Quem é o herói?!

1 Capítulo 1 - Distrações


Meu passos pesados caminhavam pelas ruas de Starling. Eu estava irritada, pois com toda a certeza, essa rotina monótona me cansava.

Desta vez, não tive tempo de amarrar meus cabelos impecavelmente, deixando-os por fim, soltos. Por sorte, estava fazendo bastante frio, e o cabelos não em incomodariam, mesmo longos do jeito que estavam. Avistei a cafeteria mais próxima, já pronta para receber meu café de sempre, visto que a moça já me conhecia.

Mal sabia eu que, naquele mesmo dia, minha rotina mudaria. Me aproximei do balcão, surpresa por não ter a extensa fila de sempre.

- O de sempre. — Avisei, no que a moça rapidamente assentiu.

O meu celular vibrava sem parar, até eu perceber que era Oliver quem ligava. Porém, quando pensei em atender, alguém esbarrara em mim e notei que era uma criança correndo. Na confusão, não percebi que eu havia atendido sem querer o celular.

- Desculpa moça! — Um menino pequeno, aparentemente com 11 anos de idade, pedira desculpa. Sorrir para ele.

- Não tem problema. Só toma cuidado, está bem? Para não se machucar. — Falei. O menino sorriu, feliz por eu não ter dado uma boa bronca. Eu sempre fui boa com crianças, e tinha certeza que o respeito era mútuo, portanto, não havia necessidade de berrar por um simples esbarrão.

- Acho que tem um pouco de doce em seu casaco. — Uma voz grossa e rouca, masculina, avisou. De súbito, me assustei, mas por um breve momento, esqueci completamente onde estava.

Ele era alto, forte, olhos azuis, cabelos curtos e loiros. Me lembrava muito o porte de Oliver, mas neste meio tempo de admiração, eu já estava confusa com o quanto os dois eram extremamente, e igualmente, bonitos.

- Poxa, você tem olhos lindos... — Falei, sem pensar.

- Moça...? — Ele falou novamente, porém, desconfiava de que essa não era a primeira vez que ele me chamava.

- Oh... Desculpe. — Corei, envergonhada. Ele sorriu, me deixando ainda mais constrangida. Por Deus! Será possível que eu nunca aprendia?

- Seu café, Srta. Smoak! — A moça me estendeu o café e peguei.

- Obrigada. — Ainda corada, voltei a encarar o loiro bonitão. — Licença. — Ele se fastou para o lado, confuso com meu comportamento, porém, eu estava envergonhada demais para me preocupar com isso.

- Moça... — Ele chamou. Parei de caminhar e olhei para ele.

- Sim?

- Seu celular. — Ele pegou o celular do chão e me entregou, com um sorriso de derreter qualquer garota.

- Ah... claro. Obrigada! — Andei até ele, estendendo a mão para pegar o celular, mas ele não entregou. O olhei confusa.

- Sabe, normalmente eu não faço isso, mas... — Ele sorriu de lado. — Acho que vou querer seu nome como agradecimento.

- Como? — Perguntei, ajeitando os óculos no rosto. Ele mostrou o celular.

- Me diz o seu nome, que eu entrego o seu celular. — Por um momento, comecei a cogitar a possibilidade do defeito dele ser um cara irritante. Mas de alguma forma, aquela ousadia me chamou imensa atenção.

- Porque o interesse no meu nome? — Perguntei. Ele riu.

- Quero me lembrar da moça que me chamou de lindo em transe em uma cafeteria. E que fica incrivelmente linda corada. — Corei mais uma vez. Esse cara estava me saindo um verdadeiro cafajeste.

Por fim, depois de um longo minuto, notei que meu celular estava ligado, como se alguém estivesse na linha. Lembrei de Oliver me ligado.

- Oliver! — Quase gritei, em desespero. O homem a minha frente me olhou confuso.

- Estou surpreso com isso. — Ele disse, e entendi que ele achava que meu nome era Oliver.

