Notas iniciais
Essa fanfic é do mesmo universo que criei a partir de outra oneshot que publiquei chamada "Apenas uma rosa", ela se encontra mais precisamente durante os acontecimentos da fanfic "Recaída" e anterior a fanfic "Inquebrável". Deixarei os links nas notas finais, de qualquer forma é possível entender essa história independentemente de ter lido as outras, apenas fica a dica de leitura para quem teve curiosidade sobre o caso.
Boa leitura!

Querido irmão,

Eu nem sei como começar a escrever uma carta, acho que desaprendi após frustrar-me com meu mestre quando o vi as queimar em uma fogueira junto com outras cartas que acredito que fossem suas. Então me desculpe se isso soar ridículo, na verdade eu me sinto ridículo por estar cumprindo com uma regra tola daquele médico engomadinho que está te atendendo aí na clínica, pois ele disse que seria o melhor para você.

Eu penso que depois de tanto tempo afastado eu deveria tentar compensar esse tempo perdido. Percebi que nós mudamos, mas, nosso laço fraterno não poderá ser rompido mesmo que os ponteiros do relógio deem mais voltas do que eu consiga contar. Shun, eu sei que falhei com você diversas vezes, acredito que parte da culpa de você está aí dentro desse quarto é minha. Me perdoe por ter te deixado sozinho tantas vezes, por ter gritado contigo ao invés de tentar te compreender e por tantas outras coisas.

Não vou ficar mais remoendo a minha culpa por aqui, pois não quero te fazer chorar ainda mais e está tudo bem chorar, por a dor pra fora, no entanto, a minha intenção não é essa. Quero te contar um pouquinho de nossa história, mesmo com toda tristeza que ela envolve tem um lado bonito.

Nosso pai* já estava morto antes de você nascer e nossa mãe estava muito triste e nós éramos suas únicas companhias, recordo do sorriso dela radiante como o teu. Ela passou a sorrir menos conforme os meses passavam e via lágrimas caírem dos olhos dela até que um dia mamãe pediu algo para mim, deixou-me a tarefa mais importante desse mundo, cuidar de você. Ela pediu para que eu pegasse a bolsa de bebê e você para que eu corresse o mais distante possível daquela casinha que eu depois não soube o caminho de volta, recentemente em uma de minhas viagens eu soube que a atitude dela de certa forma foi para proteger a gente. As coisas na bolsa de bebê acabaram rápido e eu não sabia mais para onde ir, queria apenas chegar em algum lugar seguro para nós. Após o encontro com Pandora que pude recordar-me apenas na última guerra santa que dei meu máximo para que ela não o tomasse de meus braços, nós chegamos a uma pequena igreja onde um velho padre nos acolheu por pouco tempo até chegarmos no orfanato do qual se lembra.

Imagino que deseja entender qual foi o lado bonito dessa nossa trajetória difícil com você um bebê de dez meses e eu com quase seis** anos. O lado bonito foi você e seu sorriso, seu riso doce e inocente do mundo difícil ao nosso redor, eu olhava para ti e recarregava as minhas esperanças de um amanhã melhor, de que ficaríamos bem. Foi triste a nossa despedida e lastimável por minha parte o nosso primeiro reencontro, porém você nunca desistiu de mim, nem por um segundo. Assim como também não desistirei de você, de tentar te ver mesmo que não me diga uma palavra sequer. Eu te amo meu irmão e nada nesse mundo poderá mudar isso! Posso não gostar de andar em grupos, pois aprendi a ser sozinho, mas, posso reaprender por você, pois não o deixarei para trás.

Quero ver o sol e o luar ao seu lado longe dessas paredes sem graça. Quero ver a alegria em seu rosto novamente! Não foi você que me disse uma vez que todo mundo fica mais bonito sorrindo e que eu deveria fazer isso mais vezes? Só vou sorrir de novo quando eu ver um sorriso brotar em seus lábios.

Acho que para quem não sabia bem como escrever acabou por escrever demasiadamente. Quando o médico engomadinho liberar as visitas, eu não hesitarei em vê-lo. Eu e nossos amigos desejamos de todo coração a sua recuperação. Não falarei deles, pois eles que escrevam para ti, essa carta é pessoal e não coletiva. Espero que a leia logo e releia quantas vezes quiser. Até logo irmãozinho.

Ikki.

Notas finais
*Estou considerando outro pai e não o Mitsumasa Kido como no mangá.
** Eu tenho um probleminha com as idades que o Kurumada deixou no mangá. Uma criança de 3 anos cuidar de uma de 1 ano é surreal demais para digerir. Eu aqui em casa sou a irmã mais velha, me baseei na diferença de idade que tenho com meu irmão para dar um pouco mais de coerência para a narrativa. Eu cuidava dele do meu jeito um pouco atrapalhado quando era mais nova, mas, tentando fazer o melhor. Por isso imaginei essa diferença de 5 anos entre eles (Eu e meu irmão ~=5 anos e meio).
Links das fanfics base desse universo:
Apenas uma rosa - https://fanfiction.com.br/historia/785238/Apenas_uma_rosa/
Recaída - https://fanfiction.com.br/historia/785611/Recaida/
Inquebrável - https://fanfiction.com.br/historia/790555/Inquebravel/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!