Quem é o monstro?

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Este seria o último capítulo, mas não vai ser. Novamente acabei me estendendo -q

Drip...! Gotas de sangue caiam ao chão ao som de drip-drip. O assassino cruelmente desferiu uma facada em direção à indefesa garota que estava acoada contra uma grade. O frio metal tocou as suas costas, tão gelado quanto ele, seria a lâmina que estava prestes a penetrar o seu peito. Um sentimento de vitória e satisfação invadiu o coração daquele homem, antes mesmo do seu ataque ser completado. Para ele era incontrolável segurar o seu riso. Em sua mente deturpada ele imaginava como seria bom beijá-la, sentindo o frio dos seus lábios; todo o frio do seu corpo sem vida.

A garota desviou. Se isso foi mérito dela ou um descuido seu, o serial killer não saberia dizer. Aquele ato só o encheu de satisfação. Ele adorava quando elas lutavam desesperadamente, agarrando-se à sua miserável vida que pouco a pouco era tirada por ele. E a dela, mais cedo ou mais tarde seria tirada naquele beco escuro e podre. A sua mão armada passou em grande velocidade por ela, que havia movido-se para a sua esquerda. Sua mão, junto com a faca passaram por um dos buracos da grade. Ele rapidamente tentou retirá-la, mas ela estava presa.

— Oh, você prendeu a sua mão — ela murmurou, mas ele ouviu com clareza. A jovem estava com a cabeça baixa, sua franja havia soltado-se da presilha; os cabelos cinzentos cobriam o seu rosto. — Deixe-me ajudá-lo! — Ela levantou o rosto.

Com os cabelos soltos, apenas o lado direito do seu rosto podia ser visto. Ela o fitava; seu olho demonstrava uma expressão psicótica e o seu sorriso um sadismo sem precedentes. A garota levantou a barra da camisa com a sua canhota, assim exibindo parte da sua barriga. O homem olhou para onde a sua mão estava, mas não fora a barriga que chamara a sua atenção, nem a brancura da sua pele, mas sim, a faca que estava presa na sua cintura. Em grande velocidade ela a puxou com a mão oposta, executando um violento movimento de baixo para cima.

A lâmina acertou o pulso do assassino, separando antebraço e mão. Sangue esguichou para todos os lados, enquanto a mão decepada caía do outro lado da grade. Algumas gotas atingiram o rosto da garota. Ele, por sua vez, recuou alguns passos enquanto gritava de dor. O sangue que vertia do seu pulso escorria e jorrava em direção ao chão. Ele apertou com força, usando a sua outra mão, na tentativa de estancar.

— Olhe o que você fez, sua puta! — ele cuspiu as palavras contra ela.

— Olhe o jeito como fala comigo — a garota advertiu. Em seguida ela lambeu o sangue que se encontrava na lateral da lâmina. O gosto amargo invadiu a sua boca, para ela, aquilo era incrível.

— Veja o que você fez, desgraçada! Que tipo de garota você é?! Parece tão inocente... você é uma serial killer?!

— Eu, uma serial killer? — ela perguntou enquanto virava-se e se agachava. A faca foi solta pelo chão e a grade fora aberta usando as mãos. A garota pegou a mão daquele homem, levantou-se e novamente virou-se em sua direção.

O assassino não conseguia imaginar o que ela faria em seguida, mas de todas as coisas possíveis, o que ela fez, foi a que mais o surpreendeu. Aquilo era incabível para ele. Seu estômago doeu como se tivesse recebido um soco. Suas entranhas reviravam-se. Ele sentiu-se enjoado. A garota simplesmente colocou o dedo indicador da mão decepada dentro de sua boca e o mordeu, assim o separando da mão, que logo em seguida foi arremessada em direção ao lixo. Por fim ela começou a mastigar, o som da carne sendo triturada e dos ossos sendo partidos podia ser ouvido pelo homem, que estava com os olhos arregalados. Todo o seu corpo se pôs a tremer. Ao terminar ela engoliu. Ele não podia acreditar, ela havia engolido o seu dedo.

— Mas quem é você?!

— Quer mesmo saber? — a garota indagou, andando em direção a ele.

— N-não se aproxime! — Em seu desespero o assassino deu alguns passos para trás; para o seu infortúnio, ele acabou tropeçando e caiu sentado. Naquele momento o beco parecia mais escuro, mais apertado. Ele sentia como se as trevas estivessem o engolindo.

— Pode me chamar de Treze — ela proferiu ao parar em sua frente.

— Que tipo de monstro você é?

— Então você me chama de monstro, quando é você que mata os da sua própria raça. Isto é meio ilógico, não é?

— Você é maluca!

— Ah, e você não é?

