"Quero conhecer melhor você"
1 "Quero conhecer melhor você"
Notas iniciais
Tinha algo errado naquele cara.
Quer dizer, por que ele tinha que ser tão pequeno e bonitinho? Mas ao mesmo tempo tão incrível e independente?
Isso te frustra.
Saber que ele nunca dependeria de alguém... Saber que ele nunca dependeria...
De você?
De mim...! É claro que me frustra! Eu realmente não entendo! Por que ele tinha que ser tão elegante e solitário, mas tão fofo e dócil?!
E por que tudo isso tinha que me desconcertar, me incomodar, me deixar nervoso?!
Eu odeio. Odeio quando nos encontramos à noite, em cima dos prédios. Geralmente meus pés doloridos gritam no meu consciente pedindo que eu maneire na próxima vez, enquanto meu coração grita cada vez mais alto para que na próxima eu não demore tanto. Eu sempre estava ofegante, enquanto ele estava lá, sobre o parapeito, todo pensativo, elegante e solitário. Provavelmente pensando em tudo aquilo que ele sempre fazia, pensando em como melhorar, em como ajudar ainda mais e em como continuar toda essa sua rotina...
E era engraçado. Não importa o quanto eu me maltrate tentando estuda-lo, tentando entende-lo, eu nunca vou conseguir chegar ao absoluto da sua personalidade. Não importa quantas vezes eu veja os seus filmes ou leia suas HQs, não importa o quão simples ele pareça. Ele é uma caixinha de surpresas. Ele sempre vai conseguir me surpreender. Me agradar. Fazer meu coração se alto espancar para bater cada vez mais forte por ele.
― Você demorou hoje. ― ele comentou naquele tom rasteiro... gracioso... tão gentil. Aquele tom que me fazia cair de cara num balde cheio de amor por aquele desgraçado.
― Sentiu minha falta, baby boy?
Ele ficou em silêncio, mas pelo que os outros julgariam sendo muito, o pouco que eu sabia dele indicava que ele estava sorrindo. Aquele sorrisinho curto e fofinho, contido e reservado. Esse era um sorrisinho reservado à área VIP. À minha área. Era um sorrisinho só para mim. Destinado apenas a mim.
Ele também sorri pra mim.
Pra mim também, panaca.
Foda-se. Ele virou minimamente em minha direção e, mesmo mascarado, eu sabia que ele seus olhos brilhavam.
Para de suspirar, Wade.
Não é como se eu conseguisse. Só de simplesmente imaginar seu rostinho desmascarado, olhando diretamente pra mim sem nenhum empecilho, me mostrando aqueles olhos vívidos que eu tanto amava, aqueles cílios longos e curvados que eu tanto amava, aquelas bochechas macias e rosadas que eu tanto amava, aquele queixo delicado que eu tanto amava, aquele nariz bonitinho que eu tanto amava e aquela boca tão avermelhava que eu tanto amava... eu... eu...
Desenrola.
Ele esqueceu.
É, eu me esqueci. Se bem que lembrar de algo perto dele é algo impossível.
― Wade? ― soltou uma doce gargalhadinha graciosa. ― Você está aí?
― Foi mal, eu tava tentando imaginar se você tá usando alguma coisa por baixo dessa roupa coladinha.
― Deixa de ser idiota. ― gargalhou novamente, batendo a mão ao seu lado, no parapeito. ― Sente-se aqui.
― Já que você insiste.
Apressei-me até ele, obedecendo-o. Tentei sentar o mais próximo possível, de modo que não denunciasse que eu estava me segurando pra não sentar de uma vez sobre seu colo.
E começou com o de sempre: o nervosismo. Era só ficar ao seu lado que minhas mãos começavam a suar, a coçar, e eu arrumava uma necessidade de ficar me mexendo, esfregando as mãos, balançando os pés, remexendo o colo, e, em tentativa de me conter, começava a tremer a perna. Isso até meu coração quase pular da boca quando senti sua mão pousar sobre minha perna, confortavelmente. Ele cessou o meu nervosismo num instante para o outro, me fazendo olhar pra si. Ele parecia estar sorrindo, olhando de volta pra mim. E um suspiro escapou da minha boca.
