Notas iniciais
Aqui vai mais um capítulo, saiu um pouco grande. Não sei se tá legal mas enfim. :3 Boa leitura! *-*

Sexta-feira, 7 de fevereiro

22:37

Querido Vinicius,

Sentiu minha falta? O quê? Espera, estás a me dizer que estavas melhor sem mim? Como és gentil… Mas isso não me afeta, as suas palavras não passam de flechas que atingem no meu coração frágil. Opa, coração de pedra, dizes tu? Vai à merda.

Bom, eu sei que fiquei quase 20 horas sem dar noticia mas vou explicar o porquê. Hã? Não queres saber? Que bom! Achei que era necessário mas obrigado!

Ok, brincadeiras. Vou contar-te agora mesmo.

Quem me impediu de me avançar foi um garoto anormalmente alto, cujo nunca vi na minha vida. Só de estar perto dele, sinto-me uma formiga, uma formiga medrosa. Sério, fiquei com medo por causa do tamanho dele. Eu chegava apenas no peito dele, deve estar com 1, 90 ou mais.

Mas este garoto deu-me muita atenção.

Era terrivelmente bonito, quase senti um líquido a deslizar no canto da minha boca. Nossa, era ruivo cujo cabelos eram rebeldes e desajeitados, e olhos incrivelmente azuis e claros. A sua pele era pálida e podia reluzir bastante se o sol deitasse nele. E apresentava algumas sardas no rosto, mas isso ainda o deixou mais belo.

Ei, eu ouvi. Você deixou-se escapar: “...Gay”. Você não me engana, Vini. Julgas-te esperto, pois está enganado.

Continuando…

Quando fiquei algum tempo hipnotizado a olhar para ele. Só voltei à realidade quando a barra de ferro foi retirada suavemente pelo garoto belo. Fiquei confuso e quis saber o motivo de ele me ter impedido.

― Ei… — comecei mas fui interrompido bruscamente.

― Você é um idiota ou quê? Podias tê-lo matado! – gritou ele, encolhi todo atónito.

O rei não deixou barato, então empurrou o garoto belo e ele lançou-lhe um olhar ameaçador que fez o rei estremecer mas não deixou de ser intimidado.

― Quem diabos é você? E porquê as pessoas sempre metem os assuntos dos outros quando não são chamados? – rosnou o feio, levantando a mão e tentou desferir o soco porém…

Acabou caindo no chão, inconsciente. Arregalei os olhos e perguntei a mim próprio como era possível. Logo, percebi que o garoto desconhecido fez um belo contra-ataque ao rei. Agora, ele estava a esticar os braços e torcendo o pescoço como se estivesse a fazer alongamentos.

Colocou a barra de ferro no seu ombro e fitou-me, sedutor. Sério, os olhos deles eram atraentes e brilhantes. Se você conhecê-lo, vais ficar que nem eu fiz pela primeira impressão sobre ele.

― Onde arranjaste a barra de ferro? – indagou, olhando para o objeto com certo brilho malicioso. – Pelo que entendo a sujidade de terra na barra, você enterrou com isso para os casos de emergências?

― Sim – assenti, estiquei a minha mão para que ele percebesse que eu queria a barra de ferro de volta. – Devolva-me.

Ele arqueou a sobrancelha, me olhando como se eu fosse um lunático. E desatou a rir, abanando a cabeça, me deixando claro que não iria entregar tão cedo. Sério, fiquei puto naquela hora. O que você acha quando tempo demorei para achar essa formidável barra de ferro? Deve estar de brincadeira…

― Devolva-me – rosnei, aproximando o desconhecido com tentativa de apanhar a minha barra de ferro mas ele desviou com facilidade. – Pare com isso, devolva-me o que não é seu.

Ele abriu um sorriso, um sorriso sádico. Continuava a abanar a cabeça que não tinha menor intenção de devolver.

― A barra de ferro não fica bem com uma pessoa frágil e fofo como você. – sorriu com deboche, me fazendo corar.

