Questão de Tempo

18 Capítulo 18


Cap 18

Diakos – O senhor?

Kolovos – Porque você não resolveu isso? – ele esbravejava quando o outro entra em sua sala decorada numa arquitetura neoclássica na embaixada grega. O silêncio do subordinado na sua frente o fez irritar-se mais ainda. – Você não tem nada a dizer? – sua voz saiu mais baixa e por isso mais raivosa.

Diakos – Badford não falou comigo. – não encarando o chefe a sua frente. – Só disse que já tinha tudo esquematizado.

Kolovos – E porque você deixou?!!! – dando um soco na mesa para aplacar sua raiva. Ele respira fundo para se conter, fica de pé e se aproxima da janela virando-se completamente de costas.

Diakos – O que eu poderia fazer, chefe? – sua voz saiu com uma certa súplica.

Kolovos – Eu não sei mas você vai ter que limpar essa sujeira. – ele virou-se para encarar o empregado. – Você ouviu quando o Senhor Papakota falou desse Taylor. Ele não é bom para os negócios. Deixa a poeira baixar um pouco e você entra em ação.

Diakos – Ok.

Kolovos – Descubra onde essa Stella está com a criança. Depois eu decido o que fazer. Aliás, não, não faça nada apenas fique atento ao Badford, ele pode ficar obcecado de novo. Já basta nós termos que nos desfazer daquele outro produto quando ele começou com isso, agora é essa Stella. Eu mesmo vou acionar meus contatos para descobrir onde ela possa está escondida. Melhor nós agirmos sem Badford saber.

O outro homem concorda com um maneio de cabeça enquanto Kolovos pega o celular em busca de um número, nos primeiros toques do outro lado da linha alguém fica feliz em atender. Kolovos faz um sinal para que Diakos o deixe sozinho na sala.

***

Mac estava em sua sala no laboratório diante da grande janela, ele olhava a cidade naquela manhã, as nuvens de chuva deixava o céu turvo diferente dos seus pensamentos que foram inundados claramente por duas pessoas que desde que chegaram à sua vida fazia seus dias coloridos, bem diferente do clima daquela manhã. Sua mente estava imersa por lembranças da noite passada.

“Eles continuavam dançando ao som de Adele na sala, quando Sophie se remexe no colo de Mac fazendo com que os dois ‘acordassem’ daquele momento.

Stella – É melhor colocá-la no bercinho. – ela falava baixinho para não acordar a menina. Mac faz um maneio com a cabeça concordando embora quisesse continuar com aquele momento familiar.

Stella desliga o som e acompanha Mac até o quarto. Ela ajeita o bercinho, ele coloca a menina cuidadosamente, a cobre e a bebê se contorce e acaba colocando uma das mãozinhas no rosto, finalmente dando sinal de relaxamento dando um suspiro demorado. Eles ficam alguns minutos apreciando a criança, Stella passa o braço envolta do corpo de Mac e deita a cabeça no seu braço. Mac agora tem sua atenção nela, sente o cheiro dos cabelos lavados dela, aspira um pouco daquele perfume delicado e por mais que quisesse ficar ali sabia que Stella precisava descansar.

Mac – Você precisa descansar. – fazendo um carinho no rosto dela. Stella fecha os olhos por breves segundos e volta a encará-lo. Mac percebeu os olhos dela marejados.

Stella – Eu ... eu ... não quero ficar sozinha. – um clarão entrou pelo quarto através da janela, Stella mais uma vez fechou os olhos. Mac lembrou-se do seu medo. – No dia que eu perdi meus pais chovia assim, é por isso...

Mac – Shiii. – colando um dos dedos nos lábios dela. – Não precisa explicar nada.

Stella nunca tinha se sentido tão acolhida e protegida na presença de alguém. Ela respira aliviada e o agradece com um abraço, ela se encaixa colocando a cabeça na curva do pescoço dele. Mac apenas a abraça de volta sentindo a respiração calma dela.

Mac – Vamos descansar? – ela concorda e vai para a cama. Mac deita do seu lado e Stella procura seu peito para se aninhar. Ele mais uma vez beija-lhe o topo da cabeça e faz um carinho em seu rosto.

Stella – Eu nunca vou poder agradecer o que está fazendo por mim e por Sophie.

Mac – Eu que agradeço por me deixar entrar na vida de vocês. – ela sorri e se aninha ouvindo as batidas do coração de Mac.”

Aquela lembrança faz o chefe do laboratório olhar a aliança, retira do dedo e encara o objeto. Mac sorri como se encarasse uma certeza e olha mais uma vez pela janela.

Danny – Você sempre chega cedo ao laboratório, mas hoje achei que ia demorar um pouquinho mais em casa com a sua família. – Mac sorrir com o comentário mas não deixa que o perito veja isso, ele coloca a aliança mais uma vez no dedo e vira-se para o amigo.

Mac – Diga ao Flack que ele é o policial mais fofoqueiro. – vendo o detetive da homicídios entrar em sua sala.

Don – Eu escutei meu nome e não sei do que vocês estão falando, mas tenho que dizer que não tenho nada a ver com isso.

Danny – Mas você é fofoqueiro Flack. – olhando o amigo ficar ao seu lado. – Quem queria saber se Stella e Sophie estão no apartamento do Mac? E como foi a noite? Foi tranquila? – agora dando atenção a Mac que apenas lança aquele sorriso sem mostrar os dentes disfarçando que estava feliz com toda aquela situação.

