Quem Tem Medo Da Flor De Cerejeira?
20 Semi interrogatório
Notas iniciais
—Você me paga, teme... —Murmurei entre dentes.
Sasuke Uchiha:
Parei de andar, fazer isso era realmente ridículo, e estou sendo mais ridículo ainda ao pensar isso e fazer uma estratégia tão ridícula! Soltei o ar pelo nariz, fazendo de tudo para não soltar nenhum ruído desnecessário.
Vejamos, é pelo bem da missão que estou fazendo isso, nada mais, ora, preciso ter as informações que Sakura tanto guarda.
Ouvi o som de um gemido doloroso perto de mim e me levantei um pouco para ver a rosada sentada perto de um laguinho de águas turvas, onde ela trocava os curativos da tal ferida.
Mas o que realmente me chamou atenção foi a coloração escarlate que logo se alastrara pelas bandagens que antes cobriam o machucado.
A Haruno levantou a blusa até abaixo dos seios e eu pude ver a ferida que se estendia até as costas da garota, aquilo certamente deixaria uma eterna cicatriz em sua pele.
Parecia que algo havia atravessado o corpo dela e apesar da distância em que eu estava, pude reconhecer aquela ferida como sendo um corte de uma katana.
Eu sabia, estive certo esse tempo todo, Sakura havia lutado, mas então voltamos até a pergunta viciosa em torno de tudo isso: Quem foi o oponente da rosada?
Fui tirado de meus devaneios quando vi Sakura se dobrar para frente e vomitar ruidosamente no laguinho.
Com certeza a rosada não está bem, vômitos não era um dos sintomas mais comuns em pessoas feridas.
Pulei silenciosamente da arvore em que estava, e quando pousei o chão, atrás de um arbusto eu ouvi a fala da Haruno:
—O que está fazendo aí, Sasuke?
Mordi o lábio, havia sido descoberto pela pessoa mais irritante do mundo, espionando a mesma.
Sem ter mais escolhas, eu saí detrás do arbusto, e um olhar cansado foi dirigido a mim.
—Anda, responde. — Falou com a voz cansada e até um pouco impaciente, como se falar aquilo fizesse a garota abrir mão de muita energia. —Você veio fazer o que aqui?
—Percebi que está muito estranha, mais do que o normal. —Respondi casualmente, me encostando em uma arvore próxima. — E agora eu tenho certeza sobre o que pensei, você batalhou contra alguém, agora quero que me responda quem foi?
Sakura virou um pouco a cabeça de lado, me encarando, e por alguns instantes eu pensei não ter reconhecido Sakura.
Seus olhos estavam opacos, sem nenhum brilho da feminilidade e vivacidade que é tão presente na Sakura, os olhos pareciam pertencer a alguma coisa primitiva, algo que se assemelhava a um animal selvagem ou algo do gênero.
Era um olhar cortante, como se dentro de sua cabeça a rosada arquitetasse planos malignos como a forma mais cruel de me matar.
Poucos minutos se passaram assim e eu já estava me sentido intimidado com aquele olhar mortal.
—Sakura?—Perguntei. —Ei, Sakura!
Depois de elevar um pouco a voz, a Haruno soltou alguns sons quase inaudíveis, algo entre múrmuros e guinchos e depois de piscar algumas vezes, a garota continuou a me encarar, só que dessa vez, seus olhos cansados voltaram brilhavam com inocência e suavidade, e o clima pesado ao nosso redor foi se dissipando aos poucos.
—Está tudo bem?—Perguntei ainda confuso com o que acabara de acontecer.
—Na medida do possível está sim. —Respondeu suavemente e frustradamente. —O que você tinha dito antes, Sasuke, acho que acabei me distraindo e nem prestei atenção.
Umedeci meus lábios e hesitei um pouco antes de repetir a pergunta. Posso estar delirando, o que eu duvido muito, mas... Juro que há poucos segundos essa pessoa que estava na minha frente não era a ninja que eu conheço, era como se algo dividisse o mesmo corpo, mas alma era totalmente diferente e repulsivamente cruel.
—Sasuke?—Chamou me tirando de meus devaneios, me fazendo lembrar de que ainda devia uma pergunta a ela.
—Eu perguntei que te atacou.
—Não é ninguém que você conheça, asseguro.
Estreitei o olhar para a rosada e felizmente a Haruno entendeu como uma ordem para que continuasse a falar.
Sakura Haruno:
Suspirei e cansada demais para rebater algo para escapar do interrogatório de Sasuke eu respondi:
—Conhece Byakuya?
Em resposta, o moreno franziu o cenho, seus olhos encararam o chão, o Uchiha estava visivelmente se esforçando para se lembrar do peculiar nome, sem sucesso.
—Não, não o conheço, nunca nem ouvi falar dele. —Ele respondeu a contra gosto, até um pouco frustrado.
—Foi o que imaginei. —Respondi me levantando do chão com pouco esforço e antes que o garoto me questionasse mais alguma coisa eu falei: —Vem, já está anoitecendo e pelo o que conhecemos do Naruto, o loiro não deve nem ter conseguido fazer uma fogueira.
E sem esperar pelo ninja, eu caminhei até o nosso acampamento, onde o Uzumaki praguejava e com a ajuda de Kakashi, montavam o acampamento.
Ao me ver, ele desfez a face carrancuda e o biquinho infantil e se levantou do chão, já exibindo seu costumeiro sorriso.
—Se sente melhor Sakura-chan?
Não pude evitar de retribuir o sorriso e respondi com aceno de cabeça,assegurando que estava melhor o que parcialmente não era verdade.
—Sim, eu estou e como vão as coisas aqui?
—Ótimas!—Respondeu Naruto, é pelo visto eu não sou a única que mente.
—Quem vai fazer a vigília?—Perguntou Sasuke de repente.
O loiro esboçou uma cara carrancuda, e o Hatake soltou o ar, deixando a cabeça pender para frente, visivelmente frustrado e até o próprio moreno que lançou a pergunta agora desviava o olhar enquanto enfiava as nãos nos bolsos da calça, a cena era quase que comica, eles realmente não tinham animação para o dever.
—Ah não, Naruto e Sasuke, podem desfazer essas caras amarradas. —Mandou o Hatake coçando a nuca. — Eu também estou cansado assim como vocês! Vamos fazer o seguinte: —Eu e o Sasuke vai fazer o primeiro turno da vigília e depois o Naruto e a Sakura, ok? —A pergunta foi dirigida a mim e sentindo os olhares do Uzumaki e o meu sensei direcionados a mim, eu assenti sem hesitar.
É deu para perceber que essa será uma longa noite.
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