Quem somos nós? Nós somos super-heróis!
8 Life is old there - parte final
Taylor olhava para a tela de um computador. Ele estava em uma estrutura feita de metal dentro das áreas de seu ferro velho. Era um local amplo e, no centro, havia um grande círculo de metal no chão. Muitos metros abaixo daquele círculo se encontrava algo realmente poderoso, algo que Taylor sabia que tinha que proteger dos outros.
Ele media os níveis de radiação desse objeto pelo computador e via que tudo estava indo bem. Saiu do local e foi tomar um refrigerante.
Olhou ao redor e esperou por Mary. Fazia dois dias desde que ele fora jantar na casa dela e ontem a garota não havia aparecido. Pensou se algo havia acontecido.
Após beber o refrigerante, Taylor entrou em seu carro e o ligou. Tinha que passar na cidade e a viagem levaria algumas horas. Pensou em passar na casa dos Williams antes e foi isso que fez.
Enquanto dirigia, o jovem ligou o rádio e a música que seu falecido pai amava escutar começou a tocar. Taylor deu um sorriso e escutou a música enquanto seguia viagem.
Visualizou a casa dos Williams ao longe e não entendeu porque o pai de Mary não estava trabalhando nas plantações.
Estacionou o carro bem próximo e bateu na porta. Mary atendeu e Taylor logo viu que a garota parecia não ter dormido. Seus olhos estavam pesados e ela tinha uma expressão de preocupada que tentou esconder na hora em que o viu.
—Oi, Taylor. — ela saiu da casa e fechou a porta.
—Oi. Algum problema, Mary? — a moça olhou para baixo e acenou a cabeça, negando. -Tem certeza? — insistiu Taylor.
—Sim. Não se preocupe.
—Os senhores Williams estão aí? — perguntou, interessado.
—Não... Eles... Eles foram para a cidade comprar algumas coisas. — disse Mary.
—Sério? Estou indo lá agora. Quer vir comigo? Acho que poderemos esbarrar com eles. — Mary fez uma expressão de surpresa ao ouvir que Taylor iria para a cidade.
—Ah... Eu até aceitaria. Mas não posso deixar a casa sozinha aqui.
Taylor percebeu que ela não iria, mas também percebeu que Mary escondia algo e isso o deixou preocupado durante a viagem para a cidade.
A passagem pela cidade foi rápida. Taylor apenas comprou algumas coisas e voltou para seu ferro velho.
Chegou ao anoitecer e foi direto para dentro da estrutura de metal. Taylor pegou os fios que havia comprado e começou a trabalhar a noite toda. Quando terminou, já havia amanhecido e o moço foi dormir em sua casa.
***
Taylor sentiu alguém sacudindo seu corpo para acordá-lo. Abriu os olhos, ainda sonolento, e viu Mary. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.
—O que foi, Mary? — disse, levantando em desespero.
—Meu... Meu pai. E-Eles... — a garota não conseguia falar direito.
—Calma. Respira e me fale direito. O que houve com seu pai.
—Os Milton. Eles levaram meu pai há dois dias e agora estão ameaçando matá-lo. — a garota desabou em chorar.
—Por que não me disse isso ontem? — perguntou Taylor, mas entendeu que a garota devia ter seus motivos.
Ele segurou a garota pela mão e a levou para dentro de seu carro. Dirigindo até a casa dos pais de Mary, Taylor instruiu a garota a pegar a sua mãe e irem para o ferro velho enquanto ele iria resolver essa situação.
Chegando na casa, a mãe de Mary essas taça mais desesperada que a menina. As duas entraram no carro e fizeram como Taylor havia instruído.
Ele acompanhou o carro com os olhos enquanto ele ia embora e, quando já estava distante o suficiente, Taylor entrou dentro da casa dos Williams, pegou a espingarda de James Williams e foi correndo até a fazenda dos Milton.
Taylor viu Benny Milton sentado na escada da entrada da casa.
—Sabe que a gente não tá mais no faroeste, né? Vocês não podem sair sequestrando as pessoas como se estivessemos em uma terra sem lei. — Taylor segurou a espingarda. Benny deu uma risada e mostrou o revólver em sua cintura.
—Vai embora; Smith. Isso não é assunto seu.
—Devolvam ele, por favor.
—Vaí fazer o que? Chamar a polícia? Atirar? Você não sabe usar uma arma. — Benny deu uma risada de deboche. Taylor concordou com a fala do moço e colocou a espingarda no chão.
—Tem razão. Não sei usar uma dessas... Mas acho que nem será necessário.
—Ah é? Veremos. — Benny levantou e deu um grito, chamando pelo seu pai. Um senhor barbudo e forte saiu da casa segurando uma espingarda.
