Quero Ser Um Cavaleiro
15 Trabalhando para o inimigo
Após seus serviços no refeitório, Sara voltou para a casa de Libra e colocou uma roupa de treino nova. Não se importava com a opinião do colega mas estava farta das insinuações malévolas deste. Por fim, sem saber que caminho tomar, resolveu descer para a casa de Gêmeos pelas escadarias sagradas. Passou sem problemas por Virgem e Leão, pois aparentemente estavam desertas. Porém, ao chegar em Câncer:
- Ora, ora, quem temos aqui... Um intruso. — Ouviu o sotaque melodioso de Damien quando atravessava o corredor vazio.
- Não enche, francês! Estou atrasado. — Respondeu ela, seguindo em frente.
- Ah, calminha aí. Esqueceu que só pode passar por aqui com permissão?
- Não esqueci, mas a permissão tem que ser do seu mestre. — Disse ela sem parar, quase na saída.
- Ora seu! — Ele ia aplicar-lhe um golpe nas costas quando Máscara da Morte interviu.
- PIVETE! Que pensa que está fazendo?
- Estava impedindo que um invasor passasse, mestre. — Se ajoelhando.
- Pois isso é minha função. Agora volte para suas tarefas!
O garoto voltou para o interior da casa bufando de ódio e Sara riu com gosto. Angelo a olhou feio.
- Não pense que gostei de sua atitude. Da próxima vez, peça passagem de maneira adequada.
- Desculpe. — Respondeu engolindo em seco. — Prometo que não faço mais isso.
- Está certo, pode ir.
Sem esperar segundo aviso, ela saiu correndo e alcançou rapidamente o templo de Gêmeos. Gemeu só de pensar o que teria que fazer ali. Mas sem alternativas, chamou pelo aprendiz:
- Adonis! Aqui estou!
- Mas que surpresa agradável, minha terceira mais querida flor. — Disse ele, indo ao seu encontro.
- Terceira? Que honra. E quem são os primeiros? — Perguntou sarcástica.
- Não fique com ciúmes, uma garota misteriosa tomou seu lugar; e ainda há Floriano. Mas se for bonzinho, posso elevar seu posto... — Respondeu maliciosamente segurando seu queixo e elevando-o delicadamente. — Admita logo que é uma mulher e seja feliz comigo.
- E admita que está ficando louco, patife. Sou tão homem quanto você; ou melhor, sou mais ainda! — Retorquiu retirando-lhe a mão.
- Pois bem, que seja. Só que hoje vai ser mulher mesmo. — Disse sorrindo — Minha empregadinha.
- Como é que é?
- Meu mestre anda muito irritado comigo e obrigou-me ao serviço mais humilhante: ser dona de casa. Então, já que agora tenho um escravo particular, será ele quem me substituirá. — Falou todo sorridente.
- E se Saga descobrir?
- Impossível! Ele hoje está aos serviços da Deusa Atena e só voltará às 17 horas. Deixe-me ver... São nove horas. Tem cerca de 8 horas para deixar tudo limpinho! Ou então Shion vai acabar sabendo de algumas coisinhas.
A morena suspirou, não havia saída. O melhor era começar logo e terminar aquilo o mais cedo possível.
- Está bem então, e o que tenho que fazer?
- Pouquinha coisa, só o que está na lista. — E entregou-lhe um rolo de papel que tinha quase um metro de comprimento.
- TUDO ISSO?
- E para hoje. Aconselho a se apressar. Se precisar de minha bela figura, estarei passeando por aí. — Finalizou o grego subindo as escadas e atirando-lhe um beijo.
Sara sentiu ímpetos de ir atrás daquela figura egocêntrica e esganar-lhe. Abanou a cabeça para afastar aquelas doces idéias e entrou na casa, iniciando seu trabalho. Durante as horas que se seguiram ela arrumou as camas, varreu e encerou o chão de todo o templo, limpou o teto das teias de aranha, tirou o pó dos móveis, arrumou-os adequadamente, lavou uma pilha imensa de pratos e outra maior ainda de roupas, colocou-as para secar, guardou a louça, poliu a prataria, catalogou depois de limpar os livros da grande biblioteca dos irmãos, recolheu as vestes secas e passou uma a uma. Terminou quase ao anoitecer e estava realmente exausta.
