Quem Diria?
17 Capítulo 17
Notas iniciais
A Tânya passou por mim sem nem pedir licença e correu para abraçá-lo.
– Meu amor – Meu amor? — Que saudades de você – Beijou sua bochecha.
– Que surpresa, você disse que não viria esse ano – Falou animado.
– Eu quis fazer uma surpresa.
– Como soube que eu estava aqui? — Verdade, como ela sabe? Ah meu Deus, ele já a trouxe aqui! Esse senhor mentiroso.
– Passei na casa da tia Esme e como não te vi por lá, pedi o endereço do seu apartamento e vim. Agora sei bem o porque que queria privacidade – Finalmente eles lembraram que eu existia e viraram para mim, que já estava sentada no sofá, esperando a sessão fofura acabar.
Ele percebeu que eu não estava com a cara muito boa e veio para meu lado, passou o braço esquerdo pelo meu ombro e sorriu.
– Amor, essa é a Tânya. E Nya, essa é a Bella, minha namorada.
– Ah claro, Tânya. É um prazer te conhecer – Fui o mais simpática possível. Enquanto ela for legal comigo, eu serei com ela.
– Bella, o prazer é todo meu. É muito bom te conhecer, a tia Esme tinha me falado de você.
– Que bom – Sorri – Estávamos indo tomar café, quer se juntar a nós?
– Se não for incomodo, eu aceito apenas um café. Eu já vim comendo no caminho – Seguimos para a cozinha.
Enquanto eles dois engataram em uma conversa animada, me deixando um pouco de lado, eu fiquei em meu canto, apenas observando e devorando a comida toda. Eu terminei de comer e eles não se desgrudavam, então, fui para o quarto, juntei minhas roupas e segui para tomar banho. Quando estava pronta, fui na sala e recolhi minhas chaves e celular. Pigarreei perto de ambos para que pudessem me notar.
– Edward, eu tenho que ir – Falei o fitando intensamente.
– Mas por quê? Ainda está cedo.
– Não para mim, tenho que ajudar minha mãe.
– Minha mãe e Alice estão lá a ajudando – Insistiu.
– Quanto mais ajuda, melhor – Sorri sem humor. Do que me adianta ficar aqui e ser invisível? — Adeus, Tânia, foi um prazer te conhecer.
– O prazer foi meu, querida. Espero te ver em breve – Apenas abri um pequeno sorriso para a mesma.
– Eu te levo, então – Olhou para a mesinha onde estava suas chaves.
– Não precisa, você está com visita. Eu pego um táxi.
– Nem pensar, eu tenho carro para ser usado.
– Edward – Respirei fundo para não perder a paciência, ele não percebe que não tem clima? — Eu pego um táxi e não se fala mais nisso – Caminhei até a porta e ele me seguiu.
– Nos vemos a noite? — Perguntou com um pequeno sorriso.
– Sim – Ele veio me dar um beijo, mas virei um pouco o rosto e os seus lábios atingiram minha bochecha.
– Bella, o que você tem?
– Como assim, o que eu tenho? — Fiz de inocente. Nem ferrando vou assumir que estou me roendo de ciúmes.
– Você sabe muito bem do que estou falando, não vem bancar a engraçadinha para cima de mim.
– Não tenho nada, só estou indo porque preciso ajudar a minha mãe.
– E essa cara amarrada e amuada?
– É a única que tenho, idiota – Sorriu.
– Você não tem jeito. Tudo bem, vou deixar essa passar. Mas, se continuar assim, vou te prender e torturar até que me conte.
– Vou morrer, então. Porque não está acontecendo nada – Dessa vez eu deixei que me beijasse. Ok, não há motivos para eu ter ciúmes, ela não me fez nenhum mal e não deu sinal de que vai dar dor de cabeça. Ainda! Respira fundo, Bella, ele é o SEU namorado, é com você que ele quis ficar. Sendo ex dele ou não, tudo que viveram está no passado.
Espero!
Parei o primeiro táxi que vi e no caminho, minha mãe ligou e pediu que eu passasse no mercado e comprasse alguns legumes e potes de sorvete. Fiz o que ela pediu e uma hora depois, eu finalmente estava em casa.
– Boa tarde, família. Oi Esme e Alice – Larguei as coisas no balcão.
– Boa tarde, meu amor – Mamãe me deu um beijo no alto da testa e sorriu.
– Oi Bella, está vindo do apartamento do Edward? — Esme sorri.
– Sim, estou. Ele não veio porque teve que ficar com a Tânya – Quase fiz uma careta ao pronunciar seu nome, mas me recompus.
– Ela está aqui? Ela não tinha dito que não viria nos visitar esse ano? — Alice olhou para a mãe, confusa.
– Quis fazer uma surpresa para o Edward e você sabe como eles dois são, um grude só. Ela é tão linda, Renée, vai amar conhecê-la algum dia desses – Ao ouvir isso, cuspi toda a água que tinha acabo de pôr na boca e tossi.
