Quimera

11 Capítulo 10


Notas iniciais
Hello babies
Estou até envergonhada de postar esse capitulo com tanto tempo de atraso ;-;
Eu tinha terminado ele há uma semana, mas quem disse q tive oportunidade de postar? e-e
Enfim, nao vou ficar dando desculpas, espero q me perdoem e q se alguem ainda lembrar dessa fic, q leia por favor i-i
Boa leitura ♥

O dia nublado refletia perfeitamente seu ânimo cinza, não havia pregado os olhos a noite toda e a falta de descanso somada a enxaqueca pioravam muito o seu humor.

Estava na estação de trem esperando a próxima linha, podia ter pegado o metro que era mais perto de onde morava, porém ser esmagado por pessoas bem mais altas e que lhe olhariam feio por todo o trajeto não parecia agradável.

Deu uma ultima tragada no cigarro antes de apagá-lo, soltando a fumaça pelo nariz, o trem chegou e as pessoas embarcaram sem muita pressa, sentou no fundo do vagão espaçoso, olhando seu reflexo pelo vidro polido, uma maquiagem simples escondia suas imperfeições e disfarçava a vermelhidão em suas pálpebras, que ainda ardiam pelo choro e falta de sono.

Ligou seu iPod selecionando uma musica qualquer do track list, o som das guitarras e uma voz melodiosa o transportando para um espaço menos estressante em sua mente, olhava distraidamente os transeuntes nas ruas até seus olhos capturarem ligeiramente o rapaz pelo qual seu coração palpitava, sobressaltou-se procurando a figura loira que desapareceu na multidão, seus batimentos desordenados.

- “Deve ter sido impressão..”- sorriu de lado, estava tendo alucinações?

- Que patético- curvou o tronco passando a mãos nos cabelos, podia rir da própria estupidez, agindo como uma garotinha apaixonada nervosa ao ver a pessoa amada, tinha vontade de se socar até quebrar os dedos da outra mão.

Mas aquilo estava para mudar, em breve nada poderia separá-lo do seu objetivo, mataria todos que fossem necessários para terminar o mais rápido possível, enquanto isso não se permitiria suspirar pelos cantos ou pensar em Reita novamente.

Ergueu a cabeça com uma forte determinação em seu peito. O sol se abria no horizonte...

~//~

- Ruki, o que aconteceu com sua mão?- Kai segurava seu punho honestamente preocupado, sabia que iriam perguntar, por isso tinha uma mentira na ponta da língua.

- Eu prendi os dedos na porta- deu um sorriso forçado, aquilo convenceu o baterista que soltou sua mão engessada.

- Você está bem? Não está doendo?- Uruha perguntou também preocupado apesar do semblante inalterado, o mais novo negou com a cabeça aliviando o guitarrista.

- Você não é tão desligado a ponto de fazer uma besteira dessas, isso está me cheirando à briga. Discutiu com o namoradinho foi?- o moreno mais velho provocou, conhecia Ruki bem o suficiente para adivinhar o que se passava com ele, e não perdia a chance de brincar com isso.

-Yuu..cala essa porcaria de boca!- o loiro alto adivertiu, apertando seu ombro em aviso enquanto se protegia atrás de si, deixando-o confuso.

- Que foi amor, ele sabe que eu estou só brincando, certo Ruu- engasgou-se no meio da frase, seu corpo se encolhendo diante da aura aterradora que envolvia o menor, um brilho sanguinário em seus olhos.

Se aquilo fosse um desenho provavelmente veria os cabelos dele esvoaçando e uma língua réptil serpenteando de sua boca com as palavras “I’ll kill you” ao fundo.

- Ko-ko-wa-i- engoliu em seco, abraçando o namorado que se escondia em suas costas, sabiam que com aquela expressão Ruki podia fazer até o mais corajoso homem mijar nas calças.

