Querida prima Anne
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Capítulo 6
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Com o passar das semanas Fitzwilliam notou que Anne parecia ficar menos melancólica a cada dia. O olhar triste havia diminuído; ela era capaz de sorrir genuinamente com mas frequência; os sorriso já não eram sombra do que foi um dia, que ela costuma tentar dar a Bingley ou para ele mesmo. O primeiro não notava mas Darcy sabia a verdade. E a maior mudança é que ela já não chorava tanto antes de dormir; mesmo que tentasse ser silenciosa os choro acabava gerando soluços altos, que ele ouvia quando passava em frente a sua porta em direção a biblioteca, para pegar um que iria ler antes de dormir. Em mais de uma ocasião ele pensou em entrar como havia feito na primeira noite, mas quando voltava da biblioteca ela havia já dormido, dormido chorando.
No geral ela estava bem. E eles havia terminado a documentação uma semana e meia antes do previsto.
“Sério não há mais nada para fazer Fitz?”
“Não. " Ele sorriu. "Nada a não ser que você queira fazer compras.”
“Você sabe que eu não preciso de nada. Já tenho roupas pretas o suficiente e o fim do luto vai demorar meses. Eu só preciso de uma sombrinha novo mas isso eu posso comprar lá em Ramisgate. Eu e também não estou morrendo de vontade de ver Georgiana novamente, saber como ela está. E como você não é capaz de fazer um esboço decente dela, vou ter que ir ver com meus próprios olhos.”
“Não vamos falar sobre o meu talento para o desenho agora. A questão é que se você conseguir arrumar suas coisas nos podemos ir amanhã.”
“Mesmo?” Ela disse com os olhos brilhando. “Mas você não vai mandar uma nota avisando da nossa chegada?”
“Pensei em fazer uma surpresa pra ela.” Ele disse com um sorriso torto.
“Que ótima idéia!” Seus olhos brilhavam de animação.
Então no dia seguinte logo pela manhã os primos e a senhora Annesly foram para Ramisgate.
Quando chegaram em frente a casa que os Darcy mantinham na cidade, viram uma carruagem saindo da residência.
“Quem é Fitz?” Perguntou curiosa como sempre.
“Não dá para saber Anne, era uma carruagem alugada.”
“Hum… Sabe de algum conhecido seu que viria visitar Georgiana?”
“Não. Vamos perguntar para ela depois.” Ele também estava intrigado mas, a saudade da irmão era maior que sua curiosidade.
A carruagem parou, ele desceu e ajudou ela a descer. Quando entraram na sala de estar Georgiana estava lá para recebe-los. Ela tinha um olhar de criança que foi pega fazendo arte. Fitz pensou em perguntar o que era mas agora não era a hora certa.
“William! Vocês chegaram cedo!” Ela falou desconfortável, deduzindo que a moça com seu irmão deveria ser a famosa prima Anne.
“Sim, era para ser uma surpresa. Eu achei que você ia gostar.” Ele lançou a ela um olhar terno mas aguçado.
“Eu gostei… Só fiquei... Surpresa demais.”
“Claro...” Ele ouviu um leve suspiro ao seu lado. Era Anne impassiente. “Ah! Me deixe te apresentar a nossa querida prima, Anne. Anne essa como você se lembra é Georgiana. E essa é a sra. Annesly.”
“Muito prazer srta. Darcy.” Disse a mulher mais velha.
“É um prazer te conhecer de novo Giorgi!” Falou a moça com um sorriso travesso.
“O prazer é todo meu srta. Anne. Sra. Annesly.” A mais jovem falou timidamente.
“Deus! Por favor me chame de Anne! Somos primas lembra?”
“Claro. Então você deve… A não você já me chama de Georgi ou melhor Giorgi.” Ela falou última parte quase sussurrando.
“Bem, é que eu sempre ta chamei assim.” Ela olhou a garota com um brilho nos olhos. “Como você cresceu! E está se tornando uma linda mulher! Ela é mais alta do que eu Fitz, por que você não me contou?” Seu rosto mostrava falsa indignação deixando a outra garota confusa.
Ele não respondeu só ficou olhando para ela com se perguntasse a importância dessa informação.
“E você Anne é muito mais bonita do que William descreveu ou do que o pouco que me lembro.” Disse Georgiana admirada.
“Eu não sou tudo isso. E eu deveria estar ofendida por você não se lembrar de mim e não aceitar o elogio!” A menina corou de vergonha com isso.
“Georgiana querida, ela só estava brincando.” A garota olhou para o irmão, e concordou. Ele notou que ela evitou seu olhar. Estranho… pensou.
“Perdão por te fazer desconfortável querida.” Anne tentou consertar o erro, ela se esqueceu que Giorgi era desacostumada com suas brincadeiras.
