Questão de tempo
1 O homem e a montanha
Notas iniciais
E ae eu comecei a escrever como anjo e percebi que o texto não se parecia com Castiel, mas sim pelo Gabriel.
Achei fofinha ela, curta, mas bonitinha.
Essa é minha primeira Sabriel e minha terceira fic de supernatural, espero que gostem.
Os seres humanos importam-se muito com a passagem de tempo, essa foi uma das primeiras coisas que notei em minhas andanças, e por tal a maioria tinha o grave costume de acreditar que estava desperdiçando oportunidades incríveis que jamais poderiam ser obtidas novamente.
Para um anjo, um dia, uma semana, um mês, um ano, uma década ou mesmo séculos e milênios eram um nada no infinito, pois sempre estaríamos ali para presenciar o começo e o fim da criação do pai, talvez por isto aos meus olhos fosse tão fascinante ver em como os jovens seres humanos corriam contra o tempo.
Mas foi apenas com um ser humano que eu consegui entender. O porquê dos homens feitos à semelhança de meu pai se levantar sempre um dia após o outro com esperança. Fascinante...
Para um anjo era comum ver uma montanha transformasse em areia com o passar dos anos, para um humano era impossível, mas a fé em acreditar era ainda maior que qualquer contradição.
Homens nasceriam, reproduzir-se-iam e morreriam, e a montanha ainda estaria lá, até ter sumido debaixo dos olhos dos remanescentes daquele primeiro homem que olhava o horizonte com esperança de estar ali.
Ter fé na família, anjos entendiam o que seria isto. Irmãos e irmãs juntos em torno do pai, mas com os olhos fechados do mesmo, não foi surpresa os filhos sem rumos perderem-se pelo caminho arredio.
E eu fechei os olhos...
Fugi de tudo que pudesse lembrar-me do quão imperfeito os grandes anjos são, assim como os jovens seres humanos até o destino colocar em minha porta um par de irmãos em pleno pé de guerra. E lá estava ele, o meu humano, que olharia durante os anos para mim, esperando o dia que me transformasse em areia.
Sam Winchester...
Era engraçado machuca-lo, tentar tirar qualquer esperança que ele possuía, pelo simples desejo que querer que ele parasse de crer nas mentiras que o mesmo mantinha. Deixá-lo sem rumo como eu, mas acho que foi ai que errei, pois aqueles malditos olhos conseguiram me desarmar.
Aqueles malditos verdes em meio ao castanho...
Era como amar o meu irmão rebelde, afinal o meu humano deveria ser sua casca, não? Mais era mais, era muito mais.
Sentia aquilo que deveria ser o coração de um anjo caído acelerar, percebi que suas crenças se fixavam em meio as minhas, destruindo-as como tiros de canhão. E eu não me importei, pois você era só mais um homem.
Um que olhava o horizonte e morreria ao final dele.
Apenas mais um homem...
E agora era eu que me sentaria e olharia você, minha jovem montanha, transgredir até o final. Era eu que curiosamente invadia sua mente e lia seus pensamentos, sabia sobre sua dor e acalentava tua alma durante o sono.
Era eu em meio à escuridão...
Aquele que deveria ter tanta coragem como o irmão mais novo, para poder segurar tua mão e retirar todo o mal e dor que teus olhos transmitiam. Eu sabia que seria questão de tempo até ver o homem que tu és fechar os olhos para a montanha.
E sabia também que quando isto acontecesse eu transformar-me-ia em areia...
Estamos todos viajando através do tempo juntos
Todos os dias de nossas vidas
Tudo o que podemos fazer é fazer o nosso melhor
Para apreciar este passeio extraordinário
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