Querida prima Anne
33 Capítulo 30
Notas iniciais
O sr. Darcy acordou cedo, como de costume, na manhã seguinte. Ele não era muito animado, na verdade nada animado, para passar o dia com sua querida tia. Mas não conseguia dormir mais pensando sobre os habitantes de Hunsford, um em especial.
Então levantou e ainda com roupas de dormir foi ler um livro. Depois de meia hora resolveu que não aquentava mais aquela atividade e puxou a corda da campainha para o seu valet vir. Estranhou um pouco a demora para a pesada corda voltar ao seu lugar e, como parecia que não voltou ao lugar que estava antes.
Sentou para esperar o criado, que não veio.
Darcy não entendia o porquê da demora, seu valet nunca tinha demorado tando para vir ajuda- lo. Então foi até a porta e pediu a um lacaio no corredor para chamar o homem.
O criado veio e, quando interrogado, respondeu que a campainha não havia tocado. Conhecendo o servo a anos o sr. Darcy acreditou, mas não estava satisfeito.
Quase três horas depois de ter acordado o sr. Darcy finalmente estava pronto. Saiu de seu quarto para ver seu primo sair do quarto em frente, arrumando a gola do casaco com um sorriso no rosto.
“Bom dia Darcy!” Ele disse quando o viu. “Acordou um pouco tarde hoje. Será que a viagem de ontem te deixou cansado assim? Ou foi nossa tia?” Ele tinha um enorme sorriso no rosto agora.
“Não me venha com sua gracinhas Richard. Estou acordado a pelo menos três horas. O problema é que parece que a campainha de meu quarto estava estragada.”
Então o bom coronel começou a rir e logo estava gargalhando. Darcy observou que ele não parecia muito surpreso com a informação.
“Não teria sido você o responsável por isso, teria?”
“Estou ofendido, está questionando minha honra?” Seu tom não era nada ofendido. Então com falso desdém continuou. “Deve ter sido algum rato que roeu a corda. Esses quartos raramente são usados e mais raramente cuidados de forma adequada.” Balançou a mão ao ar.
“Sei…” O sr. Darcy levantou uma sobrancelha nada convencido.
“Vamos primo. Não acha que já sou um pouco grande demais para esse tipo de travessura?”
“É justamente o que penso.” Ele disse desconfiado.
“Então chega dessa história. Vamos ir comer. Sofie já deve estar descendo também.“Quero visitar Hunsford hoje e conhecer as pessoas que Lady Catherine disso que estavam lá.”
“Porque você disse que Anne deve estar descendo? Ela acorda tão cedo quanto eu. Você não…”
“Chega, você é muito desconfiado.” Não é preciso dizer quem era o mais travesso dos três na sua infância. É facilmente deduzido pelo olhar sapeca em um rosto bem humorado.
Como previsto, Anne estava começando a descer a grande escadaria quando os dois primos chegaram lá. O rosto da moça dizia que ela ainda não tinha acordado completamente.
“Sofie, parece que você despencou da cama!” Richard comentou.
“Eu sei.” Ela segurou um bocejo. “Não sei o que me aconteceu. Eu não estava tão cansada assim e quando tomei um copo de leite que minha criada trouxe, dormi e nem me lembro.”
“Sonífero Richard!?” Darcy sussurrou indignado. “Sério?” Anne não tinha suspeitado do amigo ou ouvido essa reprimenda, fosse por bondade ou por sono não se sabe.
“Você hoje acordou como pé errado Darcy!” Então foi se oferecer para acompanhar Anne a sala de café da manhã.
Assim que entraram na sala encontraram Lady Catherine já estava na ponta da mesa, com a filha ao lado. “Ora vocês acordaram muito tarde.” Ela disse. “Eu sempre digo que todos devem acordar cedo. Eu mesma posso dizer que não há um dia que eu levante depois das nove.” Duas coisas podem ser notadas aqui; por mais que parece a Lady Catherine que é cedo as nove horas, não se pode dizer que seu companheiros concordam com ela. E também que a própria Lady Catherine havia acabado de sentar quando seus hospedes chegaram. Mas ninguém fez qualquer comentário sobre esses fatos.
A verdade é que a única pessoa que realmente saiu cedo de seus aposentos foi a srta. de Bourgh, para um calmo passeio pelo jardim, sem a supervisão exagerada da sra. Jenkins e da mãe.
“Lady Stevens você não parece muito bem. Talvez tenha ficado doente. Deve ir para o seu quarto se recuperar.”
