal. E me arrependi, pois minha porta estava aberta e Cynthia ainda estava na antessala.
— E o que aconteceu com a Rainha de Gelo do quarto andar? – Ele deu um passo em minha direção depois de fechar a porta.
Droga...
— Eu tenho o dever de me preocupar com o bem-estar de todos os agentes do NCIS, sem exceção, Agente Gibbs. Não se sinta tão importante. – Tentei voltar à persona da Diretora fria pela qual eu tinha ficado famosa nos corredores. Normalmente funciona com todos os funcionários, com a evidente exceção de um,
E ele estava parado bem na minha frente.
— Tem o dever de se preocupar... sei. Mas você já tinha nos visto. Sabia que estávamos bem, então qual é o motivo de me chamar aqui? E somente eu?
— Porque você é o líder da equipe e quero um relatório agora. – Respirei fundo. – Tenho uma reunião com o Alto Comando da Marinha amanhã, e preciso estar a par de tudo o que aconteceu.
— Você acionou o Alto Comando? – Jethro parecia impressionado.
— Claro. Depois do que fiquei sabendo, eu precisava. – Disse autoritária.
— Ficou sabendo por quem? Skinner? – Ele tinha uma sobrancelha levantada em minha direção.
Estreitei meus olhos na sua direção. Tinha algo que ele já sabia.
— Céus! Eu odeio as fofocas desse prédio! – Disse quando li em sua expressão que ele já sabia de tudo que tinha acontecido.
— Você arrastou um Capitão da Marinha pelo braço, Jen. E o interrogou por mais de duas horas. Deveria saber que as notícias correm por aqui, principalmente quando se trata de você.
— E como você já ficou sabendo disso, sendo que acabou de voltar...
— Encontrei com a Abby e o Jimmy logo que entrei. Eles me contaram. Confesso que não esperava isso de você. Da Agente Shepard, sim. Da Diretora Shepard, não. – Ele passou por mim e foi se sentar na minha cadeira.
— Eu vi você ser explodido Jethro. Você, Ducky, Tony, Ziva e McGee. O que você queria? Que eu deixasse para lá? Você ainda é o meu parceiro! Eu ainda tenho que proteger você!! – Disse exasperada.
— Então essa arma na cintura, o fato de você estar pronta para enfrentar seja lá quem for... – Ele tinha um sorriso cínico no rosto, mas eu sabia onde ele queria chegar.
— Sim, Jethro. Eu entrei em pânico quando vi aquele míssil indo na sua direção. Eu entrei em desespero, porque eu não podia fazer nada. Apenas ficar olhando enquanto você era assassinado. – Nem notei que estava do lado dele e apontando o dedo bem no centro de seu peito — E quando a imagem foi cortada, tudo o que me restou foi uma tela preta e um maldito Capitão da Marinha que deu em cima de mim durante todo o dia, dizendo que estava ali do meu lado. E a única certeza que eu tinha era: se eu não pude salvá-lo, pelo menos eu iria fazer algo para que a sua morte não fosse em vão. Eu chegaria a esse ponto por você, por isso essa arma. Eu tinha um plano B. – eu estava sem ar, depois dessa explosão. Fazia tempo que eu não falava tanto e com tanto significado.
— Skinner deu em cima de você? – Foi o que ele me respondeu, prendendo a minha mão na sua.
— Foi só isso que você ouviu, depois do que eu disse? – Respondi incrédula.
— Não, a primeira parte eu já tinha certeza, só queria ouvir da sua boca, – ele reduziu a distância entre nós e nossos corpos se encontraram — mas foi a parte que me importa. Ele vai estar aqui amanhã? – Seus olhos azuis eram frios.
Eu estava tomada pelo cansaço, ou Jethro estava com ciúmes?
— Vai. Ele... – não terminei a frase, pois ele me cortou.
— Eu vou participar dessa reunião. – Ele disse convicto.
— O que você quer com o Skinner? – Agora era eu quem estava curiosa.
— Ele tem que aprender uma ou outra coisinha...
— Se você vai ameaça-lo ou qualquer outra coisa, acho melhor você ter outras táticas no seu arsenal, pois, todas aquelas que você me ensinou, eu já usei com ele....
— Você ameaçou um Capitão da Marinha? – Ele agora sorria.
— O que você acha? Se eu o tirei pelo braço do MTAC, você acha que eu iria tomar um chá com ele enquanto nós conversávamos sobre o aquecimento global? – Soltei nossas mãos e levei as minhas à cintura. Imediatamente senti falta do contato.
— Eu perdi isso? – Ele parou do meu lado e sorria.
Abri um sorriso, eu ainda tinha o poder de surpreendê-lo.
— Isso e o fato de que eu quase arranquei o dedo dele com uma faca. – Dei de ombros e me apoiei na mesa, ainda de frente para ele.
— Igual ao que você fez na Sérvia? – Ele me perguntou descrente.