- Por acaso está com ciúmes Shiroyama?- seus lábios repuxaram em um sorriso deformado, Aoi sentiu que sua vida estava por um triz.

- Si-sim! Por favor, me desculpe!- fechou os olhos, seja lá o que acontecesse consigo que fosse rápido e indolor.

- Ruki-san, vamos começar o ensaio?- o líder sentou em sua bateria, sorrindo.

Por pouco o guitarrista auxiliar não sentiu as garras do vocalista em seu pescoço, a intenção assassina desaparecendo.

- Claro Kai-kun, e vocês por que estão parados ai no chão? Até parece que viram um fantasma — pegou o microfone também sorrindo, como se toda aquela cena não tivesse acontecido.

- Acho que só demônios podem lidar com outros- Reiki constatou ao sair do seu esconderijo, os guitarristas concordando com a cabeça.

Todos foram para os seus lugares e antes que o ensaio se iniciasse Aoi fez uma nota mental.

- “Nunca! Jamais! Em hipótese alguma faça piadas sobre os namorados de Ruki!

PS: Risco de vida!”

~//~

- Então, estou parecendo uma colegial?- parou no centro da sala, exibindo seu disfarce para o demônio sentado a sua frente.

- Esta parecendo um travesti.

- Vai a merda!- jogou uma das almofadas em Kyo que desviou facilmente, voltando-se para o espelho mais uma vez.

Vestia uma roupa que deveria ser típica de colegial, mas que parecia ter sido tirada de uma sex shop, o uniforme em estilo marinheira era branco e rosa, com uma blusa bem mais curta do que o aceitável nas escolas, deixando quatro dedos de sua barriga a mostra — dependendo dos movimentos que fazia – sendo as mangas compridas por estratégia, e uma saia também indecente para uma “estudante”.

A peruca loira e curta que usava estava presa em duas marias chiquinhas e adornada de presilhas coloridas, uma maquiagem leve reforçava a imagem infantil, ainda que lasciva. Meias três quartos brancas com detalhes em rosa e sapatos marrons finalizavam o visual.

Uma aparência erótica e angelical, perfeita para atrair um maníaco obsecado por lolicons. Sua atual vitima se utilizava de uma pratica comum no Japão para cometer seus assassinatos, o Enjo Kosai, onde homens mais velhos pagam garotas mais novas – em sua maioria colegias — para acompanha-los em encontros não obrigatóriamente contendo relações sexuais,e mesmo que tenha não é considerado prostituição.

Ele as convidava para sua casa, que sempre mudava de localização, e as torturava de varias formas para por fim mata-las, de todos os psicopatas perigosos que já havia lidado esse precisava de um cuidado especial, por isso estava bem armado, com uma pistola embutida nos seios postiços e mais duas reservas na bolsa que levava.

Deixou o apartamento pegando um atalho até o ponto de encontro, um restaurante pouco movimentado, viu o homem encostado em um poste de luz olhando o relógio, mas não parecia impaciente, respirou fundo e colocou seu melhor sorriso alegre no rosto, acenando para chamar a atenção dele, que levantou a mão discretamente ao percebê-lo.

-“Até que o cara é bonitinho, isso vai ser fácil”- se aproximou.

O homem denominado Saito – obviamente um apelido- olhou-o de cima a baixo, concentrando-se nas pernas que eram a parte mais exposta, sorrindo simpaticamente para Ruki que retribuiu o cumprimento.

-“Ele mordeu a isca!”

- E ai, tudo bem?- Saito perguntou, começando a andar.

- Sim, pra onde vamos?- pigarreou sutilmente, limpando a garganta, havia treinado horas para falar fino, mas isso ainda exigia de sua voz.

- Estava pensando em um jantar romântico na minha casa, o que acha?

-“Hunf,sabia” Por mim tanto faz, esta me pagando mesmo- brincou tentando parecer despojado.

