Quero Ser Um Cavaleiro
36 As amazonas
Notas iniciais
Sara acordou com o Sol em seu rosto, o corpo moído. Demorou algum tempo até que conseguisse se mexer na cama em que havia se deitado e praticamente desmaiado. Encaminhou-se para o toalete, tomando um banho demorado e revigorante. “Ai, dói tudo... Mas pelo menos ele ficou feliz.”, pensava e sorria, rememorando o tom gentil que ele utilizara para se desculpar.
Vestiu-se com dificuldade pois os dedos esfolados não permitiam movimentos mais delicados. Cogitava seriamente em procurar um médico mesmo que fora do Santuário quando ouviu:
- Aprendizes, compareçam à décima terceira casa imediatamente! — Gritaram os auto-falantes.
- Shion, parece que eles gostam de me torturar por aqui.. — Comentou com o animal, o qual havia acampado no quarto e olhava curioso a dona se trocar. — Me dá uma carona até lá em cima?
O burrico se levantou de imediato, inclinando-se para a garota montar. Em minutos dirigiam-se para o templo. Antes de chegarem lá a menina saltou e liberou-o para procurar comida.
- De volta à cova dos leões. — Ironizou enquanto adentrava. Um guarda porém a interrompeu.
- O Grande Mestre ordenou que esperassem aqui fora.
A morena deu de ombros e sentou-se no último degrau da escada. Estava avaliando os ferimentos quando sentiu a luz do dia diminuir à sua frente.
- Daniel! — Exclamou Damien sorrindo. Junto estavam Adonis e Basílio.
- Florzinha, você voltou! — Sorriu o grego. Sara notou que não havia malícia em sua voz, apenas felicidade sincera.
- Mas só se passaram quatro semanas, é muito cedo para o fim do treinamento não é? — Perguntou o espanhol curioso.
- Um pouco... — Murmurou envergonhada.
- Deixa isso pra lá. Nossa, o que houve com suas mãos? — Indagou o canceriano preocupado, sentando a seu lado e alisando as feridas. A menina corou e não respondeu. Olhou de soslaio para o geminiano e o viu de olhos fechados, aparentemente concentrado.
- Pronto, já avisei a todos. Agora chega pra lá francês que o privilégio de tocar a florzinha é só meu! — Ordenou posicionando-se do lado oposto e abraçando-a pelos ombros.
- Humpf! Grande coisa. Sabia que até banho eu já tive com ele? — Pinicou Basílio, com um sorriso indiscreto. Em um minuto estavam os três discutindo de quem era a posse da morena. Ela limitava-se a sorrir; era bom voltar.
- Daniel, aqui! — Chamaram os colegas que chegavam correndo; Francis trazia uma caixa de primeiros socorros nas mãos.
- Onde está doendo? — Perguntou empurrando Damien de onde estava sem a menor cerimônia. O francês, é lógico, fechou a cara mas nada disse.
- Não dói, vai sarar...
- E eu sou uma garota. — Ironizou o inglês.
- É mesmo? — Indagou Adoh com olhar cobiçoso.
- Silence, stupid boy! — Respondeu bravo. — Agora, Daniel, deixe-me pelo menos colocar um curativo. — E sem esperar resposta pôs-se a limpar e cobrir os dedos machucados.
- Não ligue Dan, o irlandês só está sentido falta das garotas. — Riu Floriano, sendo acompanhado pelos demais.
- O que aconteceu enquanto estive fora?
- Muita coisa! — Sorriu Yuji. — Pra começar todos levamos um castigo daqueles. O Adoh, por exemplo, foi obrigado a limpar o freezer do Santuário por uma semana e ameaçado de ficar num “esquife eterno” — seja lá o que for — se tocasse em alguma das bebidas do Kamus. Ah, isso vale para ficar olhando as servas no banho.
- Maldito mestre pingüim! — Resmungou o garoto ruivo. Sara riu e o japonês continuou:
- Francis, Damien, Basílio, Adonis e Alexius tiveram que lavar as escadarias sagradas com uma escova de dentes.
