Querida Amélia
1 Para Amélia
Querida Amélia,
você uma vez me disse que adorava manhãs nubladas. Eis que me encontro numa, e você estava certa, a sensação é adorável. Fiquei de lhe escrever, sinto muito. Estive ocupado nesses últimos dias à procura da inspiração que me faltava para isso. Acontece que, depois de tanto tempo sem ouvir tua suave voz, perdi um pouco de mim mesmo — se é que isso é possível — e parei de escrever. Mas agora tenho motivos à faze-lo: A dor, jovem menina. Aquele tipo de dor que somente poetas sentem; que somente gente de nossa láia conhece. Senti que precisava ouvir um pouco dos teus concelhos, tuas idéias erronias sobre o amor, e francamente, bateu saudade de teus abraços reconfortantes. Lembra de quando aquele velho bêbado nos disse que sem um pouco de tristeza uma poesia não faz sentido? Creio que ele estava certo, sabe? E não só a poesia mas também o poeta, afinal, qual mar que nunca afundou um barco? Éramos tão felizes. Quem ousou tirar isso da gente?
– Com amor.
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