25 de março

Eu mal consigo acreditar no que aconteceu hoje! Ele precisava me tratar daquela forma? Me ignorar como seu eu não significasse nada? Aff!

Oh, me desculpe, querido leitor, eu nem me apresentei. Meu nome é Katherin, mas as pessoas me chamam de Katy. Eu tenho vinte anos, contudo, como podem ver, eu escrevo em um diário como uma pirralha de treze anos faria. Porém, não se engane. Eu não escrevo porque quero. Escrevo sob prescrição médica.

Acontece que eu faço acompanhamento psicológico, porque eu tive a infelicidade de quase ser morta pelo meu ex-noivo, há dois anos. Nós namoramos por um ano, ele me pediu em casamento e eu aceitei. Pretendíamos nos casar depois de um ano e meio, mas Tomas começou a ser muito possessivo.

Ele não deixava eu sequer sair na rua. Várias vezes me impediu de sair com as minhas amigas e até chegou a bater no meu cachorro, cujo eu era muito apegada.

Foi o cúmulo para mim. Disse a ele que não o aceitaria daquela forma, que não era porque íamos nos casar que ele era o meu dono.

Mas o filho da mãe riu! Disse que sim, que seria o meu dono quando nos casássemos, e que eu só faria o que ele quisesse. Ah, mas eu não esperei dois segundos! Tirei a aliança do dedo e joguei na cara dele. Disse que não queria, que não me casaria com um louco como ele.

E o que recebi em troca foi um psicopata me perseguindo de um lado para o outro, ameaçando meus familiares e amigos e acabando com a minha vida.

No único momento em que nos encontramos, e eu estava desacompanhada, tudo aconteceu. Ele tirou um facão do bolso e avançou em mim, cortando o meu braço quando comecei a fugir. Ele ria como um louco e eu pedia socorro, encrencada por estar em uma rua que, pela desgraça de Odin, estava vazia. Eu consegui virar a esquina no momento em que ele me alcançou, enfiando o facão na minha barriga.

Foi uma loucura! Um homem que ouviu os meus gritos apareceu e conseguiu desarmá-lo, segurando-o pelo pescoço, e eu só conseguia puxar o ar com força para meus pulmões, sentindo a dor se espalhar pelo meu corpo. Outras pessoas apareceram, afastando-o de mim, sumindo com o facão, tentando estancar o sangue e ligando para a emergência.

Naquele dia eu pedi para a morte me levar, mas ela se recusou. Tomas foi preso, meus pais ficaram loucos de preocupação e eu fui para o hospital.

Nunca mais vou aceitar um pedido de casamento.