Quimera

12 Bálsamo


Notas iniciais
Olha quem voltooou!!!!!!! Depois de uma semana mais que corrida da faculdade e do meu aniversário (que foi ontem ♥) eu pude finalmente sentar e escrever um pouco. É um dos capítulos que eu mais gostei até agora, e espero que gostem também! Agradeço a todo o incentivo, os comentários, os favoritos e quem está acompanhando a história, isso é muito importante para mim. Aproveitem! p.s. bálsamo significa consolo, alívio, conforto, eu achei pertinente com o capítulo (e é uma palavra legal).

— Quem eu sou, você só vai perceber quando olhar nos meus olhos, ou melhor, além deles.

Naruto ainda xingava mentalmente quando engatou a segunda marcha e diminuiu a velocidade, virando o volante até que encostasse na sarjeta. Sua mente gritava desenfreada de que aquela seria uma das piores decisões que ele já ousara tomar, mas parte de si – e, especificamente, uma parte não muito racional – dizia que era o certo a ser feito. Depois de toda a merda que ele fizera, e que acontecera indiretamente o envolvendo, ele precisava ajudá-la.

Claro, não a estava usando como uma espécie de redenção ou algo do tipo – claro que não –. Ele detinha pecados demais para serem expurgados com apenas uma boa ação. E, logicamente, uniu o útil ao agradável, uma vez que toda a escola, em sua literalidade, já havia partido, então não corria riscos de ser visto naquela situação – se aquilo o fazia um maldito filho da puta aproveitador, que fosse.

O Uzumaki, finalmente, parou, buzinando duas rápidas vezes em frente ao pequeno portão semiaberto. Hinata estava devaneando, controlando-se para não desabar ali mesmo, tentando, em algum lugar ainda são de sua mente, planejar alguma escapatória. Quando ouviu o som alto e inesperado, assustou-se, dando um pulo e desencostando da grade em que outrora estava apoiada. Levou uma das mãos ao coração, que agora palpitava descontrolado de susto. Respirou fundo, processando o que estava acontecendo – aquilo fora uma buzina? Será que, em algum lugar do universo, existia uma entidade que se apiedara e resolvera lhe ajudar?

Com seu bastão, mas ainda hesitante e cautelosa, caminhou até encontrar o portão e passou por ele, se esgueirando entre as correntes ainda penduradas em sua fechadura. Atingiu a calçada e conseguia ouvir o motor mais claramente. Era, definitivamente, um carro. Mas não comemoraria tão rápido – não sabia quem era o motorista. Mordeu o lábio, dividida entre perguntar ou esperar. Ela precisava de ajuda, e um carro, àquela altura do dia, era no mínimo um aluno que estava indo para o ginásio, no centro. Era sua chance de ouro. Mas, por outro lado, não se humilharia por nada. Seu orgulho – agora já em um nível alarmante de inexistente — precisava ser preservado. Hinata não seria alvo de pena ou divertimento de mais ninguém.

No entanto, não precisou dizer nada.

— Hinata.

A garota congelou em um meio passo, sem conseguir impedir que sua boca se abrisse completamente de incredulidade. Seus pulmões arfaram e sua mente se nublou de sentimentos desconhecidos e intensos. Ela conheceria aquela voz de longe – e condenava-se por isso todas as vezes –. O tom sempre incerto e covarde, mas aplumado como seda, calmo e sereno. Seu braço arrepiou-se, e ela quis fazer várias coisas. Chorar. Gritar. Sair correndo. Chutar. Chorar e gritar. Infelizmente, nenhuma daquelas opções eram viáveis para sua atual situação e, mesmo se quisesse, suas pernas pareciam não obedecer os simples comandos vindos de seu sistema nervoso, e blocos de concreto prendiam seus pés no mesmo lugar.

Em questão de segundos, diversas cenas se passaram em sua mente. Cenas boas, entretanto, mais ainda cenas ruins. Ela desejou ardentemente que pudesse se guiar na escuridão permanente que a assolava, mas piscava e tudo que via era o preto brilhante do sol, que já despontava no alto do céu. Permaneceu calada, embora um suspiro tivesse escapado de seus lábios cerrados.

— Hinata. – Naruto insistiu, desencorajado, vendo que ela nada tinha dito – Vamos. Eu tenho um carro, e estou indo para o ginásio. Posso te dar uma carona.

