Quem conta um conto
4 Orientações à um escritor amador
Notas iniciais
Porque escrever? E sobre o que escrever? Acho que essa é uma das maiores questões para um escritor amador – pelo menos o é para mim. O problema não é o tão exaltado ‘bloqueio criativo’, não é como se houvesse uma barreira entre mim e as ideias, mas sim em como colocá-las no papel. Em minha mente são ideias muito boas, das quais eu me agrado e, honestamente, não importo se quem a lê se agrada também, – as letras no papel são um jeito de organizar minha mente e se você se entretém ou até se sente tocado com elas ótimo, mas são para mim – mas não as consigo enxergá-las completamente. Por isso, colocar no papel se torna um trabalho árduo e extremamente difícil, com pouca taxa de sucesso. O mundo está repleto de histórias, olhe para qualquer lugar e conseguirá uma ideia boa, o desafio do escritor, ressalto o termo ‘amador’, está em escrever sobre elas de forma que se agrade. É como pintar um quadro, você o faz e o corrige, por vezes desiste, joga-o no lixo ou simplesmente dá uma pausa, até chegar a algo que agrade o artista. Aquilo que ele enxergou desde o começo, sua pequena utopia de ver um papel em branco ser preenchido, não somente por suas palavras, mas por um pedaço de si mesmo que clamava em sua mente para ser liberto.
Sim, escrever é se libertar. Se libertar de si mesmo, de quem é agora para, em algum momento nostálgico de sua vida, rever o quão ingênuo era e o quanto amadureceu daquela época para o presente. Se libertar de seus sofrimentos, da dor que te sufoca a cada minuto do seu dia quando se está passando por uma fase ruim. Se libertar e gritar para todo o mundo o quão feliz está, nem que seja por um pequeno acontecimento do seu cotidiano, um grão de areia que viaja despercebidamente pelo vasto oceano e que se faz ser notado. Se libertar de seus problemas, organizá-los e sua mente e começar a vê-los em uma nova perspectiva, deixam de ser empecilhos em seu caminho e começam a ser possibilidades para o futuro, enxerga-se uma solução. Se libertar da vergonha e medo de ser rejeitado ao amar e assumir esse sentimento, escreve-se cartas de amor que tira o peso de sua mente, “pelo menos, não poderei falar que não tentei”, dessa forma também pode-se se livrar da humilhação de ser rejeitado em sua frente e evita-se os tremores e hesitações que um coração palpitante e a descarga de adrenalina adoram.
Seja uma suave e repentina brisa de verão, que traz consigo a sensação de tranquilidade e paz de uma doce história de amor que, por hora, encontra-se melhor que nunca, um bando de pássaros que buscam por comida para seus filhotes após uma forte e constante chuva em um dia nublado. Uma casa antiga na qual as paredes contam todas as histórias de seus tempos gloriosos em que era a anfitriã de diversas vizitas importantes, ou um sem-teto sentado na esquina pedindo por trocados que oferecerão a sua única refeição no dia, que esconde uma história não tão heroica de um trabalho importante no qual foi demitido ou de sua família que não sacrificou de tudo para serem bem sucedidos. A vida fora de uma janela alva de uma página por horas aberta do editor de texto lhe chama para ser descoberta, quer que seja vista de perto, por dentro, sendo completamente experimentada porque, afinal, é fora da zona de conforto que encontramos as histórias mais extraordinárias, prontas para serem escritas e, talvez eternizadas.
Talvez, porque algumas são escritas para serem enterradas, não um livro novo pronto para ser preenchido e lido, mas um ponto final. Outras são prolongadas, um breve momento de suspiro e estabilidade que organiza a mente antes de se seguir. Algumas grandes, outras pequenas; Umas falam muito, outras pouco; Algumas te surpreendem, outras são previsíveis; Umas te fazem choras, outras rir e outras ainda não te fazer sentir absolutamente; Algumas te prendem e te fazem querer que nunca acabe, outras te fazer fechá-las e esquecer na estante. Mas são todas extraordinárias, especiais no seu próprio jeito, em seu próprio escritor e leitor, pássaros prontos para voar e pousar no próximo galho.
Então, por que escrever? Para saciar a alma e satisfazer a mente, para compartilhar histórias inesquecíveis e extraordinárias á sua própria maneira, para se libertar se si mesmo. Sobre o que escrever? Sobre tudo, sobre nada, sobre qualquer coisa que te chame atenção e que faça despertar o escritor amador adormecido, sobre qualquer coisa que o faça amar estar colocando singelas palavras negras em um fundo branco. Paginas as quais viajarão, talvez apenas para a gaveta, talvez pelo mundo inteiro, talvez que faça chorar, talvez que faça rir, talvez que será amassada e jogada com desprezo no lixo; Escreva sobre algum ‘talvez’ que faça sua mente viajar porque, no fim de tudo, do que se pode ter certeza, se até a morte e suas circunstâncias são incertas?
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