- Ei isso não foi fofo- riu, simpatizara com aquela “garota”- apesar da voz estranha- ela tinha um jeito diferente das outras, mais madura e seu corpo era o ideal, quando a contatou por email não imaginou que fosse exatamente o tipo que gostava, chegava a ser suspeito, como uma armadilha para atraí-lo, mas não cogitava nessa possibilidade.

- Sabe, não é comum marcar esses encontros à noite, pode ser perigoso voltar pra casa sozinha- havia um tom perverso por trás da sua aparente preocupação.

- Trabalho de meio período a tarde, eu sei me virar- media cada palavra que dizia, observando as reações do outro.

- Que independente, se trabalha então por que faz esse tipo de coisa?- sua pergunta era sarcástica- Sair com um velho- acrescentou.

- Para ganhar uma grana a mais é claro, e tenho que ser ou nunca me tornarei adulta, certo?

- Sim- sorriu, Ruki podia adivinhar seus pensamentos somente pela forma que ele o olhava.

- “Não vai viver para se tornar adulta, não é isso?”- riu internamente.

Conversaram durante todo o trajeto até a casa de Saito, uma residência distante do centro e bem luxuosa para os padrões, não estava surpreso, era fácil bancar uma moradia como aquela sendo alugada apenas por um dia, causava uma boa impressão e tornava o paradeiro dos seus crimes imprevisível.

Havia aproveitado o tempo que caminharam para estudar sua vitima de perto, Saito era um homem alto, de ombros largos, cabelos castanhos e dentes alinhados, um completo sedutor por assim dizer e muito astuto também, ele usava cantadas subentendidas e sarcasmo para testar até que nível ia a sua inocência de “adolescente”, conseguiu engana-lo nesse ponto.

Imaginava que a maioria das garotas, encantadas com seu charme, nem se importavam mais com a diferença de idade, passando a apreciar o encontro, era aí que elas pecavam, pois baixavam a guarda e paravam de se preocupar com o possível perigo que estavam correndo na casa de um desconhecido provavelmente pedófilo.

Não queria prolongar muito aquilo, planejava atingi-lo com uma bala quando estivesse desprevenido, tortura-lo um pouco – para que sofresse por tudo que fez – e depois mata-lo, infelizmente executar não era tão simples assim.

- Sinta-se a vontade, pode ficar na sala enquanto eu preparo o jantar- indicou o sofá para “ela”, que sentou hesitante analisando o ambiente.

- Quer beber alguma coisa?

- Água- respondeu logo, sem dar brechas para que ele sugerisse uma bebida alcoólica ou de tonalidade escura e com aroma, sabia que ele colocaria algo ilícito nela.

- Ok – foi buscar um copo de água para a convidada, ela era bem cuidadosa o que tornava o jogo mais divertido, costumava misturar drogas a bebida para que a vítima desmaiasse, daquela vez colocou só um calmante de fácil diluição, ela demoraria a dormir, mas não chegaria a comer o suposto jantar, elas nunca comiam.

- Aqui está- entregou para ela que apenas agradeceu com um aceno de cabeça- Vou cozinhar agora, pode assistir TV se quiser- sorriu, querendo parecer hospitaleiro e rumou para cozinha.

A água estava transparente sem qualquer indicio de substancias, trousse o copo até o nariz não sentindo nenhum odor estranho, molhou o indicador na água lambendo-o em seguida, estava insossa como tinha que ser, mas havia uma sensação amarga que ficava no paladar, era fraca, porém perceptível para alguém como o loiro, não conseguiu identificar qual era a droga, mas sua função ali estava obvia. Desacorda-lo.

Olhou para entrada da cozinha averiguando se ele não o espiava e derramou a água em um vaso de plantas, ligou a TV de plasma deitando no sofá como se estivesse realmente à vontade e depois de um tempo fingiu que dormia. Não demorou para que Saito aparecesse na sala, satisfeito por tudo estar saindo como esperava.

