Quem Diria?
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Hoje foi prova, o triste do professor disse que não ia fazer prova, mas acabou aplicando. Mesmo com aquele maldito trabalho. Até que foi fácil, é um assunto que gosto e acho que me dei bem. Edward foi o primeiro a entregar a prova, e fiquei me perguntando se era porque ele era muito inteligente ou não sabia de nada. Enfim! Mas a boa notícia é que o professor adiantou o trabalho, vai ficar para a primeira semana de Dezembro. Quem tirasse nota boa nesse trabalho, já estaria de férias e graduado. Ô glória! O Edward até que está se comportando mais, é como se ele soubesse que força as coisas só vai me afastar ainda mais. Eu fico grata por isso, eu já estou me acostumando com ele e até “gostando”. Mas não vamos nos precipitar. O Jake ficou de vir me encontrar com a Nessie aqui, vamos direto para um restaurante, comemorar a chegada deles. Meus pais já viajaram e como sempre, Rose e Jazz estão programando uma festa para amanhã a noite. Deus, lá vem aquelas criaturas ambulantes para minha casa. A boa da vez, é que vai ter gatinhos. O pessoal ainda está me enchendo o saco para que eu possa pedir desculpas ao Edward, mas até agora ele não apareceu. Também não vou atrás. Agora, eu estou me encaminhando para o estacionamento, o Jake já deve estar lá me esperando. Surpreendi-me ao ver toda a galera reunida e animados conversando perto do meu carro.
– Jake! — Gritei e sai correndo. Ele abriu os braços e me pegou no ar. O abracei forte e ele afastou o rosto para me dar um selinho. Calma gente, fazemos isso desde que nascemos. A Nessie não se importa porque também cresceu conosco e está acostumada.
– Nossa, que saudades.
– Digo mesmo – Sai de seus braços e abracei a Nessie – Oi Jubinha, estava morrendo de saudades.
– Oi meu amor, é bom te ver – Virei para os dois.
– Então, partiu para o restaurante? Estou morta de fome! — Escutei um pigarro atrás de mim e virei – Ah, oi pessoal – Edward me olhava de um jeito estranho – Oi Edwin, eu queria mesmo falar com você.
– O nome dele não é Edward? — Perguntou Nessie confusa.
– É uma longa história – Disse Jazz rindo.
– Então? — O fitei.
– Não posso, tenho que ir embora – Nem sequer se despediu, simplesmente deu as costas e foi para o seu carro. Oook...
– Quem mais está com fome? — Todo mundo me olhou torto e Rose apontou na direção do carro do Edward – Você viu que eu tentei.
– Agora!
– Ok, tá bom, eu vou – Sai marchando, eu normal já sou um porre e com fome então! Quase fui atropelada pelo cabeção quando passei na sua frente. Dei a volta e bati na janela ao seu lado, ele exitou, mas baixou um pouco.
– Abre logo essa droga – Fui para o outro lado do passageiro e abri a porta. Sentei e fiquei olhando para minhas mãos.
– Bella, eu tenho o que fazer – Respirei fundo e o encarei.
– O pessoal acha que fui grossa com você ontem, então me obrigaram a te pedir desculpas.
– Você quer me pedir desculpas? — Me encarou.
– Bom, eu acho melhor você não saber minha opinião – Sorri amarelo.
– Desembucha.
– Na verdade, verdadeira, eu acho que estão todos exagerando. Não acho que fui grossa, você mesmo sabia que eu era assim e mesmo assim aceitou ir para a cama comigo.
– Bella, aquilo não significou nada para você? Nem um pouco?
– Desculpa Edwin, você me conhece. Se eu soubesse que aquele ato causaria tanto constrangimento, eu teria evitado – Seu rosto se fez em um muxoxo — Mas que escute bem, porque não vou repetir, eu não lembro de muita coisa. Mas você até que foi muito bem – Sorri torto e ele me acompanhou.