– É melhor eu subir e colocar uma roupa mais confortável para ajudar vocês – Sobre um olhar de “Tem alguma coisa errada com você, mocinha” da minha mãe, eu subo correndo para o meu quarto.
[…]
Deus é pai, Senhor! Graças a ele, terminamos, enfim, de arrumar a casa e a ceia. Fazer e arrumar coisas para festa não é comigo, só gosto de chegar, comer e ir embora. É, nem sempre a vida é tão boa assim. Deitei no sofá quando eram 17:30 e meus olhos estavam quase fechando, daí minha mãe chega e me dá maior susto.
– Filha, vai dar 18:00. Só falta você se arrumar, corre que o resto dos convidados estão chegando – O modo zumbi foi ligado e sai rastejando para o quarto. Separei um vestido roxo, com uma pequena abertura atrás e uma jaqueta bege. Larguei tudo na cama e tomei um banho com direito a cochilada na banheira.
Pedi a Rose que fizesse uma trança raiz, folgada e bagunçada, em meu cabelo e desci no mesmo instante que a campainha tocou.
– Eu abro – Gritei. A casa estava com um cheiro maravilhoso, uma mistura de comida com produtos de limpeza, e uma música que deixava o clima bem agradável. Abri a porta e dei de cara com o Edward, lindo demais como sempre, o problema era que a danada da Tânya estava pendurada em seu braço esquerdo. Logo atrás estava o Emmett e Carlile com grandes e amigáveis sorrisos no rosto.
– Oi, meu amor – Abraçou-me apertado – Estava com saudades – Sussurrou em meu ouvido.
– Oi, baby – Sorri para ele – Oi Tânya, que surpresa.
– Espero não estar incomodando – Sorriu, parecendo sem graça.
– Não está, entrem – Dei espaço para que passassem e depois de um pequeno e adorável abraço do meu lindo sogro, fui levantada por um abraço do Emm.
– Bella, que saudades, minha melhor – Gargalhei com seu entusiasmo.
– Oi, meu melhor, também estava morrendo de saudades – Mostrei a todos o caminho para a sala de jantar e fiquei atrás. Edward parou no meio do caminho e deixou que todos passassem na frente. Soltei um gritinho de surpresa quando ele me puxou para trás e me imprensou na parede.
– Eu realmente senti saudades – Atacou minha boca sem sequer me dar chances de fugir. Afundei minhas mãos em seu cabelo e o puxei mais para mim, porque eu também estava sentindo falta do seu toque – Você está fugindo de mim – Sussurrou perto da minha boca.
– Não estou, só está sendo um dia agitado.
– Agora que eu te conheço, você não mente tão bem.
– Não ferra, Edward – Gargalhei quando ele beijou meu pescoço, fazendo cócegas.
– O casal dá para parar de se comer e vir se juntar à nós? — Jasper gritou do outro lado, nos fazendo rir mais ainda. Tudo bem, a noite está só começando e eu não vou deixar essa Tânya acabar com a mesma. Todos tomaram seus devidos lugares à mesa e o jantar foi servido. Não existia nenhum menor de idade sob esse teto, então o álcool estava rolando solto. O que, na verdade, me assusta um pouco.
Todos sabemos que quando bebemos, nossa boca não tem controle, sai tudo o que não se deve dizer. E também sabemos que reunião de família, principalmente no natal, é para falar dos tempos e lembranças passadas. O que também é uma grande merda.
Resumindo: álcool e família reunida não é uma boa ideia.
Tudo foi bem legal, comemos a base de bastante conversa e risadas, lá se tinham ido três garrafas de vinho e uma de champanhe e meu pai resolveu estender o papo, convidando todos para se reunirem perto da lareira e continuar a conversa.
Tânya, assim como Edward no começo de tudo, conseguiu se entrosar e conseguir a simpatia de todos em minutos. Todos já eram sorrisos e simpatia para cima da mesma, o que não estava me deixando nada à vontade.
– Betty, prepapre para nós alguns drinks – Papai pediu assim que todos se acomodaram na sala.
– Sabe o que essa reunião me lembra? — Falou mamãe — Lembranças de família. Sabe quando você pega os álbuns de família e começa a lembrar das coisas? Pois é, eu adoro esses momentos – Eu te disse, estava bom demais para ser verdade.
– Mãe, ninguém quer saber das histórias sem graças sobre nós – Jazz resmungou, mesmo sabendo que já estávamos ferrados.
Rose é a única que gosta dessa parte do dia, ela ama chamar atenção com as histórias que mamãe conta sobre ela. Eu e Jazz só nos seguramos o bastante para não nos enforcarmos bem no meio da sala como uma forma de grande espetáculo.
– Eu acho uma ótima ideia, ainda mais agora que estamos nos tornando uma família – Esme respondeu empolgada – Eu e Carlile temos ótimas histórias para compartilhar com vocês.