- Até que foi rápido, ela é fraquinha pra drogas — riu, pegando-a pelo tornozelo e arrastando-a pelo chão até o quarto.

- “Filho da puta, custava me carregar direito?!”- fez uma careta irritado, tecnicamente estava desmaiado e Saito não tinha motivo para se importar com seu bem estar, afinal queria mata-lo!

Verificou se ele não o observava, tirando a mini pistola do busto falso, era uma ótima oportunidade para atirar, mirou em um ponto não vital, mas acabou se assustando quando ele bateu a porta, escondendo a arma na manga da blusa onde havia um bracelete para encaixar a pistola.

Foi jogado na cama como um saco de areia, desajeitado e indelicadamente, controlando suas expressões para não estragar a atuação. A mão do moreno escorregou por suas curvas, tirando a bolsa que ainda carregava.

- Que pesada para ter só maquiagem e coisas de mulher- Ruki ficou tenso, seria um desastre se ele a abrisse.

- Vamos ver o que tem dentro..

- Larga a bolsa agora- a voz ameaçadora e grave demais para ser da suposta menina fez com que olha-se em sua direção, deparando-se com uma arma apontada a poucos centímetros de sua cabeça.

- O que é isso? Uma arma de brinquedo?- zombou, não botando fé na expressão seria do menor- Quer brincar de policia e ladrão?

- Você não sabe com quem está lidando- voltou a ameaçar, Saito franziu as sobrancelhas ao ver aquela voz gutural saindo pelos lábios da “garota”, estava começando a entender.

- Pois bem..- levantou a alça da bolsa como se fosse entrega-la, lançando-a para o outro lado do quarto, perto dos pés da cama- Tente pegar se puder.

Ruki continuava a encara-lo sem se abalar pela sua ação, já esperava que fizesse isso, iria atirar em seu ombro, causando uma breve distração para então pegar a bolsa, que tinha armas mais potentes. Ele também o encarava desafiador, sem medo mesmo o loiro estando armado, devia pensar que não tinha coragem para atirar, assim que apertou o gatilho Saito foi mais rápido, erguendo seu pulso para o teto que recebeu o tiro, a poeira do gesso se espalhando pelo ar.

Acertou o vocalista com ante braço , este caindo da cama com o choque, ele se levantou um tanto desnorteado correndo para a ponta da cama, seu agressor tentou segurá-lo pelos cabelos ficando apenas com sua peruca em mãos.

- Sabia que não era mulher, quem é você?!

- Oh! Demorou pra perceber, pensei que assim que eu abrisse a boca notaria- provocou, se movendo com cautela em direção à bolsa, mas logo que Saito percebeu o que queria se apressou até ele, puxando-o pela blusa antes que pudesse alcançar o objeto.

Suas costas voltaram a bater no cochão bruscamente, o corpo odioso daquele homem sobrepondo o seu, ele estava com um sorriso doentio e um olhar predador na face, se sentou com as pernas bem fechadas mantendo-o a uma distancia não tão segura, aquela situação lhe parecia terrivelmente familiar.

- Você tem traços bem delicados- segurou o queixo do loiro que desviou do toque com asco, gostava da olhar repleto de ódio que ele lhe lançava.

- Eu não sei quem você é, nem o que pretendia me enganando, mas já que esta aqui vou brincar com você- se aproximou, apoiando-se em um dos joelhos do menor que tentou chuta-lo no ventre, se defendeu agarrando seus braços e prendendo-o na cama.

-“Droga, ele é forte! Não consigo me soltar!”- tentou chuta-lo novamente, o sapato passando de raspão pelo queixo do moreno que se desviou, estava difícil controlar aquelas pernas que se debatiam desesperadamente, o menor também era forte e lutava para se soltar de suas mãos, não poderia controla-lo com uma só.

- Você é bem persistente, gosto de quando resistem, me diverte ainda mais- se arriscou a livrar uma das mãos para segura suas pernas, levando um gancho de direita certeiro na face, mas não forte o suficiente para que desmaiasse.