– Fico feliz que pelo menos nisso fui útil – Sorriu e segurou minhas mãos – Bella, eu preciso ser sincero com você – Ai não, lá vem! — Significou algo para mim sim. Não deve ser novidade para ninguém e acho que até para você mesmo que eu sinto algo por você. Eu pensei que naquela noite algo poderia mudar entre a gente. Mas acho que fui precipitado demais.
– Edw...
– Não, espera. Eu sei que você não é uma pessoa de relacionamentos e eu entendo, mas saiba que eu não vou desistir. Eu sei, e não é o meu ego falando, mas eu sei que eu posso te fazer feliz. Você só tem que me deixar entrar – Foi se aproximando e fiquei embaraçada.
– Nos vemos á noite, Edwin. Temos muito trabalho a fazer – Sai do carro quase que correndo e cheguei no pessoal toda afobada. Eles me olhavam com cara de interrogação.
– Essa foi a rapidinha mais rápida que eu já vi.
– Cala a boca, Emmett – Entrei no carro e buzinei – Vocês vem ou não? — Jake e Nessie entraram no meu carro e o resto foi com o Emm. No restaurante, comemos e conversamos bastante. Mas jamais, eu consegui tirar aquela maldita conversa da cabeça. Comi mais que o normal e pedi para irmos para casa, estava cansada e irei ligar para o trabalho. Acho que só essa vez eu posso faltar. Fui direto para o banheiro e tomei um banho demorado na banheira. Pouco tempo depois, sai e vesti uma roupa confortável. Deitei na cama, logo depois que liguei para o senhor Ronnie.
[…]
Acordei agoniada, meu estômago não está legal. Respirei fundo várias vezes, mas não teve jeito. Levantei num pulo e corri para o banheiro. Lá se vai meu almoço todo. Reuni toda minha força de novo e fui até a pia. Droga, eu sabia que não devia ter comido toda aquela comida estranha.
– Bella... — Jake apareceu na porta do banheiro – Nossa, que cara é essa? Bella, você vomitou?
– Sim – Bebi um pouco de água.
– Ai meu Deus – Encarei sua cara de espanto – Você está grávida?
– O quê? — Quase gritei – Não, claro que não. Não viaja, só a comida que não caiu muito bem – Acabei soltando um espirro – Ah não, só era o que me falta. Não posso ficar gripada, não agora.
– É meu amor, o mundo não está conspirando ao seu favor hoje. É uma pena, porque estávamos todos indo para o cinema e de lá vamos pegar uma noitada sem hora para voltar. A Rose cancelou a festa. Mas eu cancelo, tenho que cuidar de você.
– Não Jake, pode ir. O Edward vai chegar a qualquer momento e eu não vou ficar sozinha. É só uma gripe boba.
– Bells...
– Eu disse que tudo bem, desapareçam.
– Ah, já sei. Você quer ficar sozinha com o Edward, não é?
– É exatamente isso, Jake – Debochei – Vamos ficar vivos, é o que eu posso dizer – Rimos.
– Bella, tem certeza que você não sente nada por ele – Me ajudou a ir até a cama – Não me parece que você o odeia de verdade, só gosta de o provocar.
– Jake, eu não odeio ele. Posso não ter gostado no início de tudo, porque por Deus, ele é a minha versão masculina. Só que mais sentimental – Ri fraco – Eu disse que algo não mudou na noite que eu dormi com ele, mas a verdade é que mudou sim. Eu passei a achar ele mais legal e eu nunca confessei para um cara que ele era bom de cama.
– Jesus, você sente mesmo algo por esse cara.
– Não sei se sinto algo, mas algo mudou sim. Não quero dizer isso para ele, porque vai que é só atração e eu acabo confundindo o menino? Não quero brincar com os sentimentos de ninguém, entende?
– É claro – Alisou meu rosto – Sabe o que você deve fazer? Dar uma trégua, deixa ele se aproximar mais, seja você, obvio, mas não tente o impedir de fazer nada. Preste mais atenção nele, isso pode ajudar.
– Obrigada Jake, vou pensar sobre isso.
