Queens of Noise

3 Old Friends - Chapter II


O ônibus se locomovia numa velocidade assustadoramente lerda, o que só elevava o meu nível de aflição. Já que íamos a encontro da morte, porque não adiantar-lo? Pluguei meus fones de ouvido em meu celular, selecionei o álbum "Pure Heroine" da Lorde e o deixei rodar.

Depois de alguns minutos, o grande automóvel estacionou literalmente na frente da escola, me deixando quase dentro do portão principal. Devido a minha obsessão em chegar pelo menos 30 minutos antes do começo de qualquer compromisso que eu tivesse, eu era a única do McKinley que estava naquele ônibus.

Minhas primeiras impressões da escola não foram ruins, o lugar era gigantesco, com diversos prédios, um belo jardim na entrada, ótimos lugares de recreação. O ambiente era bem agradável e acolhedor, até agora nada extremamente desesperador.

Abri minha mochila e resgatei minha agenda escolar de dentro da mesma, onde chequei novamente o número de minha sala. "711". De acordo com o mapa, a mesma ficava no prédio depois do ginásio, o que nos isolava do resto da escola. Eram apenas 4 salas neste prédio solitário, duas no inferior e duas no superior. A 711 era a segunda sala da parte superior, ou seja: eu teria que subir escadas antes das sete da manhã 5 vezes na semana. Já estava cansada antes mesmo de subir-la pela primeira vez.

Caminhei lentamente pelas dependências do lugar, atravessando o ginásio pela parte de dentro, o que diminuiria certo tempo de minha caminhada. Saindo do mesmo, já era possível avistar meu prédio. Pequeno porém bem organizado, com uma aparência aconchegante. Subi as escadas lentamente, até chegar na porta da 711. Chegando lá, encontrei o de sempre: cortinas fechadas, luzes apagadas, ventiladores desligados.

Sem pensar muito, caminhei até a última carteira da fileira da extrema direito, colocando minha mochila abaixo da mesma enquanto me sentava. Deitei minha cabeça na mesa por alguns minutos, o que terminou em um cochilo.

Senti uma forma gelada agarrar o meu pulso, o que me despertou de meu sono. Abri meus olhos lentamente e vi que era uma mão. Elevei meu olhar e sabia que conhecia muito bem aquele rosto.

– Quinn! — Exclamei de maneira extremamente animada, enquanto me levantava para abraçar-la após retirar meus fones de ouvido. — O que você tá fazendo em Ohio? — Perguntei enquanto a soltava de meu abraço.

– Minha mãe se separou do meu pai e o deixou em NY, então resolvemos voltar pra cá. — Disse ela sorrindo enquanto colocava sua mochila na carteira a frente da minha, sentando se lentamente. — E você, por quê veio pra Lima?

– Meus pais receberam uma boa proposta de emprego caso viessem para cá, então, aqui estou eu. — Disse enquanto me sentava novamente.

Continuamos a conversar por muito tempo, nem percebíamos a chegada de mais pessoas no lugar, que começavam a socializar entre si, e nenhum deles vieram falar conosco.

O mundo acabava de parar. Um garoto alto, atlético, extremamente belo, de cabelos mistos, uma tonalidade perdida entre o loiro e o castanho claro, que se misturavam criando a coisa mais perfeita que eu já tinha visto em minha vida.

– Olá garotas, sou Finn. Qual o nome de vocês? — Indagou o mesmo enquanto sentava-se ao nosso lado.

– Eu sou Rachel, essa é Quinn. — Disse enquanto apontava para a mesma, que respondeu com um aceno.

Neste meio tempo, uma bela garota negra andou em nossa direção colocando sua mochila na carteira da frente de Finn, ficando ao lado de Quinn.

– E aí Finn. — Disse enquanto o abraçou rápidamente.

– E aí cedes. Rachel, Quinn, essa é Mercedes. — Disse enquanto apontava para a mesma. — Mercedes, essas são Rachel e Quinn. — Disse enquanto repetia o gesto.

Nos quatro conversamos durante todo o primeiro horário, que por algum motivo, fora vago. Nenhum professor fora nos repreender ou sequer entrar na sala. Pelo jeito, o ano seria bem menos ruim do que eu imaginava.