O quê? Eu, fofo? Ele só pode estar a bater mal na cabeça…

Pelo que vejo o meu reflexo no espelho todos os dias no meu banheiro, sim, eu tenho banheiro só para mim no meu quarto. Tenho olhos cor de avelã (herdei da minha mãe) e meus cabelos volumosos tinham a cor mais comum, castanho e ondulados (herdei do meu pai). A minha mãe costumava dizer que eu era um garoto mais lindo que já vira e tinha imenso orgulho de ter um filho como eu. As mães adoram se exagerar, não é, Vini?

Mas nunca me vejo como um fofo e lindo. Só podem estar de brincadeira, eu sempre me achei muito normal e fracote. Cala boca, Vini, não sou frio.

Eu sei que ele estava zoando comigo, só que não consegui evitar de corar quando disse que sou fofo. Deve ser que ainda não me acostumei de ouvir elogios mesmo se fosse mentira.

Lembrei da palavra-mágica, eu ainda não disse “por favor” mas isso soaria muito “gay” ou “formal”.

― Devolva-me, por favor – pedi, piscando os olhos como se fosse uma menina. “Gay!”.

Eu sei, só que estava com esperança para que ele devolvesse aquele objeto desejoso o mais rápido possível.

Ele fez uma careta, como se estivesse com nojo em mim. Obrigado, conseguiu ofender-me mas eu realmente preciso a barra de ferro, não você, seu merda.

― Recomendo que não faça isso de novo, vai assustar as pobres crianças – disse ele num tom de zombeteiro, filho da puta.

― Como se eu ligasse – revirei os olhos. – Mas que merda, devolva-me de uma vez! – grunhi com raiva, ele já está abusando a minha paciência.

Ele ficou surpreendido mas sorriu em seguida. Levou a barra de ferro e colocou-lhe ao lado do meu ombro. Admito que fiquei assustado, com a ideia que ele poderia bater-me numa questão de segundos.

― Vamos fazer um acordo. Eu deixo a barra de ferro ali na árvore e vamos fazer uma linha onde se começa a corrida. Quem chega primeiro, é o vencedor, claro.

― Quer dizer, se eu ganhar nessa corrida, você não vai mais me incomodar? – perguntei esperançoso.

― Você é burro ou quê? Eu disse que a barra de ferro vai ficar nas mãos do vencedor – suspirou, indo colocar a barra de ferro em posição de perfil na árvore.

― Eu sei disso – revirei os olhos, bufando. Como ele era muito grosso. – Só fiz uma pergunta simples e já percebi que não vai levar a lado nenhum.

Percebi que ele se virou e ficou a me fitar fixamente, afastando da árvore para me aproximar.

― Não me lembro de te ter incomodado – semicerrou os olhos azuis, e ficou a olhar à volta. Penso que ele estava a procura do destino de lugar onde inicia a corrida.

― Incomodou-me por teres roubado a minha barra de ferro – rosnei, cansado de discutir com ele. Espero que eu ganhe a corrida e depois nunca mais o vejo.

Ele soltou o riso irritante e foi a um lugar onde fez uma linha. Jogou o galho da árvore que encontrou nos arbustos debaixo das janelas do “inferno” e se posicionou, mostrando todo poderoso e confiante que iria ganhar.

Revirei os olhos, querendo sair dali o mais rápido possível. Por isso, Vini, estás a ver como ele é insuportável? Que ridículo.

Fiquei ao lado dele, vendo que ele esperava para que eu me preparasse. Sorri de canto com escárnio. Coitado, ele não sabe o quão rápido sou.

― Eu já estou pronto, meu caro ser irritante.

Ele me olhou, cínico. Desconfiado com a minha confiança, ele puxou os cabelos que estavam na sua testa e jogou-os para trás, exibindo o brilho malicioso nos olhos.

― Você confia sua vitória na corrida? Vamos ver… – e fez uma posição como uma pessoa atlética e profissional.

Fiquei surpreendido ao ver essa tal posição e fiz a mesma coisa que ele pois eu costumava a fazer assim como ele.

― Vou contar – disse o desconhecido, olhando-me com desprezo. Percebi que ele não me iria deixar dominar a vitória. – Um… dois… e três! – e, enquanto isso, senti que o meu pé foi puxado ou algo assim e acabei me tropeçando. Quando dei por mim, percebi logo que ele havia feito uma batota! Ele tinha me dado uma coisa parecida com rasteira e deu isso.