– Sabe o que as pessoas dizem? — Fiz que não – Que devemos pegar uma coisa que gostamos na pessoa e provar de novo. Se sentir balançada, então é um novo começo para sua vida – Interessante.
– Ok – Sorri para descontrair – Chega de sentimentalismo, vão logo se divertir e me tragam algo cheio de chocolate.
– Anotado – Me deu um selinho – Ah, o Edwin – Riu – Está te esperando a um tempo lá embaixo.
– Manda ele subir, por favor! — Encostei-me no encosto da cama e me cobri até a cintura. Não demorou muito e escutei a porta principal ser batida e ouvi batidas na minha – Entra.
– Oi, o Jacob mandou eu subir – Fiz sinal que se aproximasse – Você está bem?
– Estou, é só um probleminha besta com meu estômago e um início de gripe. Senta aqui – Bati do meu lado.
– Posso ajudar com alguma coisa?
– Todos já foram embora?
– Sim, e disseram que não vão voltar tão cedo.
– É, eu sei. Eu quero sua ajuda sim, você pode ir até a cozinha e pegar o sorvete que tem no congelador?
– Você não está gripando?
– Estou, mas agora eu preciso de algo gelado e gostoso – Sorri. Ele foi rumo ao corredor – E pega duas colheres – Não sei o que deu em mim, mas chequei para ver se não estava com mau hálito e Jesus! Corri para o banheiro e peguei uma bala de menta na gaveta de cima. Mastiguei e bebi um pouco de água. Droga, isso arde. Corri de volta para a cama e me arrumei lá.
– Prontinho, aqui está o seu sorvete.
– Obrigada – Abri o pote de 1,5 e enchi a colher e pus na boa – A segunda colher é para você.
– Eu sei, é só que acho engraçado de te ver comendo.
– Por quê?
– Você solta uns gemidos quando come algo que gosta muito.
– Eu faço isso? — Ergui uma sobrancelha. Fez que sim com a cabeça e pôs sua primeira colherada na boca. Acabei rindo.
– O quê?
– A gente, esse momento. Quem diria que um dia ficaríamos num mesmo ambiente sem brigar? — Riu também.
– Um brinde a sua gripe, então. Por ter te feito mais dócil — Batemos uma colher na outra. Ficamos conversando amenidades, anotando coisas e até mesmo ensaiando como nos apresentaríamos lá na frente da turma. Confesso, estava sendo um momento gostoso, eu estava rindo mais que o normal. Deus, algo mudou entre nós e só eu não quis perceber. Logo a frase do Jake veio a minha cabeça “Devemos pegar uma coisa que gostamos na pessoa e provar de novo. Se, se sentir balançada, então é um novo começo”.
– Por que está tão pensativa? — Perguntou me olhando torto.
– Edwin, me responde uma coisa. O que você mais gosta em mim que te faz querer me ver ou sentir de novo?
– Como assim, que tipo de pergunta é essa? — Sorriu sem entender onde eu queria chegar.
– Apenas responda, por favor – Ficou me encarando por um tempo e soltou a respiração lentamente.
– Bom, tem muitas coisas que eu gosto em você. Como seu sorriso, seu jeito inquieta de ser, sua língua afiada e sincera – Riu – Mas o que me faz querer te ver e sentir no outro dia, é a sua presença. Ter você perto de mim, nem que seja para me xingar, é o melhor do meu dia – Prendi a respiração e minha reação foi pro espaço. O que é que dizemos nessas horas? Pra quê eu fui fazer essa bendita pergunta. Ok, o Jake disse para pegar algo que eu gosto nele. Mas, espera aí, o que é que eu gosto nele. Já sei! Não, espera, isso não. Já é pedir demais. Idiota, para de ficar brigando com você mesma, ainda mais na sua mente! Ok, eu posso fazer isso, é só respirar e falar de vez. Desde quando eu tenho vergonha de falar ou fazer algo? Bufei e encarei o Edward que me olhava de volta sem saber o que fazer.
– Edwin, faz sexo comigo de novo?
– Desculpe? — Parou com a colher na metade do caminha para sua boca.
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