― Isso é de nervosismo? ― ele perguntou adoravelmente.
Dei de ombros, meio sem jeito com toda aquela sua graciosidade. Peter era tão fofo.
― É sua culpa. ― acabei por dizer.
Ele tombou a cabeça para o lado, numa provável expressão curiosa.
― Minha? ― perguntou, e acenei positivo. ― Por quê?
Mordi os lábios, reconsiderando se eu deveria mesmo responder aquilo. Eu ganhei sua espera enquanto pensava.
Por que simplesmente não fala?
Você sempre quis ter essa oportunidade.
Mas eu deveria? Ele parece ser um cara romântico. Eu não deveria esperar mais?
“E o que é tempo quando se faz direito?”
Haha, essa foi boa. Mas pareceu desculpa pra quem tem ejaculação precoce.
Se bem que o Wade ama tanto esse guri que não duvido que ele se lambuze todo só dele tirar a roupa.
O cara já fica todo duro quando o Baby Boy tira a máscara.
― Parem de me menosprezar, filhos da puta.
― O quê? ― provavelmente ele estaria franzindo o cenho.
― Nada não, Baby boy. ― batuquei os dedos nervosamente sobre o parapeito, sentindo sua mão descolar da minha coxa, o que me trouxe desagrado.
― E... ― começou hesitante. ― Por que o seu nervosismo é por minha culpa? ― ele voltou a perguntar.
Tamborilei mais vezes os meus dedos sobre a superfície.
Fala.
Fala.
Não acho que eu seja capaz.
Foda-se.
Fala logo!
Abri a boca, reunindo coragem para me abrir. Mas acabei me perdendo ali, sobre sua imagem. Peter parecia... tão atento sobre mim. Seus lábios entreabertos marcavam a mascara, me trazendo desejo de vê-los na sua cor real.
Isso tá um clima bem romantizado.
Será que ele tá corado?
― Preciso ver isso. ― murmurei atônico.
― Isso o quê?
― Você. ― respondi de imediato. ― Preciso ver você sem essa máscara.
― O― O quê? ― afastou minimamente o rosto. ― Por quê?
― Não importa. Só tira. ― levantei as mãos até sua máscara e, assim que a toquei com a ponta dos dedos, ele se afastou.
― Eu tiro se você me responder. ― insistiu.
― Feito. Eu respondo se você tirar.
― Okay.
Voltei a tocar o tecido macio da sua máscara na região da bochecha, deslizando os meus dedos até o seu pescoço, à procura da base da peça. Assim que a achei, puxei um pouco para cima, até que fosse possível infiltrar meus dedos ali. Mordi meus lábios, prendendo a respiração enquanto a erguia vagarosamente, me recriminando de não ter tirado a luva para aproveitar aquele toque.
Comecei a ter a visão da sua pele alva, e, mesmo com a pouca iluminação de postes distantes, lua cheia e pouquíssimas estrelas no céu, pude ver suas finas e lindas cicatrizes que decoravam seu pescoço. Logo consegui ver seu delicado queixo e seus finos e graciosos lábios. Seu narizinho com a ponta corada, seu pequeno ponto saltado ao lado, que tanto me atraía. Suas bochechas rosadinhas. Seus olhos que estavam fechados permitiam que eu reparasse o quanto seus cílios eram longos e clarinhos, assim como suas sobrancelhas falhas. Seu cabelo, todo bagunçado pela máscara, brigava com o vento, atacando a testa, cobrindo as orelhas e enrolando-se, causando ondulações que pareciam inícios de cachos. E logo veio o melhor...
Os seus olhos.
Pequenos, mas redondos. Assim que os abriu, me permiti observar entre seus longos cílios superiores e inferiores aquelas ires escuras acastanhadas, que continha o brilho mais gracioso existente. Os olhos de Peter era um mar de sentimentos. E cada gota era um mistério, alguns conhecidos, outros completamente escondidos. Eles refletiam a mais linda mistura de características que compunham sua personalidade que eu poderia conhecer: felicidade, curiosidade, graciosidade, gentileza, sutileza, humildade, generosidade, bondade, elegância, inteligência, franqueza, magnitude, meiguice, amabilidade, agrado, carinho, cordialidade, liberalidade, sinceridade, doçura―
Peter simplesmente era...
