Quem Tem Medo do Lobo Mau?
2 É só pra dar mais emoção
Sua mão ainda segurava firme e forte a minha. A proximidade de seu corpo quente do meu, inibia todo e qualquer frio que pudesse vir a me incomodar. O caminho por qual Jacob havia me levado parecia ser simples e rápido.
O ALERTA VERMELHO que antes gritava dentro de mim, agora se tornava apenas um sussurro. As corujas ainda piavam e de relance eu enxergava seus olhos grandes e brilhantes, nos galhos das árvores.
- Já pode soltar minha mão Jacob! – o alertei depois de algum tempo caminhando de mãos dadas.
- Desculpe. – ele deixou calmamente sua mão escorrer para dentro do bolso. Agora, eu sentia falta de seu calor. Eu não o conhecia, não sabia de onde vinha, nem qual era seu passado. Mas eu acreditava que pudesse lhe arrancar algumas informações. Afinal, não era sempre que eu aceitava a ajuda de um completo estranho e gostoso.
“Renesmee pare agora mesmo com isso. Você nem sabe se ele tem alguma doença.”
- Não se preocupe, eu não tenho nenhuma doença contagiosa! – ele soltou espantando-me com a forma que nossos pensamentos estavam em sincronia.
- Porque falas isto?
- Pois você soltou minha mão, e esta se afastando de mim como se eu fosse “algo”ruim. – e fez gestos de aspas quando falou algo.
- Eu nem sei se você é “algo” bom! – imitei seu gesto, dando de ombros em seguida.
- Quer dizer que se eu fosse bom, você não largaria minha mão? – ele falou aos risos. Ou ele estava rindo de sua própria pergunta, ou da minha cara de envergonhada.
Mas isso era certo? Eu corar com uma simples pergunta? E ainda mais quando ela vinha de um estranho? Todavia, o que mais estava me intrigando era que se ele realmente fosse bom, eu continuaria a segurar? Talvez por medo, dúvida, espanto por estar num lugar desconhecido. Ou talvez apenas por me sentir atraída, pelo o que se definia proibido ou até mesmo perigoso? Eu esperava que a resposta fosse não, para todas as perguntas.
- Mesmo se você fosse bom, eu não seguraria sua mão. Eu sei me cuidar sozinha.
- Uau, quase me senti ofendido. – havia muita ironia no seu modo de falar.
- Por quê?
- Porque mesmo depois de eu ter lhe ajudado, ainda não crês em mim completamente. Assim você me torna quase um...um... um lobo mau!
- OH! Por favor, sem esse papinho fantasioso. Não estou te julgando, apenas prefiro seguir meus instintos.
- Então porque viestes comigo? – ele acelerou o passo e começou a andar de costas, me olhando nos olhos.
- Como? – eu não havia entendido sua pergunta, pois tinha perdido um pedaço da linha quando ele sorriu torto.
- Antes de aceitar minha ajuda, você estava indo pro outro caminho. Relutou umas duas vezes, e por fim aceitou vir comigo. Penso eu que não seguires completamente seus instintos.
- Eu...eu...
- Você não crê em mim o suficiente para saber que não lhe farei mal algum. Mas também não cogitou a idéia de não vir comigo.
- E isso nos leva ao que? Que mesmo eu não sabendo quem você era realmente, de onde veio, o que faz da vida, e porque me ajudou, eu segui caminho com você?
- Sim. Isso demonstra sua personalidade. Você não estava perdida, você sabia o caminho. Sabia que estava certa, e confiava plenamente nos seus instintos. Mas também mostra seu outro lado, aquele que gosta de aventuras e de descobrir o novo. Seguiu seus instintos, mas de uma forma mais prazerosa. Você se embrenhou no desconhecido.
- Aonde você quer chegar com isso? – como ele ainda não tinha caído? Estava andando de costas a um tempão, e nenhum tropeção. Realmente ele conhecia aquele lugar como a palma de sua mão. Mas isso não vinha muito ao acaso, pois o que eu não queria que acontecesse, estava acontecendo. Ele estava me revelando.
- Eu apenas quero que você saiba que pode confiar em mim.
- Só porque descobriu algumas coisas sobre mim, eu tenho que confiar em você? E se eu não quiser, e voltar o caminho?
- Você pode voltar agora, ou a qualquer hora. Mas você não quer. – eu engoli seco com sua declaração. Eu fiquei tentada em voltar, mas dizimei completamente aquela idéia da minha mente antes mesmo dele falar – Sim, quero que confie em mim, não ira se arrepender.
Não respondi, não cogitei em responder. Apenas fitei seus olhos negros cercarem o meu rosto. Jacob ainda andava de costas. Olhei para cima, para observar como estava à noite, poucas nuvens, e uma lua cheia de dar inveja. Vendo as arvores daquele ângulo, elas pareciam assustadoras, como se tivessem grandes garras. Droga, mil vezes drogas. Eu não chegaria à casa da minha avó nunca, e quando chegasse, estaria assinando minha sentença de morte. Eu tinha ficado nervosa e confusa, em poucos segundos Jacob havia conseguido arrancar de mim boa parte da minha personalidade. Eu era como ele havia falado, crente no meu instinto, sentia quando estava fazendo algo certo. Porém meu lado aventureiro era maior, ele gritava dentro de mim. Eu queria experimentar coisas novas, saber o desconhecido. Baixei a cabeça e não o vi mais a minha frente, dei um baque por causa do susto, mas continuei andando ao sentir seu braço encostar-se ao meu, me arrepiando. Ele havia se posto ao meu lado, e agora andava com a cabeça baixa. Baixei também a minha, fitando o caminho por onde eu pisava.
- Quem é você de verdade? Onde mora? Trabalha no que? Porque quis me ajudar? – eu não agüentava aquele silencio. Nunca gostei dele. Parecia-me tão vazio, e eu gostava de coisas que me complementavam, como conversas, ou até mesmo pequenas discussões, como a que tivemos agora pouco. Mas acima de tudo eu não gostava de ser injusta com as pessoas. Eu confesso, sou algumas vezes desmiolada, falo palavrões, sou um pouco grossa, e até por via das duvidas, boba. Mas nunca injusta.