Mac – Você sabe como é ter criança em casa, acorda no meio da noite e aí pra dormir de novo demora um pouco. – os olhos dele brilharam ao lembrar-se da dança no meio de sua sala, isso era algo que só pertencia às memórias de Mac Taylor. Ele coloca as mãos no bolso pra se distrair daqueles pensamentos. – Vocês tem algo novo sobre os casos? – ele senta-se em sua cadeira atrás da mesa e se recompõe para o trabalho.

Danny – Tenho...

Don – Espera, Danny! E onde você dormiu? – o policial interrompeu Danny com um ar de espanto e senta-se na poltrona defronte a mesa do amigo.

Danny – Até onde eu sei você só tem um quarto... – também sentando-se na outra poltrona de frente a mesa com um sorrisinho malicioso.

Mac – Na sala, no sofá. – ele fala calmamente não deixando que Danny continuasse com o falatório. – Satisfeitos? – olhando um e depois o outro. Ele arca uma das sobrancelhas. Danny e Don se entreolham e escondem o riso.

Don – Você está com um sorrisinho diferente Mac.

Vendo os dois homens a sua frente Mac sabia que eles não sairiam dali sem uma explicação plausível. Não eram só dois companheiros de trabalho, eram dois amigos que estavam preocupados com ele, pois sabiam de todo o seu relacionamento com Clarie e do fim trágico. Mac respira fundo e abre um pouco dos seus pensamentos para eles, ele apoia os braços na mesa e aproxima a cadeira inclinando mais o tronco para frente.

Mac – Eu estou pensando em adotar a Sophie.

Don nada fala apenas tem um olhar surpreso e admirado pelo amigo.

Danny – Eu acho isso uma ótima ideia, papai. – ele sorri gostando da situação.

Don – E a Stella?

Mac – Ainda não conversei com ela. Isso é algo que está passando pela minha cabeça agora. Temos que pensar na possibilidade de achar parentes da Soso nessa investigação, eles terão prioridades na guarda dela.

Danny – Você está bem informado.

Mac – Se quero algo preciso está bem informado, Danny. Peço aos dois fofoqueiros que não espalhem isso agora, é só uma ideia. Ainda tem Stella nessa história.

Danny – Aí...Lucy vai ter uma priminha. – ele abertamente estava feliz com essa possibilidade e não escondia. – Pelo menos agora ela não vai ser a única criança quando nós sairmos.

Don – Agora eu tenho DUAS sobrinhas lindas. Gostei disso! – empolgado com aquela situação já pensando no futuro. – Eu vou ser o tio que vai da carteirada para os marmanjos que encostarem nelas. – o celular dele toca. Don retira do bolso e no visor aparecia o nome da central. – Preciso ir, trabalho me chama. Gostei da ideia, Mac. Vou torcer muito por isso. Vem cá paizão! – ele levanta cumprimenta o amigo com um abraço e depois sai da sala.

Danny – O Don não deixou mas eu trago novas informações sobre os casos.

Mac – O que aconteceu? – sentando de volta no seu lugar.

Danny – Fizemos uma busca naquele endereço, realmente era um escritório de paisagismo que quase nunca teve trabalhos. Acho que era só uma faixada. Achamos alguns perfis de DNA, e sim um é de Sophie e outro que corresponde a Lana Deker, que também compartilha informações genéticas com aquelas amostra que você trouxe, indica parentesco. Sarah Taylor. – lendo o nome na pasta que trazia consigo. – Quem é Mac?

Mac – É a avó de Lana, mora numa casa de repouso.

Danny – E como você chegou até ela?

Mac – Através da carta na cesta de Sophi. – Mac ainda não queria da muitas explicações, em algum momento teria que contar a todos tudo o que se passava mas ainda não achava que esse fosse o momento. – Mais alguma coisa? – Danny sabia que Mac escondia algumas informações mas algo que aprendeu com o seu trabalho é que nada do que parece realmente é. Então resolveu não questioná-lo mais sobre o assunto e continuar dando as informações, entendia que Mac estava sendo extremamente cuidadoso com esses casos que envolviam Sophie e Stella.

Danny – Aquele lugar com certeza serviu de esconderijo para elas. Ela deve ter fugido, caminhado por uns 30 a 40 min e deixado Sophie na porta da Stella, ela tinha traços de GHB no sangue esse percurso deve ter sido muito cansativo. Talvez até o intuito seria fugir com a criança mas seu corpo não aguentou e tentou achar um lugar seguro para ela.

Mac – GHB? A droga do estupro? Ela estava dopada, poderia está sendo levada para algum lugar sem chamar atenção. Muitas mulheres são levadas para fora do país de forma clandestina assim. Talvez a própria Sophi tenha sido dopada, criança é bem mais difícil ficar quieta e não fazer barulho. Mas o que Sophi e Lana faziam no mesmo lugar?

Danny – Talvez ela estivesse cuidando de Sophi.

Mac – E a mãe dessa criança?

Danny – Não se afastaria assim, algo muito grave deve ter acontecido com ela e deve ter deixado à menina aos cuidados de Lana.

Mac – Veja com Sheldon a possiblidade da outra vítima também ter esse químico em seu sangue. Também quero que solicite as evidências do caso de Nikolo ao laboratório de Nova Jersey, veja se algo vai bater mais com esse caso. Essa droga também pode ser usada no tráfico de pessoas e esse pode ser o modus operandi.

Danny – Ok Mac. Tem mais...novamente surgiu o nome de Sebastian Diakos, encontramos DNA dele no local também.

Mac – Esse nome está aparecendo de mais em nossa investigação, não tem mais como evitar precisamos interrogá-lo.

Danny – Tudo bem. Peço um mandado para ele?

Mac – Ainda não, não quero assustá-lo e ele ir embora do país ou usar da imunidade diplomática. Ainda precisamos de mais.