- Seu verme!- virou o corpo dele que não parava de lutar e se debater, prendendo suas pernas com as próprias, iria receber uma covelada, mas conseguiu se proteger, forçando a cabeça de Ruki contra o travesseiro.

-“Merda!”- quanto mais se remexia a fim de se soltar, mais era esmagado pelo outro, precisava arranjar um jeito de safar ou estaria em grandes apuros. Virou a cabeça para o lado inverso, ainda sendo prensado pela mão de Saito, visualizando um pouco distante de si a mini pistola que deixara cair ao ser agredido, mas como iria pegá-la sem que ele percebesse?

Com a mão livre o moreno deslizou os dígitos pelas coxas desnudas do menor, subindo para sua roupa intima, apertou as nadegas por cima do tecido claro descendo-o até os joelhos. Ruki sentiu sua bile chegar a garganta e voltar, nauseado com o toque repulsivo dele.

- Olha só..ele é todo lisinho, parece que não tem apenas roupas de garota mas hábitos também, por acaso é gay?- debochou, massageando com vontade aquela região, deixando marcas vermelhas em seu traseiro, como esperado não teve resposta do menor.

- Então não vai se importar se eu te foder, já deve ter dado o cú antes, com essa cara de mocinha..

O corpo de Ruki congelou, um arrepio de medo correndo sua espinha, não pelo que Saito havia dito, mas sim porque não foi a voz dele que ouviu.

-“Não pode ser!”- a respiração do moreno eriçava os pelos de sua nuca, ele puxou seus cabelos obrigando-o a fita-lo, suas pupilas dilataram de terror.

-“Não...”

O semblante horripilante que via não era de Saito, e sim de Tenshi, lembranças embaçadas açoitaram-no como um tufão, a realidade e as memórias se confundindo em sua mente.

- Que foi? Está com medo bichinha?- abaixou o cois da calça, esfregando o órgão rijo na pele leitosa do outro, o estômago de Ruki revirou.

“- Por que está com medo Taka? Nós já fizemos isso antes- a voz sussurrada em seu ouvido que um dia tanto amara, naquele momento... só lhe trazia pavor.”

- Para, por favor..- as lagrimas nublavam sua visão, mas não eram elas as responsáveis por não enxergar, seus sentidos estavam ludibriados pelas recordações daquele dia.

“-Para...para por favor- mais um pedido embargado pelo choro, rouco e sem forças, solto na esperança que aquele homem tivesse piedade de si. ”

- Continue implorando...chore.. isso me excita..- levantou os quadris do menor que estranhamente parara de resistir, sorrindo confiante, em seus pensamentos deturpados não importava se era homem ou mulher, depois de um tempo eles veriam que era inútil lutar.

“- Ah.. Taka..seu choro é tão excitante, implore pra mim- se encaixou entre as pernas dele, segurando-as na altura de seu peito, iria penetrar aquele corpo contra a sua vontade mais um vez, estava viciado no sofrimento que causava à ele...seu irmão menor ”

-“Não! Para nii-san! Por favor!”

- Nii-san!- apertou as pálpebras esperando pela dor, a realidade se chocaria com as lembranças e seria violado, mas não por quem imaginava, até que a risada de Saito lhe despertou para a condição que se encontrava.

-“Que merda estou fazendo?!”

- Não adianta chamar pelo irmãozinho, ele não pode te salvar.

Os olhos do vocalista alcançaram a pistola sobre os lençóis, intocada desde que a largara sem querer, não podia esperar mais.

- Tem razão..ele não pode me salvar..- Saito hesitou, arqueando uma sobrancelha, curioso.

- Porque ele está morto..e você também!- levantou o tronco de supetão, chocando sua cabeça com a dele que urrou de susto e dor, tombando pra fora da cama. Pegou a pistola atirando no ombro alheio, o maior se arrastando para longe da cama.

