Questão de Tempo

20 Capítulo 20


Cap 20

Naquela manhã George Kolovos tomava café com Dimitrius Papakota numa renomada cafeteria de Nova York na Times Square, precisavam conversar fora dos domínios da embaixada e onde ninguém presta atenção em ninguém. Uma nova remessa de quadros estava chegando da Grécia e precisavam alinhar as demandas, mas ao sair do local um inesperado encontro forçado desagradava aos dois senhores discretos.

Drew – Senhor, senhor Papakota! – o senhor faz um aceno com a cabeça e os seguranças afastam Andrew. – Por favor senhor Dimitrius preciso falar com o senhor. – ele tentava se soltar dos seguranças e cada vez mais falava mais alto o que deixava Dimitrius e George descontentes.

Papakota – Resolva isso. – se direcionando a Kolovos que o acompanhava, Dimitrius apenas olhava o homem que tentava a qualquer custo falar com ele, esboçando um ar frio ao entrar na limusine para fugir do vexame daquela cena.

Drew – Eu tenho informações sobre a morte de Frank. – Papakota que já estava fechando a porta do carro para ao ouvir aquilo.

Alguns minutos de silêncio deixou a cena mais tensa, Kolovos não acreditava que Drew havia tocado nesse assunto muito menos que conhecia o que havia acontecido com Frank, nem ele mesmo sabia ao certo do ocorrido. George só começou a trabalhar com o senhor Papakota depois da morte de seu filho e isso era um assunto proibido.

Senhor Dimitrius continuava parado dentro do carro olhando para frente segurando a porta quando finalmente encara Kolovos que continuava parado ao lado do carro, faz um maneio de cabeça avisando que os dois podem entrar. Agora era a vez de Kolovos fazer mais um maneio e o segurança soltar Andrew, mas antes que pudesse entrar o outro homem o segura discretamente.

Kolovos – Você está brincando com fogo. – falando quase no ouvido de Andrew com uma voz perigosamente baixa, mas que soava muito mais do que um simples aviso.

Drew – Vamos ver se estou brincando. – ele da um sorriso vitorioso batendo de leva no ombro de George e entra na limusine. George apenas olha para atitude dele como se fossem íntimos e balança a cabeça negativamente, ele olha para os lados pra tentar observar se alguém mais prestava atenção naquela cena, mas como Nova York é uma cidade em que se esbarrar em outra pessoa é tão comum assim como a falta do pedido de desculpas que nada do que acontecia ali foi o suficiente para as pessoas pararem. Tempo é dinheiro.

Papakota – Do que você está falando?

Drew – Eu tenho informações sobre a pessoa que matou seu filho. Mas essas informações tem um preço. – Kolovos se mantinha quieto não gostava nada do rumo que aquela conversa mal iniciara e já estava tomando grandes proporções. Aquilo estava numa tensão que não se atrevia a interromper, caso Drew fizesse uma besteira ele estava sozinho nisso.

Papakota – Quem é esse ser? – se direcionando a Kolovos. A voz de Dimitrius soava com um certo desdém.

Kolovos – Ele tem me ajudado com algumas ações. – arrancando um sorrisinho irônico do senhor mais velho.

Papakota – E o seu preço?

Drew – Participações nos negócios.

Papakota – Ele tem um senso de humor interessante.

Drew – Eu sou advogado, vejo coisas, sei de coisas, faço perguntas despretensiosas e de repente junto tudo e ganho meus casos. E não foi diferente para saber que o senhor é o chefe maior da organização, mas as informações que tenho aqui vão justificar a minha entrada de vez nos negócios.

Papakota – E quais são as suas informações?

Drew – A mulher que matou seu filho estava bem próxima a nós. – aquela informação fez os olhos de Kolovos reagir e Papakota ficou sério, passou a mão envolta da bengala que sempre trazia consigo e apertou com força.

Papakota – Me deixe ver. – ele fala rispidamente já alterando seu tom de voz antes de desdém e agora raivoso.

Drew – Então concorda com os meus termos? – Senhor Dimitrius para por alguns segundos olhando pela janela do carro para manter a calma e não dá com a bengala na fuça de Andrew que ousou tocar nesse assunto.

Papakota – Se as suas informações forem verdadeiras...

Drew – Se ... não, sim. São verdadeiras, diretamente do escritório do FBI. – entregando um envelope para ele. – A mulher que matou seu filho hoje usa o nome de Stella Bonasera. – Kolovos o olhou interrogativo.

Papakota – Ela é conhecida de vocês? – Kolovos tencionou falar mas Andrew empolgado com a possibilidade de entrar nos negócios de vez o interrompe.

Drew – Ela trabalhava na embaixada junto comigo praticamente

Papakota – O que?!! – o olhar intimidador fora lançado para Kolovos, mas o advogado continuava com suas demonstrações de eficiência que não reparava e persistia em falar suas descobertas.

Drew – Ela está no programa de proteção à testemunha do governo americano, adotou um novo nome. Está tudo ai no envelope. – finalmente Dimitrius abre o envelope e seus olhos reagiram raivosos ao ver a foto da mulher que lhe causou grande dor e que toda aquela história era real.

Papakota – Como isso é possível? Você não sabia? – ainda se direcionando a Kolovos.

Kolovos – Claro que não. Eu não a conhecia, ela era mais uma na embaixada que cuidava da papelada, não trabalhava com nada ligado a mim. – o senhor continuava com aquele olhar intimidador para Kolovos, o que o fez se explicar mais ainda.

Kolovos – Eu não conheci Frank, quando começamos nossos negócios ela já...havia morrido.

Papakota – Assassinado, meu filho foi assassinado e eu quero vingança por isso. A leve para mim, eu mesmo faço questão de retribuir tudo o que ela fez com as minhas próprias mãos.

Kolovos – Ela não trabalha mais na embaixada. – seu tom de voz saiu baixo.

Papakota – A encontre não me interessa como, nem que deixe essa cidade de cabeça para baixo eu não me importo com o depois desde que eu tenha vingado meu filho. – a voz do senhor saiu bem raivosa, demonstrando todo seu incomodo.

