Querida Londres
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu estava infeliz. Cortava meus pulsos como uma rotina diária. Prometia todos os dias à mim mesma que iria parar, mas era um vício, uma rotina, eu não conseguia parar. Pedia desculpas a Deus, dizia que iria parar, mas eu não cumpria, e me sentia magoada. Eu era gorda, feia, descabelada, pelo que as pessoas diziam. Me deixava levar muito facilmente pelas opiniões alheias, e eu não conseguia parar pra pensar que eu podia sim gostar de mim. Gostava muito de 1D, One direction, for. Meu desejo era conhecê-los e passar um tempo com eles, poder provar para todos que eu realizaria meu sonho de qualquer forma, e que eu não era uma sem sorte. Havia me inscrito num concurso faziam alguns meses e eu esperava o resultado. Embora aquilo me trouxesse forças para parar de me cortar e vomitar(é, infelizmente), eu esquecia aquilo por completo e quando me deparava com algo cortante, eu me preparava para a dor. O telefone tocava incansavelmente e eu temia em atender. Sabia que se fosse minha mãe, ela me mataria. Matar aula era uma coisa que eu estava adicionando á minha rotina. Resolvi colocar a secretária eletrônica e para minha surpresa, uma mensagem aparecera. "Você venceu... Você venceu o concurso para conhecer a banda 1D, está feliz? Venha! Nos ligue de volta para saber mais e parabéns. Acreditamos que você está bastante feliz. Boa tarde" Eu estava ofegante e com toda certeza do mundo estava morrendo no sofá.
- Isso é impossível! Não!
Annye estava em casa... Bem, eu torcia para isso. Ela estava doente e eu acreditava que ela estava péssima a ponto de faltar aula.
- Annye, atende...- desejei.
- Anny? Amiga?
- Alô? Clair? O que foi, amiga? Aconteceu algo? Fala, please.
- Aonteceu, aconteceu sim!.- gritei.- Algo incrível na minha vida!
- O quê?
- EU ganhei aquele concurso do encontro do 1D.- falei. respirei fundo ou então, morreria sem ar.
- Clair, não brinca comigo!- ela pareceu cair.- Você tá falando sério?
- Super sério!- respondi.
- Parabéns pra você, amiga.- ela disse triste.- Muitas felicidades aí em Londres e que você se divirta.
- Você ficou triste? Não fica assim! Um dia vai poder vê-los, ok? Eu trago lembrançinhas pra ti, fotos, autógrafos...
- Jura?- perguntou Annye.- Faria isso por mim, amiga?
- É claro que faria!- falei.- Se eu não fosse sua amiga, não faria, mas amigos fazem tudo pelos outros, concorda? Deixa de bobeira e depois conversamos melhor.
- Faz o seguinte... Vem aqui pra casa, nós precisamos conversar, tá?
Eu apenas assenti e desliguei o telefone.
...
Tocava a campainha anciosa, BEM anciosa. Annye atendeu e me abraçou.
- Amiga! Tô muito feliz por você, sabia? Aproveita bastante, tá? Falou com a sua mãe?- ela perguntou.
- E você acha que eu falaria com ela no horário da escola? Faltei por que...- apontei para o meu braço e depois para a minha barriga.
- Ai, Clair... Sabe que a opinião dos outros não vai mudar você, não sabe?
- Sei, claro que sei.- falei sumindo com o pouco sorriso que existia na minha cara.- Mas ainda sim eu não consigo viver muito com esse bullyng, sabe? Dói ter que conviver com gente idiota e...
- ... E invejosa, né, Senhorita Clair?- ela pressionou minha frase.
- É, claro.- falei.- Com toda certeza, um bando de invejosos!
- Assim não dá! Você precisa se auto ajudar, porque assim fica difícil.- ela falou.- Com esses comentários irônicos e sem confiança, você não vai parar de fazer isso nunca.
Ela havia me dado uma parada, me fez entender melhor o que eu devia fazer realmente. Aquilo era amiga.
O tempo passou e eu fui para casa no tempo certo, e arrumei uma explicação para minha mãe, por não estar de uniforme e nem com a mochila.
- Mãe... Ganhei um concurso para conhecer o 1D, posso ir à Londres?- perguntei atônita.
- Oi?- ela perguntou confusa.- Como assim, querida? O que é 1D?
Eu bufei. Ela conhecia, talvez estivesse se fazendo de boba.
- Mãe!- reclamei.
- Tá bem, tá bem. É uma banda...
- Você deixa?- perguntei e fiz uma carinha de dar dó.
- Clair, não...- ela murmurou.
- Mãe!- reclamei novamente.- Sabe o quanto esperei isso em toda a minha vida e ainda fala isso? Ah, não! É muita sacanagem pra uma adolescente só.
- Tudo bem! Eu deixo! Desde que você seja educada, respeite eles e me explique bem melhor isso.
Eu sorri. Só faltava chorar e agradecer incansavelmente pelo "sim". A beijei na testa e fui tomar um banho, sofrendo de dor no pulso, claro, mas consegui.
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