“Tudo bem. Meu irmã me falou que você era brincalhona, é só que eu não estou acostumada. Que tal um chá antes de vocês descansarem da viagem?” Perguntou, insegura da aceitação do seu pedido. Por mais que ela tivesse medo do seu irmão descobrir seu segredo ela sentiu muito falta dele.
“Claro.” Concordaram todos inclusive a sra.Annesly.
“Georgi, onde está a sra. Young?” Com isso a garota ficou vermelho vivo.
“Ela…Ela... Estava com… dor de cabeça, então ficou no seu quarto.”
“Eu espero que essa pobre mulher esteja melhor pela manha?” Anne disse com genuína preocupação pela desconhecida.
“Não… Eu tenho certeza que ela vai estar bem mais tarde.” Como se fosse possível a garota ficou mais vermelha ainda.
“É o que espero, também tenho que conversar com ela.”
“O quê? Ela reclamou de mim!? Alguma coisa errada” Disse a moça desesperada.
“Calma Georgi, não é nada disso somente formalidades.”
Anne observava tudo quieta e notou algo errando. Ela foi ensinada pela mãe desde a infância que um Darcy não deve mentir. Então era capaz de saber quando o seu primo mentia. Sua boca fazia um torção estranha no canto direito quase imperceptível. Sorte que ao que parecia a sua jovem prima não sabia desse detalhe, mas estava lá. O olhar desconfiado dele e o tom de pele de Georgiana dizia que algo estava muito errado aqui. Isso despertou sua curiosidade, mas é claro, ela preferiu não comentar.
“Certo então.” Disse moça mais nova.
O chá se passou sem mais nada estranho. Depois os viagentes foram descaçar e se aprontar para o jantar mais tarde.
Fitzwilliam desceu antes dos outros e chamou a sra. Young no seu escritório. A mulher entrou lá com o rosto impassível. Todos os que serviam aos Darcy costumavam ter ao menos um pouco de medo do jovem mestre por causa de seu semblante extremamente sério e olhar penetrante. Essa mulher não parecia temer ele em nada, isso estava incomodando o rapaz.
“Sra. Young eu não vou querer enrolação. O que está acontecendo aqui?” Disse ele muito sério.
“Desculpe sr. Darcy. Mas foi o senhor que me chamou aqui e essa pergunta deve ser respondida pelo senhor.” Ela levantou a sombrancelha em desafio.
“Não brinque comigo senhora. Não vai gostar de me ver zangado, estou avisando!” Sua voz se tronou perigosa mas, o rosto se manteve sério.
“Não há nada acontecendo aqui senhor. Sua irmão está desfrutando do lugar é só.”
“Então por que ela está escondendo algo de mim!?”
“Todos moças têm seus próprios segredos.”
“Não Georgiana. Ela sempre me conta tudo!”
“Então talvez, esse seja um sinal de que ela está crescendo.”
“Me diga o que é!”
“Perdão?” Ela disse com falsa confusão.
“Sra. Young, eu já te adverti!”
“Sr. Darcy, mesmo que eu soubesse, o senhor não esperaria eu trair a confiança de minha tutelada, esperaria?” Seu olhos brilhavam de escarnio e falta de respeito. Ele agora via que apesar das excelentes recomendações, não havia sido boa idéia contra-la para companhia de sua irmãzinha. Assim que possível ele iria demitir essa víbora.
“Tudo bem pode sair agora.” Sua cabeça estava ardendo de raiva e decepção.
“Obrigada. Sr. Darcy.” Ela se curvou e saiu, ele não viu mas ela tinha um leve sorriso quando atravessou a porta.
Quando ele havia recuperado a compostura foi até a sala acompanhar a senhoras para o jantar. Para Anne o jantar não estava indo como deveria. Ela podia sentir as ondas de tensão vindo de Fitz; por mais que Georgina conversasse ela nunca encontraria os olhos do irmão; a sra. Young parecia desfrutar de uma piada particular; sra. Annesly ainda estava cansada da viagem e ela mesma não conseguia parar de se remexer por causa do clima estranho da sala, e com o tempo foi ficando realmente cansada.
Quando foram a sala de música, onde haviam resolvido tomar o chá, a sra. Young deu uma desculpa e se aposentou mais cedo, por mais que recusasse admitir ela queria evitar o sr. Darcy. Logo a sra. Annesly também se aposentou, deixando os primo sozinhos. Eles conversaram por mais quinze minutos antes que Anne foi vencida pelo desconforto da situação, imaginado que o tempo a sós resolveriam os problemas dos seus primos, resolver ir dormir.
“A não Anne você ainda nem tocou para eu ver! William falou tanto do seu talento, acho que ele ficaria decepcionado se você não tocasse!” Ela não podia ficar só com ele.