Saiu do terceiro templo cambaleando, nunca se sentira tão cansada. E ainda teve o desprazer de encontrar seu “patrão” pelo caminho.
- Ora, já vai embora? Fique mais um pouco... — Disse ele puxando-a de volta para dentro e pressionando-a contra uma coluna de pedra.
- Me solte, está maluco? — A menina se debateu sem forças.
- É isso que você quer? — Sussurrou ele em seu ouvido, fazendo-a estremecer. — Não disse? Você gosta... Agora vamos ver o que tem dentro dessa calça... — E devagar foi introduzindo a mão pode dentro do tecido, sem que Sara pudesse fazer algo para impedi-lo. Já estava quase alcançando seu intento quando sentiu uma dor aguda na nuca. — Mas o que... — E novamente a dor, só que dessa vez na testa. — Quem está fazendo isso?
Ambos olharam para trás e viram Kiki segurando uma pedra, enquanto outras flutuavam no ar.
- Solta ele!
- Ah, se manda daqui pirralho. — Vociferou o outro.
- SOLTA AGORA! — E uma chuva de projéteis atingiu o rapaz, que tentava em vão se defender.
- Kiki, chega! — Pediu Sara.
- Ah, você me paga, nanico! — Ameaçou o aprendiz, que lançou-lhe um ataque certeiro com seu cosmo. Uma esfera de energia intensa atingiu o pobre menino e este foi jogado longe, caindo desmaiado no chão.
- KIKI! — Gritou a garota horrorizada, correndo até ele e tomando-o nos braços. — Acorde, vamos, acorde!
- Largue ele, temos assuntos a tratar! — Disse Adonis, avançando ameaçadoramente para ela, um sorriso insano tomava conta de seu rosto.
- Fique longe de mim! — Retorquiu se encolhendo, sem largar o garoto. O seu adversário porém foi tomado de um estranho sentimento ao ver a cena, um misto de raiva, rancor e medo passou-lhe pelo coração.
- Dá mais atenção a esse fracote que a mim? Venha cá! — E puxou-a com força, colocando-a sobre os ombros e levando até a sala, onde a jogou com violência no sofá, deitando-se sobre ela. Sara se debatia sem parar, o rosto banhado de lágrimas. Ele então prendeu seus braços sobre sua cabeça com uma mão e com a outra alisou seu rosto. — Que bruxaria fez comigo? Nem sei se é mesmo uma garota mas não consigo parar de pensar em você, passo os dias querendo tomar esse corpo no meu, te ter em meus braços. E não me importo se for homem... Só quero que largue de todos pra ficar ao meu lado. Não me ignore, não me troque, não fuja de mim! — Dizia ele aumentando o tom de voz e terminando por gritar.
Assustada demais para entender a profundidade daquelas palavras a menina olhou-o com ódio e deu-lhe uma joelhada no meio das pernas, fazendo-o cair do sofá de dor. Levantou-se rapidamente e saiu correndo, indo ao encontro de Kiki, que estava sendo socorrido por Damien.
- Mas o que diabos vocês estão fazendo? — Perguntou com o garoto no colo.
- Seu amigo ficou louco! — Respondeu ela chorando e olhando para trás; o grego saíra com um brilho terrível no olhar.
- Adonis, o que houve agora? — Quis saber o francês, recebendo um golpe semelhante ao que fora aplicado o ruivinho.
- Não vai fugir de mim... — Murmurava o aprendiz de Gêmeos insanamente.
Sara não pensou duas vezes em disparar correndo pelas escadas acima. Passou como uma flecha pelos templos de Câncer e Leão, sendo seguida de perto pelo rapaz. Ao chegar a Virgem, gritou por socorro:
- ENOS! ENOOOOS! — Este surgiu imediatamente ao chamado.
- O que foi? Que pensa que está fazendo aqui? — Questionou mal humorado.
- Adonis... Ele enlouqueceu... — Respondeu ofegante.
- Ah, aquele lá nunca bateu bem da bola. Olha ele aí. E aí cara, que tá peg... — Não pôde completar a frase pois foi posto sem sentidos igualmente ao seu colega de Câncer.
- Por que insiste em procurar outros? Eu não te basto? — Perguntou seu perseguidor, aproximando-se perigosamente.
