Quem realmente é Delírio?

1 Capítulo I- Delírio ou Deleite?


Notas iniciais
Espero que gostem. Esse é apenas minha ideia de porque Deleite se tornou Delírio, então não exatamente verossímil, é apenas a reflexão de alguém que quer tentar entender a loucura de Delírio...

Nem sempre fui Delírio. Antes eu era Deleite, mas Deleite eu não sou mais. Agora sou Delírio. Mas por que Delírio me tornei? Essa lembrança dói. Dói muito. Não sou mais Deleite, mas um dia fui, agora sou Delírio. Mas, quem realmente é Delírio?

Eu sou Delírio, a mais nova dos Perpétuos. Delírio que um dia se chamou Deleite. Ao contrário, nem todo mundo delira. Mas todo mundo destina, morre, sonha, destrói, desespera e deseja. Mas não, nem todo mundo delira. Mas eu sou Delírio.

A loucura delira, disso eu sei.

As pessoas ainda deleitam? Desde que deixei de ser Deleite eu não sei, mas me pergunto isso todo dia. E você, quem é? Porque eu sou Delírio! Não sou como Destino, ou Morte ou Sonho, eles sim conhecem todo mundo, e todo mundo os conhece. Mas eu não. Então, quem é você?

Isso não importa exatamente, o que importa é como me tornei Delírio. Peço que não se irrite, é difícil eu me concentrar quando estou delirando. E, bem, como delírio eu deliro muito!

Vou me concentrar. Me concentrar como quando Deleite fazia. Fechar os olhos e suspirar, e contar. Fechar o olho azul e o olho verde e contar. Mas contar até quando? Não sei, você sabe? Eu não. Alguém, afinal, sabe até quando devo contar?

Ninguém sabe... assim como não amam a Morte, não gostam de Delírio... sou ruim, por acaso?

Não, sou boa. Assim como Morte. Morte é minha irmã mais velha. Você tem irmãos? Eu tenho mais cinco, além de Morte. Olha, contei cinco!

Meus irmãos? Bom, eles são Destino- ele é um pouco mal-humorado. Morte –ela é muito divertida, e um dia você terá o prazer de revê-la. Sonho- ele é estranho. Destruição- um pouquinho impulsivo, sabe? Desejo- é divertido(a), mas não sei se é irmã ou irmão... Desespero- ela é deprê. E aí, depois de todos eles, vem eu: antes Deleite, agora Delírio.

Dizem que sou louca, mas eu gosto de pensar que eu sou eu. E eu, como disse antes, sou Delírio.

Me perguntaram: Por que não mais Deleite? E eu respondi: Por que não mais ingênuo?

Nem mesmo Destino –que é destinado a saber de tudo –sabe o porquê deu ter me tornado Delírio e abandonado Deleite há tanto tempo. Só coloque isso em sua cabecinha: Deleite morreu e Delírio nasceu, assim como humanos morrem e humanos nascem.

Mas, ainda essa pergunta não quer calar, não? É, essa pergunta mesmo: por que Delírio? Porque delirar, enlouquecer, desvairar, etc, são coisas que se faz quando se nota que o mundo não é mais ingênuo. Que não é mais bom. Que não tem mais pureza e sim violência e dor... sofrimento.

A loucura é um refúgio, meu refúgio. E nele é bom de se viver. Meu reino, e só meu. Assim como Morpheus tem Sonhar, Morte tem As terras sem sol. É, é assim que eu tenho a Loucura: um refúgio para me livrar do mal do mundo. E o mal do mundo é a humanidade e sua crueldade.

Mesmo Deleite estando morta, ela ainda vive, entende? Bom, ela ainda vive porque Morte não veio busca-la, e ela ainda palpita dentro de mim. Por isso, quem sabe eu volte a ser Deleite e me permita me deleitar com a humanidade? Me aproveitar de sua recém redescoberta ingenuidade? Quando, quem sabe, tudo retornar quando era antes do agora? É, aí eu poderei voltar a ser Deleite...

Está confuso, não? Mas, claro, eu sou a rainha da confusão! Quem é bom em explicar é Sonho. Não eu, eu sou boa em complicar! Eu complico tudo! Morte também é boa em explicar, já que ela explica tudo. Oh, não, eu não posso te dizer o que esse tudo significa. Só vai descobrir quando ela escrever: O segredo da Morte. Ela é boa em explicar e tudo vai te explicar.

Oh, o deixei curioso? Mas, não, essa história é sobre Deleite ou Delírio, ou nós duas, se quiser assim enxergar!

Falando em enxergar, você enxerga o motivo deu não ser mais Deleite? Não? É, não...

Bem, tudo mudou e eu também tinha de mudar, não é verdade? Oh, sim, essa frase é verossímil... é assim mesmo que se escreve? Verossímil... que palavra verdadeira. Integra até. Porém (e note que quase tudo tem um porém ) pode-se dizer que nada é verossímil. Tudo é um delírio, e por isso me tornei Delírio.

Eu quis escapar de uma realidade caótica e estranha. Eu me tornei Delírio para fugir da humanidade, e para que poucos humanos não fujam de mim. Só aqueles que também não queiram abraçar a realidade e realmente quiserem algo irreal, algo imaginário, vem até mim. E que venham até mim quem precisa sonhar sem ser um sonho. Viver sem precisar de motivos. Escapar daquela que lhe oprime: a realidade.

Antes isso: cair no Delírio (ou na loucura, ou do que você quiser me chamar) do que adiantar o trabalho de minha irmã, Morte, e se matar... ela fica tão triste quando alguém tira o que ela lhe deu... e ela lhe deu a vida para viver!

Mas, bem, essa história é sobre mim, Deleite ou Delírio ou “D- O- QUE-VOCÊ- QUISER- QUE- SEJA”.

E por que eu surgi? O porquê eu não sei, só sei que foi assim...:

Eu renasci da vontade de não ver o que está diante dos seus olhos. Nasci da incompreensão desses males criados e sofridos por vocês, meros humanos. Eu nasci para salvar vocês de uma tristeza tamanha que impossibilitariam vocês de sonharem. De irem para o reino de meu irmão e se sentirem em paz com ele. Se eu não me tornasse Delírio, vocês só teriam pesadelos. Morte reveria pessoas antes do tempo e Destino estaria certo em ser pessimista.

Sem Delírio, sem loucura, sem mim, vocês não teriam mais esperança. Ou teriam, eu não faço ideia de como seria se eu não me tornasse eu e continuasse sendo ela. O mundo ainda seria mundo? Será que Deleite faz falta? Eu não sei, mas espero que sim, porque se Deleite faz falta, um dia voltarei a ser Deleite. E eu gostava de ser Deleite.

Mas, eu gosto mais de ser Delírio.

Hei, você, por que não gosta de mim? Da Delírio? Por que prefere Deleite?

Hei, saiba que foi por causa da Humanidade que Deleite morreu e Delírio nasceu. E só por causa dela... só dela e de sua perda de ingenuidade.

Tem como ganhar de volta a ingenuidade? Bem, você se pergunta isso, afinal quer Deleite de volta. Mas isso terá de perguntar a Destino, pois eu não sei de muita coisa, e as coisas que eu sei não são bem reais. Não são palpáveis, não são cruéis. As coisas das quais eu sei são coloridas e engraçadas. São delírios. Pois eu sou Delírio. E você? Quem é?

Notas finais
O segredo da Morte será a próxima história de Sandman que eu vou postar. Beijos e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!