Sorri ao lembrar do traficante que deu em cima de mim naquele bar... ele perdeu um dedo e, alguns dentes da boca, esse último, cortesia de Jethro, obviamente.
— Mais ou menos, os dentes ficaram na boca... – Disse um pouco animada demais.
Mais uma vez ele diminuiu a distância. Estávamos lado a lado, nossos braços se tocando.
— Eu queria ter visto isto, faz um tempo que não te vejo em ação... você era uma excelente agente, Jen.
— Ainda sou, Jethro. Mas só em ocasiões especiais.
— Como hoje? – Ele baixou o tom de voz enquanto nós dois olhávamos para o porto.
— Você me assustou hoje. Achei que tinha te perdido. – Disse em um sussurro.
— Vai precisar de muito mais do que uma explosão para que você fique livre de mim, Jen.
Olhei na sua direção. Essa era a segunda explosão em menos de dois anos que quase o levava. Na primeira, ele esqueceu de tudo e de todos. Pelo menos nessa a memória estava intacta.
— Pare de morder o lábio, Jen. O que foi? – Ele colocou a mão em minha bochecha e não pude resistir em descansar meu rosto na sua palma.
— Nunca mais me mate de susto assim, Jethro. Nunca mais. — Eu segurei sua mão em meu rosto e levei a minha mão livre no dele. – Eu não sei se sobrevivo se receber outra notícia assim.
Ele acariciou o meu rosto com o ponta do dedão. Eu desejei que o tempo parasse. Parecia surreal que depois de tantos anos, nós estivéssemos assim.
— Jen... – Ele sussurrou o meu nome e eu olhei em seus olhos. Era o mesmo olhar de Paris.
Engoli em seco. Minhas pernas tremeram. Senti o frio no estômago. Prendi a respiração e tomei a iniciativa. Era o momento.
Diminui a distância entre nós. Oito anos era tempo demais para negar um sentimento desses.
— Jethro, eu te...
Ele não me deixou terminar a frase. Encostou sua testa na minha e me beijou.
Por alguns minutos eu me esqueci de onde estava, que cargo eu ocupava. Me esqueci de todo o medo que passei. Eu simplesmente me entreguei a ele.
O que viria a seguir? Eu não me importava.
Em 1999 eu joguei fora a minha chance de ser feliz. Seis anos depois, tornei a fazer a mesma coisa.
Hoje, hoje eu sei. Eu precisei vê-lo quase morrer por duas vezes para notar uma única coisa: eu preciso dele.
Eu o deixei por medo. Por ser boba e não ter perguntado o que ele quis dizer com aquele “hoje será o dia”, mas a Jenny de hoje pouco se importa com isso.
O beijo terminou naturalmente e eu o fitava. Tinha tanto o que eu precisava dizer. Que eu tinha que dizer.
— Jethro, eu preciso...
— Eu te amo, Jen. Não faça como em Paris de novo, nunca mais. – Ele me pediu. Era o Jethro que só eu conhecia. Aquele Jethro que eu aprendi a amar e a confiar. Aquele que eu deixei em Paris.
— Nem se eu quisesse, Jethro. Eu não tenho forças para ficar longe de você! Da primeira vez a dor foi insuportável. – Eu o puxei para um outro beijo e ele nos levou para o sofá.
Quando precisamos de ar, tive que olhá-lo para ter certeza de que era real.
— O que foi? – Ele me perguntou enquanto tirava uma mexa de meu cabelo de frente dos meus olhos.
— Lembra do não fora do trabalho que eu disse há dois anos atrás? – Eu sorri para ele. — Esquece aquilo.
— E eu devo presumir que o não para “no trabalho”... – Ele sorria diabolicamente para mim.
— O “Não no trabalho” vai ter que continuar. – Disse antes de dar um selinho nele e me levantar.
— Não é o que está acontecendo aqui. – Ele me puxou pela cintura.
— Mas vai ter que ser... – Tentei me livrar de seu abraço, sem êxito.
Ele fez uma carinha como se eu tivesse estragado uma manhã de Natal.
— Não entendo, não tem nada demais.
Eu tinha me esquecido como ele poderia ser insistente e convincente.
— Claro que tem! Primeiro, eu não quero ser o motivo de suas distrações, Jethro. E não quero que você seja a minha. Segundo, se alguém nos pegar, nós dois perdemos o emprego. Então, comporte-se.
— Mas você já é a minha distração, Jen!
— E você a minha, Jethro. Mas tem que ser assim. E não me olhe desse jeito.
Esses olhos azuis eram capazes de me deixar maluca, eu faria qualquer coisa que ele me pedisse.
— Assim como? – Aquele sorriso que ele tinha era a prova de que ele sabia o que eu dizia.
— Não comece, Jethro. Por favor... – Eu caminhei para a minha mesa e tentei a todo custo voltar ao ponto principal do dia.
Tentar era a palavra certa... já que era impossível, até de pensar, quando Jethro me olhava daquele jeito. E eu estava de costas para ele!