Danny – Mais do que isso Mac? O medalhão dele junto com um corpo e o DNA dele num cativeiro.

Mac – Precisamos estimar o tempo que esse DNA está lá. Não podemos perdê-lo só por uma questão temporal. – Mac temia que ele estivesse ligado a Dimitrius Papakota e Stella ficar ainda mais vulnerável.

Danny – Tudo bem eu vou cuidar disso.

Mac – Peça a Lindsay para vir aqui.

Minutos depois a perita bate na porta do chefe.

Lindsay – Pediu pra me chamar Mac?

Mac – Feche a porta. – ela o faz já sabendo que vinha algo sigiloso.

Lindsay – Algum problema? – ele acena para que a perita sentasse.

Mac – Quero repassar com você o caso do meu atentado.

Lindsay – Depois de tanto tempo, por quê? Surgiu algo novo?

Mac – Sim. O endereço daquela farmácia pertence à Nikolo Angellis.

Lindsay – O quê?

Mac – Isso que você ouviu. Eu confio em você Lindsay, sei que fez um ótimo trabalho, mas com essas novas informações têm que ser revistas às evidências. Precisamos saber se existe algo que possa ser ligado a esses casos. – duas batidas na porta os interrompem.

Jo – Mac tem um minuto? Preciso falar com você.

Mac – Pode ir Lindsay.

Lindsay – Tudo bem. – embora surpresa com essa nova informação e com perguntas borbulhando em sua mente, Lindsay sai da sala depois de cumprimentar a agente do FBI.

Mac levanta-se cumprimenta a agente e indica a cadeira antes ocupada pela perita para que ela sentasse.

Mac – O que aconteceu?

Jô – Mac tenho notícias sobre o senhor Papakota. – ele percebia o olhar de preocupação da agente. – Ele está na cidade e isso não é bom.

Mac – Você acha que esse incidente com Stella possa está ligado a ele? – ela pensa um pouco antes de responder.

Jô – Ele diversifica bem suas atuações, não estava no nosso radar tráfico de crianças. Pelo o que você apurou está relacionado à Sophie e não a Stella.

Mac – Nossas evidências levam a isso, eles estavam atrás apenas da criança. E sobre tráfico de mulheres?

Jô – Sim, mulheres sim. Ele tem casas de prostituição, boates que utilizam essas garotas. Stella via muitas mulheres na casa.

Mac – E a forma de sair do país? Promessa de emprego como modelo?

Jô – Não seria uma forma nova, porém teria uma trilha de sumiço muito grande então teríamos muitas garotas desaparecidas. O que o faria mudar de lugar logo, dá um tempo pra voltar a atuar assim, mas sempre o mesmo perfil de mulheres vulneráveis, jovens, bonitas.

Mac – Talvez tenhamos e essa seja nossa trilha de migalhas de pão para conseguir pegá-lo.

Jô – Como assim?

Mac – Você lembra o meu atentado? Naquela época eu investigava o sumiço de uma mulher e aquele tiro me tirou do combate por uns seis meses pelo menos, fiquei afastado de todos os casos só voltando a atuar dentro do laboratório. Vou repassar esse caso e se tiver algo que ligue que essa mulher possa ter recebido uma proposta de emprego de modelo, talvez ela seja a vítima número 1. As vítimas de agora tem isso incomum.

Jô – Se isso for verdade, houve um espaço de tempo que não atuavam em Nova York.

Mac – Ou que passou despercebido. Talvez tenha mais mulheres desaparecidas.

Jô – Mac se você sofreu um atentado porque atuava nisso significa que o senhor Papakota conhece você, ele estudou você e sabe como trabalha.

Mac – Eu não sou o mesmo de um mês atrás, não tem como ser o mesmo de anos atrás. – ele contava um mês desde que conheceu Stella e Sophie. Ele pega o telefone da mesa e liga num ramal dentro do laboratório.

Mac >— Sheldon quero que faça uma busca de mulheres desaparecidas nos mesmos modos das nossas vítimas. << ... >— ok. << — desligando.

Mac – E o filho dele em que mundo estava envolvido? – voltando a sua atenção a Jô.

Jô – Frank? Ele administrava mais o braço dos jogos clandestinos. Mas o principal não era esses cassinos clandestinos qualquer, ele trabalhava com grandes cifras, tem muita gente de poder de vários países, desde políticos grandes a empresários de impérios. Mas infelizmente não temos provas sobre isso, Stella não presenciou essas atividades, Frank não a levava no máximo a colocava num hotel enquanto ele ficava dias em alguma mansão milionária com esses poderosos.

Mac – Quero conversar com a família de Niko.

Jô – Quem é Niko?

Mac – Um faxineiro da embaixada que morreu num acidente em Nova Jersey e seu nome está envolvido nesses outros casos, inclusive no meu atentado.

Jô – Se ele veio para os Estados Unidos com a ajuda de alguém ligado ao Papakota podemos ter alguma pista.

Mac – Mas preciso de uma intérprete.

Jô – Você tem uma em casa. Se quiser eu vou buscá-la, assim também vejo Sophie. Sam me contou que elas estão muito bem instaladas no seu apartamento.

Mac – Estão sim. E Sam está mesmo na sua casa?

Jô – Está. Liguei para Natalie vir ficar uns dias com a gente. Depois que o marido faleceu ela achou melhor se mudar, mas Sam não quis ir junto e achei que ela ficaria bem perto de Stella e me dando algumas notícias.

Mac – Stella já sabe disso? – com um risinho amenizando aquele clima, ele se recosta no espaldar da cadeira.

Jô – Não mas vai saber agora, vou levar Sam pra ficar com Sophie enquanto Stella estiver aqui.