- Oh, não. — Quase tive vontade de rir com a confusão. — Eu me chamo Felicity, e eu disse Oliver, porque meu celular está ligado e ele está provavelmente na linha agora mesmo. — Falei, rápido demais. Notei um olhar decepcionado dele, e mais uma vez, imaginei que ele estivesse pensando errado. — Oliver é um amigo. — Não sei porque falei isso, mas de alguma forma, me parecia o certo, no momento. Ele sorriu, me entregando o celular.

Desta vez, o celular desligou, indicando que a ligação havia encerrado. Mordi os lábios. Oliver deveria está irritado por eu não ter atendido. Como eu explicaria isso?

- Oliver me parece louco por querer uma amiga como você. — Franzi o cenho confusa.

- Como disse? — Perguntei.

- Eu não te deixaria escapar... — Foi a única coisa que ele disse, antes de sair com um café na mão, que eu nem ao menos havia notado que ele havia pedido. Antes que saísse completamente, me deixando perplexa, ele olhou para mim e completou. — A propósito, meu nome é David Marks. — Piscou e saiu.

- Poxa, que sortuda você é! — A moça do balcão estava com o cotovelo apoiado na mesa, suspirando e olhando para a porta. — Ele é um tremendo gato e estava dando em cima de você.

Por alguma razão, aquilo me fez sorrir, esquecendo completamente de ligar para Oliver e explicar o meu atraso. Com certeza, a partir de hoje, as coisas mudariam.

(...)

- FE-LI-CI-TY! — Foi a primeira coisa que Oliver disse, no momento em que atravessei o escritório do C.E.O da Q.C.

- Eu sei, me desculpa, eu tive um imprevisto! — Falei, rapidamente. Diggle, que estava ao lado de Oliver, estava sorrindo, como se soubesse de algo a mais. Olhei para ele desconfiada, antes de olhar ara Oliver novamente.

- Esse "imprevisto" tem haver com um cara de olhos lindo? — Oliver falou a última palavra fazendo careta, e não parecia nada feliz.

- Poxa, sabia que é feio ouvir a conversa dos outros pelo telefone? — Debochei. Ele semicerrou os olhos. Mordi os lábios. — Enfim, o importante é que já cheguei e trouxe as informações que você pediu. — Joguei em cima da mesa os dados de identificação do cara cujo missão estava prevista para hoje. Era um traficante de armas que estava dando bastante dor de cabeça para a família.

- Roy já viu isso? — Diggle perguntou, apontado para o nome do bairro em que o traficante morava. Glades, pra variar. Roy morava lá, portanto, sabia quem era a maioria envolvido no trafico.

- Já enviei para ele esse dados, e está investigando. — Falei. — No próximo movimento dele, a gente pega ele. — Falei, empolgada. Eu não sabia porque estava tão empolgada, talvez o incidente de hoje tenha mexido com meu ego.

- Isso é doce na sua jaqueta? — Oliver perguntou, apontando para a pequena mancha de creme na minha jaqueta vermelha. Prontamente, me lembrei do loirão de olhos azuis.

- É... — Eu disse, olhando aquela mancha distraída. — Vou limpar! — Avisei, lembrando que ficara distraída novamente. Oliver e Diggle se entreolharam, significativos enquanto eu saia.

Eu estava ficando louca, mas, aquele cara estava mexendo comigo e olhe que não conversamos o bastante para que rolasse algum tipo de romance épico, contudo, não nego a atração. Ele me fez esquecer Oliver por longas horas, e só por isso, já o tinha em elevada estima.

Provavelmente eu não o veria mais, o que seria uma enorme pena, mas uma coisa eu havia aprendido. Eu não podia deixar de viver só porque Oliver não se decidia. Querendo ou não, agora eu precisava retomar a minha vida, e quem sabe, arrumar alguém que realmente esteja disposto a ficar comigo sem medo e sem receio.

Eu iria atrás disso, e Oliver não vai me impedir desta vez.