- Achou que conseguiria me estuprar?- seguiu-o, atirando no abdômen e nas duas pernas do criminoso que parou, se contorcendo e gritando pela dor excruciante.

- Eu queria fazer você sentir a humilhação e o sofrimento de todas as garotas que você molestou e assassinou seu filho da puta!- pisava nos testículos dele com gosto, esmagando cada célula que propiciasse o seu funcionamento, deixando-o sem duvidas estéril, Saito cuspia sangue, tendo espasmos com os golpes, sua visão estava restringida pela hemorragia e seu corpo começava a esfriar entrando em torpor, mas ainda tinha consciência.

- Você.. não é diferente.. de mim- tossiu, espirrando mais sangue- Planejou tudo isso...veio aqui pra me matar, você também ...é um assassino doentio..e pervertido- ficou de lado tentando respirar, era questão de tempo para que a hemorragia alcançasse seus pulmões e morresse afogado no próprio sangue.

- Não se compare a mim, você faz parte da escoria, enquanto eu faço uma boa ação livrando o mundo de lixo como você- virou-o de tronco pra cima novamente com o pé, pressionando a sola do sapato em sua garganta cada vez mais forte, ele esguichava sangue, convulsionando em buscando ar, seus olhos giravam para todos os lados e em um momento se focaram no teto, ficando ali até seus órgãos perecerem por completo.

Ruki recuou um passo, o cenho franzido ao mirar o rosto mórbido de sua vitima, rosto este que o lembrava de outro bem mais significativo, largou a arma e dirigiu-se à cama sentando-se na ponta, apalpou os seios postiços a procura de um maço de cigarros, um cilindro branco surgindo a sua frente, fitou de relance o demônio prendendo o cigarro que ele oferecia entre os lábios, Kyo o acendeu com um isqueiro que se materializou em sua mão.

- O que aconteceu? Você quase deixou aquele cara te comer- observou o mais novo tragar o tabaco de olhos fechados, evitando que aquela angustia em seu peito voltasse a se transformar em lagrimas.

- Eu o vi..- falou depois de alguns minutos se acalmando com a nicotina- Eu vi o Tenshi-senpai.. — fungou, limpando o rastro de choro do rosto, odiava seu atual sentimentalismo, se perguntava se era por estar apaixonado.

- Como assim o viu?

- Eu não sei, ele..ele estava na minha frente..foi como reviver aquele dia..- contraiu a fronte tentando elucidar as milhares de ideias e lembranças embaralhadas em sua cabeça, ganhando uma dolorosa pontada na mesma.

- Você lembrou de tudo?- Kyo sabia que havia perdido parte de sua memória quando se conheceram.

- Não, só de quando o matei- inspirou mais do tabaco, amenizando sua magoa, falar aquilo o machucava, não podia escapar desse fato, mas podia altera-lo e por isso que fez o contrato.

-“Que bom, seria um problema se tivesse lembrado”

- Não entendo o eu daquela época, eu amava Tenshi e o desejava, então por que me negava?- forçava a memória, mas tudo que enxergava era o breu, parecia que havia uma barreira escondendo as peças principais do quebra-cabeça que era seu passado.

-“Droga, ele está começando a questionar”- precisava desvia-lo daquela linha de raciocínio- Vem, vou te ajudar a carregar o corpo- segurou os tornozelos do morto, esperando que Ruki fizesse o mesmo com os braços.

Normalmente o loiro faria alguma piada sobre a duvidosa boa vontade do demônio, porém estava muito perturbado para prestar atenção em seu comportamento. Tirou um saco de lixo preto da bolsa que trousse, estendendo-o no chão, apanhou os pulsos do defunto locomovendo-o junto a Kyo para o saco, limpando a cena do crime.