Mac – Jess está com ela mas acho que Sam será uma grande ajuda. – um toque de mensagem no celular de Mac o faz respirar fundo. – Vou ver o que Sinclair quer desta vez. – os dois saem da sala juntos. O telefone de Mac da sinal de chamada.

Mac >— Taylor. <<

Don >— Mac, tenho novidades. Prendemos o cara que tentou sequestrar Sophi. << — os olhos de Mac reagem raivosos ao ouvir aquilo.

Mac >— Eu estou indo. <<

***

Naquela manhã tinha sido diferente para Stella, ela sentiu quando Mac saiu da cama mas seu corpo pedia tanto um descanso que logo adormeceu novamente. Ainda assim viu quando ele foi até o berço de Sophi e depois entrou no closet, alguns minutos mais tarde ele sai vestindo seu terno. Mac senta na cama ao lado de Stella, acaricia o seu rosto quando aqueles olhos verdes se abrem em sua direção, embora ainda muito sonolentos. Ela pode sentir uma fragrância delicada masculina de recém-saído do banho.

Mac – Bom dia.

Stella – Bom dia. Você já vai?

Mac – Eu preciso ir. – os carinhos ainda continuavam. – Fica descansando ainda está muito cedo mais tarde Jess vem ficar com vocês. Se precisar falar comigo pode pedir que ela me liga, nos vemos a noite e trago seu telefone, conseguimos recuperá-lo. – ele puxa as cobertas e a cobre mais, Stella fecha os olhos, seu corpo ainda precisava de sossego.

Mac levanta-se vai até o bercinho e acaricia o rostinho de Sophie.

Mac – Mais tarde papai volta.

Algumas horas depois Jessica está na porta do apartamento.

Stella – Você veio mesmo ser nossa babá.

Jess – E ainda vou ganhar para isso. – elas riem. – Você está bem?

Stella – Ainda sinto muita dor mas vida que segue. Vem vamos tomar um café.

Jess – Humm que mesa gostosa e essa lindeza aqui toda suja. – Sophie passava as mãozinhas na mesa espalhando a vitamina que tomava.

***

Jô – Oi Danny, Mac está nos esperando. – Jô e Stella chegavam ao laboratório e davam de cara com Danny a espera delas ao sair do elevador.

Danny – Oi Jô. Stella como vai? – cumprimentando as duas. – Ele vai demorar um pouco mas pediu que vocês aguardassem na sala dele.

Stella – O que houve? – uma certa preocupação fora notada.

Danny – Nada, só coisas do ofício. Vocês conhecem bem aqui se preferirem podem ficar na sala de descanso.

Jô – Tudo bem. Vamos você precisa sentar.

Stella – Eu estou bem Jô. – Jô já tinha deixado de ser a agente que cuidava do seu caso, era uma amiga que estava preocupada com a sua saúde, Stella agradeceu por isso.

***

Mac – Oi desculpa fazer vocês esperarem. – entrando na sala. – Obrigado por vir Stella.

Stella – Se é pra ajudar a esclarecer o que aconteceu com Niko pode contar comigo. – ele sorrir de volta e vai até sua mesa.

Mac >— Adam prepare a sala de reuniões para uma chamada de vídeo. << ... >— Ok. Fico aguardando. << — ao olhar para o lado de fora de sua sala Sinclair fazia um gesto o chamando.

Mac – Só um minuto.

Jô – Sinclair?

Mac – É, ainda não falei com ele.

Minutos depois Mac volta à sua sala e leva as duas até a sala de reuniões. A ligação é feita e Mac esclarece alguns pontos, além de surgir mais uma vez o nome de Sebastian Diakos no diálogo.

Stella – Eu não sabia que Diakos conhecia Niko, que teriam trabalhado juntos. O que aconteceu com ele não foi um acidente, não é? – olhando para Mac a espera de uma confirmação mas ela desviara o olhar então ela estava certa.

Mac – Stella você pode esperar na minha sala? Eu preciso falar com a Jô.

Stella – Se é sobre mim eu preciso saber.

Mac – Você saberá logo. Eu prometo. – ela deixa a sala um pouco contrariada.

Jô – O que houve?

Mac – Você tem alguma informação sobre Andrew Bedford?

Jô – Não.

Mac – Preciso que você cheque se ele anda metido com Papakota. Ele é um advogado que presta serviço para a embaixada grega e se aproximou de Stella. Prendemos o homem que invadiu a casa dela e o advogado que ele chamou foi Andrew. Isso nunca é coincidência.

Jô – Mas Mac preciso de mais, só por ele ser advogado de um suspeito não tenho como investigar.

Mac – Eu sei que você tem as suas fontes não oficiais.

Jô – Tá bom eu já entendi. Vou fazer algumas ligações.

Mac – Obrigado, vou está na minha sala. – a deixando sozinha pra que pudesse ficar a vontade em suas ligações.

***

Mac voltava para sua sala e dá de cara com Stella de pé olhando o quadro pendurado na parede, não era a primeira vez que via essa cena.

Mac – Você gosta mesmo desse quadro, não é? – aproximando-se dela.

Stella – É eu gosto. – ela ainda tinha os olhos presos no quadro.

Mac – Algum motivo especial? – ela ficou em silêncio por alguns segundos pensando no que falar e ao encarar Mac ela tinha os olhos emocionados, ele logo se põe alerta imaginando que há algo mais naquele simples quadro.

Stella – Tem. – Stella volta a olhar o quadro, toca na moldura, passa os dedos pela assinatura do quadro e voltar a olhar Mac, dessa vez uma pequena lagrima escapou de seus olhos mas logo ela seca.