—O Smith? Sabia que ele viria. — disse o sr. Milton. — Mas isso não é seu assunto, entende? O James nos deve dinheiro.
—Eu fiquei sabendo que ele já pagou essa dívida e está sendo cobrado por juros injustos.
—Vá embora, Smith. Ou vai sair daqui com com chumbo. — exclamou Benny.
—Só sairei daqui com o senhor Williams. — após essas palavras de Taylor, os dois deram uma risada e atiraram. Taylor fez um movimento com as mãos e correntes elétricas saíram do chão para as balas. Estando com cargas diferentes, as balas forem fortemente atraídas para o chão.
Os dois Milton se assustaram com aquilo, mas antes que pudessem dizer algo, foram eletrocutados até caírem no chão, quase desmaiando. Taylor caminhou até Benny.
—Aonde está James Williams? -perguntou. O jovem apontou para o celeiro com dificuldades. -Acho bom que se lembrem de nunca mais mexerem com eles, ok?
***
Taylor levou James para a casa e ligou para a sua esposa e filha, avisando que já podiam voltar. Quando voltaram, as duas ficaram surpresas com o fato de Taylor ter conseguido resgatá-lo de volta. Taylor apenas disse que conversou com os Milton e que eles nunca mais fariam algo.
O jovem voltou para seu ferro velho e foi ver os níveis de radiação do objeto que estava protegendo. Quando ligou o computador, ele tomou um susto. Os níveis estavam três vezes maiores. Ele olhou para o círculo de metal que servia como alçapão e logo foi até ele, abrindo-o ao apertar um botão.
Ao abrir, ele sentiu que a energia liberada por aquele objeto realmente havia ficado maior. Estava tão forte que deixou o clima pesado e Taylor logo fechou novamente aquele alçapão de metal.
Nos dias seguintes, os níveis de energia apenas aumentavam. Taylor tentou melhorar a estrutura que continha a radiação, mas nada adiantou.
***
Uma semana se passou desde que os níveis de energia começaram a subir. Taylor estava no ferro velho, olhando o horizonte. Já havia quebrado tanto a cabeça para resolver aquele problema que já estava pensando em desistir.
—Oi, Taylor. — soou uma voz familiar logo atrás de si. Taylor se assustou pois, desde que os níveis de energia naquele lugar haviam aumentado, ele sugeriu que Mary não fosse mais para lá. Não poderia ser ela e ele sabia que não era ela... O que mais assustou foi reconhecer a voz.
Ele olhou para trás e viu a pessoa que, no passado, fora seu amigo. Era John.
O corpo estava desfigurado e com partes de metal, mas era John. Taylor ficou sem palavras.
—Pensei... — tentou dizer, mas não conseguiu completar a frase. Seu coração batia rápido. Ele buscava, em suas lembranças, qualquer vestígio de que John pudesse ter sobrevivido. "Não", pensou, "Não é possível. Eu vi a explosão".
—Pensou que eu estivesse morto, é? — disse John, olhando para o antigo colega. -Foi o que meu pai também disse... Mas não estou aqui por isso. Eu quero a esfera que você tanto protege.
Se a presença de John já havia deixado-o perplexo, o fato de John saber sobre a esfera o deixou mais ainda. Como poderia saber? Ninguém, além de seu falecido pai, sabia.
—Como...-
—Como eu sei? — disse John, sorrindo. -Não é algo que eu vou contar para você. Apenas me dê a esfera e eu não te matarei. — John disse. O jeito que seu antigo amigo falava deixou Taylor mais abismado. Tantas perguntas surgiam em sua cabeça que sua boca não conseguia dizer nada.
Taylor respirou profundamente e se acalmou, tentando manter a razão.
—John... O que houve?
—John não é mais meu nome... E eu não tenho tempo para isso... — disse, olhando para a estrutura de metal. — Deve estar ali. — John caminhou naquela direção e Taylor logo percebeu que deveria agir. Ele correu até o Vulcano e segurou seu ombro.
—Você não pode pegar aquilo. É um objeto com poderes... — Taylor foi interrompido por uma rajada de fogo que o atingiu e o jogou para longe. John havia atacado. Ele logo percebeu que teria de lutar. John olhou para ele.
—Não encoste em mim, seu "heroizinho" imundo. — após ouvir isso, Taylor se levantou.
—Não entendo o que houve contigo... Mas sei que ela teria muito desgosto dessa pessoa que você se tornou. — ao escutar essas palavras saindo da boca de Taylor, John se enfureceu. Sabia a quem Taylor se referiu quando disse "ela".
John lançou uma grande rajada de chamas de sua mão. Taylor se esquivou por pouco e correu na direção do antigo colega. Ele carregou uma de suas mãos com eletricidade e deu um forte soco, jogando John para longe.
