Querido Anjo Negro
1 Capítulo 1 - Único
Notas iniciais
Não me responsabilizo por danos a leitores após a leitura.
Contém : palavras baixas, mutilação, drogas, transtornos alimentares e de personalidade, tortura, entre outros.
Se não gosta de algum dos itens não leia, porque tudo aqui é explícito.
Se gostarem, comente e favorite por favor.
xoxo
Beth Jason. Nome comum para uma garota comum, ou nem tanto assim. Uma garota com seus dezesseis anos de idade e que precisava de muito mais do que uma simples ajuda para voltar a realidade paralela da vida na terra. Ela dava medo de se chegar perto e de se conversar, por isso era isolada de todos de sua volta inclusive seus pais que temiam que ela fizesse algo de ruim a eles, então faziam tudo que quisesse.
Beth já fora uma garota boazinha e de coração bom, mas hoje em dia só torce para o mal e o exerce. Ela assisti a filmes torturantes, rituais malucos, se veste toda de preto da cabeça aos pés, usa drogas e pratica a automutilação. Toma remédios para dormir, para não comer, para vomitar e para usar o banheiro, e desde que começou a fazer isso não parou mais e se tornou uma viciada como tantas outras pessoas da vida que dariam a vida por um saco de drogas.
No seu dia a dia, só ia a escola e voltava para casa. Vivia enfiada em seu quarto e quase nunca sai para dar uma volta. Seu canto na casa era cheio de coisas demoníacas e que davam arrepios de qualquer um que pudesse entrar. Beth, não suportava a ideia de não poder ser uma garota normal e bonita como as lideres de torcida da escola, então foi aí que começou a se tornar obscura e maligna.
Sua mãe Leila tentava ser amiga de sua filha e fazê-la desistir daquele personagem que invadiu Beth de uma hora para outra, mas a garota não gostava que fizesse isso e várias vezes bateu nela e a ameaçou de diferentes formas, porém a mãe nunca desistiu dela, já seu pai um militar aposentado sempre que podia ia atrás dela e a surrava mas de nada adiantava porque ela desafiava o pai e uma vez jogou-o da escada que ele foi parar no meio dela.
Seus pais tentaram de todas as formas educar e criar Beth da melhor forma possível, mas Beth resistia a todas as educações, castigos e punições que a impunham. Fugia deles, pulava janelas, escala murros e de todos os jeitos conseguia o que queria e até quando foi internada em uma clínica de psiquiatria os médicos não deram conta e devolveram a garota ainda pior para eles que sem outra alternativa aceitaram a menina de volta mas nunca mais o contato foi o mesmo.
A maldade de Beth ia além de bater na mãe e jogar o pai da escada, ela já matara diversos animais de vizinhos, espancou uma garota de sua sala até entrar em coma, arrancou os cabelos de outra até sangrar, quebrou a perna e o joelho de um garoto que a chamara de feia e maluca, além de envenenar a comida de algumas pessoas que não gostava. Era uma garota sem limite algum e que a qualquer momento poderia acontecer algo que ninguém pudesse prever.
Um dia depois de uma bebedeira tremenda em uma festa que os colegas da escola fizeram Beth acabou fumando cigarros, maconha e crack em doses exageradas e acabou desmaiando. Eles então bateram nela, pintaram a garota, rasgaram sua roupa, a estupraram, filmaram e colocaram na internet, só que ela ainda estava consciente só que não conseguia se mover, falar ou pensar direito, mas quando acordou na cama de um quarto da casa não ficou irada e nem jurou vingança a ninguém, apenas foi no banheiro e tomou remédios que a fariam ter uma overdose. Então Beth, morreu horas depois.
Quando acordou em frente a uma casa aparente abandonada, rústica e velha tomou um susto e pensou estar sonhando, mas quando alguém chegou perto dela e tocou seu ombro Beth virou rapidamente e perguntou o que estava fazendo ali e o que estava acontecendo, mas a pessoa que estava coberta com uma capa preta da cabeça aos pés simplesmente começou a andar e fez sinal com a mão para que ela a acompanhasse.
- Quem é você? — Beth perguntava a todo momento.
- Alguém que lhe fará mudar. — a pessoa ainda não identificada respondia.
- Não irei mudar, eu morri.
- Não, não morreu.
- Não? E onde eu estou?
- Saberás em breve, agora me siga e em silêncio.
- Não, eu não irei.
- Irás por bem ou por mal, minha cara.
- Se engana sua, seu, sei lá quem.
- Quer mesmo saber?
- Exijo.
- Aqui não exijas nem mandas em nada.
- Sabe quem eu sou?
- Sim, Beth Jason.
- Como sabe?
- Sei de tudo e todos.
- Quem é você? — Beth parou de andar.
- Seu anjo negro.
Aquela pessoa que se escondia embaixo do pano também negro se revelou ser uma garota loira dos olhos azuis e ter um corpo lindo. Beth, se assustou no começo mas se manteve firme e tentou ir para cima do anjo pensando que tudo aquilo era um tipo de brincadeira sem graça, mas ela acabou sendo jogada no chão e levando um tapa.