Stella – A essa altura dos acontecimentos eu não preciso mais esconder nada de você, não é?! – um pequeno sorriso vislumbrou aquele rosto e Mac pode tirar um peso do coração. – Você não sabe a emoção que eu senti ao vê-lo na sua parede a primeira vez que entrei na sua sala. Nunca imaginei que um quadro dela estivesse em Nova York muito menos na sala do homem que está mudando a minha vida. – ela volta a olhar o quadro, mais uma vez as pontas de seus dedos passam pela assinatura. Mac via aquela cena mas mantinha-se quieto esperando que ela continuasse seu relato mas o silêncio se perpetuo por um longo tempo e ele teve que intervir.

Mac – Dela quem Stella?

Stella – Minha mãe. – ela não consegue segurar as lágrimas e mais uma vez algumas delas vem banhar seu rosto. Ele não acreditava em tamanha coincidência.

Mac – Quê? – aquela ruga na sua teste se aprofundou.

Stella – É isso mesmo. – Stella volta a olhar Mac, minha mãe era artística plástica não era famosa mas começava a fazer sucesso já tinha uma pequena exposição em Atenas quando o acidente aconteceu. – as lagrimas suaves agora dera lugar a uma enxurrada. Mac a enlaça com seus braços para acalmá-la.

Lindsay passava pelos corredores mas não ousou em interromper a cena que via na sala do chefe.

Stella – Desculpa. – saindo de seus braços. – A culpa me consome.

Mac – Eu não posso dizer que vai passar ou que o tempo melhora tudo mas eu posso dizer que estamos empenhados em esclarecer tudo e você ter sua vida de volta.

Stella – E do que vai me adiantar se não tenho mais eles comigo? – olhando o quadro.

Mac – Você agora tem Sophie e tem a mim. – os olhos dela logo o procuraram mais emocionados.

Stella – Obrigada. – se jogando nos braços dele. Duas batidas na porta e eles se separam.

Jô – Desculpa interromper mas precisamos ir Stella.

Stella – Está tudo bem.

Jô – Aconteceu alguma coisa? – a vendo chorosa.

Stella – Sim aconteceu mas foi algo bom. – um pequeno sorriso iluminou o rosto da grega o que fez Jô relaxar um pouco.

Jô – Então vamos? Mac estou aguardando as informações que pediu assim que tiver você saberá.

Mac – Ok. – elas saem da sala. Mac ainda fica alguns minutos olhando o quadro e se preguntando se realmente coincidências existem.

Lindsay – Mac os relatórios do seu caso.

Mac – Vamos para a outra sala, tudo relacionado aos casos estão lá.

Lindsay – Danny está lá revisando outras coisas.

Mac – Ok.

***

Mac estava há horas com sua equipe repassando os casos quando foi avisado da visita de Quinn, ele já não usava o terno, as mangas da blusa estavam dobradas até os cotovelos, todos pretendiam pedir o jantar quando ele deixa a sala para atender a chefe do laboratório de Nova Jersey.

Quinn – Até que enfim te acharam. – vendo Mac entrar na própria sala. – Vim pessoalmente entregar isso. – o entregando uma caixa de evidências que trazia na mão.

Mac – Mas não é só essa caixa. – recebendo o pacote e colocando em cima da mesinha próximo ao sofá.

Quinn – Não, o pessoal está descarregando lá embaixo. Você vai me dizer o porquê está revirando meu caso?

Mac – Está ligado alguns casos aqui em Nova York. – Quinn senta-se na poltrona na frente da mesa de Mac esperando que ele faça o mesmo.

Quinn – Eu trouxe mais trabalho pra você que tal sairmos mais tarde para desopilar? Já que eu vim até aqui você poderia...

Mac – Desculpa Quinn, eu realmente estou cheio de trabalho. – não saindo do lugar que estava.

Quinn – Fiquei sabendo que você está com casos complicados que envolvem a Embaixada grega.

Mac – Você e suas fontes.

Quinn – Todos têm. E então nos encontramos ... – ficando de pé para se aproximar dele.

Mac – Quinn não vai ser possível.

Mac coloca as mãos nos bolsos e pondera as palavras que diria, muito embora dizer qualquer coisa materializaria seus sentimentos, saindo do campo do sentir para o do admitir, isso também significava admitir que o tempo de Clarie finalmente findou em sua vida. Ele gira a aliança no bolso mesmo e sorrir. Mac amava Stella e não mais Clarie.

Quinn – Mac? – ele a encara. – Você está aí parado sem dizer nada.

Mac – Quinn eu tenho alguém agora.

Quinn – Alguém? Ahh ... – vendo como o semblante dele mudará. – Entendi.

Mac – Não é nada ainda mas ela é muito importante para mim e não quero fazer nada que a desagrade mesmo porque não tenho vontade de fazer nada que a desagrade.

Naquela manhã Mac passou bons minutos na sua sala diante da grande janela pensando exatamente nesses sentimentos, na chegada de Stella e Sophie na sua vida e na sua casa e como esses sentimentos o agradavam sem culpa.

Quinn – Do que está falando? Você está se relacionando com alguma mulher ou não? – aquelas palavras dela o fizeram sorrir mais uma vez.

Mac – É complicado.

Quinn – Com você não costumava ser complicado ou acontecia ou não acontecia. – seu sorriso saiu malicioso propositadamente.

Mac – Eu quero que aconteça com ela mas não é algo simples. – Quinn percebeu a forma que ele a mantinha longe e sem flertes.

Quinn – Eu a conheço? É alguém do laboratório? Espera você voltou com a Payton? Eu soube que ela está em Nova York.

Mac – É ela está, a encontrei no Presbyterian mas não, não é a Peyton. Você não a conhece. – o barulho dos elevadores dessa vez chamou a atenção de Mac que viu Stella sair dele chorosa junto com Jô.