- Porque se importa agora com isso? – de um cara que se dizia bonzinho, ele estava rude, e com expressões frias no rosto.
- Você quer que eu confie em você, não é? – ele confirmou com a cabeça – Então, nada melhor do que o conhecer melhor.
- Hum, eu realmente me chamo Jacob Black, tenho 19 anos e moro num vilarejo logo após aquelas montanhas. – ele apontou para umas pequenas elevações que muito bem poderiam se definir montanhas, e pelas minhas contas, seu vilarejo não estava muito longe – Trabalho na minha própria oficina de motos, meu pai tinha uma serralheria. Mas faleceu alguns meses atrás, e como eu não sou muito chegado em partir uma lenha ao meio, abri meu próprio negócio.
- Sinto muito pelo seu pai.
- Não, você não sente. Não o conhecia. – se eu pudesse, eu socava a cara dele, por estar sendo tão ignorante naquele momento. Mas eu por um lado o entendia, era seu pai, ele tinha direito de ficar naquele estado.
- OK. – ele calou-se novamente, após um alto suspiro.
- Falta uma pergunta ainda.
- Qual? – Jacob indagou curioso.
- Porque me ajudou? – sua boca formou uma linha reta, e sua testa enrugou. Dava para perceber claramente que ele estava pensando na resposta. Será que, assim como eu, ele não sabia a resposta?
- Por que... Porque eu me senti na obrigação. A floresta pode ser maravilhosa e segura pela tarde, mas ao anoitecer as coisas podem fugir do controle. Não recomendo ninguém andar a noite por aqui.
- Acho que não lhe agradeci ainda. Então, obrigada. – ele deixou sua mascara de rancor cair aos pouquinhos, e me deu um leve sorriso como resposta – Enfim, se não recomendas ninguém andar a noite pela floresta, o que fazias?
- O... O que eu fazia pela floresta àquela hora? – era impressão minha, ou aquele garoto gaguejava a cada pergunta que eu fazia?
- Sim.
- Vistoria. Meu amigo é filho do xerife do vilarejo. E eles estavam procurando o tal bandido, e como eu não tinha nada de interessante para fazer, resolvi ajudar.
- Viu, não foi tão difícil assim. Agora eu já confio em você.
- Hum, ainda tenho minhas dúvidas! – ele franziu o nariz.
- Agora você dúvida? – perguntei incrédula.
- Sim, mas só um pouco! Mas sei a maneira perfeita de acabar com essa minha dúvida! – ele sorriu grande. Meu coração deu uma pequena vacilada, seu sorriso era encantador. Em todo aquele tempo que estávamos andando junto ele não havia sorrido tão bonito como agora.
- Sabe? Qual é? – indaguei curiosíssima.
- Sim, sei. Como eu falei um pouco da minha vida. Nada mais justo que você falar da sua! – droga, ele era bom. Muito bom. Lutei mentalmente comigo mesma varias vezes, para não deixar escapar nada de mim e da minha família. Por vários motivos, alguns deles como: meu sobrenome era conhecido por todos, minha família possuía muito dinheiro, eu era filha única, meu avó era rico, e mais alguns aí.
- Eu não sei se é uma boa idéia!
- Viu agora quem não confia em você, sou eu! Imagina se você me leva pro caminho errado, me seqüestra e depois pede resgate.
- Eu NUNCA faria isso! – eu disse enfatizando a palavra nunca.
- Como eu disse, eu tenho minhas dúvidas.
- Humpf! – bufei de raiva – Meu nome inteiro é Renesmee Carlie Cullen, tenho 17 anos, moro na cidade, tenho uma paixão secreta por motos. Se meu pai souber disso ele me mata. Sou estudante, terminando o terceiro ano, e meus avós moram no fim do bosque.
- Uau Nessie, você conseguiu! Viu, não doeu nada. Fico feliz que você goste de motos. – agora ele continha um sorri bobo no rosto.
- Por quê? – ri diante suas expressões.
- Porque daí assim, eu posso te levar dar uma volta na minha moto.
- E quem disse que eu irei com você? – tapei logo a boca depois de ter falado aquilo. Eu havia sido muito grossa com ele. Mas não foi intencional, simplesmente saiu.
Jacob não falou nada, apenas enterrou as mãos nos bolsos novamente e caminhou como se nada tivesse acontecido. Eu queria pedir desculpas, por ter sido tão idiota com ele.
Meu pai havia me ensinado boas maneiras, só que eu vivi tanto tempo rodeada naquele mundo que às vezes me revoltava, ou era negligente. Qual é, assim como eu ele também era adolescente, tinha que me dar um desconto.
- O que tem dentro dessa cesta? – ele falou ríspido, e sem olhar para mim.
- Doces e blábláblá. – respondi calma, tentando amenizar a situação.
- Levando doces para a vovozinha? Não é de se espantar, esta vestida igual á chapeuzinho vermelho. – a ironia voltava novamente para sua voz.
- Obra da minha tia Alice. Na verdade eu faço isso todos os meses. Só que dessa vez eu resolvi cochilar, ferrando com minha vidinha.
- Porque esta ferrada?
- Pois meu pai me matará quando souber que peguei outro caminho, quando souber que eu peguei este caminho com um estranho, que eu dormi na mata. Resultando num castigo de anos, sem mesada por meses e pra completar sem ver Nahuel.
- Nahuel? Quem é esse?
- É o cara que meu pai quer que eu passe o resto da eternidade.
- Mas você não quer. – esse garoto tinha distúrbio bipolar? Pois num segundo ele estava todo raivoso e cruel, e no outro todo queridinho e compreensivo.
- Não, eu nunca me apaixonei. E já estou com ele há algum tempo.
- Esse cara deve ser um palerma. – ele falou rindo – Aposto que eu conseguiria.
- Conseguiria o que?
- Como? – ele me olhou com um misto de confuso nos olhos.
- Você disse que conseguiria, mas o que?
- Hum...Eu...Eu estava pensando alto. – riu nervoso.