- Maldito Aldebaran! — Imitou o espanhol.
- Ué, por quê?
— Meu mestre quem deu a idéia. — Respondeu Shan, ajuntando: — Eu e Yuji tivemos que cozinhar para todos os soldados.
- Mas até que foi bom, a comida ficou menos intragável naquele período. — Elogiou Adonis rindo. — O alemão, coitado, não treinou por catorze dias, ficava só olhando a gente lutar. Achei até que ele ia chorar um dia desses. — Finalizou explodindo em gargalhadas. Rickertt ficou escarlate de fúria.
- Eu não tive castigo nenhum... — Observou Ugo pensativo.
- Por que será né, senhor “gemedor de nomes masculinos”? — Comentou Enos maldosamente. — Já comigo foi o pior... Aquele indiano pagão doou TUDO que eu tinha! Só me deixou duas mudas de roupa...
- Mas meu caro amigo do Estado de Israel, você tem que deixar esses sentimentos mundanos de lado... — Disse Francis gentilmente e controlando-se para não rir.
- Fica na tua, Escorpião! Não é sua bunda que está quadrada de tanto meditar. — Vociferou bravo.
- E contigo, Floriano? — Questionou a jovem docemente. O italiano corou e Damien, Adonis e Ugo ficaram com expressões sombrias na face.
- Bem, meu mestre inventou uma maneira de me fazer gostar de rosas... — Respondeu envergonhado. — Sou obrigado a dormir com elas. — E mostrou os braços cheios de pequenos furos. — Sabe que elas nem machucam mais?
- Coitado da minha segunda florzinha... — Falou o geminiano mais velho, alisando a pele do colega.
- Pelo visto Adoh não é o único desesperado aqui não é? — Retorquiu o pisciano possesso. O rapaz limitou-se a sorrir.
- Pronto, acabei. — Anunciou Francis. Sara olhou para as mãos; parecia estar usando luvas de ataduras.
- Obrigado! Você é um amor, Francis. — Agradeceu sorrindo. Foi a vez do aprendiz de Peixes amarrar a cara.
- Ora, ora, que temos aqui... Um tigrinho ao lar retorna. — Disse Máscara da Morte que se aproximava, acompanhando de todos os cavaleiros de ouro, menos Saga e Shaka.
— Tigre? — Estranhou a menina.
- Si, garoto. Ou melhor, filhote. — Riu-se.
- Não ligue, Daniel, ele está brincando. — Falou Mu. — Um dia vai entender.
— Onde está Kiki?
- Agora? Na escola. — Respondeu o ariano piscando-lhe um olho.
- Como foi de treinamento, pebete? Voltou cedo... — Comentou Shura.
- Problemas... — Redargüiu ela, pensando: “Tal aluno, tal mestre”.
- Que bom que está aqui, garoto! — Exclamou Aldebaran, pegando-a pelas axilas e jogando-a para cima, finalizando com um abraço apertado.
- Va... Leu... Deba... — Sentindo-se esmagada.
— Chega amigo, vai acabar com ele. — Ria-se Afrodite. Assim que a menina foi colocada de volta no chão, o homem deu-lhe um beijo terno na face. — Bem vindo!
Tão espantada quanto a brasileira ficaram aprendizes e cavaleiros.
- O que foi? Na Suécia os homens se beijam, qual o problema?
- Nenhum... — Murmurou Kamus, chocado.
Ainda não refeitos do susto, viram a porta do templo se abrir e de lá sair um homem com uma longa túnica preta, o rosto coberto por uma máscara e com um elmo vermelho.
- Grande Mestre... — Cumprimentaram os aprendizes, ajoelhando-se em reverência.
- Falaí Saga, para que nos chamou? — Perguntou Milo sem a menor educação.