“Tenho certeza que Fitz não vai se importar por eu estar com sono.”
“Não se preocupe Anne, pode ir dormir. Amanhã você toca para nós?” Ele le lançou um olhar agradecido.
“Claro.” Ela retribuiu o olhar com se dissesse: “não tem de quê.”
“Mas…” Georgiana não podia acreditar.
“Boa noite Fitz, Giorgi.” Com uma reverência ela se despediu.
Georgiana levantou para ir atrás da prima, mas foi parada pela voz do irmão.
“Georgi, eu gostaria que você ficasse para conversar um pouco. Não tivemos como conversar sós nos ultimo dois meses.”
“Claro Fitzwilliam.” Ela sentou derrotada o baixou os olhos para o vestido.
“Gigi Ana.” Ele disse seu apelido de bebê. “Olhe pre mim.”
Lentamente ela levantou o olhar para encontrar os olhos de seu irmão. Ele viu o medo lá só não entendia o porquê.
“O Que foi?” Disse com ternura. “Qual é o problema.”
“Nada…”
“Eu sei que você está escondendo alguma coisa”,soltou um suspiro e falou desanimado, “e Anne também.”
“Ela também… mas...como…você falou com ela?...” A menina ficou branca.
“Não, ela descobriu e eu percebi.”
“Não ela...ela…”
“Mesmo que você não se lembre bem dela, ela se lembra de você. Anne te conhece quase tão bem como me conhece.” Sua voz era muito baixa.
“Oh não ela vai me odiar!” Sua voz começou a tremer e seus olhos ficaram brilantes de lágrimas não derramadas. “Eu queria tanto que ela me ensinasse a tocar violino! Eu queria agradar ela e agora ela vai me odiar!” Então começou a chorar.
“Se acalma Georgi. Anne nunca vai te odiar.”
“Vai sim! E você também!” Ela se tornou desesperada e voltou a falar entre soluços. “Eu falei pra ele que devíamos falar com você! Eu queria fazer tudo certo, não em segredo!”
“Quem?” Ele perguntou, mas a menins não ouviu.
“Eu queria fazer isso junto com você, o Richard, a Anne. Todo mundo, até tia Catherine! Mas ele disse que, porque ele não tinha dinheiro vocês não iriam deixar. E que nós deveríamos fugir.”
“Quem?” Ele falou mais alto do que pretendia.
“George.” A garota passou a soluçar mais ainda.
O nome bateu em sue ouvido e deixou suas pernas dormentes. Quando o homem havia jurado vingança, ele não podia imaginar que seria isso. Georgiana! Ela era inocente! Como ele poderia fazer isso com um inocente! A menina não tinha nada a ver com a história! Ele iria cuidar de Wickham. Ah! Era uma promessa! Mas agora sua irmã estava sofrendo bem na sua frente. Ignorando o mal estar que tomou conta dele a abraçou e a esperou parar de chorar. Quando ela finalmente parou ele falou.
“Querida, eu não vou te odiar por causa do seu erro. Não se preocupe.”
“Mas e Anne?...”
“Ela vai te intender, confie em mim. E tenho certeza que vai dar aquela aula que você queria.” Ele sorriu um pouco para a consolar.
“Se você acha Will…” Sua voz mostrava pouca esperança.
“Eu não acho, tenho certeza.”
“Bom, então manhã, quando George vier eu vou dizer a ele que vamos ter que nos casar da forma certa.”
“Não querida. Você não vai falar com ele, muito menos se casar.”
“Por que?” Ela disse decepcionada com irmão. “Eu o amo” Aquilo desceu queimando as orelhas dele. Justamente o que ele mais temia que fosse acontecer com ela ou Anne. Se apaixonar por alguém que só queria o dinheiro de uma das duas.
“Querida” ,ele engoliu em seco, “ele não te ama.”
“Você, não pode saber! Você não viu ele…”
“Georg,i não torne as coisa mais difíceis. Se ele realmente te amasse, teria vindo pedir sua mão para mim. Eu não poderia recusar se fosse um sentimento verdadeiro.”
“Mas…”
“Georgi que tipo de casamento seria esse? Um casamento escondido!? Não iria da certo meu anjo.”
“Você está mentindo!” Ela saiu da sala com mais lagrimas. Deixando o irmão para trás em um estado lamentável, jogado no sofá. Ele se culpava por não cuidar bem dela, contratar aquela mulher, não ter dado um fim em Wickham antes. Enfim se culpava por tudo. Com esses pensamentos ele dormiu onde estava. Até que alguém o estava balançando para fora de seu sono. Isso o estava irritando, ele queria dormir.
