Querido amigo,

Não posso esconder que senti falta das suas cartas. Não acho que lhe faltou inspiração: faltou vontade. Por que, conhecendo o bom escritor que você se tornou ao longo desses anos, posso dizer que você tira inspiração até de uma pedra. Mas entendo e não vou condena-lo, já que escrever – admito — nem sempre é uma atividade agradável, mais ainda quando não se sabe como expressar o que realmente está sentindo. Você larga a caneta e sente ainda mais incompleto do que antes. Já que gosta tanto de meus conselhos errôneos, aqui vai o da vez: acalme seu coração, jovem rapaz. O sangue que corre em suas veias é muito novo para ser tão pesado, tão doloroso. Dance, cante, escute aquelas músicas com cheiros de bons momentos. Sabe quando você no meio do nada, escuta umas vozes, mesmo sem ninguém por perto? é o vento ,amigo, é o vento te contando histórias e segredos pare para ouvi-los. Te dirão as mais puras verdades e mais fantásticas fábulas .Somos os escolhidos. Somos capazes. E por isso digo que ainda sim, somos felizes, caro rapaz.

– com amor, Amélia.