Mac – Stella. – falando o nome dela baixinho.

Quinn – Mac? – Stella adentra a sala e o abraça imediatamente.

Mac – Stella o que aconteceu? – ele encara Jô na espera de uma resposta. Ela apenas olha para a outra mulher na sala de Mac. Ele lembra-se que Quinn ainda está ali.

Quinn – Eu posso ajudar? – Stella sai do abraço de Mac e limpa as lágrimas.

Mac – Quinn essa é Jô Danville e Stella Bonasera.

Quinn – Tem algo que eu possa fazer? – ela cumprimenta as duas mulheres.

Mac – Não. – se adiantando para finalizar a conversa com a perita. – Quinn você pode nos dá licença? Desculpe, preciso resolver isso.

Quinn – Tudo bem. Nos vemos depois?

Mac – Quando terminar com as provas entrego ao laboratório de Nova Jersey, obrigado. – querendo ao máximo que ela saísse da sala. Ele volta sua atenção para Stella e já percebia que suas dores estavam dilacerantes, ao notar sua respiração um pouco ofegante passando as mãos nas costelas. – Senta aqui Stella. – a levando para sentar-se no sofá.

Mac – O que aconteceu?

Jô – Preciso que você mande alguém periciar meu carro. Eu deixei estacionado...

Mac – Vocês não foram direto pra casa? – a interrompendo um pouco autoritário.

Jô – Paramos para comprar algumas coisas e quando voltamos meu carro estava aberto e tinha isso. – entregando um bilhete com algo escrito.

“Tic tac”

Mac pega seu celular e liga para Danny.

Mac >— Danny venha até minha sala e traga Lindsay. << — minutos depois os dois entram na sala do chefe.

Danny – Queria nos ver Mac?

Mac – Sim. Danny quero que vá fazer a perícia no carro da agente Denville, chame primeiro o esquadrão antibombas. Lindsay quero que tente achar alguma coisa nesse bilhete, estava dentro do carro da agente.

Jô – Eu vou com você Danny.

Danny – Eu vou só pegar meu kit e nos encontramos na garagem.

Jô – Ok. Stella por favor não fique assim. Isso deve ser pra mim. – Jô dizia aquilo para tentar acalmar Stella. Ela tinha seus olhos presos em algum lugar da sala, apenas fez um pequeno maneio com a cabeça e Jô deixa a sala angustiada pelo estado da grega.

Lindsay – Eu vou agilizar isso. – também deixando a sala.

Stella – É ele Mac. É o senhor Papakota, eu sei. – ela espera que todos deixem a sala para questioná-lo.

Mac – Calma Stella.

Stella – Eu ... eu ... – ela estava tão nervosa que não conseguia formular uma frase. Mac percebia seu medo e de como a deixava vulnerável.

Mac – Vamos para casa, vamos ficar com Sophie, está bem? – ela apenas concorda.

***

Stella permanecia o caminho todo em silêncio, sua cabeça relembrava os horrores que sofreu naquela casa na Grécia, sua mente trabalhava numa forma de se proteger, tinha certeza que aquele recado era para ela e o remetente era o senhor Papakota e qualquer um que estivesse perto iria sofrer as consequências, pensou em Sam, em Sophie e em Mac. O mais coerente seria o FBI tirá-la da cidade e realocá-la sob uma nova identidade, iria deixar todos para trás. Pensar nisso a entristeceu profundamente a ponto de seu coração apertar no peito, mais pessoas tinham significados importantes para ela...Lisa, Sam, Sophie, Mac. Ela desvia sua atenção para ele dirigindo e um abismo se abre diante de si, sentiu que estava prestes a cair. Mac sente o peso do olhar de Stella, seus olhos estavam turvos, sem vida, ele tocou sua mão sentiu que estava fria, apertou com um pouco mais de força o que a trouxe para a realidade. Novamente o encara e percebe os olhos azuis vívidos para ela, as mãos unidas, ela apenas acariciou o gesto com a outra mão procurando um pouco de alívio.

Eles adentram o apartamento ainda em silêncio, ao ver as duas mulheres com os olhos apreensivos, Stella paralisou, as olhou com olhos de despedida e nada falou apenas caminhou para o quarto apressadamente.

Jessica tentou ir atrás mas ao sentir a mão de Sam em seu braço ela se detém.

Sam – Melhor não.

Mais uma vez o pensamento de Stella alerta que mais pessoas tinham significado na sua vida e Jessica era uma delas.

Jess – Ela vai ficar bem? – olhando para Sam sentada ao seu lado no sofá e depois para Mac que continuava de pé.

Sam – Quando ela se sente impotente fica trancada um tempo. Trancada até em si mesma. Você precisa ter um pouco de paciência Mac. – dirigindo seu olhar ao homem que continuava imóvel ainda olhando para o corredor. – Não faz muitas perguntas ela acaba falando no tempo dela.

Mac – Tudo bem. – sentiu soltar o ar mais aliviado.

Jess – Jô ligou e explicou o que aconteceu pediu que tivéssemos cuidado.

Sam – Jô está bem?

Mac – Está sim. Elas pararam antes de vir e quando voltaram ao carro estava aberto. Podem ir eu vou ficar em casa assim também Stella fica mais a vontade.

Jess – Tudo bem, cuida dela. Amanhã eu preciso passar na delegacia antes de vir, ok?! E me da notícia. – mais uma vez ela olha para o corredor antes de pegar suas coisas.

Sam – Você me deixa em casa, Jess?

Jess – Claro. Sophi está dormindo. – dando um beijo no irmão em despedida.

