Queridos Pesadelos.

10 Segredos revelados.


Notas iniciais
Sim, eu estive me remoendo e escrevendo esse capítulo por tantas vezes que acho que até o decorei.
Mas eu queria que ficasse de um jeitinho que envolvesse vocês, porém sou péssima nisso.
A, por que?
Porque neste capítulo aqui terá suspense, perseguição, segredos revelados, violência, uma verdadeira guerra naquele campinho e blá blá blá.
Sim, mente fértil atacando.
Boa leitura.
Avisos nas notas finais.
Boa leitura ;*

_Parou de doer... Mas minhas costas estão pesando...

Cyara percebeu que sua camiseta estava aberta em dois rasgos. Cortes que abriam desde suas costas até o fim de suas costelas e desabava o pano verde. Encostou os dedos de leve nas costas, e entrou em estado de choque. Paralisada, parecia olhar para lugar nenhum.

_Você tem asas, Cyara? Isso é impossível! — Gritou Hiran, em meio aquele zumbido todo.

O Ultor riu, traiçoeiro, levantando a lâmina.

_Você nem sabia que podia despertá-las não é? O que lhe disseram sobre seu pai? Que era um homem normal? Ah, se fosse apenas isso eles logo o teriam matado, porém o castigo que um anjo da guarda ganha quando se envolve com sua protegida não é assim tão agradável como a morte. É algo extremamente pior.

_Do que está falando? Foi você mesmo quem o prendeu! — Griou Malese, vendo cenas e mais cenas, como visões em sua mente. Mas atrás podia ver o cenário onde estava.

Um homem apreensivo, olhando para uma mulher em uma maca, até três outras mulheres — mais velhas, mas não menos bonitas — entrarem e ele se levantar.

De trás dela saía um homem de capa preta, esticando uma corrente para o homem. Ele apenas prendeu a corrente em volta de seus pulsos e sombras os rodearam. Em poucos segundos, apenas as três mulheres estavam ali, pegando um bebê de mal jeito nos braços, e olhando para a mulher com desprezo.

As cenas sumiram e Malese voltou a ver com clareza, repetindo suas palavras como se não acreditasse naquilo. Repetindo até ter sentido que fora ela mesma quem falara.

_O que eu acabei de... O que eu vi? O que foi isso? — Malese olhava desesperada para Hiran, sabia que ele saberia explicar, de certa forma.

_O que você fez com elas? Por que está acontecendo tudo isso? Por que não conta logo sua história?

_Menino! Por que não conta você? Vejo que acabou de perceber. Assim como a amaldiçoada pode ver o passado e o futuro da morte, você pode ver a história das sombras e da luz. Você sabe sobre mim, sobre a Zendeea, sobre todos aqui. Menos sobre você mesmo.

Hiran deu um passo para trás e engoliu seco. Não sabia nada sobre si, apenas que alguma antepassada sua pôs o terror na vida da garota que mais quis proteger na vida, e que só se tocou nesse momento. Agora, quando aquele monstro levantava uma espada para seu lado. Ele então tinha o sangue de quem fez tanto mal à Malese, correndo em suas veias, como se fosse parte de si.

_O que está acontecendo... Por que eu tenho asas? — Cyara estava aterrorizada, passava as mãos por uma pluma.

Elas tinham um brilho incrível que reluzia no dourado cor de ouro que as plumas tinham. Podia-se falar que tinham uns três metros. Quando dobrada ou meio, juntada ao corpo, uma ponta se estalava acima de sua cabeça e as pontas ainda arrastavam no chão. Esticou, como se estivesse as alongando.

_Vá em frente garoto. Nenhum sairá vivo no final, de qualquer forma saberão. — Sua voz continuava grossa e grave.

_Ultor é o nome dado à um vingador. Quando o céu foi dividido e os anjos caíram, muitas coisas vieram para a Terra. Muitos povos aprenderam coisas que não deviam. E eles os puniam. Mas eles não são da parte boa do céu. É tudo mais simples e incrivelmente complexo do que qualquer um já pode imaginar.

_Vá ao ponto! — O homem esticou a espada, que continha várias marcas e traçados, com símbolos marcados em seu cabo, na direção das asas de Cyara, mas uma sombra lhe impediu.

_Eu sempre acreditei que as sombras não vinham de mim. Mas você não vai machucar ninguém aqui. Agora eu sei o que elas são. — Malese nunca se sentiu tão confiante.

