Querido Irmão
5 Capítulo 5 - Vinganca Final
Damon, tinha sua atenção completamente voltada para a TV, se assustou quando a porta da frente da casa bateu com força. Sentou-se rapidamente no sofá e franziu o cenho. Em seguida, pôde reparar uma Isabella enfurecida caminhando firme pelo corredor na direção do sofá. Ela arremessou a mochila no rapaz, acertando-o no peito e fazendo-o perder o fôlego rapidamente.
- Você não presta! Seu mentiroso, canalha! Era tudo pela droga do sexo, não era? – ela gritou, avançando para cima dele.
Damon a segurou pelos pulsos, arregalando os olhos. Ela estava irreconhecível raivosa daquele jeito. Mexia os braços na direção do rosto do rapaz tentando de qualquer jeito socar seu rosto de anjo. Ele pôde ver as lágrimas grossas descerem pelas maçãs do rosto de Isabella, doendo em seu peito só de vê-la chorando.
- Você voltou com a Victoria, não foi? – gritou, se livrando das mãos de Damon e se sentando no sofá, sem forças.
Ele arfou baixinho, apertando os olhos. Droga. Ela havia descoberto. Ele não havia feito aquilo de propósito, na intenção de trocá-la por Victoria, era só um jeito dos amigos pararem de enchê-lo, perguntando porque porra ele havia terminado com a garota mais gostosa do colégio.
Damon se agachou no chão de frente para Isabella, apoiando as mãos em seus joelhos. As mãos delicadas cobriam seu rosto já avermelhado pelo choro excessivo e só de pensar nisso, ele pôde sentir seu estômago afundar. Tirou as mãos de Isabella de seu rosto e beijou-lhe os dedos. Ela ainda soluçava e fungava baixinho, fazendo o coração de Damon dar um solavanco, implorando baixinho para que ela parasse de chorar. Colocou delicadamente as mãos da menina sobre seu rosto, fazendo assim com que ela finalmente o olhasse.
- Não fiz isso pra machucar você, pequena. Está sendo um namoro de fachada. Eu e Victoria só nos beijamos em público, me recuso a beijá-la. – ele agora estava de joelhos com as mãos nos braços de Isabella, acariciando o local com o polegar. A viu parar de chorar aos poucos e levou devagar uma das mãos para enxugar suas lágrimas. – Eu amo você e mais ninguém, Isabella. Eu só estava de saco cheio dos meus amigos me perguntando por que eu tinha terminado com a Victoria. Mas eu sou só seu, sempre fui só seu.
Segurou as mãos dela, beijando a palma de cada uma. A viu dar um sorriso de lado e sorriu do mesmo jeito, levantando um pouco o rosto e o corpo para encostar os lábios nos dela.
- Você me ama? – ele perguntou.
- Mais do que tudo.
- Então pode entender isso só por uns tempos? Eu juro para você que vou terminar com ela de novo e dessa vez sem volta. Aí seremos só nós dois.
Ela sorriu abertamente, concordando com a cabeça. Damon beijou-lhe a testa, sorrindo para ela antes de selar os lábios, iniciando um beijo calmo que logo se tornou um beijo mais intenso. Apesar daquela felicidade momentânea, ela sabia que toda aquela história com Victoria poderia voltar a acontecer. Então, Isabella teria que resolver tudo aquilo com as próprias mãos.
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Isabella estava sentada na cadeira de rodinhas em frente à escrivaninha de seu quarto. Segurava uma foto dela e de Damon tirada num acampamento que a família decidiu fazer uns tempos antes. Fora uma foto espontânea em que os dois andavam numa trilha conversando. A mão de Damon estava firme em sua cintura enquanto ela tinha a mão por dentro do casaco e dentro da camisa de Damon. Ninguém reparava nos detalhes daquela foto, até porque havia sido tirada de frente, mas quem os conhecia sabia bem que eles tinham uma forte tensão sexual.