Drew – Eu disse que a minha informação era quente. Agora eu faço parte da cúpula eu vou dá um jeito nisso. Vou leva-la para o senhor.

***

Stella estava pensativa na declaração de Mac noite passada, sua mente tentava ser racional ao mesmo tempo em que queria embarcar em tudo aquilo com ele, seu olhar estava perdido em algum ponto através da janela da cozinha quando é surpreendida com aquela voz grave atrás de si.

Mac – Bom dia. – ela vira-se na direção daquela voz e não deixa de se surpreender com Mac e Soso no colo dele ainda de pijama, ela ainda tinha um olhar sonolento recostando sua cabecinha no rosto de Mac.

Stella – Bom dia meus amores. – Mac a olhou surpreso com a forma que ela lhe respondeu. – Coloca ela no cadeirão pra comer.

Mac – Você está bem?

Stella – Claro. – ela não o encarava.

Mac – Você quer conversar sobre algo? – ela fechou os olhos um pouquinho mais demorado e então o olhou.

Stella – Sim eu quero, mas não ainda. – seu olhar era divertido e dessa vez Mac não conseguia decifrar se era bom ou não. Ele senta à mesa, mas continua com aquele olhar incisivo sobre ela. O que ela sente como se estivesse sendo estudada.

Stella – Você quer ficar calmo. – finalmente Mac consegue respirar quando os olhos dela estão novamente sobre ele de forma amistosa. – Nós nem começamos as coisas direito pra que eu termine.

Mac – Então é algo bom? – um tímido sorriso fez os lábios de Mac se esticar um pouco.

Stella – Toma seu café. – sorrindo pela forma ansiosa que Mac reagia. Sophie batia palminhas animada. – Você precisa ir muito cedo para o laboratório hoje? – ele apenas a fitava interrogativo. – Pedi para Sam vir ficar um pouquinho com a Soso. Já estou com pena da Jess que passa o dia inteiro aqui, você poderia dispensar ela um pouquinho.

Mac – Ela que pediu pra você dizer isso? – arcando uma das sobrancelhas.

Stella – Não, definitivamente não. Ela adora brincar com a Soso. Você tem uma ótima tia garota! – dando um leve aperto na bochecha da criança. – Mas eu a aconselhei fazer umas coisas acho que ela vai demorar.

Mac – O que você fez?

Stella – Ela precisa assumir o Flack. – eles riem.

Mac – Esses dois só se enrolam.

Stella – Mas eu queria ir a um lugar e queria que você fosse comigo.

Mac – Devo me preocupar?

Stella – Você já está em uma enrascada ficando comigo, acha que isso pode piorar? – sorrindo. Ele estava gostando como Stella reagia a eles dois.

Mac – Deveria melhorar. – a campainha toca.

Stella – Deve ser a Sam. Você ajuda Soso a comer?

Mac – Claro. – Stella levanta-se da mesa e ao passar por Mac ela o envolve num abraço e beija-lhe o rosto. Ele é pego se surpresa com essa atitude.

Stella – Fica ai neném com seu pai. – saindo como se nada tivesse acontecido e ele apenas a acompanha com olhar rindo feito bobo.

Sam – Minha querida estou sentindo a sua falta.

Stella – Eu também sua maluca. – elas se abraçam saudosamente. Um pequeno latido é ouvido. – Você também Cassius faz falta. – fazendo um pequeno afago no cão. – Vem, Soso e Mac estão tomando café.

Sam – Mas esses dois são muito lindinhos juntos. – vendo Mac dando frutinhas a Sophi. Ele sorri enquanto a criança dava uma gargalhada gostosa reconhecendo à senhora.

Sam – Saudade meu amor.

Mac – Como vai Sam?

Sam – Não tão bem sem essa risadinha gostosa aqui.

Stella – Eu vou me trocar e já volto. – indo para o quarto.

Sam – Ela está com um brilho, não sei... algo diferente. Você tem alguma coisa a ver com isso?

Mac – Eu espero que sim.

Sam – Você também está diferente. Vocês estão se entendendo, não é?!

Mac – Sam nós moramos na mesma casa precisamos não é?!

Sam – Senhor Mac Taylor você quer me enrolar, mas tudo bem. – eles ficam mais alguns minutos conversando, Sam queria arrancar mais informações, mas Mac sempre muito genérico nas respostas não dava trégua, até que Stella surge completamente diferente do que já havia vestido.

Stella – Vamos!

Os três olhavam para ela admirados com a beleza de Stella.

Stella – O que é? Tem algo errado comigo?

Sam – Você não é a mesma Stella e estou feliz por isso. Você não acha Mac que ela está diferente? Ainda mais linda. – o vendo babando por Stella.

Mac – Quê? É... – tentando organizar o pensamento porque ele não ouviu nada do que Sam falou.

Sam – Ela não está linda?

Mac – Stella é linda! – seus olhos brilhavam. Soso riu e bateu palmas mais uma vez.

Stella – Vocês querem parar! Eu estou sem roupa. – ela viu a cara que Sam fazia e logo teve que se explicar.

Stella – Minha casa pegou fogo esqueceram? Isso aqui é roupa da Lisa.

Sam – Ficou bem em você.

Stella – Peguei um terno seu Mac para colocar por cima.

Sam – Você deveria ficar sem.

Stella vestia um vestido verde musgo acetinado, leve e fluído. Não marcava seu corpo, desenhava-o, a roupa era transpassada marcando sua cintura com um laço e uma pequena fenda se abria ao caminhar, mangas curtas e um tamanho ótimo com a parte detrás mais longa alcançando seus calcanhares e a frente levemente mais curtos. Calçava uma espadrilhe numa cor mais clara e os cabelos meio presos, apenas a metade estava preso no alto da cabeça.

Stella – Está um pouco frio, ultimamente deu uma trégua na chuva, mas nunca se sabe. – vestindo o blazer que apesar de ser um pouco grande caiu bem. – Você vai ficar parado? – percebendo que Mac não se mexia.