“Fitz, Fitz, acorde e vá dormir no seu quarto!”
“Anne!?” Ele levantou com um salto. “O que você está fazendo aqui? Deveria estar dormindo!”
“Assim como você. Eu estava indo a cozinha para um chá. Acordei a um tempo e não consegui dormir. Imagine a minha surpresa ao ver esta sala acesa e com você estirado no sofá!”
“A não!” Ele virou o rosto. “Você está com roupas de dormir.”
“Sério é só isso que te preocupa? Minha roupa!? Eu não sabia que ela te causava tanta angustia, quanto a que estava no seu rosto enquanto você dormia.”
“Anne, por favor. Agora não. Você não sabe o que eu passei.” Falou com desanimo.
“Foi tão ruim?” Ela ficou preocupada, seu primo não ficava abalado dessa forma.
“Você não faz ideia…” Ele colocou as mãos no rosto em agonia.
“Eu sinto muito foi minha culpa eu não devia ter deixado vocês sozinhos. E Giorgi praticamente implorou pra mim ficar…” Ela esfregou o braço desconfortável.”
“Não! Eu tenho que te agradecer por aquilo! O problema é a história que Georgiana me contou.”
“Eu tenho a impressão que não vou gostar.” O olhar triste de seu primo refletiu no rosto dela.
“Nunca. Georgi...Ela…” Suspirou e organizou as ideias e tomou coragem para falar. “Você se lembra o que eu te contei sobre George Wickham?”
“Sim.”
“E sobre a promessa de vingança?” Anne estremeceu mais concordou. “Podemos dizer que ele conseguiu. Ao menos parte dela.” Anne ficou pálida e sua boca abriu em um “o” que ela cobriu com as mãos. “Ele fez Georgiana se apaixonar por ele… eles pretendiam fugir.” Terminou derrotado.
O silêncio reinou por vários minutos enquanto Anne processava as informações.
“Bem como Georgi está?” Ela disse finalmente. Seus olhos molhados.
“Ficou magoada quando eu disse que não ia deixar ela ver ele de novo. Ela me odeia.” Colocou a mão no cabelo normalmente arrumado deixando um trilha de destruição para trás.
“Ela nunca iria te odiar. Ela não pode fazer isso tanto quanto eu posso.”
“Você não viu como ela saiu daqui. Ela estava… Ela não acreditava em mim.” Bagunçou o cabelo mais ainda.
“Eu também não acreditei em você sobre várias coisas. Mas quando eu vi que era verdade, admiti que você estava certo. Ela vai fazer isso também. Você se lembra quando você disse para mim não andar com os filhos dos Miller, que eles eram encrenca? Ou vez que você falou para eu não roubar do pomar sr.Gray com a Margô que eu ia acabar sendo pega? Ou Quando você disse que o Eroy só queria minha amizade por causa de interesses? Você estava certo em todos os casos, eu descobri que era verdade.”
“É diferente agora! Ela ama esse canalha! Desculpe.” Ela só levantou uma sombrancelha.
“Esse canalha só a enganou. E se ela realmente o amasse tanto assim não teria te contado sobre uma fuga secreta, era secreta não é?” Ela acenou. “Então você pode ver que a lealdade dela ainda está com você. Na América eu vi muitas mulheres e homens amando. Eu te garanto Giorgi não é um deles.”
“Eu espero realmente que você esteja certa e que ela me perdoe.”
“Ela vai te perdoar te garanto.” Anne bocejou. “O sono voltou eu deveria ir pra cama agora.”
“Antes de ir posso te pedir um favor?”
“Lógico. Não precisa nem perguntar.”
“Amanhã o…”
“Canalha?”
“É… Ele vai vir… Será que você podia enfrentar ele comigo? Eu ficaria mais relaxado. Como você é minha melhor amiga e… meus últimos encontros com ele não tem sido agradáveis...”
“Claro, eu fico. Agora…” Ela se levantou da cadeira em que estava sentada. “Eu vou voltar a dormir.” E foi até a porta mais parou. “E Fitz?...”
“Sim?”
“O que você vai fazer com a sra. Young? Ela parecia saber de alguma coisa.”
“Vou cuidar disso amanhã.” Ele suspirou, ainda tinha mais um problema nas mãos.
“Certo. Boa noite Big- Fitz.” Ela tentou sorrir.
“Boa noite Mini Anne.” Ele fez o mesmo e o seu sucesso foi igual o da Anne, uma careta.
Ele também se levantou do sofá e foi dormir ou pelo menos tentar, pois o sono não veio fácil. O sono não tinha vindo fácil para ninguém, Fitzwilliam, Georgiana e até Anne que estava muito cansada quando saiu da sala de música.Todos os pensamentos em uma só direção: wickham.
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