Ela riu com esse pensamento e virou o rosto, encontrando um Damon dormindo tranqüilamente sobre sua cama de solteiro com o edredom cobrindo até seu quadril, deixando o peito nu completamente a mostra. Ele tinha uma expressão serena no rosto, os lábios vagarosamente abertos e o cabelo mais comprido caindo sobre os olhos. Isabella não conseguiu não sorrir. Ele era tão perfeito e tão dela. Ninguém podia e nem ia ficar no meio daquilo.
Ao virar-se para frente novamente, sentiu sua mãos se fechar num punho, sentindo a raiva lhe penetrar a pele ao lembrar-se de Victoria. Quem aquela vadia de merda pensava que era para se meter no meio do romance deles dois? Será que ela não entendia? Os olhos de Isabella estavam fixos num ponto da parede enquanto girava sem parar o canivete cor de rosa suíço que seu avô havia lhe dado anos antes. Os olhos raivosos da menina eram iluminados somente pelo abajur ligado na mesinha, deixando o ambiente um tanto sinistro. Com o dedo, deu um leve empurrão no cabo rosa de metal do canivete, vendo-o girar mais uma vez enquanto a lâmina brilhava contra a luz fraca.
Um canivete lhe parecia muito pouco.
Levantou-se devagar, indo lentamente até a cama, tomando cuidado para não fazer barulho algum. Ajoelhou-se na cama, vendo Damon se mexer devagar e parou por um segundo. Apoiou a mão na cama e se debruçou sobre o rapaz, beijando-lhe o rosto. Afastou devagar os cabelos de seus olhos e sorriu abertamente quando o viu sorrir de lado.
Saiu da cama, largando o canivete no chão, sobre as roupas deles jogadas, impedindo um impacto alto do metal contra o chão. Ela vestiu um moletom e uma calça comprida qualquer, calçando seus tênis surrados e amarelos. Se retirou do quarto, ainda observando Damon e então fechou a porta sem fazer barulho. Foi até o quarto vazio dos pais que haviam saído para viajar e agachou em frente à mesinha de cabeceira do lado da cama que o pai costumava se deitar. Abriu a última gaveta, encontrando um objeto enrolando em um pano branco amarelado. Foi desenrolando o primeiro pano, reparando a presença de outro pano. E assim que terminou de se livrar do último pano, pôde ver o brilho da pistola de seu pai. Sorriu para a arma, vendo o sorriso maldoso refletido no tambor.
Fechou a porta de casa devagar, trancando-a pelo lado de fora. Colocou a chave no bolso traseiro de sua calça e caminhou devagar e despreocupada, virando à esquerda. Depois de muito caminhar, por várias vezes brincando com a pistola em sua mão, se viu de frente para a casa imensa da família de Victoria. Sorriu abertamente, lhe dando um parabéns mentalmente. Prendeu a arma no cós da calça na parte de trás. Subiu pelo caramanchão do lado direito da casa, até chegar à janela aberta de Victoria, coberta somente por uma fina cortina branca.
Pisou devagar sobre o piso de madeira corrida, vendo a garota dormindo abraçada com uma almofada e um travesseiro grande e alto debaixo de uma das pernas. Vestia uma camisola de seda champanhe e tinha um sorriso de lado no rosto, dormindo tranqüilamente. Isabella deu uma leve risada maliciosa, se ajoelhando na cama de casal da garota. Deve ser para os trezentos caras que ela já trouxe para cá, pensou ela.
- Deitou-se devagar na cama de frente para Victoria, apoiando o cotovelo nela enquanto tombava a cabeça sobre sua mão livre. Com a outra mão, puxou a pistola presa em sua calça, passando o cano brilhante pelos cabelos que caíam sobre o rosto da garota. Mordeu o canto do lábio inferior, rindo baixinho. Viu os olhos de Victoria se abrirem devagar e sorriu, erguendo as sobrancelhas.
Quando Victoria puxou o ar para dar um grito horrivel, Isabella riu.
- Buu. – sussurrou.
Um clarão pôde ser visto pela janela do quarto. O barulho do disparo ecoou pela rua, fazendo cachorros uivarem.
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