Amável.
Amável demais.
E só de olhá-lo eu sentia meu peito sem ar. Buscava por oxigênio, mas tudo o que eu queria encontrar era sua pele, seus lábios, o seu calor. E eu já não sabia mais o que fazer. Eu queria tanto... tocá-lo. Não bastava só olhar. Não bastava apertar a máscara com força, como se fosse deter minha mão de subir até seu rosto. Mordi os lábios.
Céus. Como eu queria senti-lo.
Ver suas pupilas dilatadas pintarem seus orbes que transitavam o olhar entre cada fundo dos meus olhos me deixava louco. Ele me esperava paciente, com aquela doce pintada de curiosidade estampada no semblante.
― Wade. ― ele me chamou num sussurro doce, coisa que fez meu coração saltar ainda mais alto. ― Por que eu te deixo nervoso?
Peter tombou o rostinho pro lado, fechando os lábios fininhos num discreto biquinho. Ele parecia um adorável filhote de labrador. E eu tive que respirar rápido para conter alguma ação desnecessária vindo de mim.
“Desnecessária?”
Não seja idiota. Você não engana ninguém.
Tanto nós quanto os leitores sabemos que você não acha esse tipo de atitude nem um pouco desnecessária.
É, cara. É. Não é desnecessária. Nem um pouco! Mas eu não posso fazer isso desse jeito!
Então se apresse e faça da forma que você julga ser certo.
Abri a boca, querendo ter algo para responder as vozes num tom alto. Mas acabei me perdendo de novo naquele rostinho, com bochechinhas coradinhas e as sobrancelhas falhas franzidas.
― Eu... ― iniciei, ganhando seu olhar mais iluminado. ― Não sei se você quer saber o real motivo.
Peter pressionou os lábios um no outro, arqueando as sobrancelhas ainda com o cenho franzido. Movimentou-se, sentando-se agora de frente a mim. Apoiou as mãos sobre a superfície, inclinando-se um pouco ao meu favor.
― Eu quero saber. ― se vocês pensaram que essa afirmação veio grossa, vocês estão incrivelmente equivocados. Peter afirmou de uma maneira tão doce, voltando a inclinar a cabeça pro lado, que quase o pedi para ele repetir enquanto eu o filmava.
Acenei negativo.
― Não quer não.
E ele deu um sorriso, gargalhando levemente em seguida.
― Wade, eu quero sim! ― comentou divertido, me fazendo sorrir em diversão recíproca.
Palavras em diminuitivo, “equivocados”, “semblante”, “cenho franzido”, “recíproco”, aquela lista extensa de características...
Wade, desde quando você aumentou seu vocabulário?
“Nosso” vocabulário. Nem pensar que falávamos assim também.
Já sei.
Influência do Baby boy.
― Waade? ― chamou minha atenção, cantarolando. Aquele tom gostoso não escapou dos seus lábios.
― Tá, você quer. ― sussurrei. ― Mas não sei se consigo.
― Falar sobre isso?
― Falar sobre isso. ― afirmei, movendo a cabeça no intuito dele pensar que eu estava olhando outro rumo. No entanto, meus olhos ainda eram fixos na sua imagem.
Ficamos em silêncio por um momento e, ao vê-lo esticar a mão até meu rosto, prendi a respiração antes mesmo que me tocasse. E quando o fez, engoli em seco, evitando não me derreter.
― Wade. ― as pontas dos seus dedos deslizaram sobre a maçã do meu rosto felizmente e infelizmente coberta, até que todos os comprimentos dos seus dedos também tocassem. Deslizou-os até o meu queixo, prendendo-o com o polegar, virando vagarosamente meu rosto à sua direção. ― Vamos devagar.
Soltei todo o meu ar dos pulmões de forma tensa.
― De― Devagar? ― ri nervoso, mas ele me acompanhou num tom doce.
