Notas iniciais
Eu estava lendo esta fic interativa de uma amiga e comecei a pensar em como seria a história solo da minha personagem, e acabei tendo tantas ideias que pensei "hey, até da para escrever uma fanfic a parte com isso", acho que levei o pensamento aleatório muito a sério, mas enfim, eu espero que vocês gostem.

Paredes brancas e minha cabeça dói, mas não sinto nenhum músculo. Ouço alguém cair do outro lado da sala, levanto o olhar lentamente porque vinha visão era tudo que indicava que o havia feito. O outro garoto correu até mim e segurou minha cabeça em seus braços, seus olhos perguntando se eu estava bem. Segurei suas mãos para dizer que ia sobreviver.

Nós estávamos naquele mundo desde que nossa memória nos permitia ver. Nunca havíamos visto ninguém além de nossos falecidos “irmãos” e nunca se importaram em nos dirigir uma palavra por isso, nós também não falávamos um com o outro, nós não conseguimos falar. Literalmente, não sabemos fazer isso. Somos a única família um do outro e ao mesmo tempo, estamos sempre pensando quem será o próximo a morrer, e achamos egoísta querer ser essa pessoa. Não queremos ficar sozinhos. Tínhamos 10 anos de vida e nenhuma esperança.

Minha visão escurece, e a última coisa que vejo antes de adormecer é uma lagrima teimosa correndo pelo rosto do meu irmão.

Acordei com luvas de plástico me agarrando. Fico alerta rapidamente enquanto um homem adulto me arrasta para outra sala.

O acompanho sem oferecer muita resistência. Ao chegar no quarto, olho nervosamente para a cama branca. Ela tinha amarras para que serviriam para nos manter imóveis, mas elas eram usadas apenas em casos de espasmos musculares. Não tínhamos nenhum lugar para fugir.

E de fato, quando eu me deitei na mesa senti como se visse um filme novamente, ele era aterrorizante que eu o assistia o tempo todo desde que nasci, apenas esperando que a morte me notasse e viesse me buscar através dele. Obviamente, não havia tido sorte.

A agulha espeta meu braço e eu sinto tontura. Minha visão escurece novamente, mas dessa vez não pelo descanso benéfico, sim o sono sem sonhos induzido por remédios. Ou pelo menos, foi o que eu pensei.

O que eu vi não eram sonhos, de alguma maneira, eu sabia que estava vendo lembranças que havia perdido muito tempo antes. Na mais antiga delas, acordava com uma luz forte contra os olhos, meus braços eram azulados e um pouco gordinhos, diferentemente dos atuais, os dedos eram curtos e eu estava ligada a vários tubos e máquinas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.