- Agora vai ter que falar.
- Não vou não! – alterou a voz.
- Vai sim! – pressionei.
- Eu já disse que não vou falar! – estava quase gritando. Garoto irritante.
- Se você não falar, eu volto e pego o outro caminho.
- Você não quer ir pelo outro caminho. – ele riu zombando.
- Quer apostar? – freei no mesmo instante, coloquei uma mão na cintura e arqueei uma sobrancelha.
- Você não teria coragem. – ele parou e me olhou. Dei um passo para trás – Esta se passando por criança agora – girei calmamente meu corpo de modo que ficasse de costas para ele – OK! Então vá! Garota irritante.
- OK! – dei de ombros e comecei a andar de volta – Tchau Jacob! – acenei.
- OK! OK! EU FALO! – sorri diante a minha vitória e me virei tirando o sorriso do rosto para ele não pensar algo errado, porém estava inevitável conter a felicidade por arrancar aquilo dele. Andei até onde estava, parando na sua frente, e cruzando os braços – Eu quis dizer... – engoliu seco -... Que se fosse comigo, eu conseguiria... – bufou e coçou a cabeça — ...fazer você se apaixonar.
Meus pelos arrepiaram, e um reboliço gostoso se moveu dentro da minha barriga. Da mesma forma que eu me senti quando ele disse para eu seguir caminho com ele. Deixei os braços caírem lentamente ao lado do meu corpo, e minha face relaxar. Meu coração palpitava alto e baixo, o vento que chicoteava minha pele, agora parecia um pequeno agrado. Mesmo não querendo admitir, mas já admitindo, Jacob estava tendo grande influencia sobre mim. Seus olhos chocolates, me fitavam de maneira intensa, e eu me permiti mergulhar por aquele marrom brilhante. Da mesma forma que o vento passava a agradar meu rosto, Jacob levantou sua mão aos poucos e passou a acariciar minha bochecha. Tentei não fechar os olhos, nem perder mais um pedaço da linha. Mas estava sendo algo impossível. Chutei o balde como sempre costumava fazer, e me deliciei daquele momento, sua mão quente e macia, deslizando pela minha bochecha.
- Ainda quer ir pelo outro caminho? – ele perguntou calmo, me tirando do pequeno transe.
- Não. – sussurrei, e ele tirou sua mão do meu rosto. Virou-se e começou a andar, e sem ter muito que fazer, baixei a cabeça e acelerei o passo, conseguindo ficar ao seu lado.
40 minutos depois
Meus calcanhares eu já não sentia mais, minhas meias brancas, agora ficavam aos poucos sujas, por causa de toda hora eu limpar minhas mãos nelas. Meu estomago roncava de fome, e eu estava sentindo tanto frio, que parei de senti-lo.
Desde aquele momento, Jacob e eu não trocamos mais nenhuma palavra, ele andou quieto na dele, e eu na minha. Porém já devia ser de madrugada, eu não agüentava mais andar e carregar aquela cesta, sem contar que o sono novamente estava pegando. Por isso criei coragem, e quebrei a barreira de silencio que havia se formado entre nós.
- Jacob, vai demorar muito para chegarmos? – pedi manhosa.
- Não, creio eu que não. – ele respondeu, bocejando logo em seguida.
- Não me diga que esta com sono também!
- Estou, acho que teremos que parar e acampar!
- PARAR? ACAMPAR? VOCE PIROU? Eu não posso parar, nem acampar! Tenho que chegar esta noite ainda na casa de meus avós e explicar tudo. Meu pai já deve ter colocado a policia atrás de mim. – eu entrei em desespero, como assim parar, essa era uma opção que definitivamente estava fora dos meus planos. Eu nunca iria acampar numa floresta que eu não conhecia e muito menos com um estranho, não tão estranho.
- Porque não? Você tem medo do escuro? – ele riu – Não se preocupe, eu te protejo.
- Não é isso. É que meu pai deve ter colocado a policia atrás de mim, e. droga! Como eu fui esquecer! – bati a mão na testa da minha tamanha burrice.
- O que foi?
- Nahuel. – Jake bufou – Ele é filho do xerife da cidade, por isso deve estar me procurando que nem um louco. E quando ele souber onde eu estive e com quem, com toda certeza irá terminar comigo.
- Então deixe que ele saiba ué! Você não gosta dele mesmo. – ele cruzou os braços e deixou sua boca formar uma linha reta.
- EU NUNCA DISSE QUE NÃO GOSTAVA DELE! – alterei consideravelmente a voz, e recebi em troca um “Shiii”.
Jacob parou de andar, e colocou a mão na frente da minha barriga, como se me mandasse parar também. Olhei para ele confusa, tentando descobrir a resposta daquilo, mas apenas encontrei um olhar perdido. Jake olhava para todos os lados, com o cenho franzido, e eu comecei a procurar o que ele estava procurando. Mas a noite estava escura demais, mesmo com a lua cheia, a floresta muito silenciosa e o único som que eu escutava era o meu coração batendo forte, e a respiração profunda dele.
- O que você esta fazendo? – me virei para ele, recebendo um olhar de raiva em troca. Eu já ia discutir, falar bosta, e o mandar catar coquinho por ter feito Shiii para mim. Afinal, faça Shiii pro cachorro, não para mim. Mas fui impedida de profanar tudo aquilo, quando ele agarrou fortemente minha mão, nos puxando para dentro da mata. Olhei para trás e a pequena estrada pela qual seguíamos desaparecia rapidamente. Jake corria, e me puxava junto, me fazendo correr também.
- Jacob, o que você esta fazendo? Está louco? – gritei para que ele escutasse e parasse. O que surtiu efeito, porém de um modo estranho.
Ele parou e me puxou para sua frente, me colocando de costas para uma arvore enorme. Só quando parei para reparar, foi que vi. Ele havia me colocado dentro de um tronco oco. A árvore era gigante, e lá onde eu estava era um ótimo lugar para se esconder, mas de que?
- Jake, o que aconteceu? – perguntei outra vez, recebendo como resposta um suspiro alto, e ele entrou na parte oca da árvore comigo.
