Quicksand

1 Satisfaction feels like a distant memory


Notas iniciais
Espero que vocês gostem!
Como as personagens são adolescentes de 15 a 18 anos, elas falam usando gírias, abreviações e palavrões. Não vou escrever as coisas como se fossem pessoas super sérias e corretas falando, já que não é o caso.

Tudo começou na última festa antes das aulas.

Todo ano, no final do verão, acontecia uma festa – realizada pelos próprios alunos do Hogwarts Institute – que marcava o fim das férias e começo do ano letivo. Cada ano tinha seu próprio tema, escolhido pelo anfitrião.

E, claro, Victoire Weasley tinha que optar por uma festa à fantasia. Com máscaras.

Rose não odiava festas. Gostava bastante de sair, beber – moderadamente – com os amigos, conhecer novas pessoas, tirar fotos, fazer memórias. Gostava de se divertir, e achava que merecia um momento de descontração.

Só que essa história de se fantasiar e usar máscaras, tendo que lutar para reconhecer as pessoas por pequenos detalhes, como a voz ou o a cor dos olhos – isso quando ela não tinha passado da conta no álcool –, não a agradava. Qualquer um podia ser qualquer um. E Rosie odiava não saber das coisas.

É por isso que a ideia de Victoire tinha a deixado com um pé atrás.

— Vai ser divertido! – Lilian, sua prima e melhor amiga, falou, mexendo no guarda-roupas da ruiva para tentar encontrar uma fantasia que lhe servisse. – Porra, Rosie, você não tem uma única fantasia para me emprestar?

— Não. Já pensou em usar uma sua? – foi a resposta, recheada de sarcásmo.

— Já, mas todas estão pequenas. – Lily colocou a mão no lábio, como se estivesse pensando. – Será que tem algum problema se eu usar aquele vestido da Cinderela que me deram de aniversário de dez anos?

— Ah, não, Luna. Combina com você.

— É? – Lilian riu. – Como assim?

— Cinderela não é aquela que mentiu para a madrasta e fugiu de casa porque queria flertar com o príncipe? Mais ou menos o que você faz todo final de semana. – Rose caçoou. – Tirando a parte do príncipe, porque você tem um péssimo gosto.

Lily pegou uma pantufa do chão e jogou na cara de sua prima.

— Como se você fosse a pessoa mais certinha e controlada de todo o planeta.

Foi a vez de Rosie rir.

— Mas sou bem mais certinha e controlada que você.


Os dias se passaram, e logo a última sexta-feira de férias chegou. Rose não queria usar a fantasia que sua prima escolhera – era pequena, apertada, desconfortável e provavelmente a deixaria cheia de marcas na pele –, mas já não havia tempo para escolher outra.

— Se quiser, a gente pode trocar. – Lilian sugeriu. – Mas eu acho que esse vestido ressalta a cor dos seus olhos.

A fantasia da Rainha de Copas não parecia ressaltar nada que acima dos seios de Rosie, mas o vestido da Cinderela que sua prima usava parecia mil vezes mais desconfortável. Ao invés de falar a verdade, porém, a menina apenas sorriu e negou com a cabeça.

— Tô bem assim.

O percurso para a festa foi feito em silêncio. Albus dirigia, ouvindo um cd de rock de uma banda com a qual nenhuma das meninas estavam familiarizadas. Quanto mais se aproximavam do condomínio onde seus tios Bill e Fleur moravam, porém, mais a música do carro era sufocada pela da festa.

Ninguém nunca tivera dúvidas de que Victoire não faria algo meia-boca. Apenas não soava como ela.

Albus parou o carro na frente da garagem da casa de seus primos. Todas as outras vagas possíveis – e algumas que incomodariam os vizinhos, disso eles tinham certeza – já estavam ocupadas por uma quantidade anormal de carros. Victoire provavelmente tinha convidado todos os alunos do Instituto Hogwarts, e a maioria se fazia presente.

Al soltou um assovio baixinho.

— Aqui tem mais gente que no Big Beach Boutique.

— Não viaja, Albus. – Lily respondeu, revirando os olhos. – Grande parte desses carros são dos vizinhos, você sabe.

— Uma porrada de vizinho, então.

Lilian parecia prestes a dar uma resposta, e Rosie resolveu cortá-la. Os irmãos tinham uma mania estressante de arranjar brigas por tudo, e o que a ruiva menos queria era ter que lidar com o mau humor de sua prima depois de discutir com Albus.