― Devagar. ― afirmou. E, ao olhar no fundo das suas pupilas graciosas que pareciam sorrir para mim assim como sua boca, meus ombros despencaram, relaxados. ― Apenas responda minhas perguntas. ― acabei acenando positivo, sentindo minha língua pulsar ao ritmo do coração, de tão alto que ele estava. ― É um nervosismo incomodo? ― acenei negativo. ― Você gosta de sentir isso? ― acenei positivo desesperadamente, sentindo minhas bochechas salpicarem. ― Você... está com vergonha?
Abri a boca, sentindo minha cara pelar de formigamento.
Tá ligado que você tá corado, né.
Trouxa.
Abaixei um pouco a cabeça, mas acenei positivo minimamente. Subi o olhar vagarosamente até voltar ao seu rosto, vendo agora um sorriso diferente. Peter tinha a expressão tão suave e deleitosa, que parecia contente. Parecia... agradado por eu estar com vergonha.
― Wade. ― seus dedos voltaram a se movimentar pelo meu rosto e, com as costas deles, acariciou minha bochecha, fechei até os olhos para aproveitar melhor, me concentrando na sensação. Infelizmente minha oportunidade foi curta, já que havia deixando sua mão cair do meu rosto. ― Você tem algo pra me contar?
Abri os olhos num reflexo absurdo, assustado, deixando-os tão esbugalhados que minhas córneas doeram. Senti meu rosto inteiro esquentar enquanto meu coração batia tão forte que me agredia. Por baixo das minhas luvas minhas mãos já estavam nadando no próprio suor e eu sentia uma formigação vinda do meu baixo ventre. Chegava até a ser cômico como esse danadinho gostava de masoquismo tanto físico quanto psicológico. E claro, o quanto amava esse pirralho na minha frente.
Tentei engolir saliva, mas eu nem consegui de primeira. Tentei umas quatro vezes e, quando finalmente consegui, ela saiu rasgando minha garganta. Tentei apertar minhas mãos, mas elas esqueceram que tem que responder os comandos do meu cérebro de vez enquanto. Por outro lado, minhas pernas começaram a balançar euforicamente e eu já não sabia o que fazer.
Até que a mão gentil veio de encontro à minha coxa outra vez, fazendo todo o meu corpo relaxar automaticamente.
― Está tudo bem se você não quiser falar hoje. ― ele comentou gracioso.
E, olhando-o, vendo todo aquele brilho nos seus olhinhos, eu não evitei respirar fundo e, quando abri a boca para soltar o ar, me vi respondendo imediatamente:
― Eu quero conhecer melhor você.
Ganhei o seu silêncio enquanto me recriminava mentalmente, sozinho, já que consegui calar até mesmo as vozes inúteis. Que mesmo as chamando de inúteis não revidaram merda alguma. A expressão surpresa de Peter também era uma gracinha, ainda mais quando suas bochechas conseguiam se rosar mais do que antes.
― Eu... ― iniciou, fazendo com que eu prendesse minha respiração para ouvi-lo nitidamente. ― Também quero te conhecer melhor. ― mordeu os lábios, levantando os olhos aos meus. ― Eu quero conhecer quem está por trás desse traje e estereótipo de mercenário.
Merda, Wade!
― Nã― não, isso não será possível. ― ri nervoso, barrando sua mão de tocar na minha máscara.
― O quê? ― franziu o cenho. ― Por quê?
― Porquee... ― cantarolei semicerrando os dentes. ― Eu gosto muito da sua companhia pra começar me evitar depois.
― E por que motivo eu faria isso?
― Haha. ― ri entre dentes. ― É melhor perguntar os motivos para não fazer.
Ele bufou, fazendo uma carinha muito fofa que eu queria realmente morder.
― Eu confiei a você a minha identidade. Eu te apresentei à minha tia. ― ele falou em descrença. ― E você não vai me mostrar sua aparência por falta de autoestima?
― Acredite, eu tenho mais autoestima do que Deus poderia me conceder. ― ri sarcástico, mas ele me interrompeu num ato brusco quando soltou sua mão da minha pressão.
― Wade! ― Peter me chamou num riso irado, num misto de descrença e ironia. ― Eu praticamente confiei a minha vida em você! Aliás, eu ainda confio!
Senti minha face voltar a corar.
― Peter, eu também confio minha vida à vo―
― Pra você é fácil, Wade! ― ele levantou a voz. ― Você não vai morrer!