Mac riu e não falou nada, sua mente estava trabalhando em outra resposta, mas achou melhor não verbalizar na frente de Sam, pelo menos não ainda.

Mac – Tchau Soso. – dando um beijo demorado na criança.

Sam – Ah eu quero beijo também. – Mac sorri, levanta-se e da um beijo na senhora também.

Mac – Tchau Sam.

Sam – Divirtam-se.

Stella – Sam! – repreendendo a amiga. Mac apenas pegou o blazer que estava no sofá e as chaves no aparador próximo a porta ainda rindo do comentário de Samantha.

Stella – Eu posso saber do que você está rindo?

Mac – A Sam torce pela gente.

Stella – É ela torce e não é de agora. – ele arca a sobrancelha. – Não vou contar nada.

***

Mac – Você tem certeza?

Mac estaciona o carro na frente da casa que em que Stella morava e observava a fachada.

Stella – Sim, eu preciso pegar alguns objetos pessoais que não posso deixar para trás e quero conversar com você sem ninguém nos interromper.

Mac – Tudo bem. – eles saem do carro e entram na casa.

Stella procura o interruptor, mas a luz não acende.

Mac – A eletricidade está desligada, é praxe em casos de incêndio.

Stella – Ah claro. – ela abre algumas cortinas o que deu uma leve iluminada na casa e deu para ela se deslocar até uma mesinha localizada na lateral do sofá. Abre uma das gavetas e retira um porta retrato.

Stella – São pouquíssimas as recordações que ainda possuo dos meus pais, eu não poderia deixar isso para trás. – passando as pontas dos dedos pela foto onde estão os pais de Stella e ela ainda criança.

Um silêncio pesaroso pairou no ar até ela respirar mais uma vez saindo das lembranças que aquela foto a levaram. Então se aproximou dele e o encarou, entregou o porta retrato para que ele veja claramente o que carregava.

Stella – Você leu o meu caso, sabe que eu fui adotada. – Mac apenas faz um pequeno maneio com a cabeça confirmando. – Eu já fui adotada com 7 para 8 anos, no mesmo ano dessa foto. Eles formavam um casal maravilhoso, me deram tanto amor, me ensinaram tanta coisa e eu retribuí com o pior que eu poderia fazer. Eu nunca vou me perdoar por isso. Eu pensei que ele era um homem que me amava e não percebi a dependência que eu tinha dele, suportei durante anos aquele relacionamento danoso e quando finalmente eu decido colocar um fim eu caí num inferno ainda maior e arrastei meus pais comigo. Depois disso eu vivi um limbo, a culpa me corroendo, a raiva de mim, a fuga do senhor Papakota que me fez sair da minha cidade natal e perder todas as minhas referências. Não consegui confiar, não consegui ter outros relacionamentos, fui tentando ficar cada vez mais invisível, fui me vestido de forma que não me notassem. O medo de qualquer um que chegasse perto de mim foi me devorando, procurei desesperadamente por algo que acabasse com a minha dor e me tornei dependente de analgésicos, todos os dias eu luto contra o vício, luto com o meu lado sombrio que tem dias que quer voltar à superfície. Até agora eu tenho conseguido me manter longe dos remédios, supliquei que no hospital não me dessem nada mesmo que pela avaliação médica eu deveria correr esse risco, Jessica me ajudou a convencer os médicos a não me darem. A dor física nunca vai ser maior que a minha dor emocional. E eu estou te falando tudo isso pra você entender que eu não sou a mulher pra ficar do seu lado. Vou ficar muito feliz em saber que Sophie vai ter alguém como você acompanhando os passos dela, mas eu não sou a melhor pessoa para compartilhar esse sonho.

Stella termina aquele relato carregado de emoção com uma pontada de vergonha, mas completamente sincera para consigo mesma e para com o homem a sua frente que apenas tinha seus olhos sobre ela.

A vontade de Mac naquele momento foi de puxar aquela mulher para ele e abraça-la, mesmo naquela penumbra ele podia ver os olhos dela emocionados e a dor que carregavam ao falar tudo aquilo, era o maior gesto de amor que estava recebendo de Stella. O sacrifício.

Mac olha mais uma vez a foto, olha a criança feliz que sorria, seu lábio se enrolou delicadamente num sorriso em retribuição o sorriso da foto. Encarou mais uma vez a mulher na sua frente, se despindo de toda vaidade, de todo faz de conta que sua vida tinha se tornado, colocava o dedo nas feridas para lhe contar tudo aquilo. Ele a tomou pela mão e atravessou a sala chegando até a cozinha e depois parando na porta dos fundos.

Stella – Mac. – sem entender aquela atitude. Ele abre a porta e novamente a pega pela mão e em silêncio caminhou até uma mesa, afastou as cadeiras puxou Stella e a sentou na mesa como se fosse uma criança.

Stella – O que está fazendo? – ela estava completamente atordoada, Mac saiu rápido a puxando pela mão e de repente como se fosse um brinquedo ele a sentou na mesa de frente para ele, até conseguiu ficar mais alta que ele.

Mac – Você tem noção que o que acabou de me contar só contribuiu mais para que eu queira você comigo? Para que eu me apaixonasse ainda mais por você. – os olhos de Stella pareciam que iriam saltar das orbitas com cada palavra que ele dizia.

“ – Como assim?” – sua mente tentava compreender.

Mac – Essa foi a Stella que conheci, uma mulher forte, decidida e capaz de tudo para ajudar uma criança. Que entrou num bar do outro lado a cidade sem se importar com mais nada só para dizer que tinha uma criança em perigo, que enfrentou toda resistência de um laboratório de criminalística cheio de policiais para me cobrar apoio. Essa garotinha aqui... – apontando para o porta retrato – ... se tornou uma mulher que foi capaz de colocar sua dor em segundo plano só para cuidar de uma criança. Como eu não vou amar essa mulher e querer ela do meu lado? – Stella chorava emocionada pela forma firme que ele falava.

Stella – Mac eu não sou capaz. – ele coloca o porta retrato na mesa, depois apoia as mãos na mesa ficando com os rostos ainda mais próximos.

