Quietude

9 Capítulo 09


Steve abriu a porta do apartamento, dando apenas meia volta na chave e empurrando a maçaneta para cima. Estava com os braços cheios de sacolas de compras, e o movimento foi meio desajeitado. Um limão caiu no chão, rolando pela sala, quando ele conseguiu colocar as sacolas na bancada da cozinha. Só então ele reparou em Bucky, escorado no peitoril da janela.

— Limão? — ofereceu, recolhendo a fruta do chão.

Bucky negou com um aceno.

— Seu apartamento de antes também tinha uma escada de incêndio como essa, não é? — ele perguntou, apontando para a escada de metal como se a questão estivesse remoendo-o há um longo tempo.

— Sim. A gente costumava ficar conversando sentados lá até de madrugada no verão. — Steve respondeu, sorrindo. — Especialmente quando você tinha uma garota nova.

Bucky pareceu corar levemente quando Steve se aproximou, colocando-se ao lado dele e observando a paisagem de prédios além da janela.

— É estranho pensar em mim mesmo naquela época. Eu devia ser tão estúpido.

— Você sabe que não. As meninas aceitavam sair comigo só porque você estaria lá também, isso tem que provar algo a seu favor.

Um barulho exasperado escapou da garganta de Bucky, mas ao menos ele não teve coragem de negar aquilo.

— Você não teve problemas em arranjar alguém por si mesmo, afinal. Onde está aquela garota que você beijou? — Bucky perguntou, os nós dos seus dedos tornando-se brancos, apertados contra o parapeito da janela.

Steve deu de ombros enquanto suspirava.

— Trabalhando em Londres. Parece que eu sou bom em mandar as pessoas para o outro lado do Atlântico.

— Você foi atrás de mim. Por que não procura por ela? — ele questionou, tentando soar casual, mas as palavras saíram embargadas e Bucky não o encarou ao dizê-las. Steve imaginou que perguntar aquilo havia lhe custado um enorme esforço.

— Acho que não gosto dela tanto assim.

Tinha pensado naquilo por um longo tempo. Sharon Carter era uma boa moça, confiável e bonita, mas não era Peggy. Talvez, se ele se estivesse disposto a tentar, ela poderia ser a garota ideal, porém Steve não conseguia se imaginar fazendo esse esforço.

Ao mesmo tempo, as sugestões de Natasha davam voltas em sua mente. Encarou o outro, demorando-se na sua barba por fazer, na rigidez em seus ombros e na forma como ele mordia o lábio inferior. Passar a vida ao lado de Bucky não parecia uma má ideia.

— Você não costumava beijar garotas de quem não gostava.

— Eu não costumava beijar ninguém, Bucky! — rebateu, rindo.

O Soldado lançou-lhe um olhar de soslaio para, em seguida, voltar a fitar o nada, e Steve imaginou como seria beijá-lo naquele instante. O pensamento o arrepiou.

— Por que ela, então?

— Ela é bonita — disse, porém logo hesitou. — E, bem, achei que seria ridículo não ter tido nada assim depois de tanto tempo.

A resposta pareceu pegar Bucky de surpresa. Finalmente, ele se dispôs a mirá-lo.

— Eu não ia julgar você por isso, Steve, você sabe.

— Oh, não precisa parecer culpado — o Capitão o cortou, sorrindo. — Não foi um beijo tão ruim.

— Acha que consegue melhor?

O sorriso de Steve se alargou.

— Certamente — ele respondeu com uma ponta de malícia, deixando-se pender em direção ao outro de uma forma que era metade carinho e metade provocação.