- Fique longe! — E ela tornou a correr, ascendendo as escadarias sagradas.
Passou por sua própria casa, os passos ecoando pelo silêncio. Olhou em volta e não viu Adonis. Pensando já estar segura, saiu para a parte de trás mas foi contida por dois braços poderosos como aço. Ele lambeu-lhe a orelha, sensualmente.
- Viva comigo... Prometo te fazer a pessoa mais feliz do mundo. Só precisa me dar sua alma...
- RICKEEEEEEEEERTT! — Ela gritou rezando para que sua última esperança surgisse.
- O que quer, soldado? — Surgindo da casa de Sagitário, o gigante olhou interessado a cena.
- Ele ficou doido! Já abateu três recrutas! Me ajude, por favor... — Implorou a menina aos prantos.
- Vá embora se não quer ser posto fora de combate, alemão. — Disse simplesmente o grego, alisando o abdome da garota.
- Como se um infeliz como tu fosse capaz disso. Venha me enfrentar! — Exigiu o rapaz descendo os degraus, atento aos movimentos do colega.
- Tem gente que não sabe quando ficar de fora... Me espere, meu amor, logo estaremos juntos. — E dito isso beijou com fúria os lábios da morena, que ficou assombrada demais para reagir. — Agora vamos lá, soldado.
- Pois venha! — E sem esperar um primeiro ataque o sagitariano aplicou um belo soco no rosto do oponente, que cambaleou para trás surpreso; seguiu então com uma seqüência de murros no estômago e peito, até derrubá-lo no chão. Adonis não permaneceu muito tempo deitado, logo estava de pé, com o nariz sangrando. Sorriu sarcasticamente e concentrou-se, fazendo surgir uma espera de energia em sua mão; então atirou-a com força em Rickertt. Já esperando por isso, o rapaz deteve o ataque cósmico com as próprias mãos e empurrou-o de volta a seu dono. A bola reluzente voltou com ainda mais força para o grego e explodiu, lançando-o longe e desacordado.
- Rick... Rickertt. Obrigado! — Sara tirou-se aos braços do vizinho, chorando descompassadamente em seu ombro. O rapaz ficou surpreso e constrangido ao mesmo tempo mas tratou de confortá-la.
- Calma, ele já está fora de combate. Agora soldado, pare com isso, homens não devem ser visto em momentos de fraqueza.
- Está bem... — Concordou ela limpando as próprias lágrimas. — Me ajude agora a arrumar a bagunça que ele fez.
- Sim, vamos! — E seguiu-a, primeiro jogando o adversário inconsciente nos ombros e descendo pelos templos. Chegaram a Virgem para auxiliar Enos mas este já se encontrava de pé, tendo ao seu lado Shaka, Máscara da Morte e Saga.
- Podem nos explicar o que aconteceu? — Perguntou um furioso Saga.
- Adonis enlouqueceu. Ele tentou matar os rapazes e... — Respondeu a brasileira sem coragem de terminar o relato.
- E...?
- O soldado Adonis implica diariamente com o jovem Daniel, senhor! Hoje estava em perseguição quando eu intervi em seu favor. — Disse o alemão; Sara olhou-o surpresa.
- Seu pupilo tem um gênio pior que o meu, amigo. — Comentou Angelo.
- Mask, quieto, vai piorar tudo. — Criticou Shaka.
- Não, ele tem razão. Acho que compartilhamos da mesma sina. Dois seres e um só corpo... Vou levá-lo a Atena, ela poderá me guiar. — Finalizou, tomando o aprendiz nos braços e indo em direção ao templo da Deusa.
- Quanto a vocês... Vão para suas casas e não comentem nada disso com os outros. — Orientou o virginiano.
- E... E os que foram feridos? — A menina se atreveu a perguntar.
- Estão todos bem, o pirralho eu levei para o Mu, logo var estar pentelhando por aí de novo. — Disse Angelo sem emoção.
Sara suspirou aliviada e se retirou com Rickertt. Quando chegou o momento de se separarem ela lembrou:
- Por que não contou o que viu, soldado?
- Não era pertinente. — Falou com frieza. — E eu te devia uma, lembra? — E sorriu, piscando-lhe um olho e indo para Sagitário.
Fale com o autor