Mac – Você é capaz do que quiser.

Stella o envolveu num abraço apoiando a cabeça no ombro dele, ele retribui o abraço fazendo um carinho nas costas dela.

Mac – Olha para mim. – vagarosamente ela sai do abraço e o encara parecendo uma garotinha tímida. Ele faz um carinho no rosto dela e é surpreendido pelas palavras dela.

Stella – Eu amo você. – ela fala aquela frase quase que sussurrando mas o suficiente alto para que os ouvidos de Mac capturassem. Ele sorri, os olhos de ambos brilhavam de felicidade e então se beijam.

Stella – Às vezes eu não sei o que fazer, eu não tenho muitas referências de relacionamentos que não seja dos meus pais ou da Lisa e o Gregory, que ai é bem louco. Eu tenho um passado problemático que não ajuda, eu estou te dizendo que não é uma boa ficar comigo e você me diz tudo isso.

Mac – Quem está aqui na sua frente sou eu, McCanna Llewellyn Taylor, não é o Frank. Eu sei do peso que você carrega do seu passado com esse relacionamento, mas sou eu aqui, não digo que o nosso relacionamento vai ser mil maravilhas, mas eu não...

Stella – Shiiii... – colando um dos dedos nos lábio dele. – Eu sei que você jamais faria comigo o que Frank fez, não precisa nem me dizer isso por que eu sei. Você notou meu passado obscuro e não fez perguntas, você me acolheu, eu e Soso. Você me enxergou quando eu me escondia você olhou para mim. Esse é um dos motivos que eu amo você MacCanna Llewllyn Taylor.

Mac – Ah não foi difícil quando você está molhada e a roupa colando no seu corpo.

Stella – Mac! – dando um tapinha no ombro dele. Eles riem relembrando aquele momento. – Por isso me levou para uma delegacia? – ela ergue uma das sobrancelhas.

Mac – Nunca mais diga que não é capaz Stella, está me ouvindo? Sabemos como agem os homens tóxicos e narcisistas e você foi vítima de um e seus pais foram vítimas de um homem sem escrúpulos que está preocupado apenas com os negócios sujos. Tente se perdoar você não tem culpa de nada, tá?!

Stella – Tá bom. Agora fala mais uma vez que me ama.

Mac – Eu amo você. – e mais uma vez eles se beijam quando são interrompidos com celular dele tocando. – Demorou até de mais. – vendo no visor do aparelho o nome de Lindsay.

Mac >— Taylor. << — Stella pega o porta retrato que estava na mesa e pela primeira vez sorri ao olhar a foto e lembra-se de algo que sua mãe dizia quando adolescente.

“ – Você vai saber quando for o homem certo quando você beijá-lo e sentir algo diferente, talvez um frio na barriga, um arrepio na pele quando ele fizer carinho em você. Você não vai ter vergonha de nada porque a forma carinhosa dele agir vai parecer que vocês sempre se conheceram a ponto de serem íntimos sem serem íntimos. – os olhos da adolescente brilhavam imaginando como seriam todos aqueles sentimentos que a mãe descrevia.

– Essas conversas sobre meninos de novo? Eu não estou gostando disso. – o homem fala contrariado na porta do quarto da filha. – Não tenha pressa de crescer korítsi mou (κορίτσι μου- minha menina)! Se agapó. (σε αγαπώ – amo você.) – ele da um beijo na testa da filha e sai do quarto junto com a esposa. ”

Mac – Você está bem? – Stella o olha sorrindo. O envolve mais uma vez pela nuca e o beijo demoradamente e tudo aquilo que a mãe descreveu acontecia a cada vez que beijava Mac.

Stella – Sim está. – o sorriso ainda estava lá materializando a lembrança de sua mãe.

Mac – Tenho minhas dúvidas se eu estou bem. Eu queria poder tirar o dia de folga, mas preciso ir para o laboratório.

Stella – Tudo bem, eu pego um táxi e vou pra casa.

Mac – Claro que não, você vai comigo e depois alguém da minha confiança vai levar você de volta pra nossa casa. – ao mesmo tempo em que Stella estava contrariada pela excessiva proteção de Mac, tinha adorado ouvir “nossa casa”.

Stella – Mac você não está sendo protetor de mais?

Mac – Não. O cara que invadiu sua casa foi preso mas ele ainda não entregou quem foi o mandante, precisamos ter cuidado.

Stella – Está bem. – ela se conforma sabendo que ele tem razão.

Mac estaciona o carro na garagem destinada a ele, pede que Stella aguarde um pouco, ela estranha esse fato e nada diz apenas o ver passar na frente do carro para abrir a porta para ela. Stella sorri com a gentileza dele.

Mac – Vamos. – estendendo a mão para ela. Stella olha para a mão dele ainda parada no ar, olha ao redor e depois o encara.

Stella – Tem certeza?

Mac – Você é a minha namorada. – ela sorri envergonhada e entrelaça sua mão na dele e assim caminham pelo laboratório, o que gerou muitos olhares entre as paredes de vidro.

Jô – Sam já esta sabendo disso? – encontrando com o casal de mãos dadas entrando na sala de Mac.

Mac – Ainda não.

Jô – Ela vai ficar muito feliz quando souber.

Stella – Eu sei disso.

Lindsay – Stella como está? – dando um leve abraço na mulher.

Stella – Estou bem. E Lucy?

Lindsay – Está ótima sempre pergunta quando Sophie vai ficar com a gente de novo. Mac tenho novidades.

Stella – É melhor deixar vocês trabalharem.

Mac – Espera Stella.

Stella – Um desses policiais pode me levar Mac, está tudo bem.

Mac – Espere talvez precisaremos falar com a família de Niko de novo.

Stella – Ah tudo bem.

Mac – Desculpa Lindsay pode falar.

Lindsay – Mac rastreei o escritório de paisagismo e chegamos numa holding de participação, ela detém participações minoritárias em outras empresas mas não atua diretamente na gestão, além de permitir a formação de parcerias com outras empresas e facilitar a expansão dos negócio, muitas dessas empresas subsidiárias servem para lavar dinheiro. Uma delas é Textor Empreendimentos...

