Querido Professor
1 Prefácio
Notas iniciais
Já estava começando a escurecer quando me dei conta do que eu tinha feito. Que idiotice sair mais tarde do trabalho para ganhar um dinheiro extra que sinceramente, não faço a menor ideia de como irei gastar, principalmente nessa vizinha que me faz ter arrepios. As ruas são mal iluminadas, lixo por todo lado, pessoas consumindo algum tipo de droga a cada esquina e garotas vendendo seus corpos para o primeiro velho que pagar bem. Por qual motivo eu arrumei um trabalho nesse lugar? Se meus pais soubessem... Eles acreditam que sua querida filha trabalha em uma bela vizinhança de classe média e por esse motivo a deixam ir e vim sozinha a hora que desejasse.
Enquanto virava uma esquina perdida nos meus próprios pensamentos, uma cena me chocou. Uma garota e um homem de aparência nada amigável que gritava como um louco e exigia dinheiro. Nada diferente do normal naquela área. O problema era eu conhecia a garota e assim que comecei a entender o que estava acontecendo, meu coração parou, não conseguia sentir minhas pernas, minha garganta não respondia a minha vontade de gritar e procurar ajuda. Minha amiga vai ser morta, minha melhor amiga vai ser morta. Mas parecia que as poucas pessoas presentes na rua, não se importavam tanto quanto eu, mas eu não podia deixar que nada de mal acontecesse a Lissa ela era mais que uma amiga, era uma irmã e não importam os acontecimentos que deixou ela naquela situação eu estava disposta a fazer alguma coisa para ajudar. Procurei alguma coisa na qual pudesse atacar aquele cara por trás, uma pedra, um pedaço de pau... Nada. Em uma loja de conveniências ali perto o local onde as pessoas prendem suas bicicletas estavam bastante degradado e praticamente solto. Exatamente o que eu precisava puxei o pedaço de ferro com muita força, imaginando que ele ainda estava bem preso, mas me enganei e obtive minha arma defensiva com mais facilidade do que eu imaginava.
Agora era a hora, enquanto Lissa gritava desesperadamente pedindo mais tempo eu me aproximei do cara que a ameaçava me aproveitando das sombras para ele não perceber. As pessoas na rua me viam se aproximando, porém não avisaram nada ao sujeito e nem demonstraram qualquer reação.
– Eu quero o meu dinheiro agora seu projeto de vadia – gritava o sujeito mal encarado. – Você me prometeu o dinheiro e acho melhor você me dá ele completo, antes que eu exploda a porra dos seus miolos.
–Eu não tenho todo esse dinheiro, só tenho isso. Eu juro amanhã eu trago o resto, por favor, eu implora – Lissa dizia aos prantos em meio de lagrimas e soluços. – Eu juro o dinheiro vai está na sua mão. Mas me dê o prazo maior, eu te imploro.
Aqueles gritos estavam mexendo comigo e eu não consegui conter as lágrimas enquanto me aproximava o bastante para com toda minha força espancar a nuca daquele bandido, o suficiente para ele cair.
– Aria, que diabos você está fazendo aqui? Como você fez isso? – Lissa perguntava ainda com voz chorosa e cheia de dúvidas.
–Lissa depois eu respondo vem corre, rápido. – Eu respondi, não tínhamos tempo para eu explicar o como eu estava ali, considerando que ela não sabia que eu estava trabalhando.
Enquanto Lissa se recuperava do espanto e saia do lugar onde estava o cara retomou a consciência, no exato momento em que Lissa passava por cima do corpo que até poucos segundos estava completamente sem consciência. Eu corri e tinha certeza que Lissa estava bem atrás de mim, até que ouvi um barulho seguido dos gritos de Lissa.
– Aria, Aria, socorro. – Eu olhei para trás e vi o que eu temia. O sujeito tinha pegado Lissa pelo calcanhar enquanto ela passava por cima dele e agora estava com uma faca bem no seu pescoço.
– Ou você e sua amiguinha ali, juntam o dinheirinho que o papai dá todo mês e completa meu dinheiro, ou você morre. — Sibilava a criatura apavorante no ouvido de Lissa, suficientemente alto para eu ouvir.
A minha expressão foi de um completo pânico. Eu não tinha dinheiro. E a farmácia onde trabalho meio período não estava mais aberta para eu pedir um adiantamento de salário. Enquanto eu pensava em uma solução. Um brilho prateado chamou minha atenção a arma que o cara estava usando para ameaçar Lissa, estava a cerca de 1 metro de distância de mim. Eu sabia como usa lá meu pai era um policial aposentado e me quando eu era menor me ensinou a atirar era simples, destravar e apertar o gatilho.
– Iaí? A moçinha vai ou não ajudar a amiguinha aqui? – O imbecil gritou.
E então vou ou não vou ajudar a minha amiga? Essa era a questão, mas não sei se matar seria o correto. Mas uma voz na minha cabeça me convenceu que essa era a única opção. O que aconteceu em seguida foi muito rápido. Corri até a pistola, mirei e atirei. Depois do estampido do disparo. Permiti o pânico a tomar conta do meu corpo. Senti braços me abraçando e vi que era Lissa. Não retribui o abraço, não porque eu não queria e sim porque não conseguia. Todos os meus músculos estavam extremamente rígidos e meu rosto sem expressão.
–Eu matei uma pessoa, que tem uma família. Eu vou ser presa. — Falei para ninguém em especifico com uma voz completamente em choque.
–Aria, foi a coisa certa a fazer. Olhe para mim. — Olhei para ela, seu rosto estava inchado e tinha um corte na garganta onde aquele homem pressionou a garganta. O homem que eu matei.
***
Liguei para meus pais, avisando que ia dormir fora. Eu não podia chegar em casa naquele estado, olhos vermelhos e inchados, sem conseguir formular uma palavra direito a não ser as poucas palavras que usei para da o recado pelo telefone.
Lissa me levou para sua casa que estava vazia, porque seu s pais estavam viajando a negócios. Não quis conversar nem nada, apenas me deitei e me perguntei se eu conseguiria esconder o que houve hoje a noite dos meus pais ou se teria de contar. Na verdade era mais uma pergunta retórica. Eu ia contar, eu sabia que teria de contar algum dia, mas talvez esse dia não fosse hoje, nem amanhã e nem nessa semana ou nesse mês.
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