Sam – Tem jantar para vocês. Vem Cassius. – Mac nem tinha percebido o cachorro deitado.

Mac – Obrigado.

Mac se condena por não ter evitado isso, todos esses casos estavam longe de serem resolvidos, queria livrar Stella de todo aquele medo mas eram casos complexos de mais para serem solucionados rapidamente. Ele saiu pela casa procurando suas garrafas de whisky, pensou que Stella ou Sam tinham escondido já que agora tem uma criança em casa, até gostou de como sua vida está mudando. Ele abre os armários da cozinha mas não encontra então vai para seu escritório com os documentos que havia trazido, abriu mais uma vez as portas dos armários e encontrou o que queria em uma das portas com tranca, ele tirou a garrafa e um copo e depositou o líquido, embora preferisse um chá iria se contentar com o whisky para ajudar a clarear seus pensamentos. Mac guarda a arma no armário com tranca, olha pela janela ao tomar o primeiro gole da bebida, localiza todos os policiais que estavam guardando o apartamento. Seus pensamentos são quebrados com o seu telefone tocando no bolso.

Mac >— Taylor. <<

Gary >— Mac, quarta-feira cadê você? Vai faltar mais uma vez? <<

Mac >— Desculpe Gary estou com muito trabalho, vou passar um tempo sem conseguir tocar. Peça desculpas aos rapazes por mim. <<

Gary >— Tem uma moça aqui procurando por você. Está famoso, hein? <<

Mac >— Essa moça tem nome dessa vez? <<

Gary >— Peguei o cartão, Whitney. Christine Whitney. E aí dou alguma resposta ou sirvo um chá de cadeira? <<

Mac >— Você já tem a resposta. Até mais. <<

Gary >— Tudo bem, até. <<

Mac se dera conta que estava tão consumido por toda aquela situação quem nem passou pela sua cabeça que já faziam semanas que não aparecia para tocar no bar.

Mac – Hora de trabalhar. – tomando o último gole de sua bebida, aquele amargor mais uma vez o fez lembrar o chá que Stella sempre fazia.

“ – Infelizmente não é seu chá.” – sua mente evocou. Ele faz apenas um maneio de cabeça como se quisesse afastar aquele pensamento.

Mac senta na frente do seu notebook, abre o arquivo do caso que investigava na época que sofreu o atentado a procura de novas informações, algo no relatório chama a sua atenção o que o faz ligar para Sheldon para que possa colher mais informações. Seu telefone da um sinal de mensagem; Lindsay informava sobre a perícia feita no bilhete, infelizmente nada foi encontrado. Ele continuava com a sua leitura já em outro arquivo, faz mais algumas anotações mas continuava preocupado pois Stella não havia saído do quarto ainda. Resolveu ir até a porta do quarto e verificar se estava tudo bem, o silêncio se fazia presente, tocou a maçaneta mas preferiu respeitar a privacidade dela. Seu telefone vibrou no bolso, o nome no visor denunciou que ainda tinha trabalho, olhou mais uma vez a porta fechada e então voltou para o escritório.

Mac >— Taylor. <<

Danny >— Chefe o esquadrão antibombas não achou nada no carro da agente Danville. Tá limpo. Vou rebocar para a nossa garagem mas preliminarmente o que posso dizer é que a pessoa que fez isso é profissional, abriu o carro sem ativar o alarme que é bem moderno, vai ser difícil achar digitais mas vamos tentar. Já solicitei as imagens das câmeras de segurança. Não tem um lugar em Nova York que não tenha uma câmera, principalmente na rua onde elas param. <<

Mac >— Tudo bem Danny. Leve o carro e termine amanhã já está bem tarde. <<

Danny >— Ok, nos vemos amanhã então. << — eles deligam.

***

Stella mais uma vez não conseguia dormir, desde que chegou se trancou no quarto, não conseguia encarar ninguém, nem ela mesma. O medo a fazia paralisar na cama. Sophie se remexeu no berço e atenção de Stella vai para a criança, a fazendo levantar para fazer a troca de fraldas, deu um pouco do leite que já estava no quarto mas logo a menina dorme. Com certeza Jess, Sam e Cassius gastaram bem as energias da pequena, Stella até conseguiu sorrir com esse pensamento. Ela observava a menina dormindo, queria a todo custo protege-la, era isso que tirava o seu sono. Sabia que tinha outra pessoa tão incomodada quanto ela e resolveu ver como ele estava. Stella sai do quarto na ponta do pé até a sala, ver apenas aquela luz baixa a iluminar o ambiente e seus olhos recaem em Mac ali deitado no sofá. Sabia que ele não dormia bem mas ao vê-lo tão sereno presumiu que ele conseguia descansar. Ela senta no chão e deita a cabeça no sofá próximo a ele, permitiu que algumas lágrimas escapassem quando sente um carinho na sua cabeça. Stella levanta o rosto e dá de cara com os olhos azuis bem abertos e acolhedores e mais uma vez tem suas lágrimas enxugadas por ele.

Stella – Eu não consegui dormir.

Mac – Nem eu.

Stella – O que eu faço?

Mac – Vem cá. – ele se encolhe um pouco mais no sofá e dá um espaço para que ela deite do seu lado. Stella se aconchega no braço dele, deitando-se de costa para ele. Ela acariciava o braço de Mac que estava estendido colocando sua mão esquerda na mão esquerda dele, dessa vez era Stella que fazia o gesto de girar a aliança dele.