Stella – O que você falou? – Mac já a encara apreensivo vendo a mudança na expressão dela.

Jô – Stella?

Lindsay – Textor Empreendimentos. Você conhece? – ela repete mesmo sem compreender o que se passava.

Mac – Stella você está bem? – ele percebia o olhar perdido e a palidez que se apoderava do rosto de Stella.

Jô – Stella?

De repente o ar faltou, as mãos ficaram geladas e o zumbindo no ouvido ficou mais alto, não ouviu mais nada, seus sentidos desapareceram e Stella desabaria se não fosse pela rapidez de Mac em a segurar no mesmo instante que ia de encontro ao chão.

Lindsay – Adam pega água, agora vai. – ela avista o técnico entrando na sala, mas antes que ele pudesse dizer algo ela já o mandava pegar água, mesmo assustado com a cena que viu de Stella sendo carregada por Mac ele corre até a sala de descanso e pega uma garrafinha de água.

Pouco a pouco ela vai sentido leves vibrações no rosto o que a fez despertar, gradualmente os seus sentidos vão voltando. Stella não conseguia precisar o tempo em que tudo ocorreu, sentia suas têmporas frias e um desconforto gigantesco no peito com a lembrança daquele nome.

Mac – Você está bem? Vamos ao hospital. – ele já dava sinais de preocupação. Lindsay abre a garrafinha de água e entrega a Mac que estava sentado na mesinha de madeira em frente ao sofá em que Stella estava deitada.

Stella – Não, não, chega de hospitais. Eu vou ficar bem. – tomando um gole da água que lhe era oferecida. Ela sentou mais confortavelmente e percorreu os olhos ao redor e viu todos aqueles olhares assustados. – Desculpa ter assustado vocês.

Jô – E que susto! – com um sorriso mais ameno mas ainda apreensiva. – Tem certeza que não quer ir a um hospital?

Stella – Tenho sim.

Mac – O que aconteceu? – Stella toma mais um gole da água para ajudar aquele desconforto desaparecer mas sem sucesso.

Stella – É mais uma empresa dele. – olhando para Jô. – Ele está bem perto Jô. – seus olhos se enchem de lágrimas. Mac senta-se ao lado de Stella para confortá-la, já sabendo do medo que toda aquela situação provocava.

Jô – Como assim? Essa não estava na nossa lista.

Stella – Eu lembrei de uma vez que corri para o escritório para fugir... – ela respira fundo interrompendo a própria lembrança, um leve balanço na cabeça para afastar as dores que aquilo trazia. Novamente fecha os olhos brevemente e continua. – Bom...não importa. – olhando para Mac dessa vez. – ... eu fiquei um bom tempo escondida lá e havia um envelope com uns documentos com o nome dessa empresa no nome do senhor Dimitrius Papakota.

Lindsay – Do que vocês estão falando? Essa é uma sociedade anônima, são vários donos.

Stella – Mac você tem que falar para eles do meu caso. Se essa empresa estiver mesmo na sua investigação é a prova final que está ligada ao meu caso.

Adam – Chefe. – ele estava ali parado já fazia um tempo esperando o momento certo para falar de suas descobertas.

Mac – O que foi Adam? – aquele olhar sério do chefe o fez ficar nervoso o que foi percebido na sua gagueira.

Adam – A...o... o caso que você investigava na época do seu atentado...

Stella – Quê? Atentado?!! – ele volta sua atenção à mulher ao seu lado, Mac apenas aperta uma das mãos de Stella para deixa-la mais calma. Depois volta com seu olhar fulminante a Adam, pois essa parte poderia deixar de fora já que todos já sabiam menos Stella.

Adam – Ahh ... mas isso faz muito tempo ... – tentando dar algum tipo de explicação.

Mac – Continua Adam.

Adam – Tá...é...o sangue ainda estava preservado e deu para fazer mais exames e tinha traços de GHB.

Sinclair – Mac? O que está acontecendo? – entrando na sala e vendo aquele aglomerado de gente.

Aquela voz soou conhecida para Stella mas não sabia da onde, no mesmo instante suas mãos ficaram frias de novo e Mac percebeu.

Sinclair – Preciso de mais atualizações sobre os casos.

Mac – Estou trabalhando nisso, você vai saber assim que eu souber mais. – Stella encarava o homem, mas não sabia identificar da onde conhecia aquele rosto.

Sinclair olhava aqueles olhos verdes em sua direção um pouco assustados, se não fosse aquele machucado na testa diria que tinha viajado no tempo.

Sinclair – Parece que foi uma queda feia. – ele apontava para a própria testa num tom amistoso. O que deixou todos na sala sem reação e Mac em alerta.

Stella – Ah e foi mesmo. – Stella responde envergonhada.

Sinclair – Prazer, Sinclair. – estendendo a mão para cumprimenta-la. A sala continuava em silêncio, os olhos de Mac fitavam a mão suspensa no ar e o olhar confuso de Stella. Ela por sua vez não desgrudou da mão do namorado, ao mesmo tempo em que aquele homem estava sendo amigável aquela voz tinha soado estranha, o que a fez cumprimenta-lo com a mão livre, embora não fosse a mão certa para o cumprimento.

Stella – Stella Bonasera. – Mac sabia que havia algo muito incomum ali. Ela logo tirou a mão do contato de Sinclair. – Você vai precisar de mim? Se não eu preciso ir Mac, não quero mais atrapalhar.

Mac – Eu vou com você.

Sinclair – Você tem muito trabalho Mac, eu estou de saída se quiser posso deixar você em casa. – aquilo definitivamente soou estranho.

Mac – Não é necessário. – seu tom de voz foi ríspido.

Sinclair – Eu faço questão. – ninguém mais na sala respirava, Sinclair estava sendo cortês com alguém que não tinha poder, dinheiro ou qualquer coisa que ele pudesse ter proveito? Mac levantou-se e o olhou com aquele vinco na testa bem aprofundado, não dava mais para esconder o quanto aquilo estava sendo desconfortável.