Parabéns, batoteiro, desta vez você conseguiu.

Vi que ele estava sorrindo de canto, rindo de mim. Não aguentei esse ser insuportável, então desatei a correr com toda a minha fúria que sinto por ele.

Vinicius, ele deveria parar de me subestimar. Viu como ele agia comigo? Se achando que é melhor do que eu. Então, estava na hora de humilha-lo com a minha corrida impecável.

Ele ficou surpreendido que, uns segundos atrás eu estava no chão, e agora já estava ao lado dele. Ele liberou a corrida, gastando toda a energia que restava. Inútil, ninguém vai conseguir me superar. Ninguém mesmo. Gastei muitos anos a correr, correr e correr.

Sorri de canto, devolvendo a provocação que ele me jogou e ganhei a corrida. Peguei a barra de ferro com alegria e fiquei comemorando a minha vitória, saltando que nem um louco.

Ele estava debruçado para a frente tentando respirar melhor, pois estava sem fôlego. A sua expressão mostrava todo indignado e sem palavras.

― Agora sim, não vais me incomodar mais! – dei uma risada agradável, estava muito feliz de ter a barra de volta.

Finalmente, ele se levantou e arqueou a sobrancelha. Fiquei assustado ao ver o seu sorriso sinistro a surgir na sua boca. Não pode ser… parece que ele tem mais uma manga guardada.

Fechei a minha cara, tinha de que aturar mais tempo com ele. Que deprimente.

Ele tirou algo nos seus bolsos e arregalei os olhos, num perfeito estado de choque.

Tente adivinhar Vini. Eu sei que você sabe, só não finja que não sabe.

Sim, ele tinha você! E você adorou aquilo, né, safado. Brincadeira.

Eu entrei em pânico, tentei ter mil soluções na cabeça mas, como estava em choque, não consegui pensar direito.

Era para eu ficar quieto, fingindo de ser desentendido mas não consegui, era muito difícil permanecer o meu rosto descontraído enquanto VOCÊ está nas mãos do outro e, ainda por cima, era um desconhecido!

― O quê…? – indaguei, apontando-o com o indicador. – Como é possível…?

― Ora, não foi nada difícil – ele riu, abanando o diário no ar. – Já estava te reparando faz tempo, você jogou o livro qualquer em cima da mesa para ajudar o seu amiguinho e fui ver do que se tratava o seu livro. Não esperava nada que um garoto como você escreve num diári- Opa!

Eu já na frente dele, tentando saltar para pegá-lo desesperadamente. Você caindo nas mãos de alguém, muito menos, um desconhecido é como suicídio. Se ele lesse em você, iria rir para o resto de vida. Achando uma idiotice de eu falar e discutir com você como uma pessoa. Qualquer um iria pensar mesma coisa que ele.

Por isso, Vini, não fique emocionado que eu estava te tentando salvar, você pensou errado. O que eu quis fazer realmente era rasgar você para que tornasse inútil de ler.

Isso mesmo, chore! Ninguém se importa mesmo.

Ok, tem calma. Eu ligo você, respire fundo. Idiota.

Está bem, está bem, já parei.

Voltando…

Como ele era alto, eu simplesmente não conseguia chegar lá. Ele ficou rindo de mim porque percebi que ele estava com prazer de observar o meu rosto de desespero. Filho da puta.

― Por quê está fazendo isso? Você daria a vida pelo diário? – interrogou, me olhando seriamente. A sua expressão de prazer havia sumido de repente.

Ele é assim? Por mudar a expressão tão rápido quanto minha corrida. Incrível.

Fiquei uns minutos em silêncio, olhando para ele com expressão mais emburrada possível. Não gosto nada o que é meu seja domado pela outra pessoa. Quem gosta? Ein?

Você? Por acaso, você adora ser domado né... Pervertido.

Ok, ok, vamos voltar de novo.

― O diário é único que guarda os segredos sem os outros saberem – murmurei, cansado. Já estava farto daquilo. ― Pare de pegar as coisas que são meus! – grunhi, pisando o pé, todo impaciente.

Ele ficou a pensar do que falei. É claro que não, não ficou pensando na minha última fala. Sim, ficou pensando em você, agora já pode pular feliz.