“Não se preocupe Lady Catherine, estou bem.” Anne sorriu.
“Você deve. Vou pedir para médico de Anne te examinar quando chegar.” Esse comentário quase poderia ter sido considerado amável se ela não tivesse continuado a falar. “Não posso deixar que alguém fique doente andando por Rosings, piorando a saúde de Anne!”
“É muita bondade sua se preocupar comigo, mas estou sentindo apenas um pouco de cansaço pela viagem de ontem.” Anne habilmente ignorou o insulto, acostumada com o comportamento de Lady Catherine em relação a ela. Mas não seus companheiros; srta. de Buorgh estava envergonhada, o coronel zangado e o sr. Darcy pasmo.
“Então você deve se deitar.”
“Deitar só me tornaria mais cansada. O melhor é estar ativa. Não concorda primo?” Perguntou calmamente para o sr. Darcy, que murmurou seu acordo.
Por mais que Lady Catherine gostaria de insistir que Lady Stevens ficasse em seu quarto, mesmo ela sabia que seria rude continuar aquela conversa, então perguntou quais eram os planos que tinham para o dia de hoje.
“Ontem Darcy, Sofie eu concordamos em ir a cavalo até o presbitério fazer uma visita.”
“A cavalo? É extremamente inadequado! Uma moça não deve andar a cavalo!”
“A senhora deve saber Lady Catherine que existe uma sela própria para senhoras.” Anne sorriu levemente antes de tomar um pouco de uma bebida.
“É claro que conheço garota impertinente!” Ela havia tentado ser simpática com a menina, mas não aguentava mais provocações. “Eu me refiro a velocidade. Homens sempre andam em uma velocidade maior do que as mulheres podem cavalgar.”
“Posso garantir Lady Catherine, seus sobrinhos não poderiam andar a uma velocidade que eu não posso.”
O coronel engasgou neste momento, em uma tentativa de rir e mastigar ao mesmo tempo. Lógicamente Lady Catherine não se agradou.
“Fitzwilliam, não quero você fazendo uma bagunça na minha mesa! Na minha casa as boas maneiras são muito observadas e devem ser praticadas! Contenha- se.”
“Sim Lady Catherine.” Ele disse depois do seu ataque de tosse. “Não vou mais engasgar.”
Felizmente esse foi o último comentário impertinente de Anne. Também foi a última tentativa de Lady Catherine a separar dos outros.
~~
Os cavalos estavam prontos para a partida, e como a distância até Hunsford era muito curta para ir a cavalo resolveram dar um pequeno passeio. Naturalmente, com todos sendo jóqueis habilidosos, logo estavam correndo. Anne, para o desgosto de Fitz novamente ignorou a sela.
Naturalmente traveso, Richard bateu disfarçadamente com o chicote no cavalo da Fitz, que empinou um pouco, mas foi controlado pelo seu jóquei.
“Você ficou louco!?” Darcy gritou. “Eu podia ter levado uma séria queda!”
“Ora Darcy, todos nós sabemos que vocês tem enorme controle sobre seu cavalo.” Após uma risadinha do coronel uma nova corrida começou. Darcy corria atrás do coronel e Anne ia logo atrás deles, feliz em sentir o gosto da liberdade, liberdade de estar livre das muitas regras da sociedade, mesmo que apenas por alguns minutos.
Logo eles lembraram que os cavalos podiam se cansar e terminaram a corrida com risos verdadeiro e contentes. Com as horas passando eles tiveram que caminhar até o presbitério para que não chegassem em uma hora inconveniente para visitas.
A visita se tornou agradável logo que chegaram a casa. O sr. Darcy estava internamente muito contente de rever a srta. Elizabeth, Anne ficou agradavelmente surpresa de ver que a srta. Bennet em Kent era sua querida amiga, e, o coronel foi feliz em descobrir companhia tão agradável para passar o tempo, mesmo que só de pensar no sr. Collins ele tinha que reprimir uma careta.
A conversa foi muito agradável, mesmo que nem todos contribuíram muito. E o coronel, sabendo que aquela moça podia ser a mulher por quem o primo estava se apaixonando, não podia deixar de provocar o pobre homem. E claro que, sem ser mal educado.
“Sofie me disse que você toca piano muito bem srta. Bennet.” Se alguém achou que o tratamento informal era estranho ninguém comentou, na verdade é certo que logo perdoaram, pois Anne havia crescido com o coronel como um de seus companheiros. O que era realmente intrigante era o fato de ele a chamar de Sofie.
“Oh coronel, eu não diria muito bem.”