Sinclair – Algum problema, Mac? – Stella não deixou que Mac respondesse, percebeu o clima pesado, levantou-se também, só queria acabar com aquilo.

Stella – Está tudo bem Mac, não tem problema. Espero você na nossa casa. – suas palavras saíram como um aviso de que ela tem um compromisso. Definitivamente as palavras dela tiveram um efeito calmante sobre Mac o que deixou Sinclair um pouco mais apreensivo. Stella pegou a bolsa colocou no ombro, fechou mais o terno que todos sabiam a quem pertencia, cumprimentou todos com um leve sorriso e deixou a sala acompanhada do diretor do laboratório de criminalista sob olhares interrogativos. Mac não desviou sua atenção da namorada até que o elevador chegasse ao andar e ela olhasse mais uma vez para trás, para ele e então entrasse.

Lindsay, Adam e Jô se entreolhavam também tanto quanto confusos querendo uma explicação para o que acabara de acontecer na sala, eles olhavam Mac que também não tinha respostas.

Lindsay – Mac o que ... aconteceu? Stella conhece Sinclair?

Mac – Eu não sei Lindsay. – ele olhava para Jô como se ela pudesse responder.

Jô – Eu também não sei.

Mac – Lindsay reúna toda a equipe na sala de reuniões, eu preciso discutir algumas coisas com a agente Denville.

Lindsay – Ok. Vamos Adam.

Jô – Eu juro que nunca soube se eles se conheciam.

Mac – Ela talvez não, embora tenha ficado nervosa, mas Sinclair não agiria dessa forma se não soubesse algo.

Jô – Stella nunca veio à Nova York enquanto estava com Frank e Sinclair ... é o Sinclair, chefe do departamento.

Muitas coisas agora passavam pela cabeça de Mac mas ele precisava se concentrar nos casos e isso demandava um esforço enorme.

Mac – Quando chegar em casa conversaremos, se há algo para ser dito ela me dirá. – Mac tinha quase um pressentimento que havia um problema enorme ali, mas não queria pensar sobre agora, não poderia ou não trabalharia. Na sua mente já tinha decidido que assim que houvesse uma brecha iria até o apartamento verificar se estava tudo bem.

Mac – Mas agora precisamos informar tudo a equipe, é inevitável, já adiei bastante, ainda estou deixando trabalharem separados mas está tudo interligado. Inclusive com o caso de Stella.

Jô – Mac temo pela segurança de Stella.

Mac – Eu também.

***

Sinclair tentava ser simpático a viagem toda, mas Stella se mantinha quieta quase que encolhida no banco do passageiro, ela vasculhava em sua memória da onde conhecia aquela voz.

Sinclair – Pronto. Você vai ficar bem? – parando o carro na frente do prédio.

Stella – Claro, obrigada. – ela tentava ser amigável com um leve sorriso.

Sinclair – Qual é mesmo seu nome?

Stella – Stella.

Sinclair – Ah desculpa eu achei que seria Nefeli. Não sei por que esse nome veio na minha cabeça. – Stella sentiu o chão se abrir, ela o olhou assustada e tentava abrir a porta do carro que ainda estava travada.

Sinclair – Eu falei algo errado?

Stella – Por favor senhor eu preciso ir. – ela puxava várias vezes alavanca do carro para abrir. Quando Sinclair destrava o carro e Stella quase cai ao abrir a porta, ela rapidamente deixa o carro e correu para entrar no prédio, procurou as escadas, sentou-se nos degraus para se acalmar, aquele nome há anos não ouvia, nem se quer pronunciava. Ela puxava o ar várias vezes, sentia seus pulmões fecharem, sua mente é bombardeada de lembranças em forma de agonia, de vozes, de sussurros. Sua mente aplicou-lhe uma peça.

“ – Nefeli cadê você? Eu vou te achar.” – aquela voz calma tomou forma no topo das escadas.

Ela olhou assustada, seus olhos ficaram turvos de lágrimas e saiu correndo em direção à saída.

***

Mac caminhava entre os corredores do laboratório para ir à sala de reuniões onde os outros peritos os aguardavam, quando seu celular toca. Ele resgata o aparelho do bolso, ao ver o nome de Sam no visor fez um maneio de cabeça para que Jô entrasse enquanto ele atendia a ligação.

Mac >— Taylor. <<

Sam >— Sabe que eu adoro quando você atende assim, né?! << — ele sorri mesmo sem mostrar os dentes sem graça.

Mac >— Aconteceu alguma coisa Sam? <<

Sam >— Eu queria falar com a Stella, ela não está me atendendo. Deve ser aquele telefone dela. << — ele olha o relógio de pulso.

Mac >— Mas ela já foi para casa faz tempo. << — seus olhos reagem preocupados.

Sam >— Então ela parou em algum lugar. << — o telefone pareceu mudo e Sam continuava a dizer alô do outra lado da linha, mas só o silêncio. Mac sai apressadamente refazendo seu caminho pelos corredores de volta, até achar Adam em outra sala. Ele rompe as portas energeticamente dando ordens ao técnico.

Mac – Adam localize o celular de Sinclair.

Adam – O quê? – surpreso com a ordem de Mac.

Mac – Anda faz o que eu estou mandando! – seu tom de voz começava a ficar cada vez mais alto.

Adam – Chefe é o chefe. – Adam não sabia se ficava mais nervoso pela ordem que o chefe direto estava lhe direcionando ou pela forma raivosa que ele falava.

Mac – NÃO IMPORTA! FAÇA! – o berro assustou todos que estavam por perto.

Adam – Ok...ok... – rapidamente Adam desloca os dedos pelos teclados e na tela logo pulsa uma localização. – Isso é ilegal...

Mac – Não me interessa!!!! – ele sai correndo da sala do técnico em direção aos elevadores.

Jô estranhou a demora de Mac e saiu para verificar se algo havia acontecido quando simplesmente ele ignora o chamado dela e entrar no elevador apertando diversas vezes o botão para fechar as portas.

Danny – O que aconteceu? – pegando os últimos instantes da cena, vendo Mac apertando nervosamente o botão do elevador.