Mac compreendeu aquele gesto, ela estava dizendo que apesar daquela aproximação existia algo que os separava, não sabia como compreendeu algo tão complexo com aquele simples gesto mas para ele aquela mulher era muito transparente, conseguiu ler Stella depois que soube de tudo que aconteceu. Mac sabia o quanto ela estava vulnerável mas tinha a sua confiança e isso era muito importante, queria que ela ficasse bem e que quisesse tanto quanto ele ficar ao seu lado. Mac entrelaça sua mão a dela e a traz junto ao seu corpo para abraça-la. Ele beija-lhe o topo da cabeça, aproxima-se do ouvido dela e antes que pudesse falar algo o cheiro dela tão característico estava lá, invadindo os seus sentidos.

Mac – Eu estou aqui.

Stella fechou os olhos por um breve momento sentindo o hálito quente próximo ao seu rosto, sentiu os lábios dele se moverem tocando sua orelha, sua pele respondeu ficando pontilhada. Ela virou um pouco o rosto, suas respirações estavam próximas, de repente uma leve tensão foi vista nos olhos dela. Mac percebeu a pele dela arrepiar, ele apenas acariciou o braço dela e a envolveu com carinho, tocou o rosto dela e mais uma vez beijou-lhe a testa. Nesse momento a tensão se dissipou e ela sorriu. Stella puxou o ar mais demoradamente e relaxou, ela se desvencilhou dele, ajeitou o corpo e ficou de frente, procurando o peito dele para recostar. Mac puxa a coberta e cobre seus corpos.

Stella – Para mim você é como esse cobertor.

Mac – Eu? Como assim?

Stella – Um dia eu te conto. – ela ergue um pouco a cabeça para olhá-lo e mais uma vez seus olhos estão próximos. Ele a envolve mais uma vez com um dos braços, o outro procura o emaranhando os cabelos dela e repousa fazendo um carinho. Ela sorrir mais uma vez e se aconchega no peito dele.

Stella – Posso te perguntar uma coisa?

Mac – Claro.

Stella – Você não está usando aquela sua loção forte, por quê?

Mac – Porque você tem alergia. – ela o olha mais uma vez e dessa vez seu sorriso era ainda mais largo. Mac lhe sorrir timidamente em retribuição, o celular dele da sinal de mensagem quebrando aquele momento. O telefone estava na mesinha lateral acima de sua cabeça, ele ergue o braço e pega o aparelho, ele não se importa que Stella veja o visor mas se incomodou ao ler o nome do remetente.

Stella – Deve ser trabalho tão tarde, eu vou para o quarto. – ela tencionava se desvencilhar dele.

Mac – Não, pode ficar não é importante. – apertando mais o abraço para que ela não saia. Stella riu do jeito dele de não afasta-la. – Não é trabalho. – lendo a mensagem de Christine.

“Precisamos conversar.”

Ele digitou algo rapidamente mas não enviou, ele sabia que Stella estava lendo afinal o celular estava próximo ao rosto dela e queria que ela tivesse uma explicação.

Stella – Porque não enviou? Desculpa eu estou me metendo na sua vida.

Mac – Não se preocupe. Você pode se meter no que você quiser. – ela o olhou pela forma tranquila que ele falava. – Você é a mãe da minha filha. – a encarando divertidamente. – Você é minha companheira de casa.

Stella – Você quer dizer de cárcere. – levantando uma das sobrancelhas e um leve sorriso. – Agora você reconhece que ela é sua?

Mac – Sim nem que seja só de coração. Sabe eu estou pensando em algo. – esquecendo completamente da mensagem e do celular em algum lugar do sofá.

Stella – No que? – apoiando o queixo no peito dele.

Mac – De oficializar a adoção de Sophi, quando tudo isso se resolver e se não acharmos os parentes dela eu quero ela comigo. – ele acariciou o rosto dela. – E você também. – Stella o olhou surpresa.

Stella – Mac...você tem certeza? – um tanto séria com o que ele falava.

Mac – Vamos deixar para pensar nisso quando chegar a hora, ok? – não querendo colocar tanto expectativa em algo que possa dá errado, embora ele tenha toda convicção que irá fazer o possível para que isso aconteça. – Esse é um grande desejo meu e quero compartilhá-lo com você.

Stella – Sabe o porquê te chamei de cobertor? – sorrindo um pouco sem graça.

Mac – Não.

Stella – Porque o cobertor não muda o frio que faz lá fora mas aquece aqui dentro. – a emoção era transbordada em seus olhos. Mac se sentia emocionado pelas palavras dela e um beijo calmo coroa aquele momento, os lábios se uniam com a leveza que aquele momento pedia.

Stella – Você tem que responder sua mensagem.

Mac – Amanhã eu ligo. – ela deitou no peito dele novamente. Ele ficou alguns minutos em silêncio acariciando os cabelos dela. – Lembra-se daquela história que contei sobre um amigo que faleceu nos meus braços quando estava na polícia em Chicago?

Stella – Lembro.

Mac – Essa é a irmã dele, a mãe você conheceu a grosseria na minha sala outro dia.

Stella – Elas fizeram parte da sua vida.

Mac – Esse é o motivo de ter alguma consideração. Mas terei quer ser ainda mais incisivo ao deixar claro que elas só podem fazer parte da minha vida como amigas. Agora eu tenho uma filha e você.

Stella – Você vai contar uma mentira? – diante do silêncio dele Stella o olha e ele apenas sorri nada argumenta, beija-lhe a testa e antes que ela pudesse intervir ele o faz.

Mac – Vamos dormir, você teve um dia muito conturbado. – ele não queria explorar aquele assunto, os seus sentimentos eram claros, mas para Stella poderia ser algo confuso, não queria adentrar nisso em um momento delicado.

Stella – E desde quando você dorme? – resolvendo aderir à tática dele e não falar sobre o que nem ela sabia identificar.

Mac – Desde que você fica ai. – ela sorrir.