— Está prestes a me matar e me chama de monstro por matar os da minha raça! Você vai fazer o mesmo! Você é o mesmo tipo de monstro que eu!

— Não, eu não sou — a face de Treze tomou uma expressão sombria. — Porque eu sou um Ghoul.

A garota acertou o rosto do assassino com a sola do pé. Violentamente ele deitou, sua cabeça acertou com força o solo. O resultado disso foi um corte em sua nuca. Sangue começava a sujar o chão. Ele estava zonzo, totalmente sem equilíbrio. Treze deu mais alguns passos e pisou com um dos pés em sua cara.

— Você me enoja! — ela vociferou. — Você mata humanos sem sentido algum. Eu mato humanos, como você me acusou, mas apenas os podres como você! Claro que mato os de minha raça também, mas eu sempre tenho um bom motivo pra isso... Vou lhe contar um segredo: eu irei devorá-lo da forma mais dolorosa possível. O farei pagar por tudo que causou àquelas pobres mulheres!

Sob o seu pé, Treze sentiu o homem agitando-se na tentativa de desvencilhar-se da sua prisão, mas era em vão. Ele era mais forte do que o homem. Exatamente, ele. Treze era um homem. Como parte da sua brincadeira, ele retirou um pouco da sua força do pisão, assim o homem escapou, com a ideia de que tinha tido força o suficiente para fugir, quando na verdade estava apenas sendo o brinquedo de um Ghoul. Treze adorava isso! Adorava brincar com a comida, ainda mais quando era alguém que se julgava um predador. Assassinos em série se consideram predadores, agora imagine como eles ficam quando se tornam a presa. Eles ficam em pânico. Treze adorava isso, adorava ver os seus rostos de medo. Colocar medo em alguém frágil não tem a menor graça para ele. Seu verdadeiro deleite vem quando ele faz o medo penetrar em um coração maligno e brutal. Como estava fazendo agora.

O homem arrastava-se pelo chão indo em direção à rua, deixando um rastro de sangue por onde passava.

— Você é tão repugnante, sabia? — o Ghoul falou ao ir em direção ao lixo e pegar algo. — Caiu direitinho na armadilha. Eu sabia que você agia neste bairro. Sabia dos seus gostos e preferências. Sabia que uma aparência de fragilidade chamaria a sua atenção. Então eu me disfarcei. Sabia que sou um espécime masculino? Isso deve ser uma surpresa, não é? Enfim, tudo que tive que fazer foi ficar andando por este bairro. Sabia que mais cedo ou mais tarde você morderia a isca. E você não demorou para fazer isso.

Em seu desespero o homem ouviu cada palavra proferida por treze, mas não ousou parar de se arrastar em nenhum momento; ele tentava levantar-se, mas era em vão. Cada vez que tentava, acabava caindo novamente, então continuou fazendo a única coisa que conseguia, que era se arrastar. Como foi tão estúpido? Foi o que pensou. Não conseguia acreditar que havia caído em uma armadilha, não conseguia acreditar que isso custou a sua mão e que poderia muito bem custar a sua vida.

— Não seja mal educado — Treze falou ao aparecer ao lado do assassino, segurando uma barra de ferro. — Não fuja enquanto eu falo com você.

Treze fincou a barra sobre a mão esquerda da sua presa. O ferro atravessou completamente o membro e perfurou o chão. Agora ele estava preso, seria impossível fugir. O Ghoul ajoelhou-se ao seu lado. Ele segurou os cabelos do humano e puxou, assim levantando a sua cabeça. Em seguida bateu com a sua cara três vezes no chão. Seu nariz quebrou e seu lábio cortou-se em diversas partes. Para ele já estava sendo difícil respirar devido ao pânico que sentia, isso tornou-se uma tarefa quase impossível devido ao nariz quebrado e ao sangue que rompia de seu rosto. Para finalizar, Treze puxou o cabelo com mais força, assim arrancando uma espeça camada. Sangue e couro cabeludo saltaram da cabeça daquele homem. Ele tentou gritar, mas acabou se engasgando com o próprio sangue.

— Vamos dar início ao ritual de tortura, baby! — Treze piscou para ele.

O Ghoul colocou a boca no pescoço da sua vítima, mordeu com força e puxou. A carne e o músculo do pescoço daquele homem esticaram o máximo que pôde até que terminaram por romper-se. Sangue mais uma vez jorrou para todos os lados. Treze lentamente mastigava a carne, deliciando-se com o seu banquete. Aquilo estava delicioso.

O homem gritava cada vez mais alto pedindo por ajuda, mas ninguém podia ouvi-lo. Ninguém viria para ajudá-lo. E o Ghoul continuaria até que não restasse mais vida naquele corpo.

Notas finais
Bem, o que acharam? Espero que tenham gostado. A tortura continua no próximo, até mais!