- Escorpião, realmente seu forte não está no respeito aos superiores. — Comentou o cavaleiro mostrando o rosto e sorrindo. — Daniel, finalmente! Estávamos doidos atrás de você! — Disse afoito.
- Por que tanta preocupação, mano? — Estranhou Kanon.
Saga corou levemente mas não respondeu. Simplesmente pegou a garota pela mão e puxou-a para dentro, fechando a porta em seguida.
- Eu hein? — Comentou Milo.
- Daniel, está ferido? Aconteceu algo de grave nesse treinamento? Não foi maltratado, foi? — Perguntou o homem ansioso, examinando-a dos pés à cabeça.
- Um pouco... — Murmurou constrangida. — Francis fez esses curativos, já estou melhor. Por que está tão preocupado, Mestre?
- Achamos Shion desmaiado em frente à casa de Áries há dois dias e nada de você. Procuramos por toda a parte!
- Tentaram na casa de Libra?
O cavaleiro ficou ainda mais vermelho do que já estava.
- Esqueça, o importante é que está bem. — Sorriu e afagou-lhe os cabelos.
- O que aconteceu com o Grande Mestre? — Questionou preocupada.
- Agora ele está sob tratamento. Os médicos disseram algo como desnutrição, esgotamento físico e depressão. O que houve?
- Acho que provoco saudades nele. — Foi a única resposta que encontrou no momento.
- Saudades? Hum, esqueça. Logo ele estará recuperado e poderemos conversar sobre isso. Agora o importante é pensar em como continuar seu treinamento.
- Dohko? — Quase pediu com ansiedade.
- Não, já me comuniquei com ele. Disse que, apesar de você ter provado seu caráter, não vai voltar atrás na sua ordem, que isso poderia levá-lo a pensar que não tem palavra.
“Pior que ia ser assim mesmo...”, pensou a garota frustrada.
- E ele proibiu-te de treinar com seus colegas, não foi? Sendo assim, escolhi pessoalmente um mestre para você. Alguém com experiência com aprendizes. Creio que vão se dar bem. — Finalizou misterioso.
- Obrigado, mestre! — Sorriu feliz. O cavaleiro olhou-a atento e não conseguiu deixar de sentir-se atraído.
“Tão jovem e inocente... Pare com isso, Saga, é sua aluna e nem desconfia que sabe seu segredo...”, pensou balançando a cabeça.
- Vai conhecê-lo hoje. Vamos. — Ordenou gentilmente. Antes porém que saíssem do recinto inclinou-se sobre ela e beijou-lhe suavemente o canto da boca. A menina deu um pulo. — Para dar sorte. — Sussurrou em seu ouvido, erguendo o corpo e saindo à luz do dia.
“Por que ele fez isso?”, perguntava-se Sara enquanto caminhava acompanhada do Grande Mestre, dos cavaleiros de ouro e demais aprendizes.
- Ei, aqui é área das Amazonas! — Observou Basílio.
- Pebete! Espero que não tenha voltado aqui! — Ameaçou Shura estreitando os olhos.
Sara apenas olhava à sua volta quando sentiu alguém mexendo em seus cabelos. Adonis os estava amarrando com a fita vermelha que roubara semanas antes.
- Presente de boas vindas, florzinha. — Sorriu-lhe, deixando-a corada.
Logo todos chegaram a um grande campo de terra onde algumas pessoas treinavam; uma delas parou o que fazia e aproximou-se do grupo. Trajava uma camisa regata e bermudas coladas. Em seu rosto havia uma máscara prateada.
- Uma amazona... — Murmurou encantada.
- Bom dia, rapazes. — Cumprimentou.
- Bom dia, Marin. — Saga sorriu. — Trouxe seu novo aluno. E alguns outros que precisam de umas aulas extras.
- Hein? Que outros? — Indagou Damien surpreso.
- Vejamos, você, Yuji, Alexius, e Francis.
- O que fizemos? — Espantou-se o japonês.