— Vamos logo, ok? Não quero ficar parada aqui pra sempre, os insetos vão me comer viva.

— A festa é ao ar livre, tem insetos lá também. – Lily comentou.

— Tomem cuidado. – Al as abraçou pelos ombros e, juntos, os três começaram a andar. – Depois de algumas horas, o pessoal começa a ficar entediado e decide arranjar confusão com todo mundo. Se partirem para a porrada, se afastem. Já aconteceu de jogarem uma mesa em mim porque tentei separar.

Rose não levou a sério. Albus, geralmente, era o bêbado arranjando confusão e jogando mesas nos outros.

Ela estava junto no dia. Não era uma memória muito agradável.

Quanto mais se aproximavam do local exato da festa, mais Rosie percebia que sua prima havia caprichado de verdade. Uma banda tocava covers de músicas de rock ao vivo, usando máscaras como todo o resto das pessoas. Havia gente tanto dentro quanto na área exterior do salão de festas, dançando, se beijando ou ficando bêbados. Alguns deles faziam as três coisas ao mesmo tempo, e a ruiva ficou impressionada.

— Começou faz muito tempo... – Lily apontou. – Tinha que demorar tanto pra terminar de se arrumar, Albus? A gente perdeu muita coisa por culpa sua.

— Se não fosse por mim vocês nem estariam aqui, então cala a boca.

Com esse comentário gentil, o mais velho se dirigiu em direção ao balcão de onde vinham as bebidas. Ele tinha prometido que não beberia nada para seus pais e o de Rose, mas não parecia se importar com isso agora.

Responsável. Muito responsável.

— Às vezes ele consegue ser tão insuportável!

Ela respirou fundo. Não queria aguentar os humor instável de sua prima pelo resto da noite, mas também não podia a abandonar. Com um suspiro cansado e contando até dez, Rosie arrastou Lily pelo braço até perto do banco onde a banda se apresentava.

— Eles são bons! – Lilian berrou, para ser ouvida.

— Pra caralho.


Cinco músicas, seis doses de tequila, uma cerveja e várias risadas mais tarde, Rose já tinha abandonado toda e qualquer preocupação que pudesse ter a respeito da festa. A banda ao vivo tinha sido substituída por um DJ e as músicas de rock por eletrônicas. Os membros – que, as duas ficaram sabendo mais tarde, estudavam no Hogwarts Institute; exceto pelo baterista, que havia se mudado para Brigton durante o verão e entrado para a banda por meio de testes – estavam dispersos, bebendo e se divertindo como todos os outros.

Rosie mal notou quando um garoto loiro tocou seu ombro.

— Oi? – Ela gritou, mais alto que a música. Ah, sua garganta doeria muito na manhã seguinte. – Ei, você é o baterista, não é? Sua banda foi muito bem, vocês são ótimos.

— Obrigada. – Ele sorriu. – E você é a menina mais bonita daqui.

— Meio complicado fazer um elogio desses, já que eu tô de máscara.

— É uma dessas coisas que a gente sabe sem saber.

— Nossa... – ela caçoou. – Quantas doses você teve até agora?

— Umas dez, e contando.

A ruiva sabia que era mentira, porque ele parecia estar completamente sóbrio, mas não conseguiu evitar uma risada.

— Quer ir para um lugar mais silencioso?

Ela congelou.

Convites assim nunca eram um bom sinal, sua mãe havia lhe dito. E Rose sabia que ela tinha seus motivos.

— Por quê? Não gosta de gritar? – Ela respondeu, não tão brincalhona quanto antes.

— Não é a coisa que mais me diverte... – o garoto sorriu. Ele tinha um sorriso lindo, Rosie reparou. – Lá dentro o barulho está menor, não quer entrar?

Soltou o ar lentamente. Ok, ele não era um maníaco. Menos mal.

Enquanto caminhavam lentamente até o interior do salão de festas, a menina se repreendeu por ser tão medrosa e acreditar tanto nas coisas que sua mãe lhe contava. Ela sabia se cuidar, afinal.

Notas finais
O título do capítulo é uma parte de R U Mine?, da banda Arctic Monkeys. Era essa a música que tocava, mais especificamente essa parte exata, quando a Rose chegou na festa.
Big Beach Boutique é um festival de música de Brighton, cidade onde se passa a fanfic.

Até semana que vem, eu espero!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.