– Ai – Eu e Edward gememos de vergonha ao mesmo tempo.
– Sabe que nós também? Principalmente da Bella, ela sempre foi a mais “pilha infinita” da casa – Riram.
– Eu vou adorar saber coisas sobre a Bella, já que a minha própria namorada não me conta.
– Porque eu não vejo necessidade. Aliás, vamos subir, estou tão cansada.
– Nada disso, senta essa bunda branca bem ai que eu quero todo mundo junto.
– É Bells, vai ser divertido – Paul gargalhou e eu o fuzilei com o olhar mortal que tenho.
– Bom, eu começo – Disse Esme – O Edward era um menino bem traquina também, ele amava me pregar peças. Gritava por mim do seu quarto e quando eu chegava lá e não o via, ele me dava um baita susto. Como eu tinha vontade de esganá-lo quando fazia tal coisa – Até eu tive que rir com essa, porque eu sei o quão irritante isso pode ser, o Jazz vivia fazendo isso comigo.
– Sabe, Edward, a Bella nunca gostou muito de viajar quando era pequena. Ela odiava a ideia de ter que deixar suas amigas aqui, então sempre rolava confusão. Nós íamos para a Itália e a Bella ficou uma fera quando a obrigamos a ir...
– Não, mãe, esquece essa história – A interrompi, mas ela fez que nem me ouviu.
– Entramos no carro e estávamos a caminho do aeroporto, quando paramos no sinal, eu notei que a Bella olhava muito nervosa pelo espelho, daí quando o carro entrou em movimento, ela simplesmente pulou do carro – Todos me olharam chocados e eu me encolhi mais no sofá – A sorte dela foi que o carro que vinha atrás conseguiu desviar, mas não a tempo de passar por cima de sua perna esquerda. Ela a quebrou em dois lugares e fez fisioterapia por dois meses. Desde então, o Charlie só anda com o carro travado – A situação era trágica, mas, mesmo assim, o pessoal riu com a história.
Ok gente, foi uma coisa idiota de se fazer, mas quem nunca agiu sem pensar por estar com raiva de ser obrigado a fazer algo?
Não me julguem!
– Você é maluca, Bellinha – Emm se debruçava de rir.
– O que posso dizer? — Ri sem graça.
– O Edward já me aprontou algo parecido – Disse Alice – Mas não foi por pirraça, ele estava bêbado e esqueceu de fechar a porta do carro direito. Resumindo: fiz uma curva brusca e a porta abriu, a sorte é que o Emmett estava atrás e o segurou a tempo – Que horror! Mesmo sendo engraçado, eu acabei o apertando mais em meus braços, senti um calafrio só de pensar no que poderia ter acontecido com ele. Ele me fitou e deu um sorriso meigo.
– Não me falem em gente bêbada – Jazz gargalhou – Um dia, a Bella e Rose saíram para uma balada que abriu aqui por perto. 5:00 da manhã, acordamos com um barulho vindo da garagem e viemos ver o que estava acontecendo. Imaginem nossa cara de espanto ao chegar no local e pegar a Rose no maior amasso dentro do carro, enquanto a Bella e o James se pegavam loucamente, encostados no painel de controle do portão da garagem, que eles nem perceberam que a porta ficava abrindo e fechando. Estavam tão bêbados que nem perceberam isso. O papai só faltou ter um AVC ao pegar suas duas filhas na maior depravação e eu gargalhei horrores – Olhei para Jazz e fiz sinal para que ele calasse a boca, mas meu pai entrou na onda e resolveu contar sua visão da coisa.
– Eu quase cometi um assassinato naquele dia. Foi a partir daí que eu resolvi não me incomodar mais com as saídas e comportamentos da Bella, não valia a pena.
– Pelo amor de Deus, já chega gente. O que o Carlile e Esme vão pensar de mim? — Tentei parar aquela situação porque vi que Edward já estava um pouco desconfortável ao meu lado.
– Não acho que seja pior que o dia em que eu flagrei o Edward e a Tânya transando encima do capô do carro e não tinham ideia de que quase todos da família viram – Emmett foi o único a gargalhar dessa vez. Eu, que estava dando uma grande golada na minha bebida, cuspi tudo fora e tossi até ficar vermelha. Era nítido que todos notaram que Emm dizer aquilo, não foi uma boa ideia. Recuperei-me um pouco e levantei do sofá. Aquilo tudo já era demais para mim, já era ruim demais saber que a ex-adorada pela família- do Edward estava bem a minha frente e agora essa? Não, isso já é demais até para mim.
– Com licença, eu preciso ir ao banheiro – E aproveitando o clima tenso que se espalhou ali, sai sem olhar para trás, tamanha possessa eu estava de raiva. Eu não sou obrigada a ficar escutando merda sobre ex do Edward, não sou mesmo.
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