A árvore era grande, porém o espaço era pequeno. Ou seja, ficamos colados. Cara a cara. Minhas costas encostaram completamente na parede da árvore, e seu corpo quente se juntou ao meu. Uma mão minha segurava aquela porcaria de cesta, e a outra segurava sua mão ainda. Está, que foi parar na minha cintura, assim como a outra. Uma perna sua abriu um pequeno espaço entre minhas pernas, e ele parou ali, sem se mover. Eu sentia seu hálito quente, acariciar meu rosto, e por estarmos completamente colados, eu sentia seu coração batucar rapidamente. Jacob engoliu seco, umas três vezes e então abriu a boca para falar.
- Agora você fique bem quietinha OK? – ele colocou o dedo na boca, em sinal de silencio.
- Quem você pensa que é pra me mandar calar a boca? – dei um tapa em seu braço.
- Eu mandei você ficar quieta! – sua voz era rouca e fria, e fez com que eu apertasse a cesta mais forte. Nem mesmo meu pai me mandava ficar quieta, quem dirá um cara que conheci há poucas horas.
- ME DEIXE SAIR DAQUI AGORA MESMO JACOB BLACK! – gritei na sua cara, enquanto esmurrava tapas e socos no seu peito.
- Você é surda garota? Eu pedi pra você calar a boca!
Jake segurou firme meu pulso, soltei alguns gemidos de dor, por causa da intensidade que ele apertava. Meu coração palpitava alto, eu quase o sentia sair pela boca. Minhas pernas fraquejaram alguns instantes de tão assustada que eu estava. Minha cabeça aos poucos latejava de dor, e eu sentia um bolo nascer na minha garganta, eu ia chorar.
- Jake, me deixe sair daqui, eu estou com medo. – perguntei dessa vez com a voz num tom mais baixo.
- Você quer ir lá fora? – ele apontou para fora do tronco, e me olhou com expressões de raiva. E mesmo parecendo ameaçador ele soltou meu pulso.
- Sim, eu quero! – falei convicta.
- Vai ficar querendo. – ele retrucou.
- Jacob, saia da minha frente agora! Eu vou gritar se você não sair! – o ameacei.
- Você ficara aqui Renesmee, e de bico calado.
- QUEM TEM BICO É PASSARINHO! – gritei e esmurrei mais alguns tapas no seu peito, que logo após eram afagados por sua mão.
- Então se considere uma gralha!
- ALGUÉM ME TIRA DAQUI! SOCORRO! ELE QUER ME MACHUCAR! – eu gritava, socava ele e batia os pés no chão, típica ceninha de uma menininha de cinco anos. Mas no fundo mesmo eu estava assustada como uma criança, o alerta vermelho não piscava mais dentro de mim, mas eu sentia que não deveria ter ido pro mesmo caminho que ele. Agora eu estava lascada, Jake ia me machucar.
- Eu mandei você calar a boca! Se você não ficar quieta as conseqüências serão piores! – ele colocou a mão na minha boca, enquanto olhava para todos os lados. Num momento de distração, cravei meus dentes na sua mão, arrancando um grande gemido de dor e que instantes depois virou raiva.
- Você é louca? Virou carnívora agora? – ele chacoalhou meus ombros.
- SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE!
Eu estava pronta para gritar novamente, quando senti sua mão grudar na minha nuca, e sua boca se juntar a minha. Arregalei os olhos diante da sua atitude, eu queria lhe socar, mas meu pulso era segurado pela sua outra mão. E a bendita cesta ocupava minha outra mão. Ou seja, eu estava de mãos atadas. Jake mordeu meu lábio inferior de uma maneira que desfaleceu todas as minhas forças, fechei os olhos e desfrutei daquele momento. Ele largou meu lábio, e eu soltei um pequeno suspiro de protesto, fazendo rir e me beijar novamente.
A mão que segurava meu pulso, o soltou e desceu minha coluna, aproximando mais ainda nossos corpos. Com a mão livre, grudei-a nos seus cabelos negros e macios e deixei o beijo se aprofundar. Nossas línguas estavam num patamar de malabarismo que eu nunca havia visto antes. Nem com Nahuel eu fazia aquilo. Suguei rapidamente sua língua, e ele deliciou-se passando a línguas pelos meus lábios. Jake depositou vários selinhos em mim, e por fim separou-se, deixando nossas testas encostadas. Sua respiração estava desregulada e eu tentava formalizar as batidas do meu coração.
- Você sabia que está morto por fazer isso, não sabe? – eu perguntei agora numa distancia considerável de seu rosto, fitando seus olhos negros. Eu havia amado o beijo, mas de jeito nenhum iria admitir aquilo.
- Quando um não quer dois não fazem! – ele respondeu irônico.
- Eu não queria, e mesmo assim você fez! – enruguei a testa e virei o rosto para não lhe entregar o prêmio de gostoso do ano.
- Mas você retribuiu de muito bom grado. – soltou minha cintura e devagar saiu do tronco, olhando ao redor e me estendendo a mão para pega-la. Dei um tapa nela, e sai de lá sem ajuda alguma – Não adianta fazer bico, você gostou.
- Não gostei coisa nenhuma. – e aí nascia novamente a menininha de cinco anos.
- Gostou sim, até gemeu quando parei de beijá-la! – agora ele ria alto.
- Aiiin! Que ódio, eu nunca deveria ter pegado este caminho contigo. – cruzei os braços e bati um pé no chao.
- OH! Vamos lá Nessie. Era só pra dar mais emoção a viagem. – ele tentou pegar minha mão, mas eu a puxei de volta a meu corpo rapidamente – OK! Não encosto mais em você! Mas tenho certeza que logo, irá reclamar pela falta de meus beijos e vai querer segurar minha mão.
- RÁ RÁ RÁ! De onde você veio? Do circo? Só falta o nariz vermelho! – se ele sabia ser irônico, eu também sabia. Pelo menos, deixa-lo sem graça e com raiva eu havia conseguido. Jacob fechou a cara na hora, e deu passos largos pela mata. E como um pato segue a mamãe pata, eu o segui. Eu bufava e ele murmurava coisas para si mesmo.