“Se Sofie a elogiou é verdade. Um Darcy não mente.” Ele sorriu olhando para o primo, lembrando o lema da família Darcy. “E se mente mente muito mal.”
“E quanto aos Fitzwilliam?” Srta. Bennet provocou. E o sorriso fantasma apareceu no rosto do sr. Darcy, conforme ela se defendia.
“Me pegou madame. Mas em minha defesa posso dizer, que, estando acompanhado por dois membros desta ilustre família,digo que eles não me deixariam mentir.”
“Sim, coronel eu toco piano. Mas não sou excepcional.” Ela admitiu essa derrota, algo no olhar do coronel dizia que se não o fizesse logo ele iria torcer sua palavras e ganhar o debate.
“E Sofie me disse também que Darcy tocou para o publico. Isso é muito estranho da parte dele.” Lógico que o coronel falou enquanto o primo calmamente tomava chá, logo ele ouviu uma tosse baixa vindo de seu companheiro. Então todos perceberam que o bom coronel estava a provocar o primo. “Céus Darcy! Você está bem?” Disse com falsa preocupação.
“Sim, Fitzwilliam. Agradeço pela preocupação.” Disse com um pouco de raiva na voz.
“Na verdade o sr. Darcy não tocou realmente para o publico. Aquilo não era realmente uma apresentação, era mais um ensaio, que Anne o forçou a participar.”
“Ora veja, seu lema também é sempre dizer a verdade? Daria um ótimo Darcy srta. Bennet.” Nesse o sr. Darcy ficou um pouco vermelho, mas achando que a provação finalmente havia passado pôs um biscoito na boca. Quando o coronel quase gritou. “Vocês deveriam vê- lo cantar! A voz dele é melhor que a de muitos cantores profissionais! Quando vocês forem a Rosings vou insistir que a senhorita e ele façam dupla e cantem um dueto, srta. Bennet.” No começo deste discurso o sr. Darcy fico pálido, depois vermelho de constrangimento e por ter engasgado com o miserável biscoito.
“Darcy hoje você não está bem. Talvez o certo seria voltar e pedir que o médico de Anne te examinar quando chegar.” Disse citando a tia.
“Não estou bem.” Ele tomou um gole de chá tentando fazer o ataque parar, com a raiva disfarçada, mas não para enganar seus primos. “Estou bem, apenas um pouco engasgado.” Depois disso houve paz para o sr. Darcy.
Após mais alguns minutos a visita estava terminada. O resto do dia o sr. Darcy e o Coronel vão caçar deixando Lady Catherine e as duas moças juntas. Por sorte as duas Anne’s se dão bem e quando Lady Catherine resolve tirar um cochilo a tarde passam horas agradáveis conversando.
~~
A noite, depois que as mulheres já haviam ido deitar, os dois rapazes foram para a antiga biblioteca, tomar uma bebida e conversar.
“Darcy, hoje foi o melhor dia que eu tive em anos.” Richard sentou preguiçosamente e m uma poltrona.
“É claro que você vai dizer isso!” Darcy bufou. “Passou o dia me incomodando, e quando não a mim a Lady Catherine.”
“E não consigo me decidir o que foi mais divertido!” O coronel riu.
“Você nunca vai mudar não é Richard?” Darcy sorriu. “É um milagre que seja considerado um bom soldado.”
“Não sou apenas um bom soldado, sou também um ótimo estrategista.” Disse com orgulho, apesar de todos os problemas que havia no ramo, ele gostava muito da sua profissão.
“Sim isso eu admito que é.” Quando crianças o Richard Fitzwilliam mostrou um grande talento para fazer travessuras e raramente ser descoberto. Isso era apenas uma indicação de seu talento para estratégias em geral. Já havia ganhado algumas honras por isso. “Um bom estrategista que não trata nada a sério.”
“Aí que você se engana. Eu posso não levar momentos sério a sério, mas assuntos sérios são outra coisa.” Ele falou sem um pitada de humor.
“Vou tentar acreditar em você.”
“Sim, vai.” Então ficaram em silêncio por um tempo “Falando em seriedade tem algo que preciso ter dizer.”
“Diga, homem.” Ele levou o copo a boca esquecendo do perigo de fazer isso quando seu primo falava.
“Pretendo cortejar Sofie.” Disse o coronel, sem humor ou zombaria, mas não perdendo o momento.
“O quê!?” Darcy disse depois de ter cuspido o líquido que havia estado em sua boca. “Você só pode estar brincando!”
Fale com o autor