- Nada. Só que já se passaram quatro meses aqui e nem sombra de suas cosmo energia nós vimos. Conversei com Athena e chegamos à conclusão de que o problema estava com seus mestres.
- Ei, espere um minuto! Tá falando de mim? — Perguntou Milo irritado.
- Sim, caro colega! — Devolveu o cavaleiro. — Infelizmente não tem experiência alguma em treinos, o que está refletindo no seu aluno. Isso vale para Máscara, Aioria e Kanon. Mas espere que não estou tirando os alunos de vocês, apenas eles terão algumas lições com mestras mais experientes. — Completou ao ver os homens se exaltarem.
- Humpf! Agora quer dizer que estamos livres desses moleques? — Questionou Angelo.
- Máscara, Máscara, sempre querendo se eximir o trabalho pesado... — Chacoteou uma mulher de cabelos verdes que se aproximava.
- Ah, dane-se Shina! — Xingou ele.
- Que boca suja, merecia ser lavada com sabão! — Ao ouvir isso o canceriano ficou lívido e Sara e Mu desataram a rir.
- Parem com isso os dois! — Ordenou o Grande Mestre. — Shina vai apenas orientá-los, não treiná-los. Agora, já que todos estão apresentados, vou me retirar pois muitos afazeres me esperam.
- Espere um pouco Saga! E aquela aprendiz que me enviou? Ela é um fracasso. — Disse a amazona de Cobra nervosa.
- Já conversamos sobre isso, minha cara. Mas, se quiser uma sugestão, pode cedê-la a Marin para que Daniel tenha um par para os treinos. Ele vem praticando sozinho e não tem tido resultados. Até logo! — Despediu-se e rumou rapidamente para o seu templo.
- Fujão. — Brincou a ruiva rindo. A brasileira notou que com esse gesto o cavaleiro de Leão ficou um pouco vermelho.
- Ei, Yuji, é impressão minha ou seu mestre gosta dela? — Sussurrou discretamente.
- Ele fica todo atrapalhado quando ela está por perto. E volta e meia a gente treina aqui por perto. — Respondeu sorrindo.
- Ei vocês dois, parem de namorico e venham para cá! — Comandou Marin, firme mas de maneira terna. Obedeceram imediatamente. — Daniel, não é? Você vai pra lá e Yuji para perto da minha amiga. Charo, aqui! Vai treinar comigo a partir de agora.
Sara viu se aproximar uma garota de cabelos loiros curtos e lisos nos ombros, um pouco mais alta e mais cheia que ela mesma, com uma máscara prateada, onde havia uma lágrima pintada abaixo do olho direito. Apesar de não poder vislumbrar seu rosto, o modo de andar, tenso e com pisar duro, denotava que estava muito irritada. Parou a sua frente e mirou-a dos pés à cabeça. Virou-se bruscamente para Shina e gritou:
- Mestra, por que eu tenho que treinar com esse frangote?
- Porque estou farta de você me desobedecendo! E de te ensinar coisas que nunca aprende! Vamos ver se com um aprendiz de ouro você enfia algo de útil nessa cabeça oca!
- Pff! Não acredito que está acontecendo comigo...
- Cara, ela é igualzinha a Shina... — Comentou baixo Milo para Máscara; ele concordou no ato.
- Ei garota, se não quer, eu treino com a florzinha! — Gritou Adonis, se oferecendo com um largo sorriso.
- Calado! Vou provar que sou mais forte que qualquer um de vocês moleques aqui! — Anunciou estalando os dedos. Tornou a voltar-se para Sara e sorriu malévola: — Florzinha hein? Pelo visto deve ser o mais fraco deles... EM GUARDA! — Disse se posicionando. A morena não se moveu.
- Vamos rapaz, seu oponente está te desafiando. — Falou Marin.
- Hã... Tá bom! — Dando de ombros e se posicionando com os braços ao longo do corpo. A próxima sensação que teve foi do estômago arder em chamas e, sem conseguir se manter de pé, caiu de joelhos na terra.