Mais uma cena passava em sua frente. Mas rápidas como um raio, como um flash de todas as mortes que já presenciara, que já salvara e os que se machucaram. As sombras vinham de outro. Mas quando ela percebia, ela as fazia parar. Como se as sombras fossem fiéis à ela no momento em que entrasse no jogo. Como se tivessem medo de Malese, ela podia controlá-las.

Nenhum deles entendia. Estavam assustados, com medo, querendo que tudo não passasse de um pesadelo, mas algo os prendia ali. Algo dentro deles gritava para irem ao ultimo ponto e lhes davam uma coragem que nunca pensaram em ter.

_O-Obrigada... — Cyara engoliu seco, arqueando rapidamente as asas para trás. Ela pareceu pasma com o sentido de repulsão que elas tinham, ela pareceu não ter ideia de como controlá-las, mas matinha o controle.

_Seu pai, Cyara, foi um anjo que guarda os véus da Terra. Impedindo que povos se misturassem, mas ele mesmo furou essa regra quando se apaixonou por sua mãe, uma bruxa. Ela não sabia, assim como você. O jeito de ficar mais próximo dela o possível era se tornando seu anjo. Mas bruxas não podem ter anjos e ele foi procurado por anos. Sua mãe descobriu o que ele era e se apaixonou da mesma forma, traindo a família e engravidando de você. Você nasceu manchada, bruxas são um povo do lado escuro do céu desde sempre, por isso suas asas não são claras. Você é como um erro, e... Ultores corrigem os erros... — Hiran parou de falar, não acreditando saber de tudo realmente, mas pela risadinha do homem escuro soube que infelizmente era verdade. Todas essas vezes que Cyara se atormentavam, não era uma loucura. Embora quisesse ao máximo que fosse — Foi uma atitude por amor. Mas ele não tinha ideia que sobraria para você.

_Exato. Mas não é só isso. A maldição da Malese. Você pode a amenizar, e eu não posso deixar. Como se mata um anjo? Lhe corte as asas com a espada celestial consagrada. Como se retira o poder de uma bruxa? Lhe canalize.

_Canalize? — Malese sabia o que era, algum tipo de filtração. Os poderes de bruxas são três tipos. Branca, mas conhecida como espiritismos, médiuns, porém não são da parte negra do céu. Eles não são chamados por bruxos ou feiticeiros. A Negra, que meche com a parte escura do céu e a Expressão. Que meche com o sub-mundo e canaliza as energias dos espíritos.

_Nenhuma criatura sai viva ao ter seu poder espiritual roubado. E todos, até o mais ralo dos humanos tem.

Mais sombras começaram a lhes rodear, ficara muito mais frio e ventava muito, toda aquela confiança que tinham sumiu. Tudo o que conseguiram foi correr cada vez mais, mas o Ultor ia atrás.

Cyara não conseguia bater as asas, ainda não estava acostumada, estavam muito pesadas. Estava começando a se sentir mal novamente. Mas não podia cair de novo. Não agora. Não iria por os dois em perigo.

Era incrível como a vida parecia normal semanas atrás. E como em uma simples conversa tanta coisa lhes confundiram, e tantas começaram a fazer sentido.

Hiran empurrou as duas para dentro do estacionamento da parte detrás da escola. Não havia ninguém ali. Malese passou por debaixo de uma faixa de segurança e entrou na secretaria, que estava aberta, não sabiam porque. Mas não era hora de pensar nisso, estavam desesperados! Cyara caiu, sendo apoiada por Hiran, que estava prestes a passar por baixo. Ela ainda estava consciente, mas sabia que não ia conseguir sozinha. Suas asas se enrolaram, até parecerem dois finos e compridos ossos dourados e diminuirão até estar normal novamente. Ela estava recuperando o fôlego, mas conseguiu entrar também. Saíram correndo pelos corredores, subiram as escadas e se esconderam em uma sala de aula. Ouviam portas sendo fechadas drasticamente e risadas graves e grosseiras ecoarem por todos os lados. Armários pareciam amassados. Se algum deles estivesse se escondido lá, não sobreviveria. O Ultor tinha uma força que dobrava ferro. Isso era impossível. Não... Não era mais. Eles viam isso com seus próprios olhos. Isso era assustadoramente verdadeiro. Não era impossível.

Estavam suando frio, Malese olhou pela janela e viu que já estava tudo escuro lá, muito mais de quando Cyara saíra correndo até o campo.

_Nós precisamos sair daqui... — Se levantou silenciosamente e abriu a janela. Tinham grades e eram minúsculas.