― Você está dizendo que eu poderia te matar?! ― perguntei incrédulo.
― Eu estou dizendo que o mercenário da história é você. ― ditou firme. ― Ah, cara, eu não acredito. ― assim que ele começou a se mover, percebi que ele se levantaria, e logo me apressei para pegar seu pulso e puxá-lo para baixo, fazendo-o sentar-se novamente. ― Me solta, Deadpool!
Ser chamado naquele tom fez meu coração doer.
― Peter, por favor. Acalme-se! ― comecei a ficar nervoso, mas não era raiva dele. Assim como ele, eu estava nervoso comigo mesmo. ― Me― Me desculpe. E― Eu... ― procurei por alguma palavra, mas não conseguia achar nenhuma.
Cara, se lascou.
O Baby boy tá furioso.
Ele realmente vai acabar te convencendo a ver isso ai debaixo.
Não referindo ao seu pinto que tava se animando antes dessa pressão toda.
Tamo falando desse semblante de testículo que ce tem na cara.
Eu aposto uma semana de Wade em paz que ele vai vomitar assim que ver.
Cê é loco, eu tô na mesma.
Boa sorte, abacate fodido.
Quando dei por mim, eu estava estrangulando minha cabeça com as mãos murmurando coisas desconexas enquanto Peter me encarava assustado, com as mãos tocando meus braços, movendo a boca. Provavelmente me perguntava se estava bem.
― Ta― Tá tudo bem. ― larguei vagarosamente a minha cabeça que latejava, olhando a superfície áspera do prédio.
Ficamos em silêncio e, apesar de não olhá-lo, eu tinha certeza que ele estava com os olhos fixos em mim, me analisando.
― Já está bom por hoje. ― ele comentou, se levantando devagar. Levantei o olhar, acompanhando-o. ― Desculpe por te forçar.
― Peter. ― chamei, porém, tudo o que fez foi abaixar-se para pegar sua máscara ao meu lado. Aproveitei a ação para agarrar seu braço, puxando-o ao meu favor. Ele acabou caindo sobre o meu corpo, surpreso. Eu tive que me segurar pra não ter uma ereção ali mesmo. ― Me― Me olha.
Ele obedeceu, meio relutante, assim como eu. Levantei minha mão trêmula até a base da minha máscara, entretanto, um toque seu interrompeu meu ato.
― Não. ― sussurrou. ― Não precisa. ― deu uma pausa, segurando minha mão e a abaixando. ― Você não tem a obrigação de me mostrar se você não se sentir bem com isso.
Ele deu um pequeno sorriso, mais curvar de lábios, na verdade. Eu sabia que ele estava decepcionado, mas ainda assim seu coração ainda palpitava bondoso. A serenidade no seu olhar acalmou-me aos poucos, junto com a respiração profunda que eu fazia.
― Eu quero. ― comentei, surpreendendo-o. ― De verdade. ― pausei respirando fundo, tentando parar de fazer minha mão tremer. ― Mas eu... tenho medo.
― Você acha eu vou evita-lo...? ― perguntou hesitante, murmurando. Acenei positivo.
Sua mão tocou meu rosto, fazendo um leve carinho sobre minha bochecha, e dessa vez concentrei-me em sua feição, que se relaxou amigavelmente.
― Wade... ― sussurrou, sorrindo minimamente. ― Eu nunca te evitaria por um motivo tão bobo.
― Mas, Peter. ― fiz som com a garganta enquanto pensava no que falar. ― Eu não tenho lá uma aparência muito―
Seu indicador tocou meus lábios, fazendo-me calar na hora.
― Shhhhh... ― sorriu mais. ― E você acha que eu ligo pra isso?
Acabei sorrindo em conjunto, relaxando o corpo. Ainda atento em mim, sua mão desceu até meu pescoço, e eu respirei fundo.
― Você me permite? ― perguntou gentil.
― Vá em frente. ― respondi já mordendo os lábios.
Senti seus dedos deslizarem em contorno ao meu pescoço, indo à parte de trás da máscara e desabotoando-a. Foi inevitável fechar os olhos em reflexo, sentindo a peça descolar da minha pele, trazendo-me a sensação gélida daquela noite.