- Estão de brincadeira, não é Mestra? Esse tampinha nem sabe montar guarda! — Ria a aprendiz de amazona jocosamente.
- Daniel, Dohko lhe ensinou a lutar? — Indagou Marin abaixando-se perto dela. A menina fez um sinal de “mais ou menos” com a mão, tentando recuperar o fôlego. — Agora entendo porque Saga te mandou para mim. Levante-se!
Com alguma dificuldade ela se ergueu e olhou-a.
- Fique na posição em que estava. Ótimo... Mire seu oponente, sempre nos olhos. Tente prever seus ataques. E nunca desvie sua atenção. — Com essas palavras tornou a se afastar.
Num segundo a morena estava sendo atacada de novo mas ao invés de cair desviava-se primorosamente dos golpes. Logo sua adversária estava molhada de suar e ela nem transpirava.
- Ué, já cansou? — Chacoteou.
- Ora seu... — E avançou novamente; Sara dessa vez defendeu-se de todos os socos e chutes que lhe eram desferidos com a técnica de seu mestre. — Co-como pode...? — Perguntou meio incrédula; aquele rapaz havia se transformado de criança indefesa em um valente guerreiro diante de seus olhos. Ao menos era o que pensava.
- Eu sou demais! — Vangloriou-se a libriana. Foi a deixa para ser posta no chão com uma rasteira bem aplicada.
- Bem feito, pivete! — Disseram Máscara, Milo e Charo ao mesmo tempo.
- Eu sou besta... — Comentou caída. Viu o rosto prateado de Marin sobre si e não conseguiu deixar de sorrir.
- Que bom que reconhece, meu caro. Esses movimentos... Dohko?
- Sim, foi um treinamento à distância.
- Ah sim... — Deu de ombros, sem entender. — Depois você me explica. Mas gostei de ver sua velocidade e resistência. Não parece mas Charo é a nossa aprendiz mais forte fisicamente.
- Ué, então porque sua amiga não quer treiná-la?
- Digamos que uma divergência de opiniões. Shina gosta de ser obedecida e sua aluna não gosta de ser mandada. — A garota começou a rir. O tom da mulher se tornou gentil. — Por hoje é só. Saga me explicou que está tendo que ganhar seus próprios rendimentos, por isso estou deixando suas manhãs livres. Mas vai ter que dar duro no resto do dia e até da noite, ouviu?
- Sim senhora! — Concordou de imediato, levantando-se. Sentiu uma presença próxima e se deparou com a amazona de Cobra.
- Belos movimentos, garoto. Não seria ruim treiná-lo, pena que Saga não me escolheu. — Elogiou a mulher, estendendo-lhe a mão. Sara apertou com firmeza mas soltou-a ao sentir uma súbita dor no dorso.
- Ai! — Percebeu que estava sangrando sob as ataduras e viu no chão uma pequena pedra manchada de sangue.
- Charo! — Exclamou Shina possessa. — Chega, eu desisto! Volte pro alojamento que vamos ter uma conversa definitiva sobre isso. — Ordenou, indo embora sem nem olhar a aluna.
- Essas duas me dão dor de cabeça... — Comentou Marin esfregando as têmporas. — Está liberado, Daniel. Esteja na arena principal depois do almoço amanhã que o trabalho vai ser puxado. — Despediu-se com um beliscão leve na bochecha da aluna.
- Legal a ruiva, não? — Observou Damien se aproximando com os outros aprendizes.
- Olha que meu mestre te pega por se referir a ela com tanta intimidade... — Avisou Yuji rindo.
- Aquela gorda te machucou, florzinha? — Perguntou Adonis preocupado e olhando feio para a loira.
- Não, deixa pra lá.
- Quem tá chamando de gorda, retardado? — Vociferou a moça de volta, tendo ouvido o comentário.
- Você! — Devolveu ele, os olhos brilhando e fúria. — Não sei como uma baleia pode querer ser amazona! — Completou num tom repleto de ironia e desprezo.
