Queridos Amigos

20 Capitulo 20: Rapunzel


Notas iniciais
Mais um capítulo saindo do forno.

Rapunzel estava do lado de fora do casarão, debaixo do vasto céu iluminado de Filótes, estranhamente, este estava mais dourado do que nos outros dias, mas ainda possuía nuvens macias e tons de rosa espalhados pelo mesmo.

A loira usava um casaco cor de rosa com pelos brancos, estava aberto e o capuz abaixado, vestia também calças jeans escuras e botas com tons claros de violeta.

Seu rosto estava vermelho e seus longos cabelos dourados estavam presos em uma bela trança enfeitada com belos adereços femininos com formato de flores.

Tirava a neve da calçada, realizava o serviço sorridente enquanto cantarolava uma canção.

Então foi atingida por uma bola de neve nas costas.

Assustou-se quando foi tirada de sua paz.

Olhou para trás e viu Jack, usando um casaco azul fechado, cheio de zíperes cinzentos, calças moletom brancas e sapatos marrons de neve. O garoto sorria para ela com olhar um tanto debochado.

— Jack! Agora não! Não posso brincar! Estou ocupada!

O platinado caminhou na direção da mesma com as mãos no bolso.

— Nossa! Que chata! Quando eu fiz isso com a Merida ela revidou e a gente brincou um pouco de guerra de bola de neve!

— Eu não sou a Merida! E não devia ficar estimulando ela a ficar se movimentando daquele jeito! Ela me contou ontem que ela se machucou por causa disso! – falava com calma na voz.

— Ela já estava machucada! Ela só sentiu uma dorzinha de nada no braço.

A alemã o olhou com um leve ar de condenação.

— E também! Você não quer que eu limpe a calçada?! Como é que eu vou limpar ela se ficarmos atirando neve um no outro?!

— Ah, qual é Rapunzel! Você acha divertido quando a gente brinca de guerra de bolas de neve!

— Acho! Mas você não sabe a hora de parar de brincar!

Ele riu.

— Não é a primeira vez que ouço isso.

— Também não vai ser a última! – falou sorrindo.

Então, o russo olhou para o belo céu frio e dourado. Enquanto isso a germânica terminava seu serviço, quando concluiu, ficou de pé ao lado do amigo, a pá erguida com o cabo para cima, sendo amparada pelos seus finos dedos delicados. Ficaram olhando juntos aquela breve personificação de paraíso.

— E aí, Rapunzel, como você está?

— Como assim?

— Em relação ao... Que fez você vir pra cá... Suas memórias...

— Ah! Está falando do meu trauma de infância?

— É... – respondeu desconfortavelmente.

— Estou bem... Sabe, é algo que nunca passa de vez, mas aí eu percebi que não importa quão segura eu esteja, não se trata mais de algo exterior à mim, é algo que está dentro de mim! O meu psicólogo já me dizia isso. Ele me disse que o que nos causa sofrimento é a reação emocional que temos diante das coisas, e que é algo que depende apenas de mim, então eu devia encher minha cabeça com pensamentos bons, porque as emoções e os pensamentos negativos só prejudicam nossa vida e a nossa saúde. Eu recorri às artes, mas não era o suficiente, então eu vim pra cá, e vocês cuidaram muito bem de mim! Nos dias em que eu estive aqui, quase não pensei naquilo. Aqui tem sido tão alegre e divertido, apesar de tudo...

— “De tudo” o quê? – perguntou voltando-se para a mesma – Ah! Está falando do Hans e da Astrid?! Relaxa! Não liga pra isso! Essas coisas acontecem! Não é a primeira vez que a gente vai varrer o chão com a cara de alguém! E você também vai ter a sua vez!

Rapunzel riu, voltou-se para o céu brilhante e o contemplou ao lado do eslavo enquanto sorria.

Fechou os olhos, respirou fundo, aliviada e feliz, assim, disse: “Vejo enfim a luz brilhar, já passou o nevoeiro...”.

Jack olhou-a assustado.

A loura o olhou, notando sua reação.

— O que foi isso? – perguntou erguendo uma sobrancelha enquanto sorria.

— Lembra daquela música que eu cantava quando tinha um ataque?

— Aquela da flor? Sim!

— Pois é! Eu estou inventando uma nova! Mas ainda estou em fase de criação.

— Isso é legal!

— Pois é! O doutor Benjamin me ensinou que isso é bom e faz bem à saúde da nossa mente. E você e os outros me inspiraram a criar uma música que expressasse melhor essa fase maravilhosa da minha vida.

O platinado sorriu, refletiu sobre aquelas palavras e considerou como aquilo se aplicava à ele.

— Depois eu quero ouvi-la!

Sorriram brevemente um para o outro, depois voltaram a contemplar o céu.

— É lindo, não é?! – disse ela.

— É sim! – respondeu pensando nos últimos dias.

Após mais alguns instantes no meio do frio, sob a luz, refletindo sobre várias coisas, recordou-se do porquê estava ali.

— Rapunzel.

— Sim?

— Sabia que todo fim de ano o meu avô faz um mega evento em Moscou na época do Natal?

— Sim! E o Natal na Rússia é comemorado em seis de Janeiro, não é?! – respondeu voltando-se totalmente para o russo, erguendo animada os punhos diante do peito, deixando a pá cair na calçada de pedra fria enquanto sorria.

O garoto a olhou um tanto surpreso.

— É...

— Pois é, é por isso que eu gosto do Sr. Norte, ele é muito bonzinho em fazer essa caridade pelas criancinhas pobres d Moscou! Aliás, ouvi falar que pessoas de outros cantos da Rússia costumam ir pra lá na época do Natal só pra receber comida e bebida!

Ele riu.

— Caramba! Você facilitou muito!

— Facilitei o quê?! – perguntou ainda sorrindo.

— Que tal viajar pra Rússia e ter dois Natais?

Os olhos verdes da alemã se arregalaram, então, um belo sorriso surgiu em seu rosto alvo com tons de vermelho.

— Eu adoraria, Jack! Obrigada! – falou saltando sobre o eslavo, abraçando-lhe o pescoço com força, sufocando-o.

Depois ligeiramente separou-se do mesmo, segurando-o próximo de si pelos ombros e como uma urgência perguntou: “Convidou a Elsa e a Anna?”.

— É claro que eu convidei!

— E o Soluço e a Merida?

— Parte do plano é abandonar vocês na Rússia e garantir que nunca mais voltem pra minha casa, então o que você acha?!

Ela sorriu sarcasticamente, pendendo a cabeça para a direita. Então baixou a cabeça a balançando enquanto ria serenamente.

— Tá certo, Jack... Mas agora eu vou tirar neve de algumas flores aqui, você devia cuidar dela também – disse baixando os braços e se afastando, indo para o canto direito do território da casa, cuidando das mudas de flores que havia plantado próximas à cerca.

— Mas foi você que as plantou aqui!

— Mas o território é da sua família!

Fez uma pausa, um sorriso levemente forçado em seu rosto.

— Tudo bem, eu aceitar esse argumento!

Jack deu as costas para a amiga e saiu caminhando para dentro da casa. Sorria harmoniosamente enquanto era iluminada pela dourada luz solar. Refletiu um pouco.

Parou, voltou-se para a germânica, que estava ajoelhada diante das Violetas, tirando a neve de suas pétalas enquanto transbordava de alegria.

— Rapunzel! – ela o olhou em silêncio enquanto sorria – Obrigado!

A loira não respondeu, não era necessário.

O platinado então voltou-se para a porta, caminhando até a mesma sorrindo, deixando a amiga trabalhar.

Notas finais
Muito obrigado a todos que leram!