Dois adolescentes, fazendo uma ceninha de crianças.
____x____
- Renesmee.
- O que foi?
Há mais de uma hora andávamos, sem parar, sem beber nada, nem comer nada. A cesta que antes parecia um empecilho, agora se transformava num belo atrativo para me estômago. A brisa fria da noite, passava pela minha pele, torturando-me com frio, e fazendo-me pensar, quase que inconscientemente que ter os braços quentes de Jacob ao meu redor não seria uma má idéia. Chacoalhei a cabeça em protesto ao meu pensamento, Jacob estava se mostrando ser uma pessoa bipolar, em momentos ele era doce e prestativo, e em outros ele era arrogante e impetuoso.
- Renesmee! – Jacob chamou-me a atenção novamente, dessa vez me tirando dos meus próprios pensamentos.
- O que foi Jacob? – perguntei sem um pingo de vontade de saber o que ele queria falar comigo. Eu estava cansada, com os pés doendo, e magoada com a forma que ele me tratou poucas horas atrás.
- Eu tenho algo para lhe contar, mas você precisa confiar em mim. E de maneira nenhuma tentar me matar.
- Fala logo.
- Prometa primeiro, se acontecer algo comigo você ira se arrepender depois. – seus passos diminuíram consideravelmente, de modo que ficasse para trás.
- Porque eu irei me arrepender depois? – indaguei nervosa. E parando de andar, para que ele estivesse em poucos instantes ao meu lado, olhando-me temeroso nos olhos.
- Porque você não saberá achar o caminho depois... – ele fez uma pequena pausa – ...sozinha.
- Jake, você esta me assustando. E afinal, porque eu teria que achar o caminho sozinha? Nós já estamos no caminho certo, a não ser que nós estejamos... – minha voz foi diminuindo conforme os fatos tornavam-se reais em minha mente.
- Perdidos. – ele soltou a respiração todo de uma vez, elevando os ombros e deixando-os cair em seguida. Mordiscou os lábios em sinal de nervosismo, e me olhou esperando minha resposta, que demorava a chegar.
Minha mente ainda decifrava todas as palavras ditas calmamente, eu não queria perder nenhum momento daquilo. Se eu estava mesmo acordada e ouvindo aquilo, ele havia me dito que estávamos perdidos, se não eu iria acordar em poucos instantes. Porém a segunda opção não aconteceu, e o pânico tomou conta de mim. Meu coração deu altos solavancos, e eu comecei a sentir minhas mãos suarem, da mesma forma que vários nós formaram-se na minha garganta. Mas todo esse pânico foi significantemente menor que a raiva que se apossou de mim, eu apertei fortemente meus dentes,a ponto de sentir-los rangendo, inflei meu nariz e minha cabeça já maquinava mil e uma maneiras de matar aquele cachorro.
- P-E-R-D-I-D-O-S? VOCÊ ESTÁ ME DIZENDO QUE ESTAMOS PERDIDOS? – Jacob deu passos largos para traz e sem pensar nos meus atos, e na cesta, larguei-a bruscamente no chão, marchando pesadamente até onde meu alvo se encontrava. As suas mãos que antes estavam enterradas nos bolsos, agora paravam frente a seu peito, demonstrando que ele queria que eu andasse com calma.
- Renesmee, lembra o que eu disse sobre algo acontecer comigo?
- HOJE VOCÊ MORRE!MESMO QUE EU TENHA QUE ACHAR O CAMINHO COM O ESPÍRITO SANTO!
Eu praticamente voei até seu pescoço, porém a praga era muito maior que eu, e conseguiu se livrar do meu leve aperto. E mesmo sabendo que seria batalha perdida, eu tentei de todas as maneiras, dar pelo menos um pequeno soco nele.
- EU TE ODEIO! – eu batia minhas mãos de forma ágil e raivosa em seu peito e cabeça. Tentei lhe dar alguns chutes também, que foram logo desviados com facilidade.
- Você não vai querer estragar seus lindos sapatos! – ele comentou defendendo-se dos meus ataques. Imaginei no meio de toda aquela agressão, minha pequena tia Alice, gritando comigo e dizendo que os sapatos não serviam para aquele tipo de esporte. Espancamento.
- AAARG! Você tem razão, esses sapatos são bons demais para entrarem em contato com sua pessoa. Mas o que combina exatamente contigo, é uma pedra! E VAI SER A PEDRADA QUE EU VOU TE MATAR SEU DESGRAÇADO!
Jacob arregalou os olhos, e tentou correr para longe de mim. Já eu, ajuntei rapidamente algumas pedras no chão, e tentei lhe acertar uma. Mas como estava escuro, eu não tinha força suficiente, e estava cansada, o máximo que acertei foi um coitado passarinho. Que nada tinha a ver com a história.
- AGORA RESOLVEU FUGIR? EU DESCONFIEI DES DO INÍCIO QUE VOCÊ NÃO ERA HOMEM O SUFICIENTE! – gritei de maneira que até minha avó pudesse escutar. Avistei longe, sua sombra parar de distanciar-se de mim, dando meia volta e caminhar firmemente até onde eu estava. Jacob não tinha mais aquela cara de dúvida e a voz receosa. Seus olhos pareciam transbordar de raiva, sua boca estava numa linha reta, e agora uma máscara de ódio dominava sua bela face. Seu andar era duro e decidido. Até larguei as pedras que eu ainda tinha na mão, e voltei para onde tinha largado a cesta, pegando-a e prendendo contra meu corpo.
Eu estava fula da vida por estar perdida, por ter confiado nele, por estar com frio, fome, sono e cansaço, porém isso estava trancado dentro de mim, pois no momento que a face perigosa de Jacob apareceu, meu corpo gelou rapidamente, e o arrependimento começou a bater. Sim, eu era uma “cagona”. Só faltava chorar.