— Não. – respondeu, em um ímpeto, se arrependendo quase instantaneamente – Não preciso que me ajude. Consigo me virar sozinha. – teimou, não dando o braço a torcer. Seu coração ainda doía ao lembrar do acontecimento de algumas semanas atrás, tão longínquo, mas tão recente para si.

— Jura? – Naruto ergueu uma sobrancelha por pura força de costume – Nenhum ônibus passa por aqui antes das três da tarde, e, pela sua bolsa, você vai competir. Nunca vai chegar a tempo. – Hinata balançou, ainda sem certeza. Naruto deixou um suspiro resignado escapar, apertando o volante – Olha, eu posso te ajudar. Sei que você é talentosa. E sei que está magoada comigo. – sua voz se tornou mais suave – Com razão. Pode fingir que eu não existo. Só me deixe te levar até lá, para que compita. Por favor. – Hinata descruzou os braços, que não percebeu ter cruzado, e deixou-se convencer. Ela precisava chegar na hora, e queria tanto competir.

Com um resmungou, bateu o bastão e arrumou a bolsa sobre o ombro, andando devagar. Naruto soltou o ar, satisfeito, e abriu a porta do passageiro, tirando a própria bolsa do banco e passando para trás. O Ginásio Provincial ficava a pouco mais de vinte minutos da Academia, caso não pegasse a balsa que atravessava a pequena porção de água que os separavam da costa. Todas as escolas da região disputariam as eliminatórias no local, e os vencedores se classificariam para as quartas de final, no grande Ginásio de Kobe.

Hinata tateou pela lateria, “vendo” o modelo, e engoliu em seco ao perceber que, provavelmente, era um dos caros e velozes, com a capota baixa. Trombou com a porta e se inclinou para entrar, sentindo o couro do assento, com cheiro de novo. Fechou a porta com cuidado e apertou a mochila em seu colo, buscando o cinto de segurança. Encolhida, sentia-se em território desconhecido, com alguém que mexia desagradavelmente com seu emocional. Seria uma longa viagem.

Naruto a observou atentamente, maravilhado com cada singelo movimento que fazia. A viu cuidadosamente sentar-se e acomodar-se, acuada, e evitou um suspiro. Era clara a barreira invisível que a garota instalara entre eles, embora estivesse desesperado para conversar, conhecê-la, se desculpar, ao menos, por tudo que havia acontecido. Desde que Sakura o afrontara, não voltara a se aproximar, a fitando de longe a cada oportunidade. Notou algumas pequenas mudanças físicas, como as roupas folgadas e o cabelo um tanto opaco. Principalmente, como estava mais contida desde a última vez que conversaram. Sentia saudades da garota faladeira e intrometida de antes. O carro tornou-se silencioso e pesado.

Sem muitas opções, o Namikaze deu a partida, guiando o carro até a ruela para pegar a primeira saída para a rodovia. Contornar por fora da vila lhe economizaria trânsito e tempo. Enquanto andava, a uma velocidade razoável, engoliu em seco, procurando algum assunto, mas com medo de ser rejeitado. Hinata, por outro lado, estava sendo acometida por uma confusão de sentimentos, agarrando sua bolsa como um porto seguro, que a impedia de se afundar em lembranças nada agradáveis.

Depois de algum tempo, Naruto pegou um cabo USB e conectou com seu telefone no aparelho de rádio embutido, para preencher o silêncio.

— Se importa se eu colocar alguma música? – a garota apenas resmungou, discordando, e o loiro abriu sua playlist. O som ambiente de Robbers preencheu o carro, e Naruto arriscou-se até a acompanhar a letra, baixinho. Hinata, sendo vencida pela curiosidade, aprumou a audição, percebendo que era uma música muito boa (ignorando completamente qualquer comentário de seu subconsciente que dizia como o garoto tinha uma voz boa).

— Que música é essa? – perguntou, sem conseguir se conter, e Naruto abriu um largo sorriso, porque ela não poderia ver o quanto se entusiasmara por ter surgido um assunto.

— É Robbers. É da banda The 1975.

— Não conheço. – Hinata murmurou.

— É inglesa. – a garota havia suposto por conta da língua um tanto estranha, mas que já ouvira antes, em que cantavam – Do mesmo país dos Beatles, sabe? – a morena discordou com a cabeça, acanhada.