Sara pensou que a garota fosse avançar no colega mas em vez disso ela se virou e foi embora quase correndo.
- Vai tarde! — Ajuntou o grego. A libriana teve contudo a nítida impressão de ouvir um soluço.
Horas depois
- Tenho certeza que foi por aqui! — Dizia Sara vasculhando toda a área do campo de treinos onde estivera pela manhã.
- Certeza, Dan? — Duvidava Kiki. Eles haviam se encontrado assim que o mesmo voltou da escola e o menino achou que fosse morrer com todos os beijos que recebeu.
- Sim! Não fui a mais lugar nenhum... Onde está...?
- Ui! — Exclamou o menino de dor, após ter tropeçado numa pedra e caído no chão.
- Kiki! — A morena correu para ajudá-lo, colocando-o de pé e se ajoelhando em sua frente. — Onde dói?
- Aqui... — Mostrando com os olhos marejados um arranhão no queixo.
- Não chore, está tudo bem... — Sorriu ela, beijando de leve o ferimento.
- Passou... — Disse levemente corado.
- Ótimo! — Sacudindo a terra das roupas dele e dando um selinho rápido.
- Agora passou mesmo! — Riu feliz, abraçando a aprendiz. Ela não sabia mas ele adorava ficar em seus braços. Sentia-se quente, acolhido e seguro, como se aqueles membros pudessem protegê-lo de todo o mal.
- Hum, realmente seus colegas têm motivos para te chamar de “florzinha”. — Falou Charo com escárnio, surgindo atrás deles. Sara postou-se de pé no ato.
- O que foi? Não estou invadindo, só vim procurar algo que perdi. — Tentou se justificar, atenta aos movimentos da outra.
- Ah, certo... E seria isso, por acaso? — Indagou sacudindo uma fita vermelha segura entre o polegar e o indicador direitos.
- Ah, você achou... Obrigado. — Agradeceu estendendo a mão; a moça porém retirou o adereço de seu alcance. — Ei!
- Um rapaz usando tal coisa... Tsc, tsc... É tão maricas que ainda fica beijando um menininho. Caro Daniel... Seja homem! — Exclamou rasgando a fita no meio e rindo maldosamente.
Sara caiu de joelhos, vendo como em câmera lenta os pedaços caindo lentamente até o chão. “Querida, olhe só o que o papai trouxe para prender seus cabelos. Prometa que não vai estragar viu?”, lembrando de quando recebera aquele presente tão pobre e ao mesmo tempo tão sincero. Sentiu algo queimar dentro de si e usou do pouco auto controle restante para ordenar:
- Kiki, vá embora... AGORA! — O pequeno se assustou, nunca vira a amiga assim mas não se atreveu a desobedecer. Simplesmente sumiu no ar.
- Ah, ficou zangadinho? Que pena... E o que vai fazer? Me bater? — Provocou a aprendiz.
- Eu vou... Eu vou... HUUUAAAAAAAAAAAA! — E foi com fúria que seu cosmo explodiu, lançando Charo longe. Era tão intenso e forte que cegava a garota, ainda atordoada com o golpe. — Eu vou te matar... — Murmurou a brasileira, completamente fora de si.
Longe dali
- O que é isso? — Perguntou Shaka surpreso.
- Sentiu também? — Ajuntou Mu; ambos estavam na casa de Áries conversando.
- Sim. É novo... Mas eu já havia sentido algo assim antes aqui no Santuário, só que completamente diferente. — Respondeu o loiro preocupado. Nisso surgiram Aldebaran e Kanon; pareciam afobados.
- Estão sentindo essa energia? — Indagou o gêmeo.
- Acabamos de percebê-la. — Retorquiu o ariano.
- Amigos, não sei porque... Mas me sinto apreensivo. — Comentou o touro, estremecendo.
- E tem razão para ficar assim. É um cosmo forte... E assassino. — Completou o loiro, escondendo o rosto entre as mãos.
Fale com o autor