Assim que senti o vento tocar a minha face, senti que entraria em desespero pelo seu silêncio. Minhas mãos ainda tremiam e eu sentia uma necessidade enorme de gritar e querer me bater para tirar satisfação do porquê de eu ter que ser tão horroroso.
Isso até sentir sua mão segurar a minha, tirando a minha luva suada. Abri os olhos, assistindo-o guia-la até seu rosto, acabando por me fazer suspirar ao sentir textura lisa da sua pele. Peter ergueu os olhos até mim, e involuntariamente seu rosto começou a se esquentar mais e mais, dando um tom muito avermelhado à sua pele.
Ele parecia querer desviar o olhar, ao mesmo tempo em que queria me olhar. Mas algo me dizia que não era por minha aparência, e sim timidez ― que talvez estivesse explícita por conta das suas bochechas pintadas de ketchup.
Apenas me dei conta de que ele estava também nervoso quando sua mão trêmula e suada que estava desnuda tocou a pele retalhada do meu rosto. No entanto, me permiti suspirar e deitar o rosto contra sua palma, virando minimamente o rosto para alcança-la com um beijo. Os olhos de Peter brilhavam de modo que eu nunca havia visto antes.
― Por favor, Wade. ― começou, e só de ouvir sua voz, meu coração acelerou ainda mais. ― Me deixe ver mais vezes o seu rosto. ― seu sorrisinho estava trêmulo, assim como suas mãos e sua voz.
Ele está com vergonha...
Me deem um tempo. Ele não vomitou em mim, voltem só daqui uma semana!
Não fode, Wilson.
Não dei bola pra inutilidades―
Inutilidade o caralho, vai se foder!
E voltei a olhar aquela doçura que tanto se perdia no meu rosto, deixando-me cada vez mais constrangido. Eu sabia que estava corado, ninguém precisava me dizer.
― Wade. ― me chamou com ternura.
― Oi, Peter? ― acariciei sua bochecha com o polegar.
― Eu quero conhecer você melhor.
Não deu nem tempo de raciocinar. Apenas me dei conta do que realmente estava acontecendo quando seus lábios úmidos e macios tocaram os meus e mais do que depressa, acabei deixando um suspiro escapar contra eles. A outra mão também sem luvas tocou o outro lado do meu rosto, alcançando minha orelha. Acariciou-a, enquanto a outra deslizou até minha nuca, me fazendo respirar fundo. Como ele estava mais alto, julguei que havia se ajoelhado e sem demoras senti seu corpo aproximar-se do meu, indicando que ele havia subido em cima de mim.
Alcancei sua cintura com minhas mãos, apertando-a firmemente enquanto acompanhava o dançar de seus lábios sobre os meus. Sua cintura fina, seus lábios gentis. Peter conseguia ser tão delicado que eu jamais poderia me imaginar aplicando força sobre seu corpo.
Com exceção quando for estoca-lo.
Você não é alguém muito carinhoso na cama, Wade.
Ah, mas por Peter eu seria.
Fechei os olhos assim que senti sua língua traçar um caminho úmido entre meus lábios, fazendo com que eu os abrisse, não demorando com que tocasse a minha. Fez questão de explorar gentilmente a minha boca, enquanto eu deslizei minha mão sobre suas costas, voltando novamente à cintura.
Fechei os lábios sobre sua língua, sentindo-a escorregar lentamente da minha pressão, enquanto eu sentia o gostinho de melancia sobre ela. Assim que ela esteve novamente livre, Peter lambeu minha boca de uma forma tão erótica que me fez suspirar, enquanto meu júnior voltava a dar sinal de vida.
Pressionei os dedos na sua cintura enquanto o puxei para baixo, fazendo-o sentar-se sobre minhas pernas cruzadas. Ele remexeu-se, procurando uma posição mais confortável enquanto sua mão escorregou da minha orelha até meu pescoço, indo, então, à minha clavícula e descendo até meu peito. Senti-o sorrir em meio ao beijo, enquanto intercalava sua língua na minha. Ele estava sentindo o meu coração palpitar rápido.