Jô – Não sei. – Danny olha para trás e percebe Adam assustado e vai até ele. Jô o segue.

Danny – O que aconteceu Adam?

Adam – Eu não sei. Mac pediu para rastrear Sinclair e depois saiu.

***

Mac dirigia com a sirene ligada fazendo zig zag pela cidade quando avista o carro de Sinclair e o fecha no sinal. Ele sai do carro, seu semblante já denunciava que não seria uma conversa amigável, Sinclair apenas abre o vidro do carro mesmo sem olhá-lo. Mas Mac não estava ali para conversar, simplesmente põe a mão por dentro da janela do carro destravando a porta e o arranca pelo colarinho.

Mac – Eu só vou perguntar uma única vez, cadê ela?

Sinclair – Eu não sei. – Mac disfere um soco no homem quando alguém se aproxima e ele mostra o distintivo.

Mac – Fala.

Sinclair – Eu juro que a deixei na porta do seu prédio. – Mac tira a arma do coldre e aponta para a cabeça dele. Mesmo com as pessoas assustadas e correndo diante da cena Mac não se intimidou precisava saber o que estava acontecendo.

Mac – Fala.

Sinclair – Eu a deixei na porta do seu prédio mas ... mas ... eu sei que tem pessoas importantes atrás dela. Não a pegaram me ligaram agora me fazendo essa mesma pergunta.

Mac – Se tocarem num fio de cabelo dela ou de Sophie você vai pagar. – Mac guarda a arma pega as algemas e o prende no volante do carro. Logo ele busca o celular no bolso e entra em contato com Flack, ele nem mesmo deixa que o policial fale algo do outro lado da linha.

Mac >— Flack vá até meu apartamento agora pegue Sophie e Sam e vão para o laboratório, leve reforços. <<

Flack >— O que está acontecendo? <<

Mac >— Quando eu chegar ao laboratório explicarei tudo. Mande uma viatura pegar Sinclair ele está preso. Vou mandar a localização dele. <<

Flack << O quê?? Você está louco?!! <<

Mac >— Faça o que eu mandei!!! Droga!!!! <<

Ele desliga e entra de volta no carro e sai queimando pneu, já tinha uma ideia de onde Stella poderia estar.

Mac chega à casa de Stella onde estavam horas antes e entra aos berros até chegar à varanda no quintal e encontra-la sentada no chão encolhida.

Mac – Stella. – Mac agacha para abraça-la, percebendo que ela chorava mais ainda ele a tomou nos braços e sentou junto com ela numa poltrona namoradeira da varanda.

Stella – Eu sou essa. Encontraram-me. – ela dizia coisas sem nexos.

Mac – Calma.

Stella – Me encontraram.

Mac – Calma, Stella. – ele passava as mãos pelo rosto dela para limpar suas lágrimas. – Calma eu estou aqui. – ela finalmente o olha nos olhos e como se só agora o reconhecesse o envolve num abraço e mais lágrimas vertem de seus olhos.

Mac – Ei...ei...olha para mim. – ele se afasta um pouco para que pudesse olhá-la. – Você está bem? – Stella apenas balança a cabeça como resposta positiva. Mais uma vez Mac passa as mãos pelo rosto dela para limpar suas lágrimas e beija-lhe a testa. Ele respira fundo algumas vezes para tentar acalmar seu coração que batia acelerado.

Mac – O que Sinclair fez?

Stella – Nada. Ele não fez nada apenas disse meu nome. – Mac continuou a fitá-la sem entender. – Meu nome real. – é então que ele entende a ameaça velada que Sinclair fez. – Desde que sai da Grécia ninguém mais havia me chamado assim, nem mesmo Jô ousou me chamar por esse nome foi aí que eu entendi que ele me conhece, que ele sabe quem eu sou, significa que ele também sabe quem me procura.

Mac – Você nunca o viu?

Stella – Não, claro que não. Sempre que fui ao laboratório nunca encontrei com o seu chefe.

Mac – Nem mesmo antes de vir para os Estados Unidos? É muito importante que tente lembrar.

Stella – Espera...espera Mac, você acha que...

Mac – Calma. – percebendo que ela iria se alterar Mac intervém. – Me escuta, tá bem? – ele segura as duas mãos dela numa forma de confiança. – Não estou duvidando de você se é isso que está pensando mas Lisa me falou que você teve problemas de memória relacionado ao trauma que viveu. – é então que Stella para seu olhar num ponto qualquer da camisa de Mac enquanto seu pensamento viajava pelas memórias.

Stella – Sim, eu tive um problema que o Psiquiatra classificou de amnésia seletiva, fiz tratamento com Psicólogo e recordei de tudo. Meu problema basicamente era que lembrava quase tudo, mas faltavam algumas partes relacionadas ao Frank e meus pais. Pra minha decepção eu lembrei tudo. – Mac a puxa para que Stella deite a cabeça em seu peito.

Stella – Mas tem uma coisa. – saindo do abraço dele. – A voz.

Mac apenas a olhava com aquele vinco na testa de interrogação.

Stella – De Sinclair. A voz dele me incomodou, porque eu me lembro da voz dele nitidamente, mas não do rosto, desde que o vi na sua sala que a voz dele ficou martelando na minha cabeça, mas eu não conseguia identificar da onde. Talvez você tenha razão e eu tenha suprimido essa lembrança e a voz dele acabou sendo um gatilho, a psicóloga na época me alertou que isso poderia acontecer, em todos esses anos essa foi a primeira vez que algo do tipo aconteceu.

O telefone de Mac volta a tocar, apressadamente ele atende vendo o nome de Flack no visor.

Mac >— Flack já estão no laboratório? <<

Don >— Não. << — aquele tom de vez fez com que o chefe da criminalística ficasse em atenção.

Mac >— O que aconteceu? << — um pequeno silêncio denunciou o que a sua mente alertava “Há algo errado”.

Don >— Mac... seu apartamento foi invadido, Sam está a caminho do hospital muito mal. <<

Mac >— O quê? E Sophie?! << — ao ouvir o nome da criança Stella que já estava nervosa com toda aquela situação pela qual passara agora estava mais aflita.