- Eu não pedi para isso acontecer, eu estava concentrado no caminho, até VOCÊ me distrair com sua presença. Logo chegaríamos à casa de sua avó, e você nunca mais me veria, do mesmo modo que eu não a veria mais. O que eu poderia considerar um alívio. Você é irritante, é estraga prazeres, não ri, acha tudo sem graça e sem vida, e só pensa naquele seu namoradinho idiota. Quase nos entregou antes, gritando por socorro, quando o pensamento de lhe machucar nunca passou em minha mente. E então eu fiquei todo o resto do percurso pensando no que poderia ter acontecido com a gente, se eu não tivesse lhe calado a boca. Eu iria me culpar o resto da vida, pois se ficássemos no caminho, provavelmente você estaria morta! Mas eu não ficaria com remorso por NÃO ter lhe protegido, mas sim por não ter sido EU a lhe matar. Pois essa é minha maior vontade agora. Você entendeu? – seu dedo indicador ficou o tempo todos apontando para minha cara, suas rugas de expressão ainda eram de total raiva, e sua voz agora estava rouca e espantosamente sedutora. Agarrei minha cesta que nem uma criança agarra sua boneca, e apenas concordei com a cabeça – Agora, você ira fazer tudo o que eu mandar OK? Se eu mandar você comer, você comerá; se eu mandar você andar, você o fará; se eu mandar você dormir, você dormirá. Você fará tudo nos conformes, ou algo muito ruim pode vir a lhe acontecer.
Os pêlos do meu corpo estavam todos eriçados. O nó na minha garganta denunciava as sensações que eu senti após escutar suas duras palavras, minhas pernas aos poucos amoleceram, e eu pude soltar a respiração quando ele deu um pequeno sorriso torto e falou alegremente.
- Adivinha o que faremos agora?
- O que?
- Nós iremos acampar! – como se nada mesmo tivesse acontecido, ele pegou a cesta pesada em meus braços e começou a andar – Você não vem? – o pequeno sorriso de antes, tinha se tornado um adorável e amigável demonstrar de dentes. Com a cabeça a mil pelo Brasil, andei um pouco travada ate chegar a seu lado. Foi apenas eu, ou alguém mais ficou chocada com a mudança repentina de personalidade dele?
- Cara, você definitivamente não é normal. E tudo isso só porque eu te chamei de veado. Isso pode virar um complexo sabia? Não sei por que não assume logo, Ricky Martin fez isso e não doeu nada! – o sorriso amarelo ainda estava no seu rosto, porém seus olhos fulminantes para cima de mim não me enganavam, ele estava se segurando para não me socar.
_______x_______
Eu batia meus dentes uns contra os outros de tanto frio que eu estava sentindo. A roupa que Alice confeccionará para mim era ótima, mas o infeliz do Jacob nos levou para acampar na beira do riacho, onde o sereno aumentava e consequentemente o frio. Ele havia feito uma cabaninha improvisada de galhos grandes com folhas de algumas arvores, e forrado o chão com folhas secas e folhas grandes. O fogo a nossa frente, não era dos maiores, nem dos melhores. Mas estava bom o suficiente para nos aquecer por alguns instantes. Na verdade, para ME aquecer, já que o infeliz nem dava sinal de sentir frio.
A cesta cheia de doces, parecia um lixo. Havíamos comido praticamente metade de tudo que minha mãe havia depositado nela. É apenas nessa hora que eu agradecia a ela por ter vontade de alimentar as crianças do Haiti.
- Olha Renesmee, eu peço as minhas sinceras desculpas por antes. Eu estava completamente descontrolado. – Jake falava enquanto abria mais um docinho, mordia as bordas, comia o recheio de dentro e depois deixava o chocolate se derreter na boca. Muito engraçado, pois eu nunca havia encontrado alguém que comesse assim, a não ser eu mesma.
- Eu que devo pedir desculpas, pela maneira que lhe tratei. Na verdade a culpa de estarmos perdidos é de nós dois. Eu lhe distraí com minhas lorotas e você por se preocupar comigo.
- Eu não quero lhe matar, apesar de que naquele momento meu maior desejo fosse aquele! – ele riu, fazendo-me rir leve também.
- Não precisa se preocupar, momentos antes eu não pensei em lhe matar, eu TENTEI. – amassei um papel e joguei no fogo. Jake riu e estendeu a mão para mim.
- Então estamos kits?
- É, acho que estamos! – apertei sua mão em sinal de respeito, e assim voltamos a nos deliciar com todas aquelas guloseimas. Eu só esperava que nenhum “revertério” estomacal acontecesse.
- Está com sono? – ele perguntou após ouvir meu alto bocejo.
- Um pouco, mas eu estou realmente cansada. Digamos que o dia de hoje foi cheio de surpresas. – relembrei meu encontro com ele, o seu suplicio para me ajudar, as conversas, até mesmo o beijo que indiscutivelmente havia mexido comigo, a briga e agora, as pazes novamente.
- Pois é! Hoje foi um dia e tanto! Mas tenho que confessar que algumas dessas surpresas foram até que boas demais. – Jacob olhava para o fogo e mordia o canto da sua boca. Se ele estava falando da parte do beijo, eu teria que concordar plenamente com ele – Eu vou dormir você vem? – ele levantou-se e olhou sugestivamente para a pequena cabana improvisada.
- O que? – endireitei a coluna – Voc... Tu achas que vou dormir ali? Com você?
Jake cruzou os braços, ressaltando os músculos de seus braços, e arqueando uma sobrancelha. Típica cena de quem estava pronta para debochar.
- Você prefere dormir no sereno? Com um monte de bicho solto por ai? – dito e feito, ele riu debochando da minha pessoa – OK! Você que sabe, veja ai o que você quer fazer! – deu de ombros, e me deu as costas, andando até a cabaninha.
- ESTÁ BEM! OK! Eu durmo... — apontei para o projeto de cama -... alí...- e bufei rendendo-me ao fato de que estaria deitando pela primeira vez com um estranho numa cama, que não poderia ser considerada uma cama mesmo — ...com você.
- Viu, não dói nada! Seu braço não caiu. E não se preocupe eu não mordo. – sorriu sorrateiramente – ainda.