Em meio às muitas memórias que o rondavam e que não estavam nítidas, uma podia ver com lucidez, sentia que no momento em que ela ocorreu esqueceu uma coisa importante, uma coisa que não deveria ter esquecido, a memória era de quando Kyo apareceu.

~//~

“Seus olhos estavam abertos fitando fixamente o corpo morto, mas nada enxergavam, seus neurônios estavam paralisados, talvez pelo choque, talvez por uma força maior, todavia seu estado de pane durou pouco — ou o suficiente- suas pupilas voltaram a ver claramente e com a luz tanto visual quanto mental, a consciência dos seus atos o atingiu feito uma bigorna de duas toneladas.

- Não..não,não,não,não,não, NÃO! NÃO! ANIKI!- agarrou o corpo desfalecido, aninhando-o em seus braços como se seu calor pudesse ressuscitá-lo, fechou as pálpebras fortemente, rezando para que tudo fosse um sonho, para que quando abrisse os olhos ele estivesse vivo e conversando consigo, para que pelo menos emanasse algum calor ou demonstrasse um sinal de vida, mas quando os abriu a cena era a mesma.

Um cadáver frio e pálido com cortes feitos a faca que não paravam de minar sangue, olhos esbugalhados fitando o nada, sem brilho, sem vida, apenas vazio, morto. Não aceitaria.

- Não, por favor amor olhe pra mim..olhe pra mim aniki- deitou a cabeça dele em seu colo, acariciando os cabelos que pareciam mais secos, e mesmo estando de frente pra si ele não o olhava, nunca mais o faria.

- Sei que você odiava que eu te chamasse assim, brigue comigo, me castigue..faça o que quiser só se mexa por favor, por favor...- varias lagrimas caiam sobre o rosto petrificado, elas escorriam pelas bochechas rosadas de Takanori que não as continha, para ele choro significava desistência, conformismo pela morte de um ente querido, apesar disso estava longe de querer desistir, como poderia viver sabendo que matou a pessoa que amava em um ato impensado e que nem lembrava como aconteceu? Não, tinha que haver um jeito, qualquer um, de trazê-lo de volta.

- Alguém, Deus, Diabo, se um dos dois existe, por favor, eu faço qualquer coisa pra tê-lo de volta- abraçou o irmão morto, fazendo uma prece para que seu pedido fosse ouvido, aquele que já observava há um tempo sorriu, era sua deixa.

- Qualquer coisa?- uma voz tenebrosa despertou os sentidos de Takanori, olhou em volta procurando pelo dono desta, a lâmpada do lustre começou a piscar e consequentemente queimou, deixando a sala na penumbra, o vento abriu a janela com bruquidão agitando as cortinas, eis então que pode ver a sombra caminhando altivamente pelo cômodo, uma capa de penas de corvo arrastava pelo piso, a impressão que tinha é que dela saia grasnidos como se o pássaro ainda estivesse vivo, conforme o ser foi se aproximando pode vê-lo com mais clareza.

Ele parecia um grande corvo. Um homem de baixa estatura trajado todo de negro, com botas que vinham na altura dos joelhos e cabelos repicados, usava uma maquiagem pesada com sombra e batom também na cor preta, até mesmo seus olhos eram negros.

O homem olhou para o corpo nos braços de Takanori e então para ele, mostrando seus dentes pontiagudos em um sorriso anormal de tão largo.

- Parabéns, o diabo ouviu suas preces.”

Notas finais
Haaaaaaaaa ficou tão confuso q odio DDDD:
Demorei pra terminar e saiu essa droga, me matem
Mas pelo menos teve dicas legais sobre o passado do Ruki, e ai valeu a pena esperar? *-*
No proximo um pouquinho sobre o Reita e sobre o contrato.
Eu sei q nao mereço mas mandem reviews ;3; eu preciso, onegai neh?
Antes q me esqueça muito obrigado a quem comentou no ultimo capitulo, nos anteriosres e quem vem apoiando a fic, Quimera nao existiria sem vcs doçuras ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.