Don >— Ela sumiu Mac. << — aquelas palavras o atravessaram como uma espada, dessa vez foi Mac que sentiu o chão se abrir, por alguns segundos ficou em silêncio tentando raciocinar quando ouve a voz de Stella lhe questionar o que tinha acontecido com a menina. Mac levanta-se e tenta se afastar um pouco.

Mac >— Como sumiu?!! <<

Don >— Eu sinto muito, mas ela não está aqui. Ela só pode ter sido sequestrada. <<

Dessa vez era o telefone de Stella que dava sinal, ela tremia ao ler a mensagem no visor.

Stella – MACCC!!! – o grito que ela deu foi de terror e as lágrimas vertiam de seus olhos mais uma vez, ele dá alguns passos para se aproximar e Stella vira o visor do aparelho, podendo assim ler a mensagem que a deixou daquele jeito e então entendeu seu desespero.

Flack ouviu o grito de Stella pelo telefone e diante do silêncio que se instalou ele chama por Mac.

Mac >— Sim Sophie foi sequestrada, acabamos de receber um pedido de resgate. <<

Flack >— E o que eles estão pedindo? <<

Mac >— Não é o que, Flack, é quem. <<

Flack >— Como assim?!! <<

Mac >— Querem trocar Sophie por Stella. << — o choro dela mais uma vez dava para se ouvir pelo telefone. >— Mande Lindsay e Danny para o meu apartamento e Hawkes para o hospital processar as roupas de Sam e o que mais ele puder. Eu vou agora mesmo até a delegacia arrancar todas as informações de Sinclair. <<

Flack >— NÃO!! Você sabe que não pode, esse caso está se tornando grande de mais. Podemos perder tudo dessas investigações se você se aproximar ainda mais de Sinclair, eu mesmo irei interrogá-lo. << — Mac respira um pouco, sabe que o amigo tem razão.

Mac >— Ligue para Danville, deixe que ela conduza esse interrogatório tudo isso se conecta com o caso de Stella na Grécia e Danville é a agente do caso dela, ela vai saber o que perguntar. <<

Flack >— Tudo bem. <<

Mac >— Mude a narrativa Flack, não deixe que mais ninguém saiba da prisão de Sinclair. Eu sei quem está com a minha filha. A mesma pessoa que persegue Stella. << – dizer aquelas palavras o encheu de ódio.

Mac >— Ele parece ter algum informante na polícia. E ainda usa como é de praxe idiota que a polícia fique fora disso, como se fosse possível, ainda confirma que vai saber se a polícia entrar no caso reconhecendo assim que a teoria de um informante pode ser verdade e esse alguém pode ser o próprio Sinclair, ele deve ter dado o paradeiro de Stella.<<

Flack >— Mac ele não esboçou nenhuma reação, apenas entrou na viatura. <<

Mac >— O leve para o laboratório, o coloque numa sala vazia. Diga ao Ross que o quero na minha sala, tenho uma tarefa para ele. <<

Flack >— Tudo bem. << — Mac desliga o telefone e quando se vira Stella já entrava na casa.

Mac – Stella!! Volta aqui. – a segurando.

Stella – Mac me deixa, eu vou buscar Sophie. – as palavras eram desesperadas.

Mac – Onde você vai busca-la? – tentando colocar as coisas sob a ótica da razão. Não havia um lugar para encontro na mensagem.

Stella – Não sei... – percebendo que sua impulsividade era inútil.

Mac – Calma! – a abraçando.

Stella – Mac, é tudo minha culpa! – seu choro era atormentado pela culpa.

Mac – Nada aqui é culpa sua. – ele volta com ela a sentar-se no pequeno sofá da varanda. – Olha para mim. Nada é culpa sua. Nós vamos descobrir onde ela está antes desse maldito prazo, ela não vai ser moeda de troca e você não vai chegar perto de Papakota. Eu vou recuperá-la.

Stella – Ele já sabe que essa criança é importante para mim, ele não vai fazer nada com ela, ele quer a mim. Você leu a mensagem. Mas porque não diz logo um lugar para a troca que eu vou buscar a nossa filha.

Mac – Primeiro fazem o terror psicológico para cedermos a tudo que pedirem. Stella eu preciso que você olhe nos meus olhos. – ele segurava o rosto dela entre as mãos. – Confia em mim e na equipe, não faça nada impulsivamente se eu tiver que controlar isso em você eu não conseguirei trabalhar e é um esforço enorme me manter focado no trabalho sabendo que quem está lá nas mãos dele é Sophi. Eu amo aquela garotinha como se fosse minha filha, como se ela sempre fosse destinada a mim. – ele confessava toda aquela angustia que transbordava de seus olhos em lágrimas. – O que vai me impedir de meter uma bala na cabeça dele é que se eu o fizer não vou ver Sophie crescer, não vou ter você comigo. Eu nunca vou perdoar Sinclair por ter colocado você e a minha filha em risco. Eu confio na equipe e sei que quando eu estiver no limiar entre o certo e errado, do cruel e o justo eles serão meu freio porque eu não vou suportar o seu sofrimento e o sofrimento daquele ser inocente causados por esse homem. – Stella o via vulnerável e ao mesmo tempo forte, humano, lutando com seus demônios para trazer Sophie de volta e para mantê-la em segurança.

Stella – Prometo que não farei nada que comprometa seu trabalho. Eu confio a minha vida a você. Eu amo você. – ela beija cada um dos olhos do homem a sua frente para secar as lágrimas dele.

Mac – Obrigado. – mesmo em meio à dor eles se beijam procurando um pouco de conforto um no outro. – Vamos para o laboratório. Vamos conversar com a equipe.

Eles caminham de mãos dadas segurando firme a mão um do outro, Stella se encheu da força que Mac carregava, se sentia cheia de certeza que tudo iria ter um final...bom ou não e para quem ela não sabia embora uma pontinha de esperança que tomou conta de seu coração disse que seria ela a sorrir quando tudo terminasse.