— São oito anos, Jen. Não faça isso comigo...
Eu passei os últimos dois anos tentando ignorar os efeitos que a voz dele tem sobre mim, eu conseguiria por mais uma ou duas horas...
— Jethro eu...
— Você tem uma reunião com o Alto Comando, ainda tem o Skinner sob custódia, quer um relatório completo sobre o que aconteceu dentro daquele navio. Eu sei, Jen.
Eu suspirei. Ele realmente me conhecia melhor do que eu mesma.
— Mas hoje, essa noite, somos só nós dois.
— Você não acha que temos que conversar primeiro? Temos muita coisa que não foi dita, explicada...
— Eu ignoro tudo o que aconteceu, tudo o que você fez. Aquela carta não existe mais, Jen. Se você ignorar tudo o que falei e fiz. E nós dois podemos começar do zero.
Nós nunca poderíamos começar do zero. Não da forma como nós dois nos conhecemos. Mas eu posso aceitar isso.
— Eu aceito seus termos. Temos que nos apresentar de novo? – Sorri para ele. – Sou Jennifer Shepard, mas você pode me chamar de Jenny.
— Jen, eu vou te chamar de Jen. – Ele sorriu pra mim e pegou a minha mão. – Dispense seu detalhamento de segurança, Jen. Pegue suas coisas e vamos embora.
— Mas você nem se apresentou! – Eu fingi ficar ofendida.
— Você sabe quem eu sou. – Foi o que ele disse.
Sim eu sei quem ele é. E o que ele é para mim.
Existem almas gêmeas e o amor da sua vida.
E ele era os dois para mim.
— Sua casa ou a minha? – Perguntei.
— Minha. Não quero seus seguranças fofocando pela manhã.
— Sinto muito, estranho. Todo o prédio já fala sobre nós pelas costas.
— Pelo menos agora vai ser verdade. – E saímos da minha sala para um prédio completamente vazio.
E pela primeira vez em oito anos, eu me permiti ser feliz e ter esperança. Eu tive que ter a experiência de perder tudo, de não ter mais esperanças, para poder notar o que realmente importa. Quem realmente importa. E quem importa. Bem, ele estava bem ao meu lado, disposto a esquecer os nossos erros e começar de novo. Ou começar de onde não deveríamos ter parado.
Nós sempre teríamos Paris. Pois foi lá que tudo começou de verdade. Mas o mais importante, nós sempre teríamos um ao outro. E daqui para frente não erámos somente parceiros, amigos ou chefe e subordinado. Erámos quem deveríamos termos sido há oito anos.
E o resto?
O resto poderia esperar.
Pois nós dois, nós esperamos muito por isso. E o mundo poderia fazer o mesmo.
— Posso só falar uma coisa, antes que você tome o controle e eu me perca completamente em você? – Pedi assim que chegamos na casa dele.
— Desde quando Jenny Shepard pede para falar?
— Posso ou não?
— Diga... – ele nem tinha esperado que cruzássemos a porta para começar a me beijar.
— A partir de agora não teremos mais segredos, não é? Nenhum? – Já estava ficando difícil de respirar. Eu só sentia ele.
— Sem segredos, Jen. Nenhum.
— E se eu dissesse que...
— Que me ama. Você não precisa dizer, Jen. Você já disse isso há oito anos e provou que continua me amando hoje.
— Bem, isso é verdade, mas e se fosse outra coisa?
Ele parou de beijar a minha clavícula... como raios ele já tinha tirado a minha camisa tão rápido?
— Jen, o que é? – Jethro estava entre o curioso e o nervoso por eu ter interrompido o que ele estava fazendo
— Jethro, casa comigo?
Ele sorriu e me perguntou.
— Isso não está invertido, não?
— Sim ou não?
— Desde que você aceite que eu dê o anel de noivado...
— Como se você tivesse um! – Disse sorrindo.
Ele me sentou na cama e foi até a cômoda, abriu a primeira gaveta e tirou uma caixinha de veludo.
— Você tem um anel?!
— Jenny Shepard, você aceita se casar comigo?
— Mas eu pedi primeiro!
— Eu comprei o anel há oito anos! Meu direito de pedir.
Era o anel que eu tinha visto na vitrine de uma joalheria no Quartier Latin em Paris. Eu tinha me apaixonado pelo desenho, mas, principalmente, pela cor da pedra, pois era da mesma cor dos olhos de Jethro.
— Sim, Jethro, eu aceito.
Definitivamente estávamos recomeçando de onde paramos.
Notas finais
Quase coloquei a Jenny perguntando para o Gibbs o que que diria se ela contasse que tinha uma garotinha esperando por ela em Georgetown que é maluca para conhecer o pai... mas se com esse pedido de casamento eu já fugi da história da série, imagina se eu trago uma filha para esses dois?
Primeira oneshot dos pedidos. Próxima será uma Tiva que me pediram há um tempão!
Até lá!
xoxo
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