- Nem tente mimadinha. — disse o anjo.
- Você me paga. — Beth colocava a mão no rosto vermelho enquanto olhava o anjo de cima abaixo.
- Você que deve aqui.
- Eu?
- Sim, quem mais?
- O que eu fiz?
- Venha comigo. — o anjo pegou o braço de Beth
- Não, eu não vou. — Beth tentou soltar o braço.
- Não vá e morra aqui sozinha, solitária e isolada como sempre foi. — o anjo soltou o braço com força e começou a andar, então Beth a seguiu.
Elas andaram até dentro da casa velha e subiram uma escada que já estava caindo aos pedaços. Beth pensou em fugir daquele lugar, mas quando chegou em frente a porta de um quarto, levou um susto. Quando o anjo abriu a porta ela se comoveu e percebeu que tudo estava intacto. A garota entrou e sentou na cama macia e rosada que estava com uma fotografia virada.
- Conheço esse lugar.
- Sim, conhece.
- Meu quarto. — Beth olhou para o anjo, depois de pegar e virar a foto.
- Isso mesmo.
- Meus dez anos.
- Exato.
- Como conseguiu isso tudo?
- Esse lugar foi o único em que ainda te conheceu de verdade antes de mudar para o que é hoje.
- Não mudei, descobri quem eu realmente sou.
- Não Beth, você descobriu o errado.
- O que sou agora é o certo para mim.
- Não Beth, olhe só o que faz.
- Será? Venha comigo.
O anjo andou até a janela que ficava em um dos cantos do quarto e passou a olhar para fora dela. Beth hesitou em segui-la, mas deixou a foto na cama e foi. Logo algumas imagens começaram a aparecer. Beth, bebê com os pais e parentes próximos, ela criança e por fim a adolescência, mas notou-se que passava mais o que ela fazia de mau do que de bom, porque era isso o feitio dela.
- Sou eu?
- Sim Beth.
- E por que?
- Você se tornou assim, desde que uma líder de torcida começou a namorar o garoto que você amava e a humilhou em público.
- Bati na minha mãe, joguei meu pai da escada, matei animais, espanquei uma garota, arranquei o cabelo de outra, quebrei ossos de outro? Eu?
- Sim Beth.
- E por que morri?
- Veja. — a trajetória da última festa foi mostrada.
- Isso tudo aconteceu comigo? — Beth olhou para o anjo.
- Beth, sei que você teria motivos para ficar brava mas não precisava fazer o que fez. Veja o mal que fez aos seus pais que a amam, aos colegas que poderiam gostar de conhecê-la, aos animais que só queriam amor. A morte é pouco para você. — o anjo saiu andando.
- Espere. — o anjo parou mas não se virou. — E se tudo mudar?
- Não confio em você.
- Não confie, mas preciso mudar.
- Beth, você precisa mais que mudar. Renascer de novo eu diria. — o anjo finalmente se virou.
- Volte no tempo, me faça viver. Farei tudo diferente.
- Todos falam isso.
- Todos?
- Todos que morrem e vem parar aqui para verem o que fizeram.
- Mas para onde vão?
- Sofrem as consequências.
- Como?
- Como cada um acha que deve. Uns morrem trabalhando, uns morrem de fomo, outros morrem afogados, a tiros, enforcados. Vai de cada um.
- E como eu morrerei aqui?
- Não morrerás.
- Não?
- Não, serás imortal e viverás com a culpa e com a consciência do mal que lhe fez a todos.
- Não! Por favor, me dê uma segunda chance.
- Aqui não hás segundas chances.
- Tem que ter.
- Não hás.
- Por favor. — Beth se ajoelhou, pegou a capa negra do anjo e implorou.
- Sinto muito, mas o que se faz se paga.
O anjo se soltou dos braços de Beth andou até a saída e a deixou sozinha naquele quarto para viver a eternidade pensando o qual mal foi para as pessoas que mais a amavam e gostavam dela. Beth ainda tentou sair e quebrar a porta, mas ela era enfeitiçada e nada poderia quebrar aquele encanto, a menos que ela aceitasse que poderia mesmo mudar, mas isso nunca aconteceu.
Até hoje Beth vive naquele quarto presa naquela casa velha e abandonada pagando por seus pecados e consequências dos seus atos no passado. O anjo a observa de longe e as vezes mais perto, mas não mantem contato com para que não haja imprevistos ou acontecimentos que possam custar caro depois, mas desde que ela morreu e foi aprisionada a vida de todos que viviam perto dela só melhoraram.
Seus pais tiveram outros filhos maravilhosos, hoje são idosos e moram juntos em uma casa de repouso, mas seus irmãos nunca souberam de Beth, a garota que fora espancada hoje virou psicóloga e vive super bem onde mora, a outra que perdera os cabelos se casou, tem uma linda filha e se tornou modelo fotográfica e o garoto que tinha quebrado a perna se tornou atleta paraolímpico.
Somente Beth vive eternamente com a culpa do que fez no passado, mas até hoje não suporta não poder voltar a vida ou ter uma segunda chance.
Notas finais
Um grande beijo a todos, xoxo
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