— Não costumo ouvir muita música. Não conheço nenhuma banda, só alguns sons clássicos, como Mozart. Minha mãe tocava piano quando mais nova, e música clássica era o único tipo que sabia tocar. – confessou, distraída, e não podia ver a face horrorizada que Naruto lhe dirigia.

— Nenhuma banda? Como consegue? Você precisa urgentemente ser reeducada musicalmente. – a garota soltou uma risada anasalada e Naruto sentiu-se orgulhoso. No entanto, com a mesma rapidez que o clima amigável surgiu, ele desapareceu.

Alguns minutos se passaram, a música mudou. O volume estava baixo, e se misturava com os sons dos demais carros na pista e pássaros que lhes sobrevoavam. Hinata se contorcia, questionando-se em uma batalha mental. Perguntar ou não perguntar? Estar perto dele era confortável, natural. Conversar com ele era fácil como respirar. Hinata sentia-se atraída por ele. Por sua história, por suas piadas, por seus assuntos, por seus conhecimentos. Mas ainda estava machucada, com cicatrizes que mal se curaram. Era difícil para alguém que fingia ser forte, quando, na verdade, tinha muros construídos por areia.

No entanto, Hinata estava cansada de se sentir como uma covarde. Precisava enfrentar seus medos, seus pesadelos, e dar a volta por cima de toda aquela merda. Respirou fundo, mas sua voz pareceu sair muito mais baixa do que imaginou:

— Por que você não apareceu naquele dia, Menma? – apoiou a cabeça na bolsa, tirando os sapatos e encolhendo as pernas em cima do banco.

Naruto se assustou, por um segundo, com o nome, até se lembrar de que Hinata ainda não o conhecia por Naruto – quase se esquecera disso. De que ainda tinha um personagem, e todas as infinitas possibilidades de dizer coisas que não diria em seu modo “verdadeiro”. Suspirou, recostando a cabeça e trocando a marcha, enquanto o vento assolava seu cabelo, deixando-o mais lúcido. As palavras, entretanto, se misturavam em sua cabeça, e ele não conseguia formular uma frase boa o suficiente para responder aquela pergunta.

— Porque eu sou um covarde. – assustada, Hinata virou-se para ele, e, embora não pudesse encará-lo, Naruto sentia que ela podia ler através dele – Eu fui um covarde, e um idiota. Eu deveria ter ido. Eu... soube o que aconteceu. – mordeu os lábios, e, de soslaio, a viu encolher-se, tornando-se visivelmente ainda mais frágil e dolorosamente machucada.

— Não sei porque aquilo me afetou tanto. – quando deu por si, as palavras apenas começaram a aparecer, sem que pudesse contê-las. Talvez aquele fosse o momento de despejar tudo, se livrar daqueles pensamentos – As pessoas sempre me chamaram de nomes, e apelidos, e fizeram chacota sobre mim. Eu aprendi a não ligar para isso. Eu sei que as vezes elas podem ser ignorantes. – arriscou um sorriso fraco – Mas aquele garoto, ele não me xingou. Nem me deu um apelido, ou fez uma piada. Ele se recusou a fazer isso. Porque eu era digna de pena. Porque eu era patética por mim mesma. – sentiu as primeiras lágrimas surgirem e respirou fundo – Naruto... eu não sei, aquilo soou para mim mil vezes pior do que tudo que já ouvi.

Se Hinata pudesse ver, enxergaria um garoto agonizando em seu banco, com a face contorcida de dor, tal qual fosse física. Seus olhos estavam semicerrados e ele tinha vontade de se atirar da primeira ponte que visse – talvez aquilo fizesse a dor passar. Era dilacerante, como se cada palavra proferida por Hinata o atravessasse, perfurando, rasgando seu coração. A culpa era atormentadora, queimava, ardia. Era quase insuportável, e os nós de seus dedos, apertados, estavam ficando brancos. Sua garganta havia se fechado e sua mente latejava com as lembranças. Era sua culpa, tudo sua culpa. Ele era um monstro.

— Eu deveria ter ido te ajudar. – murmurou entre os dentes cerrados, fosse de dor, fosse de raiva. Hinata balançou a cabeça, aturdida e inconformada

— Não! Menma, não foi sua culpa! – Hinata, não! Foi minha culpa! Foi tudo minha culpa! – Eu sei que alguma coisa deve ter acontecido para você não ir, mas você não tinha necessidade de me proteger. Não foi sua culpa. – o Namikaze respirou fundo, sentindo os olhos arderem. Hinata limpou as lágrimas que escorreram sem querer.