_Malese, nós não cabemos nessa janela, além disso estamos no segundo andar! — Retrucou Hiran, tudo o que mais queria no momento era sair dali, mas não via como.

_E quem disse que nós vamos sair por ela? — Se assustou a princípio, mas ao ver que lhe obedeciam, fez as sombras enrolarem em seus braços como cobras — Eu nunca fiz isso antes. Vamos ver...

_Tome cuidado Malese... Ele também pode controlá-las — E Cyara tinha razão.

_Malese... O que vai fazer?

_Hiran... Se essas sombras podem ver a morte... Podem ver que porta para a saída está livre também.

Colocou os braços no chão e as sombras realmente tomaram a forma de duas cobras. Se esticaram, com a base na porta da sala onde estavam escondidos e cada uma foi para um lado do corredor. Apenas uma voltou, batendo contra sua base e explodindo em um pó negro que lembrava pólvora. Os três se levantaram, hesitantes, e seguiram a marca. Realmente tinha uma saída. A única saída. E estava sendo guardada por ele.

Os três correram para o lado oposto e esbarraram em uma parede, que não havia ali. Era inteiramente feita de um musgo preto, muito mais mole e escuro quanto as sombras tão naturais quanto as feitas pelo sol que seguiram os mandamentos de Malese. Correram para o lado oposto, mas estava fechado por ele, que jogara tudo o que estava por perto em direção deles. Entraram na secretaria, mas a porta estava trancada. Uma risada sinistra ecoou pela sala, fazendo a porta por onde entraram bater com força e os três gritaram assustados. Estavam tremendo. Hiran pegou na trinca hesitante e a virou, a porta abriu. Não havia nada ali. Os três jovens correram e desceram as escadas, indo parar na biblioteca. Trancaram a porta.

_Minha nossa, minha nossa, minha nossa! — Hiran passava as mãos pelo cabelo de uma forma nervosa — O que foi que houve aqui?

_Eu não faço ideia... Minha cabeça está desabando... Não consigo pensar — Cyara não consegui mesmo, no seu rosto só tinham espaço para lágrimas.

_Tudo será só mais um pesadelo. Só mais um pesadelo... — Malese repetia, tão fraca quanto um sussurro.

Mas a porta bateu. Bateu uma, duas, cinco vezes sem hesitar. Levantaram a cabeça assustados. Estavam cansados de correr dele. Não teriam para onde fugir ali.

_O que está acontecendo aqui? Quem está ai? — A voz era calma, porém assustada, grave, mas não grossa e maldosa como a do outro.

Os três se levantaram num pulo, respirando aliviados, destrancaram e abriram a porta. Era o professor, o mesmo que socorrera Cyara na aula.

_Mas o que...

_Professor! Corra! Ele vai vir atrás de nós! Ele está vindo! — Cyara não parava de chorar, agora estava tentando engolir os soluços e apontar para os lados.

_Não... Ele... Já foi... Não é? — Malese parecia mais calma. Apenas parecia. Por dentro estava com a mesma sensação de quando tinha um pesadelo.

_Quem? De quem estão falando? Por que estão aqui? É algum assassino? Algum ladrão? — O professor arqueou uma sobrancelha.

_Sim! Ele nos seguiu até a escola. Não conseguimos ver seu rosto, estava com uma capa preta. Pensamos que fosse ele. — Hiran tentou por de uma forma que o professor entendesse sem os achar loucos.

_Certo, mas como entraram? Eu estou com a chave da porta da secretaria, e os portões são fechados.

_Estão? — Malese ficou pasma, mas tratou de se normalizar — Ah, claro que estão. Mas foi tanta correria que nem percebemos, ainda estamos assustados professor.

_Claro, claro. Me desculpem. Vamos. — Ele foi saindo, com os três atrás e mais uma surpresa. Nada estava bagunçado. Tudo estava no lugar. Nem o ferro dos armários estava amassado. Tinha alguma coisa estranha ali.

Notas finais
O que eu queria lhes dizer é que, como eu ainda não sei quantos assuntos podem ir e vir até o objetivo final da primeira parte da fanfic sobre o mistério da maldição dos Nivikienzi, eu não sei quantos capítulos terão.
Como alguns estão muito pequenos (600 palavras, etc) eu juntarei um capítulo ao outro.
Não mudará nada.
Apenas será dois capítulos em um.
É somente para o balanceamento das palavras por capítulo e para não ficarem tão longos e cansativos, já que terá uma segunda parte.
Apenas isso, comentem ;*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.