- O que você disse? – indaguei quando pensei ter escutado ele falar “ainda”.
- Eu? Eu... Eu disse fina! É FINA! A cama ta muito fina! – bateu as mãos uma vez, demonstrando estar um pouco nervoso. Levantei-me do tronco caído, e com as pernas moles de tão cansada que eu estava, fui até a cabaninha.
- Primeiro que isso nem pode-se considerar uma cama. Seria uma ofensa para as verdadeiras camas!
- Eita nervosinha! Sinto muito, mas aqui perto não tem nenhuma loja Castor para comprarmos um colchão! E, aliás, eles só servem para outra coisa mesmo, pois dormir a gente dorme em qualquer lugar! – Jacob continha agora um sorriso malicioso.
- Só se for você que dorme em qualquer lugar! Eu durmo numa CAMA.
- Renesmee?
- O que é?
- Cala a boca.
Mostrei o dedo do meio pra ele, que fez igual aquelas criancinhas do pré, fazem careta enquanto debocham da cara dos outros. Desabotoei com um pouco de dificuldade minha capa, e lhe entreguei. O infeliz olhou com cara de quem não tinha entendido a piada.
- O que eu faço com isso?
- Quer mesmo que eu diga? – arqueei uma sobrancelha, e cruzei os braços alisando rapidamente minha pele para que ela se esquentasse. Afinal, eu estava sem minha capa e passando mais frio.
- Engraçadinha! – falou Jake após perceber minha brincadeira maliciosa – Mas agora falando sério, o que faço com isso?
- Forre o chão para podermos nos deitar.
- Sabe que você até que é inteligente! – deu dois tapinhas no meu ombro e se agachou ajeitando a nossa cama.
- Acho que sou a única por aqui.
- Renesmee, vai chupa um prego!?
- Prefiro chupar outra coisa. Mas obrigada pela sugestão!
Jake murmurou algumas coisas para si, e eu mesmo nem tive muita vontade de saber do que se tratava. Pois eu queria era mesmo dormir.
- Pronto, já se pode deitar.
- Obrigada.
Ele deitou-se e parecia bastante confortável, enquanto eu decidia-me se realmente seria certo dormi ali. Eu poderia agüentar a noite acordada, ou até mesmo tentar achar o caminho sozinha. Não seria tão ruim assim.
- Será que da pra parar de imitar uma pipoca? – só fui perceber o quanto eu estava tremendo quando ele acordou-me dos meus devaneios. Jake levantou-se com cara de poucos e bons amigos e me encarou – O que foi dessa vez?
- Sabe, eu acho que não foi uma boa idéia eu tirar minha capa!- falei tremula.
- O que? Só porque você esta com um vestido provocante e usando uma cinta liga, não significa que eu irei te atacar, não sou este tipo de homem, aliás, aquela sua capa não tem super poderes. Ela não iria lhe proteger.
- Agora tenho certeza que você é anormal. SIM! Ela iria me proteger, do frio! E você nem é tão gostoso assim. Eu não tenho medo de você.
- OK! Chega isso ta virando creche! – mostrei a língua pra ele – Quem mostra a língua pede beijo!- Jake riu sugestivamente.
- De caranguejo! – ri alto, enquanto sua cara de garanhão se desfazia.
Ele bufou alto, e sem avisar, tirou sua camiseta. Eu ainda ria, mas aos poucos minha voz foi sumindo como se estivessem diminuindo o volume. Engoli seco, quando meus olhos cravaram naquele tanquinho,todo “gomadinho” e moreno. Sem vestígios de pêlo, um paraíso dos Deuses, onde minhas mãos poderiam deslizar com facilidade e gosto. Seu peitoral era grande, e seu abdome só faltava dizer “VENHA”. Quando olhei mais para baixo, tive que reprimir um alto e sonoro “UI”. Jake tinha aquelas entradinhas que sumiam por dentro de sua calça, e só Deus sabia onde iam parar. Aquelas entradas que apenas homens de muitos e muitos anos de academia e trabalho pesado tinham. Eu as costumava chamar de CAMINHO DA FELICIDADE.
- Toma. – ele entendeu a camiseta para mim, consequentemente me tirando de todos os pensamentos pecaminosos e proibidos que eu estava tendo. Não por ser proibidos em si, mas sim por ser proibidos pensar com ele. Eu tinha que pensar naquilo com Nahuel, e não com um estranho. Era numa hora dessas que eu gostaria de beber até cair, e sair com um estranho daqueles. E ir para onde? Bom, isso eu prefiro não comentar.
Peguei meio receosa a camiseta, e a vesti. O perfume que antes eu sentia pouco, agora invadia minhas narinas e deliciava todo o meu ser por dentro. Instintivamente eu já estava pegando um pedaço da camiseta para cheirar, porém me lembrei que estava na presença do dono dela, e reprimi aquele ato.
- Obrigada. Mas você não ira sentir frio?
- Uau! Ela esta se preocupando comigo! – ele riu e deitou-se novamente, desta vez colocando os braços atrás da cabeça – Não, eu não costumo sentir muito frio.
Desistindo de tudo que eu havia lutado por alguns instantes, até ver seu corpo definido, deitei-me a seu lado.
30 minutos depois
- Jacob? Está acordado?
- Agora estou! – ele respondeu com aquela sua voz rouca e sedutora.
- Desculpe, não irei mais lhe importunar.
- Tudo bem, eu estava brincando. Não consegui dormir ainda. – Jake virou-se para mim, apoiando a cabeça numa mão – O que foi?
- Quem estava na mata antes?
- Do que você está falando?
- Antes de... Você sabe... Beijar-me, você não chegou a dizer que tinha alguém lá, mas creio que não me puxou para dentro da floresta para apenas “dar mais emoção a viagem”. – completei minha afirmação com a frase que ele havia dito, minutos após me beijar.
- Você esta certa, não foi SÓ para isso. – senti o rubor quente chegar as minhas bochechas, e uma risada leve sair de seus lábios – Eu não sei bem ao certo o que vi, mas penso eu ter visto aquele marginal que estava solto por aí.