— Eu poderia ter ido. Poderia. Mas... – não encontrava as palavras certas. Hinata sorriu compreensiva.

— Tinha vergonha de ser visto comigo?

— Não! – negou no mesmo instante, e a imagem autocomplacente da Hyuuga, de alguma maneira, machucou-o mais – Não é isso. Sabe... – suspirou, frustrado – Meu pai é uma pessoa importante. Ele espera coisas de mim. Eu sou famoso desde antes de nascer. – riu sem humor – As pessoas esperam coisas de mim. Eu tenho que fazer escolhas, entre ser quem eu sou, ou ser quem os outros querem que eu seja. – dito tais coisas, Naruto sentiu-se leve, embora ainda dolorido. Sua mente clareou, e a paisagem pareceu mais brilhante.

— Parece ser uma forma horrível de se viver. – Hinata comentou, já melhor. As lembranças enevoaram-se, e ela não sentia mais raiva. Naruto percebeu isso em sua voz, e a invejou, verdadeiramente, por sua capacidade de perdoar e esquecer tão rápido.

— É mesmo. – concordou, diminuindo a velocidade para uma curva – Acho que eu me acostumei com isso. Usar máscaras, inventar personagens. – riu com o trocadilho infame – Estar com você é ser quem eu quero ser. É poder falar sobre meus sonhos e meus interesses e não ser julgado. – Hinata sentiu a sinceridade latente em sua voz e se emocionou, falhando uma batida – Mas eles... aquela escola é o inferno para mim. Eles são meus olhos, ouvidos e minha boca. Acham que eu sou uma espécie de líder, quando, na verdade, eles quem me controlam. Eu quero estar com você, mas eles me impedem. É uma covardia, eu sei, mas não sou forte o suficiente para enfrentá-los. Não ainda.

O silêncio se instalou por alguns minutos, enquanto Hinata digeria a revelação e Naruto se recompunha. Ambos sentiam-se melhores depois de terem desabafado, e sabiam que estavam curando um ao outro. Hinata percebeu que Menma sofria muito mais que ela jamais sofrera. Hinata sabia da sua condição, e enfrentava isso de cabeça erguida. Mas Menma era um fantoche – ele vivia de aparências, aparências que Hinata jamais enxergou. Eram prisões diferentes, mas tão parecidas.

— Eu não vou dizer que sei como é isso. – Hinata quebrou o silêncio, com a voz mais firme que outrora – É o contrário comigo. As pessoas não esperam nada de mim, porque pensam que eu sou inválida. As vezes é um alívio, não ter expectativas. – confessou, com a cabeça voltada para o horizonte, sentindo o vento – Mas você sabe que não vai poder viver assim para sempre, né? – Naruto sabia, e como sabia – É demais para alguém. Em algum momento, você vai ter que escolher entre o que é certo a se fazer, e o que é cômodo. – a sinceridade desnuda de Hinata era dolorosamente necessária – O mundo vive de aparências, mas para que servem as aparências se ninguém consegue enxergar de verdade? – Naruto se virou para ela, chocado, com aquelas palavras martelando em sua cabeça – Essas pessoas não podem controlar quem você é de verdade, Menma. E se seus amigos verdadeiros realmente gostarem de você, não vão se importar com nada a não ser seu bem-estar, seja ele da maneira que for. Você tem que enfrentá-los, e parar de ser fraco.

— Ai. – Naruto brincou, mas seu rosto continha uma careta, porque cada palavra que ela dissera era a mais pura verdade. Hinata era tão inteligente, como se visse tudo do mundo. A garota riu, acanhada.

— Desculpa. Eu só não gosto de mentiras.

Por pouco Naruto não pisou no freio, lançando-os para frente e, provavelmente, causando uma cadeia de acidentes de trânsito. Crispou os lábios, nervoso, tentando não demonstrar nenhuma mudança. De rabo de olho, fitou a Hyuuga, com os olhos para a frente, distraída. Ela era tão linda! Naruto estava cada vez mais ferrado – sua silhueta contra o sol, o vento bagunçando seu cabelo, a serenidade verídica, cada singelo aspecto o encantava mais e mais. Nunca conhecera nenhuma garota como ela, e seu coração descompassava vergonhosamente. Mas, no final, ele sabia. De alguma maneira sabia que não acabaria bem. Vilões, como ele, não terminavam com as mocinhas, como ela. Suspirou.