—Não precisa ser assim, John. — disse.
—Meu nome... — John se levantou e usou as suas mãos para lançar chamas e impulsioná-lo na direção de Taylor. Quando chegou perto, ele deu um chute no rosto do jovem, que foi jogado para longe. Taylor sentiu a dor do chute em seu queixo e olhou para John. -...não é John. John morreu há três anos. John é ao um vestígio do meu passado. Agora eu me chamo de Vulcano.
—Certo, "Vulcano"... Vamos resolver isso. — Taylor se levantou e correu na direção de Vulcano. Ele também correu na direção de Taylor, as mãos em chamas. Os dois deram o soco, e uma explosão de fogo e eletricidade ofuscou a visão de ambos.
Taylor sentiu algo segurando a sua mão. O que quer que fosse, fez ele saber que não havia acertado o soco.
—Nariel? — soou a voz de John. Taylor abriu os olhos ao ouvir isso. Nariel estava segurando ambas as mãos. Taylor olhou para seu outro antigo colega e ficou mais confuso.
—Ah... Olá, pessoal. — disse Nariel, sem expressões em seu rosto. -Sei que não venho pra cá há algum tempo, mas só passei pra pegar algo.
Nariel soltou as mãos dos dois e apontou sua palma direita na direção da estrutura de ferro. Logo, a esfera que Taylor tanto protegia e que John estava a procura voou em sua direção. Nariel segurou o objeto e o olhou. Nesse momento, Taylor percebeu que a radiação havia sumido.
—Acho que é isso mesmo. Já vou indo.
—Vai fugir como fez daquela vez, Nariel? — disse Vulcano. Nariel olhou para John.
—Ah... É verdade. Acho que eu deveria comer um hambúrguer antes e falar com o Carl... Mas eu tô em missão, sabe? — ele mostrou a esfera.
—Nariel, não está percebendo o que está acontecendo aqui? — perguntou Taylor. Nariel olhou para ambos e para o ambiente.
—Infelizmente a minha total falta de interesse nesse assunto me impede de perceber.
—Estávamos lutando. John quer pegar a esfera.
—Ah tá. — Nariel respirou profundamente. — Explicado. Mas não posso te dar isso, John.
—Você fugiu, Nariel. Deixou o Destruidor matar muitas pessoas. — a voz de Vulcano soou em fúria.
—Eu não fugi. É uma história longa.
—Isso não importa! Me dê a esfera. — disse John.
—Já disse que não posso. — Nariel olhou para John. Vulcano fez uma expressão de desprezo e se aproximou de Nariel.
—Sabe quem derrotou o Destruidor? Eu! Eu salvei esse mundo. Acha mesmo que não sou capaz de derrotá-lo? — as mãos de Vulcano ficaram em chamas.
—Ah... Você tá querendo lutar comigo? — Nariel olhou de John para a esfera. — Eu não posso. Tenho que levar isso logo.
John, cansado desse desinteresse que Nariel sempre demonstrava, deu um soco no perpétuo. Ao dar o soco, a sua mão foi fonte de uma grande explosão de chamas. O local ficou muito quente e John pode ouvir o barulho de água evaporando.
Após o vapor começar a abaixar, John viu que Nariel continuava parado, sem expressão, olhando para ele. O vilão ficou boquiaberto.
—O que? Como...? Como você não se feriu?
—Ah... É que seu soco é muito fraco. — Nariel olhou para cima. — Ou sou eu que sou muito forte? Tanto faz. Mas essa explosão teria ferido o Taylor gravemente, por isso nos teleportei para cá. — quando Nariel disse isso, John olhou ao redor. Não estavam mais no ferro velho. Estavam em um local muito frio, com neve por todo o horizonte. A explosão de chamas feito por John havia feito um círculo ao redor deles, por ter derretido a neve. -Groelândia. Foi o primeiro lugar que me veio a mente. Enfim, Tchau. — Nariel desapareceu, levando a esfera consigo.
***
Taylor viu Nariel e John sumirem na sua frente e continuou parado, olhando para o local que outrora estivera dois de seus antigos colegas. Por que Nariel havia levado a esfera? Como ele sabia? Como John sabia?
Taylor respirou profundamente. Não sabia quais eram os planos de Vulcano; mas tinha a certeza que possuir a esfera não era seu verdadeiro objetivo. Sabia que John queria a esfera apenas para ajudá-lo a ter poder para seu verdadeiro plano.
Tivera a sorte de Nariel aparecer para dar um fim naquela luta, mas isso não aconteceria de novo. Se quisesse estar preparado, deveria ir atrás do único dos seus antigos colegas que não havia visto hoje.
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