Seus lábios fecharam-se contra o meu inferior, puxando-o e usando os dentes, trazendo-me um arrepio. Assim que escorregou da sua prensão, separou-se um pouco, respirando. Sentia seu ar bater contra minha boca molhada, enquanto nossos narizes se beijavam em esquimó.
― Qual... é sua cor... favorita...? ― ele perguntou risonho, sabendo que era uma pergunta óbvia até demais.
― Vermelho... ― suspirei, abrindo os olhos vagarosamente, vendo-o de olhos fechados. ― E a sua...?
― Vermelho.
Atacou novamente meus lábios, intercalando de imediato nossas línguas, fazendo com que uma dançasse sobre a outra e eu fechasse os olhos. Suas unhas, na minha nuca, se arrastavam provocativas. Subi uma das minhas mãos até seus cabelos, proporcionando um leve carinho. Suguei seu lábio inferior.
― Qual animal você mais gosta? ― ele perguntou.
Assim que seu lábio escapou do meu, respondi:
― Aranha.
Mordiscou a pele do meu lábio superior num provável sorriso.
― E você...?
― Gato. ― respondeu, voltando a intercalar sua língua na minha.
Forcei minha língua contra a sua, adentrando sua boca, onde tinha muito mais gostinho de bala Halls de melancia. Senti Peter dar um pequeno sobressalto assim que toquei o céu da sua boca e pressionei o local mais uma vez, ganhando um baixo e lindo gemido acompanhado de um suspiro, enquanto abria mais a boca. O que foi o suficiente para me deixar duro. Puxei seus cabelos, ouvindo-o soltar um baixo e delicioso resmunguinho, enquanto apertei sua cintura.
― Qua― Qual é... o seu... signo...? ― perguntou entre selinhos que distribuía contra meus lábios.
― Sagitário. ― virei o rosto, lambendo sua boca que tinha um leve sorriso.
― Você parece mais com Leão. ― comentou.
― Eu vou lá entender disso? ― ri em sua companhia. ― Você é de touro, não é?
― Acertou, menininha astróloga. ― sorriu sarcástico, e quando foi alcançar-me com seus lábios, desviei, indo direto pro seu pescoço marcadinho.
Passei suavemente minha língua pela extensão, passando em seguida meus lábios, deslizando-os ali. Senti Peter suspirar, enquanto suas mãos ficaram sobre meus ombros. Raspei meus dentes pela sua pele, fazendo-o se entregar e tombar a cabeça, me dando mais acesso. Abri a boca, encontrando sua pele com os dentes, dando uma mordida forte o suficiente para Peter gemer arrastado. Meu pênis latejou.
― Wa― Wade...! ― puxou ar pela boca. ― Qual é o seu nome.... preferido...?
― Peter. ― respondi entredentes.
― Owww... ― ofegou, cravando as unhas sobre mim. Se meu pinto tivesse cordas vocais, agora ele estaria urrando. ― O meu... talvez seja... Wade.
Puxei sua pele, até que escorregasse da minha pressão, enquanto aquele pedaço de ternura resmungava. Afastei um pouco, vendo a imensa marca roxa que eu havia feito e levantei os olhos até seu rosto, vendo-o ofegar, com um olhar perdido.
Isso até ele atacar minha boca novamente.
A dança que ele proporcionou a mim foi melhor do que eu jamais pude imaginar. Sua língua sapateava sobre a minha, mas logo a massageou num convite para o tango fora de nossas bocas, fazendo meu pênis latejar continuamente, enquanto ele ainda movimentava seu tronco de modo que encontrasse o meu, entrelaçando meu pescoço com seus braços. Procurei abraçar seu corpo para que se unisse ao meu, encostando-o completamente a mim.
Acabei soltando um gemido ao senti-lo sobre meu membro, enquanto sentia o seu tocando meu abdômen. Ele gemeu em conjunto, remexendo-se sobre meu camarada.
― Huhnm! Wa― Wade...! ― ele gemeu gostoso, fazendo-me soltar um gemido arrastado contra sua língua que eu sugava. Assim que ela escapou, voltei a atacar seus lábios, beijando-o ferozmente, perdendo nossa respiração. Entre suspiros, ele me perguntou:
― Em― em que dia... você nasceu...?
E, com a voz trêmula, respondi:
― Estou nascendo agora...
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