— Me conte mais. – disse, para suspender o som dos próprios pensamentos.

— Não sei, acho que nunca gostei. As pessoas acham que devem ser complacentes comigo por conta da minha deficiência, e as mais maldosas mentem apenas para se divertirem. Uma garota mentiu para mim, e por isso eu perdi o ônibus hoje. – Naruto grunhiu, tendo uma boa ideia de quem poderia ter sido – Como eu não posso ver, fica mais difícil saber quem está mentindo ou não. Todos se aproveitam disso. Eu prefiro a verdade, por mais cruel que seja. Uma verdade amarga é melhor que uma mentira doce. – sorriu torto – Soa meio depressivo, não é?

— Não, não! Eu gostei. – o garoto se apressou – É um bom pensamento, na verdade. – ver o sorriso de Hinata aumentar compensou tudo, e seu interior se aqueceu.

Naruto percebeu, então, que estavam a poucos metros do Ginásio, e já era possível avistar o tumulto das multidões e avistar os ônibus escolares. Não percebeu como o tempo passou, e a realidade parecia tão diferente de quanto saíram da escola. O Namikaze contornou, devagar, por dentro da cidade, e Hinata se aprumou no banco, empolgada com os sons. Ampliou o sorriso, ainda mais ansiosa e, naquele momento, com a mente clara e despreocupada. Ter posto tudo em pratos limpos fora a melhor decisão que tomara, e recuperar a presença de Menma não tinha preço. Não admitira, mas sentira falta dele.

— Chegamos. – Naruto anunciou.

O Ginásio Provincial ocupava o que seriam quase dois quarteirões, em uma estrutura redonda e simplista, com tijolos e pintura clara. Grandes ligas de metal apoiavam a parte superior e decoravam a entrada. O térreo estava apinhado de estudantes, aglomerados com seus times e treinadores, para as inscrições. O estacionamento já estava lotado de ônibus, e alguns canteiros de arbustos artificiais eram cobertos por mochilas e lixos plásticos jogados pelos alunos. Apesar de tudo, Naruto sempre sentia o estômago cair quando avistava aquele prédio monstruosamente grande. Havia competido dezenas de vezes ali, e todas elas eram carregadas de expectativa e nervosismo. Rapidamente, avistou o uniforme do time e o logo da Academia, e deu a volta para a outra entrada, que dava direto nas piscinas cobertas. Estacionou, certificando-se de estar bem longe de qualquer rosto conhecido.

Hinata tirou o cinto e arrumou o cabelo, também se virando. Naruto respirou fundo, sentindo um aperto ao ter que se despedir e deixar de ser Menma.

— Obrigada. – sua voz carregava muito mais que agradecimentos pela carona – Bem, e você sabe. Quando precisar fugir um pouco das suas máscaras, pode me procurar para conversar. Tem uma amiga. Pode ser nosso segredo. – sorriu cúmplice, e Naruto se perdeu em emoção. Aquelas palavras significavam muito mais do que parecia.

Em um impulso, se jogou para frente, a puxando para um abraço. Hinata se assustou, mas não recuou dos braços fortes. A posição era meio desfavorável, e o freio de mão incomodava, mas Naruto a envolveu junto a seu peito, aconchegando-se na curvatura de seu pescoço, fungando. A Hyuuga estava desfalecendo, com as bochechas corando. Inspirou o perfume cítrico e forte que exalava de sua camiseta, e sua pele, embora macia, parecia rígida, com o peitoral forte. Se permitiu fechar os olhos, guardando aqueles poucos segundos em sua memória.

— Eu quem agradeço. – Naruto murmurou contra seu ombro – Agora vai, e ganha uma medalha. – se separaram, embora nenhum dos dois quisesse realmente. Hinata sorriu largamente e saiu do carro, abrindo seu bastão. Conseguiria chegar nas piscinas e até sua equipe com facilidade.

Naruto a observou entrar na multidão e se perder dentro do prédio pela entrada lateral. Respirou fundo, sorrindo consigo mesmo. Sentia-se revigorado. Fechou a capota e desligou o carro, saindo com sua bolsa e sua jaqueta. Amarrou a faixa de capitão, orgulhoso, e começou a caminhar em direção ao ginásio. Estava pronto para vencer também.