Notas iniciais
O título lhe cai bem. Não sei se terminei isso, se devo continuar. Perdi-me em minha própria história. "O autor está morto", foio que minha professora citou, mas não me lembro a autoria. Não sei mais nada sobre o que escrevi e nem o porquê. Espero descobrir algo depois de tanto reler.

A música inundava o local ensurdecendo seus frequentadores, as luzes piscavam incessantemente e incitava-os a dançar. O álcool e a nicotina, os únicos cheiros que sabia identificar, impregnavam os pulmões e sufocava-os. Havia chegado no último lugar que queria, mas sua única esperança. Entrara pelos fundos, utilizando a força que ainda restava para abrir as pesadas portas de ferro. As batidas acompanhavam o ritmo de seu coração e o sangue palpitava em sua orelha, seus músculos ardiam em chamas clamando por desistência, mas não podia, não devia parar. Gotas de suor escorriam pela face, confundiam-se com suas lágrimas e salgavam os lábios secos. Permitira-se chorar. O lugar estava lotado como sempre, sua maior vantagem e desvantagem. Precisava correr, tentar despistá-los.

Tropeçava, mas já não sabia se nas pessoas a sua volta ou em seus próprios pés. As luzes o cegavam a cada vez que acendiam, o ar pesava a cada passo. Não iria conseguir. Todos os músculos de seu corpo sentiam a pressão. Não aguentava mais. Não iria conseguir. Mas precisava, dependiam dele. Conseguiria, independente do que tivesse que ser feito.

A visão se turvou, o calor intensificava e o ar tornava-se escasso conforme o espaço diminuía. Olhou para trás, estavam em seu encalço. Deu mais alguns passos, mas tudo parecia estar em câmera lenta. Avistou as portas vermelhas, estava quase as alcançando. Sentiu seus braços serem segurados e, bruscamente, foi levado em direção à saída de emergência. O arrastaram e o jogaram ao chão. Estava perdido, queria fugir, mas seu corpo recusava a se levantar. Sentiu ser agarrado novamente, afastavam-se do lugar. Estava perdido, mas eles não, havia conseguido. Sabia o que aconteceria a seguir, mas não fora em vão. Estavam a salvo. Não sentia medo. Iria para outro lugar, e qualquer lugar era melhor do que o presente.

Sem diferenças. Sem colapsos. Sentiu a primeira pancada, a música havia mudado. Com esforço desviou da mão que o acertava, mas apenas adiou o inevitável. Não encontrou forças para levantar, e aproveitaram-se disso. Seu tórax queimou com a pontada de dor que recebera, depois o estômago. Tentou em vão se proteger. Lembrou-se do mar, a primeira vez que o vira. Tinha sorte, a maioria das pessoas nunca tinha sentido o cheiro da maresia, a brisa fresca da tarde de verão soprando seus cabelos e lhe trazendo a certeza de que tudo iria acabar bem. Outra pancada, o estavam segurando pelo colarinho do agasalho, claramente gritavam com ele, mas já não ouvia. As ondas do final da tarde se quebravam, a trilha sonora do espetáculo a sua frente. O pôr do sol coloria o céu com tons que nunca vira antes, o mar claro contrastava com as cores.

Em meio à visão turva distinguiu um par de olhos assustados e tristes escondidos, as lágrimas eram o único brilho que havia em seu olhar. Não, não falhara. Já não sentia dor, não distinguia as sombras a sua frente. O mar voltara a sua visão, as ondas se quebravam nas rochas e o som o acalmava. Via seus pais sentados a uma mesa farta com comidas que nunca vira antes, voltara a seu lar. Um clarão de luz se formava enquanto sentava-se a mesa e aqueles pequeninos olhos tristes, esses olhos já se foram há muito.

Notas finais
Realmente estou perdida nesse texto. Só sei que é o meio de algo, mas deveria ser colocado como prólogo. Espero que gostem!