Que pena, você não consegue mexer. Ei! Não leve tudo a sério, porra. Vini chato.

― Mas a barra de ferro – ele falou e pausou, humedecendo os lábios e exibir o ar pensativo. – Salvei-te antes de ires para prisão. E, quando isso… — balançou o diário, num sorriso entre lábios. – Já estava em cima da mesa e alguém, além de mim, poderia ter pegado e sumir sem você perceber. Agradeça-me – concluiu, rasgando o sorriso mais canalha que já vi.

Neste instante, odiei-o em todas as minhas forças. Agradeça-me?, jamais! Sério, Vini, este homem precisa morrer.

Ainda bem que tenho barra de ferro, vou matar sem pensar duas vezes. Até não me importaria ir à prisão. Ele merece.

Ele percebeu que a minha aura virou assassina. Sorriu como não tivesse medo de mim nem algo parecido. Mostrando que as minhas intenções não o afetavam nada e isso só me deixou ainda mais enfurecido.

― Pense um pouco…

― Hã? – caiu a ficha e depois apercebi do que ele quis dizer. – Não… você vai chantagear-me?

― Talvez – riu, abanando você na minha frente só para me provocar.

E, de repente, tocou a campainha. Fiquei ainda mais desesperado do que nunca, estava na hora de ir à aula.

Mas que merda, Vini, naquele momento eu estava mesmo morto de preocupação por você. Mentira, estava preocupado com os meus segredos e não você. Ops.

O desconhecido riu ainda mais com meu rosto de pânico, penso que eu sou muito visível às emoções. Fazer o quê? Sou inútil mesmo…

― Vamos fazer assim, amanhã te devolvo – impressão minha ou ele quer que seja morto?

― O quê?! – rosnei, puto de vida. Chega, ele está querendo de morrer! Levantei a barra de ferro em um movimento veloz. – Eu quero agora! Não estou a brincar!

― Nem eu – sorriu de canto, encolhendo os ombros sem ser intimidado pela barra de ferro. – Pegar ou largar – isso foi uma ameaça? Espero que não, seu cara de cú.

Mas a minha energia se esgotou, tirei uma conclusão que discutir com ele é como sugar a energia. Por acaso, ele tem algum aspirador de energia invisível por perto?

― Vai mesmo devolver-me amanhã? – resmunguei, dando de vencido. Não tinha mais escolhas.

― Sim, amanhã – assentiu, sorrindo de canto. Já estava mais amigável, aproximou-me e empurrou-me. – Vai para aula, seja um bom menino senão…

― Já entendi, acho bom que me devolvas amanhã! – gritei enquanto corria, vi que ele me acenava com o diário só para me exaltar, ignorei bufando e voltei a focar no destino mas parei na porta da entrada.

E me virei para ver o desconhecido, ele tinha desaparecido.

Acho que ele é um fantasma, Vini. Também pensas mesma coisa?

Finalmente, temos uma coisa em comum. Já era sem tempo!

Ei, eu também não gosto de ti, Vini. Seu fresco.

Ainda tem mais! Ainda não acabou, é verdade, é uma longa história e até já estou ficando cansado de escrever, as minhas mãos doem.

Acho que você vai ficar impressionado, tente adivinhar o que aconteceu quando fui para ao "inferno" num dia seguinte.

…

Não foi o Tiko, eu soube que ele parou no hospital porque tinha umas costelas partidas. E o rei foi suspenso por umas semanas, eu testemunhei e mais alguns cujos não sei quem são. Não é incrível? Agora todos já me reconhecem como o Ghost Boy, o herói. Que honra!

Entenda de uma vez, fui irônico. Quem iria adorar de ser herói…

Bem, vamos voltar o assunto anterior. Que mania terrível de mudar o assunto. Haja paciência.

Droga, eu ia te contar mas aconteceu uma coisa inesperada.

Acredite, Vini, meu irmão me chamou agora para eu ir ter com ele.

Vou me preparar para ouvir os sermões, acho que terei que levar os tampões para os ouvidos… quem me dera.

A sério, prometo-te que conto depois.

Abraços do Rodrigo.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Talvez a partir de amanhã, não vou postar por um tempinho devido aos problemas do meu pc. É a vida, né... ç-ç Beijos! ;*