- Desculpe ter quase nos entregado, mas você não me falou do que se tratava, então eu já imaginei varias coisas.
- Então, me perdoe por não ter lhe avisado antes.
Ele me deu um sorriso amigável e voltou a deitar-se, desta vez da mesma maneira que eu. Olhando para o teto e com as mãos cruzadas na barriga. Eu já não sentia mais tanto frio, porém o sereno havia aumentado, assim como o silencio e o barulho dos grilos cantando. Fechei os olhos e inspirei profundamente, soltando o ar pela boca e tentando pegar no sono. Embalei minha mente com diversas imagens, de tudo. Não consegui pensar em um só assunto, como sempre eu fazia, eu pensava em tudo. Qualquer coisa servia para me tirar um pouquinho do mundo real.
Eu estava quase ficando totalmente inconsciente quando ouvi um uivo alto e aterrorizante. Meu sobressalto foi tão grande, que até mesmo Jacob que parecia estar em sono profundo levantou alarmado e olhando ao redor.
- O qu... O que foi isso? – perguntei apertando seu ombro.
- Isto o que mulher? – Jake me olhou confuso, e passou a mão nos cabelos desgrenhados.
- Você não ouviu? O uivo!
- Uivo? – sua face enrugou rapidamente, assim como seu olhar ficou frio e sua voz sem emoção alguma.
- Sim, foi um uivo muito alto e diferente. Sei lá, parecia que estava chamando alguém. – arregalei os olhos e abracei mais ainda seu braço – Eu não sabia que existiam lobos por aqui, JACOB, ESTAMOS EM PERIGO!
- Fala baixo garota, e não, nós não estamos em perigo. Vem! – e novamente surgia aquele Jacob doce e sereno.
- Vamos para onde?
- Dormir ué! Você acha que vamos aonde? – ele riu, e deitou-se suspirando levemente.
- Eu não sei se conseguirei dormir, não tão desprotegida assim!
- Está com medo? – ele apoiou-se nos cotovelos e colocou aquele sorriso torto no rosto.
- Claro que estou! Tem um lobo solto por aí e você age como se nada estivesse acontecendo!
- Eu não acredito que estou dizendo isso, mas enfim; eu darei uma de lenhador hoje a noite.
- Como é que é?
- Eu irei te proteger do lobo mau, chapeuzinho vermelho!
- Muito engraçadinho, mas então como você fará isso lenhador?
- Assim.
Seus braços fortes e másculos passaram ao redor da minha cintura, e delicadamente Jake deitou-se, levando-me consigo. Meu coração parecia que ia pular para fora da minha boca, e minhas pernas já estavam tão moles que mal conseguia as mover. Porém aquele pequeno frio que eu sentia momentos antes, dava lugar ao um calo abrasador.
- Relaxa Ness, você esta muito tensa. Vendo você assim, parece que nunca dormiu com um homem.
- Eu já dormi sim, mas nunca com um estranho.
- Até mesmo seu namoradinho é um estranho. Você não conhece completamente seu passado, nem seu presente e muito menos seu futuro. Por isso, considere-o um estranho.
- OK! Dessa vez você venceu.
Meu cansaço mental, emocional e físico foi vencendo todos os meus receios e medos. Posicionei-me melhor no peito de Jake, colocando uma perna levemente por cima das suas.Podia sentir sua respiração quente bater em meu pescoço,assim como também sentia aquele aroma deliciosamente tentador que exalava dele.Era amadeirado,exótico e diferente de todas as fragrâncias já existentes.
-Está melhor assim? – murmurou em meu ouvido,deixando-me completamente arrepiada.
Assenti,permitindo que meus olhos fossem de encontro ao seu,obviamente a coisa mais estúpida que cheguei a fazer.Ele estava tão próximo,que a distancia quase inexistente de nossos lábios chegava a me atordoar.
-Você é quente! – deixei escapar antes que pudesse me conter,arrancando-lhe uma risadinha rouca,mas a todo instante sem perdermos aquele contato visual intenso. – Quero dizer,não daquele jeito,e..- senti minhas bochechas pegarem fogo.Mas que droga,Renesmee! O que você está falando?
Jacob sorriu novamente,aquele sorriso que... Meu Deus,eu só podia estar ficando dopada de sono! Para de pensar essas coisas e vai logo dormir!
Minha consciência parecia me repreender por esses pensamentos,contudo ficava bastante difícil de obedeces-lha quando os olhos negros de Jacob estavam cravados em minha boca,enquanto ele se inclinava cada vez mais para finalmente acabar com aquela distância maldita.
E foi então que a ficha caiu.
-JACOB.- gritei fazendo com que ele pulasse de susto,virando meu rosto.
- GAROTA VOCÊ É BIPOLAR?
- Eu tive uma idéia!
- Espero que seja a mesma que a minha.
- Acho que sim. – eu ainda podia sentir seu hálito fresco acariciar a pele do meu rosto – Vamos dormir.
- Como? – o choque para ele foi tão grande, que se afastou de imediato após ouvir minha ultima frase.
- Isso mesmo, vamos dormir! Boa noite Jake.
Voltei a depositar minha bochecha no seu peito quente,e suspirei profundamente,fechando os olhos a espera da inconsciência.Jacob resmungava algo irritado,mas eu estava sonolenta demais para conseguir escuta-lo com clareza.
Lembro-me apenas, de um celular tocar, de Jacob se levantando vagarosamente, e falando algo como:
- Tá no papo.
Notas finais
N/A: E AIII MEU PPP! (povetcho pervo preferido) IOAUSAOIUSOAUOSUAOIA! Eu sei, eu sei, forcei a amizade!
Então, tenho que agradecer aos comentários, adorei ler eles o/ obrigada mesmo!
E então pipoouw! o que acharam desse cap? um pouco confuso não é? Quem esta ficando em duvida se o nosso amado e gostoso Jake é quem diz ser? Lenhador ou Lobo mau? Logo logo vcs descobrirão!
COMENTEEM MUITOO GENTEEM!
Beiijoos e até a próxima
Isa Sartor
Fale com o autor